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Duas live sessions imperdíveis: A Olivia na Argentina, e Grisa na Casa Rockambole

Prestes a subir ao palco do Estéreo MIS com a turnê do álbum Obrigado por perguntar — show que rola no auditório do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, no dia 17 de abril, às 21h, com participação de Lucio Maia — a banda A Olívia resolveu dar mais um passo e liberar a live session Ao Vivo na Argentina. E tem um detalhe interessante nisso tudo: durante essa mesma turnê, o grupo acabou se tornando a primeira banda brasileira a gravar em dois estúdios bem icônicos da América Latina. O vídeo completo já está no YouTube, no canal oficial deles.
Essa passagem por Buenos Aires rolou em junho de 2025, a convite da Mural Session, produtora argentina que já trabalhou com mais de mil artistas de língua espanhola e que, dessa vez, abriu espaço pela primeira vez para um nome brasileiro. E não ficou só na gravação: por lá, A Olívia também fez shows no pub Mitos Argentinos e na clássica La Trastienda – casa que já recebeu gente como Charly Garcia, Fito Paez e os Paralamas do Sucesso, entre vários outros.
“A Argentina e o Brasil são países irmãos, latinos, apaixonados por música e futebol, que viveram às suas ditaduras e viram nas canções do seu tempo uma ferramenta para a transformação. Acredito que esse tipo de conexão que se dá pela luta, pela liberdade e pela celebração da vida é uma conexão natural e muito potente, capaz de quebrar a barreira do idioma”, diz Louis Vidall, vocalista da banda.
“Pra gente foi uma honra gravar em estúdios de verdadeiras lendas. É muito empolgante testemunhar como o rock é algo pulsante em Buenos Aires. Se escuta o tempo todo e em todos os lugares da cidade”, completa Pedro Tiepolo, baixista.
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Tem mais gente boa lançando live sessions: a compositora, artista sonora e luthier eletrônica Grisa soltou recentemente no YouTube a session Grisa na Casa Rockambole, que mostra um show na casa de shows paulistana – filmado por Gabriella Leonor – que passeia pela discografia dela. O repertório do álbum mais recente, Amor trespasse, lançado no ano passado pelo selo Midsummer Madness, surge ao lado de faixas mais antigas. E há músicas novas, que já estão selecionadas para Sistema-mundo, próximo trabalho.
No palco, Grisa (voz, guitarra), Gil Mosolino (baixo), Jonatas Marques (bateria) e Henrique Seibane (guitarra e sintetizador). E se você estiver achando que tem algo muito louco e diferente acontecendo na sua tela enquanto o show rola… Bom, de certa forma tem sim: a captação de imagens de Gabriela privilegia texturas, cores bem estouradas e efeitos visuais diversos. Ou seja: não basta ver o show e ouvir a música – é pra viajar com a banda nas intensidades visuais escolhidas para cada faixa.
Amor trespasse, por sinal, é um disco que não acaba na última música – e cujo começo já teve um “antes”. O disco, que passa por estados emocionais que transmitem ansiedade, desejo, perda e transformação, começou a ganhar forma durante uma residência artística na Casa Líquida, em Pinheiros.
Foi ali que o projeto deixou de ser só música e virou algo maior: um universo próprio, com 13 faixas, uma série de 13 imagens em estilo “olho mágico” e até uma instalação imersiva — tudo pensado como partes que se completam dentro da mesma obra. E ele também virou livro: Amor trespasse, publicado pelo coletivo editorial Baboon, e que funciona como um espelho visual do álbum: cada uma das 13 imagens corresponde a uma faixa, criando uma correspondência direta entre som e imagens “olho mágico”. Pra ler, ver, ouvir e imaginar…
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Pattie Boyd, ex-esposa de George Harrison: “Ninguém desses filmes dos Beatles falou comigo”

O machismo e o anedotário do rock empurraram a ex-modelo Pattie Boyd para a condição de ex-esposa de dois roqueiros: George Harrison (que dedicou Something para ela) e Eric Clapton (que escreveu Layla para ela quando Pattie era apenas uma paixão platônica – e acabou se casando com a esposa do mui amigo George). De uns anos para cá, ela vem se dedicando à fotografia, uma paixão que virou profissão, e volta e meia faz reaparições.
E uma novidade dela rolou na semana passada, quando ela apareceu no episódio de estreia de Miss O’Dell: Abbey Road To Tulsa Time, um novo podcast apresentado pela veterana tour manager Chris O’Dell, que trabalhou com artistas como os Beatles, os Rolling Stones e Bob Dylan.
Rolou polêmica, claro: lá pelos 33 minutos de papo, O’Dell perguntou a ela sobre o projeto de cinebiografia dos Beatles dirigido por Sam Mendes, que está em desenvolvimento – até porque existe uma Pattie Boyd no filme, interpretada por Aimee Lou Wood. Acontece que Pattie soube de tudo pela mídia: não foi procurada por Mendes, nem pela produção do filme, nem por Aimee. E você pode imaginar como ela vem se sentindo por causa disso.
“Olha, posso estar completamente enganada, mas eu teria pensado que seria educado me avisar ou me informar que já tinham alguém para me interpretar. Você não acha que eles me avisariam? Bem, ninguém entrou em contato comigo”, disse ela. “Eu poderia ter contado histórias incríveis. Mas acho que eles não querem saber. Acho que eles querem criar algo completamente diferente, uma história diferente”.
Boyd acrescentou que o filme parece não ter “nada a ver com a verdade. Nada a ver com o que realmente aconteceu porque eles não querem falar com ninguém que estava lá”. Em vez disso, é “a criação do cineasta sobre o que ele acha que aconteceu”. E enfim, Aimee, da série Sex education, já vem até dando entrevistas sobre quão louco está sendo interpretar Pattie. Falou disso em março com o The Standard.
“Todos conhecem essas pessoas, então é muito diferente e bastante intimidante. Já fiz as provas de roupa com o cabelo loiro e os olhos azuis. Estou realmente me transformando em uma pessoa diferente”, contou, acrescentando que não poderia recorrer ao truque de “vamos experimentar e ver como é que fica”. “Às vezes, eu penso: ‘Vamos ver como as coisas vão, vamos experimentar e ver o que acontece’, o que é ótimo para certas coisas, mas na verdade não posso fazer isso com a Pattie. Vou ter que me preparar muito bem e ser muito detalhista, porque ela é uma pessoa muito reconhecível, e obviamente não posso fazer uma imitação”.
E ora bolas, não seria mais tranquilo para todos os envolvidos um bate-papo com a pessoa que vai ser retratada no filme? Sim, seria – se Mendes procurasse a fotógrafa, provavelmente Aimee, que sequer deve ter autorização para procurá-la por conta própria (ou deve se sentir constrangida para fazer isso), ficaria bem mais segura. Seja como for, todos podem ficar tranquilos porque a ex-senhora Harrison é de paz.
“Vou me comportar muito bem e não ficar mal-humorada e resmungona”, disse ela, que ou não conhece Mendes ou fingiu desprezar sem dó o diretor de Beleza americana. “Alguém disse que ele era famoso. Aparentemente, ele é famoso, esse homem”, disse ela no papo.
Já quem parece tranquilo em relação ao filme de Sam Mendes é Paul McCartney: ele vai até lançar um documentário do disco novo, The boys of Dungeon Lane (que sai, você deve saber, nesta sexta-feira), baseado em diálogos justamente com o cara que irá interpretá-lo em The Beatles: A four-film cinematic event, Paul Mescal. O Paul mais ilustre fala sobre as memórias, os relacionamentos e o processo criativo por trás de seu próximo álbum, e o xará Mescal conduz a conversa a partir das músicas do álbum.
Ainda sobre Pattie: a modelo e fotógrafa, você deve saber, criou um climão entre os brothers George Harrison e Eric Clapton ao trocar o primeiro pelo segundo. Tinha outras coisas envolvidas: 1) eram os anos 1960/1970, época de doideiras abissais; 2) Harrison estava longe de ser o maior santinho da história: lá pelos anos 1970, estava drogadaço e bêbado, e já tinha traído Pattie várias vezes; 3) Eric – que já tinha feito Layla para Pattie e vinha cantando a mulher do amigo havia anos, no maior esquema fura-olho – estava em rehab e parecia estar melhorando.
De qualquer modo, até Paul e Linda McCartney foram ao casório dela com Clapton. E George também (!). Olha a prova aí.
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Nitamortei: voz e performances unidas para quem curte Laurie Anderson e Slits

Voz, sons eletrônicos, performance e ambiência como se fossem uma coisa só: Nitamortei, que trabalha entre o Reino Unido e a França, faz um som em que nenhuma dessas coisas serve como limitação. Você pode imaginar um filme, ou seguir uma jornada pessoal na imaginação, ouvindo Armour, novo single, que serve de batedor para um EP a ser lançado em 2027.
O trabalho de Nitamortei é basicamente “a voz como um corpo sonoro em constante evolução”, mas há bem mais do que isso no som do projeto. Nitamortei ama a concepção de punk das Slits (“vale a pena ler a biografia de Viv Albertine”, recomenda num post do Instagram, citando a guitarrista do grupo), além da obra do artista performático holandês “Bas Jan” Ader.
Num papo com site Indie valley music, Nitamortei explica que a nova música “é uma faixa que questiona um estado transitório entre o passado e uma nova pele. Uma forma de dizer adeus a algo precioso, significativo, amado, mesmo consciente de que não pertencemos mais a isso”, diz. O som é um eletrônico quase industrial, de efeitos visuais mesmo que você só ouça a faixa sem assistir ao clipe, que está no YouTube. As vozes de Nitamortei, de longo alcance, têm algo de Laurie Anderson.
O vestido que surge na capa do single tem significado, e ficou como apoio e símbolo detransição. “Ele me foi dado por uma amiga de Berlim em Atenas, há cinco anos, quando terminei de construir um lobo gigante de fantoche para um espetáculo”, recorda. “Depois de cinco anos de viagens e apresentações com esses objetos, eles deixaram de ser proteções e se tornaram um fardo, e eu tive que me desfazer deles”.
O EP que vem por aí se segue a ALLWILDVOICES, disco inicial lançado em 2025. E segundo Nitamortei, o EP “é a história nua e crua do que construiu minha armadura”.
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“Bota o coração na frente”, diz Roberta Zerbini em single novo

Roberta Zerbini, cantora e compositora, vivia uma situação difícil quando ouviu de sua irmã uma frase que acabou lhe marcando: “dá uma chega pra lá na mente e bota o coração na frente”. Um conselho que não apenas grudou, como também rendeu música.
Parceira de Roberta e integrante de projetos como Bolerinho e Meia Dúzia de 3 ou 4, Luisa Toller pegou a frase, a transformou em letra e pôs música. Roberta gravou, ao lado de Andre Bordinhon (arranjos), Marcelo Lemos (violão) e Talita del Collado (percussão, captação de som e edição) e Coração na frente já está nas plataformas. A masterização e a mixagem são de João Antunes.
Coração na frente abre com jeito de bossa latina – tem até algo do lado acústico de Rita Lee na abertura. Roberta canta a história de como a frase chegou até ela, e o que ela fez do conselho que ouviu – do sufoco de ver muita coisa dando errado até a hora que conseguiu respirar aliviada.
As parceiras começaram a trabalhar juntas na pandemia – foi na época em que Roberta organizava o Sarau Mães Musicistas, que contou com oito edições e recebeu diversas artistas mães para bate papos online, entremeados de canções.
“Nos identificamos enquanto mães compositoras, cantoras e pianistas. Fizemos lives juntas e, agora, celebramos um encontro que transcendeu aquele momento pandêmico. Sou grande admiradora da voz de Roberta e de sua forma de expressar os sentimentos, com o coração sempre desejando estar à frente”, revela Luísa Toller.
Roberta, por sua vez, canta desde os 16 anos e já lançou os álbuns Organika (2013) e Pedra pássaro (2021), além do single Corpo, com feat de Tauana Queiroz. E Coração na frente chega acompanhada de audiovisual dirigido por Daniel Minchoni.
Foto: Wladimir Fontes / Direção de arte: Fernanda Zerbini

































