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Radar: Cipó Fogo e Tijuca Dub Club, Libra e Clara Lima, Letto, Vanguart – e mais!

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Cipó Fogo e Tijuca Dub Club (Foto: Divulgação)

Peso, eletrônica, som folk, rap feito entre Brasil e Portugal… O primeiro Radar nacional da semana aponta para vários lados, abrindo com as ousadias musicais, artísticas e políticas do Cipó Fogo e do Tijuca Dub Club, e prosseguindo até com a memória do indie rock brasileiro. Ouça bem alto.

Texto: Ricardo Schott – Foto Cipó Fogo e Tijuca Dub Club: Divulgação.

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CIPÓ FOGO E TIJUCA DUB CLUB, “DIGITAL SLAVES” / “ACAB”. O Tijuca Dub Club vem da eletrônica, o Cipó Fogo puxa pro peso – juntos, soltaram esse single duplo, Digital slaves, com a ideia de que a escravidão nunca acabou, só mudou de forma. Agora, o controle tá com as big techs. Pra ilustrar isso, eles usaram IA recriando obras de Rugendas e Debret, que viraram a capa. A tecnologia entra como crítica: Felipe Vazquez, produtor do Tijuca, resume como “trabalhar pra bilionário brincar de robô”. Já Marcelo Cabral, do Cipó Fogo, deixa claro: ninguém ali é contra tecnologia. “Artistas, sobretudo periféricos, independentes, do underground, com poucos recursos disponiveis, podem e devem utilizar essas ferramentas para se expressar, não substituindo o trabalho criativo, mas complementando o que surge de uma ideia original”, diz.

LIBRA E CLARA LIMA, “NO ONE WILL SAVE YOU”. O rap do Brasil e de Portugal se encontram aqui: Libra, de Lisboa, e Clara Lima, de BH. O single No one will save you foi feito à distância, mas junta duas visões de empoderamento dentro do rap, com versos em inglês e português. Uma música que fala daqueles momentos em que o perigo não vem só de fora – às vezes, vem da própria cabeça. É quando a gente tem que ter coragem de assumir nossa própria força.

LETTO, “LEVANTA MEU BOI”. Depois de rodar o Brasil e absorver várias referências, Letto chegou nesse som inspirado nos folguedos de boi — especialmente o de Natal (RN). A música já vinha sendo testada ao vivo antes de virar gravação. Ele mesmo diz que usa o palco como termômetro e só grava o que já funcionou ali. O single abre caminho pra apresentação junina do projeto Girô, com o qual ele já tem ligação forte, seja como DJ ou cantando carimbó.

VANGUART, “SEMÁFORO”. Memória no Radar: a Deck pôs nas plataformas a estreia epônima do Vanguart, que saiu em 2007 em CD encartado na revista Outracoisa. David Dafré (guitarra e voz), Douglas Godoy (bateria), Hélio Flanders (violão, gaita e voz), Luiz Lazzarotto (piano e órgão) e Reginaldo Lincoln (voz e baixo), que eram a formação na época, ganharam destaque em sites como o Scream & Yell com o álbum, e são lembrados até hoje pelo folk alternativo e MPBístico de músicas como Semáforo e Cachaça. Uma das obras mais importantes do indie nacional do começo do século 21 vai chegar às novas gerações.

BEATRIZ E A FITA, “ESTRELA”. Criada em 2012 por Beatriz Paris Pinheiro, a banda segue numa linha indie mais íntima, entre folk e dream pop. Estrela vai ainda mais nessa vibe: soa quase como uma valsa leve e meio etérea, sobre alguém deslocado, como se não pertencesse a esse mundo. Começa com voz e violão bem na frente e vai ganhando camadas aos poucos.

CHAMELEO, “CURVAS”. Unindo sonoridades do indie pop e do indie rock, Curvas, single novo de Chameleo – composto por Vivian Kuczynski, Pedro Bom e Gabriela Grafolin – tem uma letra bastanta ousada, que fala sobre a ansiedade por novas sensações, novos prazeres, novas experiências, “uma inquietação que atravessa a forma como a gente se relaciona, inclusive no amor. No fim, essa busca toda pode levar a algum lugar… ou não”, diz ele. Até mesmo o impulso de ir de São Paulo ao Rio para viver coisas novas surge na faixa, cujo clipe, dirigido por SCOZ e Lucas Cobucci, foi gravado em locais como o Love Cabaret e o Andar de Cima.

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Radar: Sara Diana, Jason Michael Moore, Zarza – e mais sons do Groover

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Radar: Sara Diana, Jason Michael Moore, Zarza - e mais sons do Groover

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Sara Diana.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Sara Diana): Divulgação

SARA DIANA, “HER HAIR’S LIKE FIRE”. Sara Diana transforma a atração por alguém difícil de ignorar numa espécie de pequeno filme pop. A cantora e compositora de 20 anos usa imagens de fogo, cor e perigo para falar de desejo, mistério e obsessão, com vocais intensos sobre uma produção atmosférica. A ideia é menos contar uma história linear do que criar cenas e sensações.

A faixa dá sequência ao caminho iniciado com o single de estreia Pocket poetry, misturando pop e escrita de tom poético. Her hair’s like fire ganhou também um clipe, que leva para as imagens o clima cinematográfico da música.

JASON MICHAEL MOORE, “BRIDGES BURNING”. “Minha música é 100% human-made”, avisa Jason Michael Moore, músico e multi-instrumentista de Los Angeles. A faixa começa com baixo cheio de groove e violões quase sonhadores, antes de desembocar num refrão de rock psicodélico pesado e chegar a um solo de guitarra. Pixies, Iggy Pop, Tom Waits e Nine Inch Nails estão entre as referências.

A letra passa por esperança, perda, reconciliação e acertos de contas pessoais. A música abre os trabalhos de Flying blind, próximo álbum de Moore, que promete circular por psicodelia, punk, sons acústicos, beats, guitarras e sintetizadores.

ZARZA, “LOS CUADROS”. A Zarza, banda equatoriana de raízes também argentinas, transforma o fim de uma relação numa balada rock sobre despedida, lembranças e a difícil tarefa de aceitar que algo acabou. A faixa integra o primeiro trabalho de estúdio da formação atual e, ao lado de La mujer de blanco, antecipa o novo álbum que o grupo está preparando. O som mistura rock alternativo, psicodelia e blues, abrindo uma nova fase para a banda.

SALINE EYES, “STANDING WHERE YOU ARE”. James Hackett, o produtivo criador desse projeto musical norte-americano, fala em Standing…, novo single do Saline Eyes, do desejo por alguém. Um desejo que surge por acaso, chama a atenção e desaparece na multidão antes que qualquer coisa aconteça. A música começa com acordes menores levemente sombrios e cresce aos poucos. No trecho final, a voz aumenta a tensão e reforça a esperança de que esse amor impossível encontre um caminho de volta.

DONA TERMA, “BEFORE THE SUNSHINE”. O projeto musical português Dona Terma é um compositor solitário que grava as próprias músicas e encontra nelas uma maneira de colocar para fora o que nem sempre consegue dizer. A faixa aproxima folk e indie pop num arranjo suave, de melodias delicadas e clima melancólico. A sensação é a de uma lembrança que reaparece sem aviso, trazendo de volta algo que parecia já ter ficado para trás.

MENDERBUG, “WHERE THE SILENCE GREW”. Esse projeto musical sueco cria um contraste curioso: enquanto bateria e guitarras empurram a música para a frente, a letra continua presa ao que já aconteceu e não pode ser mudado. Shoegaze, pós-punk e post-rock entram numa faixa acelerada, mas melancólica, sobre distância, estresse e coisas que ficaram sem ser ditas. Slowdive, DIIV, Gleemer e o primeiro Sunny Day Real Estate ajudam a localizar o som.

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Radar: Saline Eyes, Crá Croí, The Essence Of The Universe – e mais sons do Groover

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Saline Eyes (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Saline Eyes.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Saline Eyes): Divulgação

SALINE EYES, “NOTHING’S WRONG”. Batida marcada, baixo, violão e voz abrem caminho para uma faixa que vai acumulando instrumentos e tensão até a explosão vocal do último refrão. A letra joga com a ironia: a afirmação de que “não há nada errado” sugere justamente o contrário. No meio, uma ponte mais longa interrompe o ritmo e traz teclados que lembram o Fender Rhodes e o clima de Riders on the storm, do The Doors. Mais um som do projeto do criativo James Hackett.

CRA CROÍ, “BLACK SNOW”. Essa banda irlandesa imagina uma paisagem emocional pós-apocalíptica, em que tudo é destruído -bom, sobram algumas coisas, e isso faz parte da música. No meio desse cenário, a procura por alguma luz reaparece como sinal de que ainda existe esperança. O som combina batidas marcadas, guitarras distorcidas, sintetizadores oitentistas e vocais carregados de tensão.

A faixa é uma das prévias de Tá brón orm — expressão irlandesa para algo como “a tristeza está sobre mim”. O álbum de estreia da banda terá 11 músicas e chega em 30 de outubro. A Crá Croí também busca no irlandês seu próprio nome, que pode ser traduzido como “tormento do coração”.

THE ESSENCE OF THE UNIVERSE, “MEDICINE MAN”. Esse duo sueco mistura rock psicodélico e grunge numa faixa de guitarras sujas, baixo inquieto e vocais fantasmagóricos. No estúdio, Daniel di Porto Rosa e Nic Nikita construíram boa parte da tensão no diálogo entre guitarra e baixo. A gravação ainda ganhou uma jaw harp, instrumento lançado por Nic na direção de Daniel no meio da sessão – aparentemente, sua maneira de sugerir que ela entrasse na música.

ROYAL COMMISSION, “HARD TO DEFEND”. Dean Robb, criador desse projeto musical, olha para aquela figura comum em cidade pequena ou ambiente de trabalho: a pessoa que sabe tudo da vida alheia sem nem conversar com você. A irritação, porém, vem acompanhada de certa pena no refrão. Gravada em clima de fita demo, com guitarras usadas, bateria eletrônica e um microfone de 13,95 dólares, Hard to defend transforma a precariedade do projeto DIY em parte de seu rock alternativo lo-fi.

DILUTE_CALICO98, “EYES OF THE WELL”. O Dilute_Calico98 faz um rock eletrônico de vocal doce e clima eletrogaze: tudo soa digital, meio podre e, ao mesmo tempo, como música feita no meio das nuvens. A estética webcore desse single combina com Virtua, disco em que a banda de Fresno mexe com nostalgia da internet antiga, isolamento e espaços liminares.

JAMES TONIC, “WHEREVER YOU ARE”. “Uma canção sobre a vida que nunca aconteceu”: é assim que James Tonic define a faixa, na qual imagina a versão de um relacionamento que não chegou a existir. Gravada com banda ao vivo, ela mistura piano, cordas e sintetizadores num pop alternativo que passa por Lana Del Rey, Cigarettes After Sex e Beach House. A música abre uma série de quatro singles ligados à saga dos álbuns Safety e Safety II.

MISTEREGG, “STUCK IN THE MIDDLE”. O projeto italiano volta às guitarras com uma faixa que cruza referências do rock britânico clássico com indie atual. Oasis e Beatles aparecem no horizonte, assim como Arctic Monkeys, enquanto as guitarras buscam algo do fraseado de David Gilmour. Baixo forte e ritmo ensolarado empurram a música até um final feito para coro, reforçando a fase mais diretamente rock do MisteregG (escrevemos tudo com maiúsculas lá em cima, mas a grafia correta é essa daí).

VERWO, “FILTER”. O guitarrista e cantor suíço Verwo usa a faixa para explorar ideias de autores como Jean Baudrillard, Georges Bataille e Nick Land, em meio a um pós-punk microtonal e experimental. Parte do EP Singhularity, o sexto do músico, a canção funciona também como preparação para uma mudança: nos próximos trabalhos, ele pretende abandonar o formato tradicional de música e aproximar poesia em prosa e fusão sinfônica.

NAIVE MEN LEADING THE BLIND, “FAIRYTALE LOVE”. O Naive Men Leading The Blind é um projeto de indie rock que aposta em melodias e camadas de guitarras que frequentemente disputam espaço. Essa faixa quase saiu no ano passado, mas o grupo jogou fora as gravações, mexeu na composição e começou de novo.

“É como ouvir duas músicas ao mesmo tempo… esmagador”, disse um conhecido sobre o som da banda. Para eles, é justamente essa tensão que torna as músicas interessantes. O single antecipa o EP de estreia, previsto para 16 de outubro.

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Radar: Spirals, Metamourne, The Rancho Park Devils – e mais sons do Groover!

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Spirals (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Spirals.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Spirals): Divulgação

SPIRALS, “NEVER LEARN”. Essa banda do Texas faz rock com pegada country, não apenas na musicalidade, como também nas letras sofridas – como a de Never learn, do recente EP Reflections, que fala no suplício de uma saudade tamanho-família. “Você levou as chaves do meu coração / por que te amar é tão difícil? / sempre nos faltam palavras / às vezes acho que nunca aprenderemos”.

METAMOURNE, “GRAVE WALKER”. Essa dupla australiana mergulha ainda mais no darkwave e no pós-punk em sua primeira composição inédita desde o EP Nocturne minuet, lançado em maio. A faixa amplia o uso de sintetizadores e elementos eletrônicos, criando uma atmosfera mais sombria. Na letra, a morte assume o ponto de vista da narrativa e observa a passagem inevitável de todas as coisas vivas para o fim.

THE RANCHO PARK DEVILS, “RED WINE SUPERNOVA”. Essa dupla de Los Angeles, formada por C. Tyler Michaud e Cheryl Lee Scott, aposta em guitarras, baixo, órgão e bateria para criar um rock ao mesmo tempo cru e melódico, com referências à diversidade musical de sua cidade. A faixa sucede o EP de estreia Baby, enquanto a dupla prepara seu primeiro álbum para 2026. E Red wine supernova é punk com vibe country – ou seria o contrário?

HAGA 187, “FRESH THOUGHTS”. Projeto de um músico só, vindo da França, o Haga 187 lança discos e singles repletos de uma música experimental e bem desafiadora, feita provavelmente em estúdio caseiro – e se bobear, gravada de forma bem analógica. Fresh thoughts, faixa-título do novo álbum, soa como um Suicide bem viajante.

ALEXAYNDRA, “LITTLE RED”. Vinda de New England, Estados Unidos, essa cantora combina rock industrial, alternativo e eletrônico em Little red, novo single. A faixa aposta numa atmosfera sombria e passa por elementos de metalcore e experimentação eletrônica. Os vocais alternam momentos intimistas e intensos, enquanto a produção trabalha o contraste entre tensão, peso e explosões instrumentais.

OUTLAW CARTIER, “POLTERGEIST”. Esse projeto musical é BEM produtivo – recentemente apareceu no Pop Fantasma com a resenha do EP … And hell’s coming with me – e cruza pós-punk, rock alternativo e elementos do hip hop e do trap. Essa mistura ressurge no single Poltergeist, que combina guitarras agressivas, baixo acelerado e sintetizadores sombrios com um vocal de cadência próxima do rap e tratamento inspirado no trap. O resultado aproxima a atmosfera escura do pós-punk de uma produção mais contemporânea, sem abandonar o peso e a urgência das guitarras.

MAMA NO LIKEY, “ALIVE”. Esse grupo de Los Angeles transforma atração, medo e descoberta em Alive, faixa de rock moderno gravada com Cameron Morris nos vocais. A música parte de uma relação nociva que acaba despertando novas sensações e trata das experiências que tiram alguém da zona de conforto. Guitarras pesadas e um refrão expansivo reforçam essa tensão entre aquilo que assusta e, ao mesmo tempo, faz alguém se sentir vivo.

ORPHAN PRODIGY, “2020”. Esse projeto musical transforma transforma incerteza e alienação num single inspirado pelo momento em que “o futuro havia sido cancelado”. Tem outros assuntos no jogo: mais do que falar da pandemia, a faixa aborda a pressão para se tornar aquilo que os outros esperam e as consequências de escolher outro caminho. Versos introspectivos e trechos de “na-na-na” acompanham uma ideia central: decepcionar alguém não significa fracassar.

 

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