Em 1974, Lou Reed era um rapaz de cabelos oxigenados, que geralmente suscitava dois temas aos repórteres quando entrevistado: drogas e homossexualidade. Foi nesse espírito que ele saltou do avião em Sydney, na Austrália no dia 19 de agosto daquele ano, e encarou um grupo de entrevistadores prontos para lhe perguntar exatamente sobre esses temas.

O resultado pode ser definido como a mais bizarra coletiva de imprensa de que se tem notícia, com Lou extremamente mal-humorado, respondendo tudo com murmúrios e frases desconexas. A curiosidade a respeito de Lou era uma prova de sua popularidade naquele momento. O cantor não era um cara que vendia discos a rodo, mas criava demanda sobre seus próximos passos e começava a desbravar um circuito inédito para sua ex-banda, o Velvet Underground. Tanto que em 1975, enfrentaria uma horda de malucos na Itália.

Os melhores momentos do papo (a propósito, Lou lançava Sally can’t dance na época).

Você é conhecido por cantar especialmente sobre drogas. Usa drogas? Algumas vezes.

Por que faz isso? Porque… eu sinto que o governo está fazendo um complô contra mim.

Você gosta de cantar sobre drogas. Por isso gosta de tomar drogas? Não… porque não tenho como carregá-las quando passo pela Alfândega. Imagino alguém na plateia.

Você quer que as pessoas tomem drogas, talvez seja por isso que você canta sobre drogas? Ah, sim. Eu quero que eles tomem drogas

Por que? É melhor que jogar Monopoly.

Por que você acha que sua música é tão popular, Lou? Eu não sabia que era popular.

Lou, você é um homem de poucas palavras. Por que isso? Não tenho nada a dizer.

Você gosta de dar entrevistas à imprensa em geral? Não

Você é travesti ou homossexual? Algumas vezes.

Onde você gasta seu dinheiro? Drogas.

Para outras pessoas? Sim