Histórias leves e engraçadas a respeito de Closer, segundo (e último) disco do Joy Division (1980), não são fáceis de serem achadas. A começar por ter sido um disco praticamente póstumo: foi lançado dois meses após o suicídio do vocalista Ian Curtis, quando a banda já nem sequer existia mais.

Closer saiu quando o Joy Division estava no auge de todos os seus problemas. A banda não havia ficado satisfeita com a qualidade de som de Unknown plesures (1979), o primeiro disco. E Peter Hook, baixista, já começava a manifestar descontentamento com as primeiras mixagens do novo disco. Por sinal, a banda não conseguia sair da Inglaterra e investir no sucesso nos EUA, fundamental para que conseguissem entrar de vez no mainstream. Principalmente porque Ian, perdido entre a depressão e as drogas, passava a estar doido ou doente demais para subir no palco.

Uma das curiosidades menos pesadas a respeito do disco rolou no Brasil, no entanto. E envolve pirataria. O criador da loja de discos paulistana Baratos Afins, Luiz Calanca, acabou sendo o primeiro a lançar uma “edição brasileira” de Closer, antes daquela edição de 1987 da Stiletto/Eldorado.

Isso aconteceu porque, pouco antes de se aventurar pelo catálogo do JD, ele tinha resolvido pôr na loja um pirata do pirata. Calanca tinha emprestado umas cópias do bootleg Two sides live, do U2, para um amigo, que foi assaltado e perdeu os discos.  Em seguida, começou a ver cópias importadas do álbum à venda na Galeria do Rock. E decidiu lançar ele mesmo uma edição pirata (e mais barata) do LP, “só de raiva”.

Deu polícia na história e a própria operação brasileira da Warner, que lançava os discos do U2 naquela época, limpou a barra de Calanca. Isso porque graças à promoção, LPs como The unforgettable fire tinham vendido mais de cem mil cópias. “Vendi pirata para a própria polícia. Eles compravam só para ver se era pirata. Na época, tinha pirata de tudo, até pirata de K7”, recordou Calanca.

Em 1985, Calanca decidiu soltar uma cópia pirata de Closer, mas incluiu uma novidade. Um amigo havia lhe emprestado o single de Love will tear us apart, o derradeiro lançamento do grupo. Em vez de lançar o álbum com nove músicas, como no original do selo Factory, incluiu o single fechando o disco. “Era a música que as pessoas conheciam, porque o grupo era desconhecido por aqui”, recorda, lembrando que a Stiletto “copiou sua cópia”, com a faixa extra.

Por sinal, o atrevimento de Calanca chamou atenção até mesmo do New Order, segunda encarnação do Joy Division. Quando a banda veio ao Brasil em 1988, foi voando na Baratos Afins para comprar o Closer brasileiro, mas a banda queria conhecer o pirata. “Eles queriam a minha edição”, lembra Luiz.

O disquinho pirata tá até no Discogs.

E as declarações do criador da Baratos Afins estão nessa entrevista que ele deu para o canal do apresentador Luiz Thunderbird.

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