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Cultura Pop

Nove artistas que já foram investigados pelo FBI

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Nove artistas que já foram investigados pelo FBI

Vinte e sete anos após a morte de Kurt Cobain (que tirou sua própria vida em 5 de abril de 1994 em sua residência em Seattle) ressurge um material bastante importante sobre o líder do Nirvana na internet. O FBI decidiu publicar, sem motivo aparente, um arquivo de dez páginas contendo seu material de investigação sobre a morte do cantor.

Quem acompanhou as histórias desenroladas após a morte de Cobain, lembra: o que mais teve foi gente afirmando que o cantor do Nirvana tinha sido assassinado e, pior, a viúva Courtney Love estaria envolvida no rolo. A tal investigação do FBI parte justamente de duas cartas de pessoas que alegam que Kurt teria sido morto por alguém.

Numa dessas cartas, uma pessoa diz que “milhões de fãs em todo o mundo gostariam de ver as inconsistências em torno de sua morte esclarecidas de uma vez por todas”. E cita o documentário Kurt & Courtney, de Nick Broomfield, que gira em torno de supostos mistérios em relação à morte do compositor.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Kurt Cobain compôs usando uma Dreamachine

Já na outra carta, a pessoa alega que não havia impressões digitais na arma usada por Cobain para se matar (de fato, as checagens só aconteceram um mês após o óbito). Também diz que o bilhete suicida deixado por Cobain tem detalhes estranhos. “Ele não mencionou nada sobre querer morrer, exceto pela parte dela que era em outra caligrafia e parecia ter sido adicionado no final”, escreveu. O fato é que, seja como for, não só não há evidências de assassinato na história da morte, como também Kurt já inseria referências a finais trágicos em sua obra havia algum tempo.

A Rolling Stone, que revelou o caso, enviou ao FBI perguntas sobre o motivo de terem resolvido disponibilizar o arquivo. A central de inteligência dos EUA não respondeu à publicação, mas o site explica que o FBI já havia investigado outros artistas anteriormente. Aliás, quase ao mesmo tempo em que a papelada de Kurt chegou à público, aconteceu o mesmo com o arquivo do chefe mafioso Vito Genovese.

Enquanto você pensa sobre o assunto, olha aí uma lista de nove nomes que já foram investigados pela central (Jim Morrison e John Lennon também estariam na lista, mas não incluímos).

>>> Veja também no POP FANTASMA: Buzz Osborne (Melvins) recorda o dia em que Kurt Cobain foi preso

NAT KING COLE. O site Pacific Standard afirma numa matéria que sempre houve enorme interesse do FBI em investigar artistas afro-americanos. E que, incrivelmente, o cantor de hits como Unforgettable já esteve entre eles. Nat não era um sujeito conhecido por seu radicalismo político, e chegou a fazer um show de apoio ao presidente Dwight Eisenhower. Só que “os registros do FBI mostram que os agentes tentaram repetidamente determinar se ele era um simpatizante comunista, ativista dos direitos civis ou algum outro tipo de encrenqueiro”.

ROBIN GIBB. O integrante dos Bee Gees ganhou um arquivinho da central de três letras porque, supostamente, havia contratado capangas para mandar matar os advogados de sua ex-esposa, Molly, em 1981. A empresa de advocacia alega que Robin havia ameaçado os advogados e enviado telegramas com mensagens como “o que vocês têm feito já passou dos limites”. Mas nem a ex-esposa nem os advogados quiseram prestar queixa e o caso foi arquivado.

NWA. O grupo de rap, que gravou músicas como Fuck tha police, entrou no radar do FBI, que enviou a eles uma cartinha não muito simpática acusando os rappers de “violência contra e desrespeito à aplicação da lei”. Escrita pelo ex-diretor do FBI Milton Ahlerich, a carta fazia referência a “78 policiais” que foram “criminosamente assassinados no cumprimento do dever durante 1988” e acusava a canção do NWA de ser desrespeitosa com a memória deles.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Kurt Cobain fez filmes de terror

MONKEES. Sim, até eles. Em 1967, ano especialmente produtivo para o grupo americano (saíram três discos, entre eles a obra-prima Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd.) meganhas foram ao show dos Monkees investigar o boato de que a banda usava no palco um display que exibia mensagens subliminares contra os EUA e a Guerra do Vietnã.

WOODY GUTHRIE. A partir de 1939, o cantor e compositor folk assinou uma coluna chamada Woody sez, no People’s daily world, um jornal de San Francisco ligado à esquerda e ao marxismo, que existe até hoje (mas com o nome reduzido, sem o “daily”). Justamente por causa dessa coluna, o FBI teria mandado investigar Guthrie a partir de 1941 – com direito a consultas a “amigos” que serviram com o cantor na marinha.

FRANK SINATRA. Tá aí o arquivo do FBI em relação aos velhos olhos azuis, cujo período de investigação situa-se entre 1943 e 1985. Sinatra teria sido investigado por ter sofrido tentativas de extorsão, mas também por ligações com a máfia, além de uma prisão por adultério. Detalhe: o FBI também foi pra cima de Sinatra porque o cantor teria pago 40 mil dólares a um médico, para declará-lo incapaz de servir na Segunda Guerra Mundial (o cantor alegou instabilidade mental e tímpano perfurado).

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando John Wojtowicz inspirou o filme Um dia de cão

LIBERACE. Até mesmo o pianista entertainer foi investigado pelo FBI, mas boa parte do material refere-se ao sumiço de joias da casa do artista. De qualquer jeito, ele foi também entrevistado numa investigação conduzida pela central sobre o dia a dia da comunidade gay nos EUA.

PHIL OCHS. Pouco antes de morrer em 1976, o cantor e compositor de protesto dizia amigos que estava sendo perseguido pelo FBI. Passou a andar armado, adotou um codinome bizarro (John Butler Train, que teria “assassinado” o antigo Phil Ochs) e foi diagnosticado como bipolar, após tentativas de interná-lo num hospital psiquiátrico. Só que Ochs estava certo: o FBI tinha mais de 500 páginas de material sobre ele, e o cantor era considerado “subversivo” e “esquerdista”. Às vezes, o nome do artista aparecia grafado de maneira errada (Oaks, por exemplo).

ANDY WARHOL. O filme Lonesome cowboys (1968), cheio de cenas de sexo, chapação e bizarrice, deixou o FBI bastante preocupado. Tanto que uns policiais foram fazer uma visitinha de cortesia ao Rancho Linda Vista, onde a equipe estava trabalhando, e produziram um relatório de 75 páginas.

 

Cultura Pop

Relembrando: Interpol, “Turn on the bright lights” (2002)

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E os 20 anos de Turn On The Bright Lights, estreia do Interpol?

Mal dá para crer que a banda novaiorquina Interpol não chegou a ter problemas com a organização policial americana. Mais inacreditável ainda é a lembrança de que o grupo fazia shows concorridíssimos no começo da carreira, quando eram estudantes universitários, mas não tinha um nome. Ao optarem por Interpol, justamente no comecinho da web 2.0, Paul Banks (voz, guitarra, hoje baixista), Sam Fogarino (bateria), Daniel Kessler (guitarra solo, voz) e Carlos D (baixo) não escaparam de receber várias mensagens por engano, de gente que pensava mesmo estar falando com a polícia americana, e não com uma banda iniciante (há um tempinho, isso rolou de novo, e no Brasil).

“Recebi alguns e-mails sérios sobre pessoas que se perderam, que outras pessoas estavam tentando encontrar, ou e-mails sobre golpes em que as pessoas caíram”, contou Kessler ao Pitchfork em janeiro de 2003, poucos meses após lançarem a estreia Turn on the bright lights (de 20 de agosto de 2002). “Um dos e-mails foi ‘meu carro foi roubado’”, contou.

A estreia do Interpol devolvia ao cenário novaiorquino muitas das influências que bandas como Velvet Underground tiveram sob os grupos ingleses. Em pleno retorno da sonoridade do pós-punk, marcada pela chegada ao mercado americano de bandas como Strokes, o Interpol assemelhava-se a bandas como Joy Division, Echo and The Bunnymen e nomes mais recentes como Ride.

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Os vocais de Banks, mesmo sendo mais empostados, são até hoje bastante comparados aos de Ian Curtis, e no disco do Interpol havia Obstacle 1 e Obstacle 2 como havia Exercise one na obra do JD. A canção da banda inglesa era bem mais assustadora do que o pós-punk marcial e volumoso do Interpol, claro, mas a letra de Obstacle 1 é igualmente sombria (“você vai se esfaquear no pescoço/mas é diferente agora que estou pobre e envelhecendo/nunca mais verei esse lugar”).

Havia muito ali também de bandas geralmente pouco comentadas, como The Sound (o clima cavernoso dos vocais e das melodias era herdeiro direto deles). A paixão de alguns integrantes do Interpol por música eletrônica fazia com que Turn on the bright lights fosse um disco cheio de climas diferentes, e que funcionasse como um relógio. embora a estreia da banda fosse bastante orgânica, maturada pelo uso do estúdio como um instrumento musical,  durante seis semanas de isolamento.

Untitled surgia em tom de abertura de filme, preparando o ouvinte para músicas como Obstacle 1, NYC (uma balada shoegaze que mostra o lado sombrio da “cidade que nunca dorme” e que cita o título do disco), PDA (a canção mais ligada ao rock de Manchester já produzida por uma banda americana), Stella was a diver and she was always down (essa poderia estar no Heaven up here, segundo LP do Echo and The Bunnymen). Tudo em Turn on tinha um certo ar de desilusão com as luzes de Nova York, um sentimento que fazia todo sentido no pós-11 de setembro.

Há quem defenda que Turn on the bright lights acaba na nona faixa, a ágil e meio punk Roland, com letra sanguinolenta falando sobre um açougueiro polonês que seccionava pessoas – um personagem aparentemente de ficção, mas que dizem ter sido inspirado no assassino americano Richard Kuklinski, morto em 2006. Os próprios integrantes viam The new e Leif Erikson, as duas verdadeiras últimas músicas, como separadas do disco – a última, em particular, soa como um pop sessentista sombrio, herdado do Velvet Underground e de Nico, encerrado por uma parede de guitarra e voz.

A estreia do Interpol foi um excelente exercício, que gerou imediatamente um grande prosseguimento, Antics (2004), e um disco mais controverso e um tanto mais sombrio, Our love to admire (2007). E a história do Interpol continua, com a banda reduzida ao trio Paul Banks, Daniel Kessler e Sam Fogarino. Rolou inclusive uma vinda há algumas semanas ao Brasil.

Ah, sim: quando o disco completou 20 anos, a banda pôs no YouTube o vídeo de divulgação do álbum, lançado na época apenas como um EPK para a imprensa. Pode ser visto abaixo.

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Cultura Pop

No nosso podcast, o começo dos Stone Temple Pilots

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No nosso podcast, o começo dos Stone Temple Pilots

Não era nada fácil ser integrante dos Stone Temple Pilots nos anos 1990. Os discos vendiam e os shows lotavam, mas não havia muito respeito da crítica, e a cada disco parecia sempre que uma nova chance estava sendo dada ao grupo de Scott Weiland, Dean DeLeo, Robert DeLeo e Eric Kretz. Pior: de tempos em tempos, as turnês eram canceladas e a banda tinha que parar tudo, já que Scott volta e meia precisava encarar uma internação para reabilitação.

Hoje a gente dá uma volta no tempo e faz um sobrevoo no começo do STP. Falamos de tudo (ou quase tudo) que estava acontecendo na vida deles, e damos uma olhada por trás dos discos Core (1992), Purple (1994) e Tiny music: Songs from the Vatican gift shop (1996). E encerramos essa temporada do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, falando de uma das nossas bandas preferidas.

Século 21 no podcast: Billy Tibbals e A Última Gangue.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Divulgação). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Crítica

Ouvimos: Samuel Rosa, “Rosa”

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Ouvimos: Samuel Rosa, "Rosa"
  • Rosa é o primeiro disco solo de Samuel Rosa, ex-cantor e principal compositor do Skank. O disco foi produzido por ele e Renato Cipriano. Na capa, há uma pintura de Stephan Doitschinoff, que faz referência a várias músicas do disco. 
  • A banda solo de Samuel é formada por Doca Rolim (violão e guitarra), Alexandre Mourão (contrabaixo), Pedro Kremer (teclados) e Marcelo Dai (bateria e percussão). Alexandre é amigo de infância de Samuel e tocou com ele no Pouso Alto, grupo que ele teve com outro ex-Skank, Henrique Portugal, nos anos 1980.
  • No material de divulgação, Samuel diz não ter procurado se diferenciar do legado que o Skank deixou. “Eu não queria agora buscar compulsivamente fazer algo que eu nunca fiz. Quero exercer o que eu sou”, afirma Samuel Rosa. “Minha marca é meu patrimônio”.
  • Boa parte do material foi feita entre janeiro e fevereiro, em sessões matinais que duravam de três a quatro horas (e que Samuel chama de “composição induzida”). “Era disciplina mesmo, eu me comprometi a chegar todos os dias com uma música nova de tarde e mostrar para banda, ainda que fosse ruim, boa, média, sem julgamentos”, conta ele.

Eu (eu, Ricardo Schott, autor desse texto), esperava que a estreia de Samuel Rosa como solista corresse para dois lados distintos. A partir da capa, que lembra a de discos de Jorge Ben como A tábua de esmeralda e Solta o pavão, cheguei a pensar que o ex-Skank fosse cair dentro da experimentação rítmica que marcou discos do grupo, como O samba Poconé, ainda que sob um viés 2024. O outro lado: Samuel voltaria com cara beatle, unindo as mesmas influências e referências de Paul McCartney e Wings que marcaram sucessos de sua ex-banda, como Mandrake e os cubanos, Amores imperfeitos, Vou deixar e Mil acasos (e eu esperava mais ainda por isso).

Pois bem: Samuel voltou com um disco de MPB-pop. Ou de pop adulto contemporâneo com uma ou outra influência de rock dos anos 1960 e MPB das antigas. É o que – analisando bem – era mais provável que fosse acontecer, e era o que já dava para vislumbrar pelo single Segue o jogo.

Se tinha um lado do Skank que seria lembrado num eventual disco solo dele, seria o mais tranquilo: o de músicas como Balada do amor inabalável e Resposta. Por outro lado, falta uma pérola MPBística-rock-pop como Dois rios no disco. Os achados do álbum são bossas pop como Não tenha dó (essa, lembrando BASTANTE a Balada), Bela amiga (a faixa mais bonita do disco) e Segue o jogo, além do britpop anos 2020 Rio dentro do mar, e da disco music discreta de Flores da rua. Uma pista: segundo matéria do O Globo, uma playlist com bandas como Shins e Wilco rolou na época da elaboração do álbum.

Curiosamente, Rosa abre com duas canções que soam familiares para fãs antigos do Skank: o reggae folk Me dê você e o reggae brasileiríssimo Ciranda seca (Dinorah). A já citada Não tenha dó, por sua vez, ganha uma continuação na valsa-pop Aquela hora – parceria com Rodrigo Leão, e a música do disco que mais transparece influências de Lô Borges. Marcada por um pianinho suingado e de poucas notas na abertura, Tudo agora, por sua vez, parece uma sobra de discos mais recentes do Skank, como Velocia (2014).

No fim das contas, é um disco que reúne várias caras diferentes de sua ex-banda, e nem poderia ser diferente no caso de um grupo no qual o próprio Samuel era o maior arquiteto sonoro. Faz falta uma certa esquisitice (no bom sentido) que o Skank tinha, até mesmo quando estourava músicas em trilhas de novela ou levantava multidões.

Nota: 7
Gravadora: Sony

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