Mais uma do Prince (ídolo do site, como atestam vários textos nossos). No dia 5 de abril, a transmissão radiofônica via satélite de um certo single aí, com uma turma enorme cantando, vai completar 36 anos. Nesse dia, em 1985, 8 mil estações ao redor do mundo exibiram We are the world, música de um grupo chamado USA For Africa.

O tal single tinha quase todo mundo que interessava na música pop naquele momento: Michael Jackson, Lionel Richie (autores da canção) Cindy Lauper, Billy Joel, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Stevie Wonder, Paul Simon, Willie Nelson. Mas também havia uma turma igualmente forte no coral: de Lindsay Buckingham, a quase todos os outros irmãos Jackson (inclusive a iniciante LaToya) e atores como Dan Aykroyd. Tudo muito legal, só que faltava alguém, que inclusive tinha virado assunto no Brasil naquele momento: cadê Prince?

O astro do filme Purple rain já gravava desde os anos 1970, mas até aquele momento, vinha tendo apenas gradativamente a certeza de que era mesmo um super astro pop. Aliás, o filme-disco lançados em 1984 ajudaram nessa consolidação. Você já viu aqui no POP FANTASMA como foi a festa de lançamento da película, cheia de nomões da música. Como resultado disso, o caminho natural seria que o artista estivesse logo na primeira lista de astros para figurar em We are the world.

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Estaria tudo bem se não fosse por um pequeno detalhe: Prince era Prince, um cara que menos de dez anos depois disso estaria adotando um símbolo como pseudônimo. No dia 28 de janeiro de 1985, rolou a consagração: o cantor foram indicado para dez categorias no American Music Awards naquela noite, fez uma apresentação fodástica e voltou para casa com três prêmios. Seu suposto rival, Michael Jackson (por acaso, co-autor de We are the world) voltou para casa sem prêmio nenhum, mesmo tendo batido recordes com Thriller (1982).

Aliás, isso aí rolou no mesmo dia em que Quincy Jones comandava a tal gravação de We are the world. Mas já estava certíssimo que Prince não compareceria, mesmo tendo sido convidado por Lionel Richie. O próprio Lionel contou a história, pelo menos na visão dele, quando foi entrevistado por Jimmy Kimmel. Olha aí.

Segundo Lionel Richie, Prince – que havia até mesmo assistido a mixagem de um grande hit dele, Endless love – foi chamado. “Nunca fomos rivais, sempre tive um estilo muito diferente dele, a gente não se chocava”, contou. Mas Prince não gostou nem um pouco da maneira como o single iria ser gravado, com todo mundo junto no estúdio.

“Ele pediu: ‘Eu posso ter uma sala separada para gravar?’. E você conhece o Prince, né? Mas respondi que não, e ainda cometi o pior erro. Disse a ele: ‘Vou colocar você ao lado do Michael (Jackson)‘”, contou o cantor. Prince ainda sugeriu que poderia fazer o solo de guitarra da faixa – o que não rolou.

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“Ele não queria ficar perto do Michael e não queria ficar perto de ninguém. Ele era meio isolacionista, tipo: ‘Vou ficar aqui no meu cubículo’. Só que não trabalhamos desse jeito”, recordou Michael. Seja como for, Prince acabou aparecendo no LP de We are the world com uma música inédita que ele enviou: 4 the tears in your eyes.

Mas teve mais na história: Wendy Melvoin, a guitarrista do Revolution (grupo de Prince) conta que ele não gostou de We are the world e não quis gravar a música, e “não queria ficar perto de ‘todos aqueles filhos da puta'” (palavras dela e/ou dele)

O site Ultimate Prince diz que Rob Cavallo, empresário de Prince, ficou com medo de dar merda caso ele não topasse participar mesmo da gravação. Afinal, Prince se recusava a cantar num single para combater a fome na Etiópia, numa época em que vários popstars estavam mobilizadíssimos com causas sociais. Teve ainda que lidar com seu artista indo receber um prêmio e fazendo um show na mesma data. Aparentemente não deu muita merda, mas muita gente ficou meio irritada. Muito embora nem mesmo o clima dentro da gravação do USA For Africa fosse essa maravilha toda.

Ah sim: a parte que Prince cantaria foi para a voz de Huey Lewis. Aliás, Lewis diz que o próprio Michael Jackson ensinou os versos a ele.

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