Connect with us

Notícias

Djangos mexem no baú e regravam demo de 1997 aos poucos

Published

on

Djangos mexem no baú e regravam demo de 1997 aos poucos

Mesmo sem conseguir dar shows e sem conseguir ensaiar por causa da pandemia, a banda carioca Djangos voltou, discretamente, com um lançamento comemorativo. Lyle Diniz (baixo), Jj Aquino (bateria) e Marco Homobono (guitarra e voz) mexeram no baú, voltaram à sua demo de 1997, 100 cortes – cujas músicas ainda não haviam sigo gravadas em discos do grupo – e estão regravando as quatro canções do K7, aos poucos. Em 2021 já saíram dois singles do projeto 100 cortes revisitado, com as músicas Bibliografia (lançada em março) e Aeroporto internacional (em outubro).

Batemos um papo com Homobono, que também vem lançando vários materiais off-Djangos (solo, ou acompanhado de amigos como Gilber T) e ele contou sobre como Aeroporto internacional é ligada à sua vivência como ex-morador de um bairro muito pouco citado do Rio de Janeiro. E relembrou a época de Raiva contra oba-oba, a estreia do grupo, de 1998

Como Aeroporto apareceu na sua vida e na do Djangos?

Essa música está numa demo que a gente lançou em 1997, chamada 100 cortes. É uma demo muito importante pra gente porque foi gravada na década de 1990 lá em Curitiba. A gente tinha uma certa facilidade para viajar porque os eventos que aconteciam geravam um dinheiro que dava para pagar a passagem de ônibus, estadia… A gente não ganhava cachê, mas viajava.

Eu nunca tinha nem pensado em ir para lá, mas fui duas vezes no lançamento da coletânea Paredão, que foi no Aeroanta, e depois voltamos porque o Rodrigo Cerqueira, que era baterista do Skuba, fez um evento lá e chamou a gente para tocar. Fomos lá, o Pedro de Luna (jornalista, escritor e autor da biografia do Planet Hemp, Mantenha o respeito, entre outros livros) fez essa ponte para a gente. O Pedro inclusive foi com a gente.

E aí esse show foi até bem importante para a gente porque eu vi uma banda de ska com metais tocando lá. E isso determinou que usaríamos metais, porque eu fiquei encantado com aquilo. Enchi o saco da banda: “A gente tem que ter metais, tem que ter metais!”. O João era muito partidário do esquema de ser só o trio. Mas isso serviu para a gente fazer a parada desse jeito. O 100 cortes, como a gente gravou numa mesa e transformou numa demo, ela vendeu bastante, a galera vendia muito essa demo.

Havia um mercado grande de demos, não?

Havia um mercado aquecido, você vendia demo, mandava pelo correio, era um negócio movimentado mesmo. A galera que trabalhava no Garage – o Max, o Ricardo, o Panda, o Ronald – eles tinham essa sociedade e comercializaram essa fita. O Djangos ia começar a gravar, a compor músicas novas, a gente estava se encontrando em 2020. Mas aí veio a pandemia e a gente parou total. Nesse meio-tempo, começaram a rolar aquelas gravações que cada um fazia uma coisa no seu canto, assim… com vídeos com quadradinhos dividindo, cada um no seu ambiente de casa.

Fizemos um justamente com a música Aeroporto internacional, mas o resultado não ficou bom. Acho que aí tivemos a ideia de pegar a demo, porque ela tem quatro músicas que nunca foram gravadas em lugar nenhum. Pensamos: “Vamos fazer um projeto, 100 cortes revisitado“. Escolhemos duas músicas para começar, que foram Bibliografia e Aeroporto internacional.

Essa música apareceu porque na época, isso lá em 1996, 1997, eu estava escutando o Casa babylon, disco do Mano Negra. Tinha lá uma música chamada El Alakran (La mar esta podrida), que é muito maneira, tem um coral de crianças. E esse disco é cheio de colagens, ele usava muito sampler. Depois o Mano Chao (vocalista) usou isso no disco dele de estreia. Essa música me chamou muito a atenção, porque vem uma voz que diz “aeroporto Mano Negra!”.

Isso ficou na minha cabeça e eu: “aeroporto, aeroporto…”. Eu comecei a falar do Galeão e imaginei o entorno, que era um lugar que eu visitava  bastante quando era criança. Eu morava ali onde o pessoal fala que é Higienópolis, perto de Del Castilho, do Complexo do Alemão…

Sim, sim. Um bairro que o carioca não conhece, por acaso. Você fala em Higienópolis e o cara pensa em São Paulo, não no Rio…

Verdade! Mas existe esse bairro, ali perto de Del Castilho, do Jacarezinho. Cresci ali, conheci bem aquela região. Comecei a falar de uma comunidade fictícia que ficava à beira do aeroporto. Não sei posso considerar que a Maré está na cabeceira, pode ser que ela esteja bem distante. Mas imaginei a comunidade em que o pessoal tomava banho na Maré poluída. Fui numa onda que eu acho que é bem Alagados (Paralamas), a mesma geografia que o Herbert Vianna contemplava quando ia para o fundão… foi a mesma que me inspirou ali. Comecei a falar dessa comunidade aí, da coisa de trabalho assalariado, trabalho escravo, “quero minha carta de alforria”…

Tem uma onda parecida mesmo!

É uma filha de Alagados. Eu tava até lembrando aqui que essa música aí… Os Djangos são uma banda independente, a gente faz o que pode em termos de verba para gravar. E essa música levou muito tempo para ser feita. Aconteceram várias coisas, desde computador quebrado, a gente teve que consertar computador para terminar a música. Fiquei duas semanas sem fazer nada nela… O João (Jj Aquino, baterista) eu não vejo há tempos, até mandei uma mensagem para ele e falei: “A gente tem que se encontrar, cara!”. Porque nunca mais eu encontrei com ele.

Desde 2020?

Desde 2020, foi nosso último ensaio. O pai do Lyle morreu há pouco mais de um mês, e o pai dele era meu vizinho, era um grande apoiador da banda desde o começo. Eu tô aqui em Niterói hoje e eu lembro que ele vinha trazer a gente em Niterói, no Gato Preto, no Farol. Foi um cara que ajudou muito a gente. Estive com Lyle e o João não vejo desde aquela época. E aí a gente fez isso tudo separado, o João foi num estúdio, com o maior cagaço, no meio da pandemia. “Vai ter só eu e o cara na outra sala…”, ele disse. Foi lá e gravou duas músicas na bateria.

O Lyle não tinha onde gravar e foi lá em casa. Depois que o Lyle gravou fiquei duas semanas parado, apático. Foi na semana que o Paulo Gustavo (ator) morreu, e aquilo mexeu bastante com muita gente, a perda. E depois na mesma semana teve a matança no Jacarezinho… Cara, eu fiquei deprê, sem atitude, para fazer certas coisas. Isso atrasou um pouco as coisas. A gente não tinha um prazo, não sei se isso é bom ou se é ruim, porque a gente é nosso próprio coordenador, produtor, a gente tem que se cobrar. Mas sempre fui defensor dessa música, falava “tá demorando, algumas coisas são mais cagadas mesmo que as outras, mas essa música é boa!”. E a galera curtiu, muita gente tá falando da música. Bibliografia passou meio em branco…

Eu fui ouvir Bibliografia outro dia, não tinha escutado quando saiu. A letra é bem legal, cita o nome de um monte de artistas, me lembrou até uma playlist do Ronca Ronca

Pois é, podia ter botado o Ronca Ronca no meio! A letra foi um dos releases que eu escrevia na época. Tinha várias outras coisas, “subwoofer do DJ Marlboro”, mas na hora de fazer a música botei o que dava mais musicalidade. Era um release da banda resumido, de coisas que influenciavam a gente.

Tem mais algo do 100 cortes vindo aí? 

A ideia é terminar! Porque tem mais duas músicas. Uma era uma adaptação que a gente fez do “trem maluco quando sai de Pernambuco, vai fazendo tchucotchuco até chegar no Ceará”, a gente cantava em versão mais punk. A galera gostava, pelo apelo da música infantil. E tem um hardcore misturado com reggae que são as duas últimas músicas. A gente quer gravar e botar num EP. Estamos cumprindo o script de lançar singles. Mas a gente é uma banda do milênio passado, a gente gosta mesmo é de álbum, né, cara?

Só que tem uma questão financeira aí, pra você gravar um disco legal precisa de uma grana. A gente é independente, tá correndo atrás aí de editais para bancar um EP num estúdio bem gravado, com uma produção maneira. Ou até um disco mesmo, vamos ver o que vai acontecer. Ou quem sabe alguém da banda ganha na Mega Sena! (rindo)

Eu dei a ideia da gente voltar a ensaiar em casa mesmo, retomar as músicas que a gente estava fazendo, que seriam para um terceiro disco. E pensar em voltar a tocar, né?

Os shows estão voltando, tem o Circo Voador, Audio Rebel… Como você tá vendo esse retorno aí?

Com muito receio. Fui ver um show da banda DKV aqui em Niterói, foi cobrada carteira de vacinação, todo mundo de máscara, tinha distanciamento. Mas esse vírus é traiçoeiro e o pessoal fica falando das ondas, “lá fora já tá na quarta onda, surgiram casos em Londres…” E às vezes as pessoas se comportam como se já tivesse passado, né? Eu tenho muito receio, tipo “ah, vamos ver o Djangos sei lá onde”, aí a pessoa pega covid é entubada e morre. Eu ficaria bolado com isso.

Quero mais segurança para todo mundo, isso só vai vir com o tempo. Vamos ver como as vacinas vão se comportar ao longo do tempo. Esse show que eu fui foi na Sala Nelson Pereira dos Santos, um espaço enorme, um palcão. Pensei: “Isso é o que eu gosto de fazer, mas eu tenho medo”. Prefiro ser prudente nessa hora aí.

Raiva contra oba oba, o primeiro disco de vocês, lançado em 1998 pela Warner, completa 25 anos em 2023, daqui a pouquinho. Como foi a experiência de estar numa gravadora grande? 

A experiência da gravadora foi boa para a gente ter acesso a um estúdio, a uma produção, a uma estrutura boa. A gente gravou num estúdio da Barra, de 18h até a madrugada. Fizemos isso durante um mês, todos os dias da semana de segunda a sexta. O João Barone e o Tom Capone (produtores) com a gente. Eu nunca teria estrutura para bancar dois produtores desse porte. Esse fim do ciclo das gravadoras, a gente pegou uma última fase onde a estrutura fonográfica tinha a coisa do advance, que era um dinheiro que a gravadora te pagava baseado numa previsão do quanto você poderia vender. Eles te adiantavam dinheiro, a gente aproveitou essas possibilidades.

Mas eu acho que a banda era muito imatura, falo por mim. A gente não conseguiu se impor, e ao mesmo tempo que a gravadora fez tudo isso, na hora de promover foi alegada falta de verba. Viajamos com dinheiro da gravadora algumas vezes, mas foi um trabalho pequeno, não foi maciço. Teve essa imaturidade, teve a mudança do diretor artístico – porque quem contratou a gente foi o Paulo Junqueiro, e ele depois saiu. O Tom Capone entrou. Às vezes isso pode acontecer, você não está no projeto empresarial de um diretor artístico.

Ele produziu a banda, mas aí ele mudou para a direção artística, e mudou a política do selo?

Mudou. Não tinha nada garantido, a gente era uma banda iniciante. Não recebemos muito apoio para divulgar, ainda mais levando em conta a estrutura empresarial ali. E teve a imaturidade, acho que a gente não conseguiu se impor. Eu era uma pessoa muito sem autoestima, apesar de acreditar nas minhas músicas. Isso dificultou muito. Mas teve seus momentos ótimos. Foi, de qualquer maneira, um grande momento, sou grato por ter tido essa experiência.

E como foi ser produzido pelo João Barone?

Paralamas para mim é paradigma de banda de rock, acompanhei os shows, os discos. E ele tava ali, exigindo da gente, coordenando a execução, comandando coisas nas letras, “isso não tá bom, não, muda!”. Eu lembro até que uma música que fazia relativo sucesso nos shows não foi pro primeiro disco, porque o Barone não curtiu muito. Faz parte da produção.

A gente teve que escolher repertório, o Barone escolheu o que ia entrar. Tem a convivência, de ele escutar a história da gente, a gente ouvir histórias dele. Sou muito fã dele e do Capone, mas na época eu não tinha consciência da magnitude do que estava acontecendo. Hoje eu olho para trás e penso: “Passei um mês convivendo com o Barone!” (rindo). E todo dia. Ele é um grande ídolo do João, que admira muito o Barone. Foi demais.

E acho que a gente conseguiu não ter uma reverência total, tanto que conseguimos discutir coisas dos arranjos. Sempre debati com produtor e tivemos essa liberdade de debater, ele estava aberto. Não iria rolar nada no esquema do Phil Spector, que quando alguém reclamava de alguma coisa, o cara abria a gaveta e mostrava uma arma (risos). Não rolou nada disso nem com ele nem com o Capone, foi um sonho de criança. E a gente era muito novo, eu tinha 24 para 25 anos, só pensava: “Que coisa boa que aconteceu!”

A última vez que a gente conversou foi na época da música Subcarioca, um single solo seu, que falava da situação atual do Rio de Janeiro. De lá para cá, como está sua visão sobre a cidade? Mudaram prefeito, umas outras coisas…

Eu sou pessimista. Você tira os personagens que protagonizam a vida pública, a máquina, o executivo, o legislativo… mas a mentalidade continua. O povo… bom, nós, né? Nós somos alienados. A gente não sabe o que está acontecendo. Isso facilita para que Bolsonaro seja eleito presidente, por exemplo. Essa mentalidade continua, e estamos nessa situação.

Eu prefiro ser realista: a gente vai evoluir sim, mas vai levar décadas para a gente chegar no “o Brasil é uma superpotência que dá valor a seu próprio povo”. Vai demorar muito para reverter isso. Eu costumo dizer que sou uma pessoa muito deprimida e muito feliz, porque qualquer pessoa que seja observadora atenta aos fatos vai olhar para o mundo e dizer que a gente tá fodido. Mas tenho minha mulher, minha família, minha banda, minha música. Isso me faz ser feliz dentro dessa realidade.

Lançamentos

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

Published

on

Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
  • Mais Radar aqui.

QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen, e montou depois o Laptop, banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje divide com sseu filho Charlie. O grupo lançou o single Indie hero recentemente, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Lançamentos

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

Published

on

Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

Hoje é o último Radar nacional do ano – em 2026 tem mais. O single novo de Ebony, que abre caminho para a versão deluxe do ótimo disco KM2, encabeça a lista, que está variadíssima como sempre. Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
  • Mais Radar aqui.

EBONY, “DONA DE CASA”. “Essa foi a primeira música escrita para KM2, e acabou ficando de fora da versão experimental. Ela foi pensada para ser uma forma de interlúdio, mas acabou sendo um dos versos mais potentes que já fiz na vida, e a escolhi para anunciar a versão completa do álbum”, conta Ebony, que lança em breve nas plataformas a versão deluxe de seu ótimo álbum KM2 (resenhado pela gente aqui).

Dona de casa, a tal música que ficou de fora, abre caminho para a nova versão do álbum, e detalha a luta de Ebony para chegar onde chegou – e o “onde chegou”, vale dizer, inclui datas já agendadas para divulgar o KM2 deluxe, levando seu rap feminista e aguerrido adiante. Aliás, confira abaixo as datas da KM2 deluxe, a tour.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por Ebony (@baddiebony)

MARINA SENA feat PSIRICO, “CARNAVAL”. Em 2025, Marina Sena lançou seu terceiro disco, Coisas naturais – seu melhor lançamento até agora, conforme falamos em nossa resenha. E ela encerra o ano com um lançamento especial de verão, o EP Marinada vol. 1 – projeto multimídia que se estende ao audiovisual, cabendo um videoclipe oficial da versão estendida de Carnaval e cinco lyric videos, todos dirigidos por Marcelo Jarosz e Vito Soares. A tal nova versão de Carnaval ganha a participação de Marcio Vitor (Psirico), e mais foco ainda no batuque e na diversão.

TENÓRIO, “PEGA, MATA E COME”. Jazz também combina com perigo e tensão – a banda Tenório, que une improvisos, solos e experimentalismos, já havia mostrado isso com o single Pedra do rio não sabe que montanha é quente. Com Pega, mata e come, o segundo single, a coisa ganha contornos mais selvagens, soando como um bicho atrás de sua presa. Na formação do Tenório, Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria). Em 2026 sai o primeiro álbum.

FAVOURITE DEALER, “WAVES”. Destaque de uma cena de bandas nacionais que revitalizam o shoegaze, esse grupo curitibano já havia lançado dois singles em 2025, Frustrating e Drowning. O ano encerra para eles com Waves, faixa que destaca os vocais tranquilos, o clima quase psicodélico e as guitarras sujas – algo no meio do caminho entre o stoner e sons mais melódicos. E já tem clipe.

SANTIYAGUO, “T.O.C.”. Voltado para o metal + hard rock de terror, SantiYaguo (ou Santiago Miquelino, seu nome verdadeiro) pegou um blues-rock feito por ele com Tiago Teixeira, transformou em metal, e lá veio o single T.O.C.. A música ganhou um clipe bastante criativo, dirigido por Fabiano Soares, em que uma mulher é exorcizada por um padre fã de Black Sabbath (que usa Iron man, autobiografia de Tony Iommi, como Bíblia Sagrada).

ZÉ MANOEL, “CORAL” (CLIPE). Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Samba de Véio da Ilha do Massangano surge em Coral, contrapartida audiovisual da faixa-título do novo disco de Zé Manoel – é até bem mais do que um clipe, com uma linguagem de curta-metragem. No vídeo, dirigido por Tiago Di Mauro, Zé Manoel chama a atenção para o corpo como território sagrado, casa da voz e da memória ancestral. “O corpo é o meu primeiro instrumento. Antes de qualquer canto, há o silêncio e o som da pele. O clipe de Coral é um ato de reconciliação com a própria natureza. É um renascimento, uma oferenda às águas e às minhas origens”, afirma. Tudo é bastante sensorial, e a água surge de maneira quase ritualizada ao longo do clipe (e resenhamos o álbum Coral aqui).

Continue Reading

Lançamentos

Radar: Alex Vanderville, The Dreaming Void, I Smell Burning – e mais sons do Groover

Published

on

Foto (Alex Vanderville): Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Alex Vanderville

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Alex Vanderville): Divulgação

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.
  • Mais da Groover no Pop Fantasma aqui.
  • Nosso perfil na Groover aqui.

ALEX VANDERVILLE, “LOBOS”. Vindo do México, Alex faz rock enérgico, influenciado por punk, grunge e sons oitentistas (nomes como Nirvana, Nine Inch Nails, Soundgarden, Jeff Buckley, Stone Temple Pilots, INXS e Duran Duran estão entre suas referências), mas que busca nunca escapar do pop na hora de fazer melodias. O single Lobos tem até um ar gótico no arranjo e até mesmo no clipe – e une punk e synthpop.

THE DREAMING VOID, “DANGEROUS TOYS”. Essa banda britânica tem muito do pós-britpop em seu sóm – mas sem deixar de lado as referências do pós-punk e dos anos 1980. Dangerous toys, um de seus novos singles, tem dois segmentos, e une a tranquilidade de bandas como Starsailor e R.E.M. a um clima gelado que faz às vezes lembrar The Cure e Echo & The Bunnymen. Destaque para a voz de Amy Hart.

I SMELL BURNING, “BLUE PARADE”. Esse misterioso grupo-projeto britânico soa como um David Bowie meio sombrio e metálico, no single Blue parade – uma faixa que eles afirmam ser uma das favoritas dos fãs nos shows. A vibe meio soul da música (que tem andamento lembrando Heroes, de Bowie) com certeza deve dar uma bela animada nas plateias da banda.

DIMA ZOUCHINSKI, “LATER FATE”. Compositor e cantor que diz ter mais de cem canções compostas, Dima é filho de pais russos, mas nasceu na Inglaterra e sempre viveu por lá. Ele diz que seu estilo é “Ian Dury encontra Lemmy nas encruzilhadas do blues”, e tem uma onda assumidamente Billy Bragg em seu som – dá para perceber isso de cara na poderosa Later fate, uma de suas músicas mais recentes.

THE DRONES, “NIGHTINGALE”. Pós-punk zoeiro com vocais de desenho animado, e som que tem o maior jeitão de terror de desenho animado também – na real é uma canção gótica-shoegaze feita em clima de demo, com gravação envelhecida. Uma das faixas do novo álbum do The Drones, que se chama justamente Nightingale.

CRONOS MATTER, “CELEBRITY BOILED”. Esse projeto se define como um encontro entre Nirvana e Soundgarden – uma banda com guitarras pesadas, vocal dramático e clima ligeiramente cinematográfico e aterrorizante. O grupo afirma que a ideia de Celebrity boiled é falar dos descontentamentos e desilusões modernas – a letra fala sobre a verdadeira máquina de moer carne das redes sociais, em que todo mundo fica se comparando, e também sobre relacionamentos abusivos.

PANKOW_77C, “PRECINT 13 DEATH BRIGAD4S”. Esse projeto audiovisual italiano costuma meter bronca mais em vídeos que se assemelham a games – e dessa vez, no single novo, investem no cyberpunk cheio de erros propositais de gravação, peso eletrônico e ligações pouco usuais, já que William Burroughs e Gilles Deleuze são citados como referências misturadas no caldeirão deles. “Filosofia com batida forte. Sem revivalismos. Sem modismos. Esta é uma insurgência sonora construída sobre suor, distorção e memória. Uma trilha sonora para aqueles que se movem para sobreviver”, definem.

SLY SUGAR, “VIDA LOKA”. Esse grupo veio da Ilha da Reunião (departamento pertencente à França), e une reggae, rock, eletrônicos e tudo que você puder imaginar. Vida loka tem uma expressão em português no título, e letra igualmente em português, lembrando o pop nacional dos anos 1990.

EYAL ERLICH, “SENTIMENTAL CAPE”. Com um monte de singles gravados ao vivo – e preparando um álbum – Eyal faz um som voltado para o indie rock, e para canções que exploram “amor, perdas e questões não respondidas”, sempre “em algum lugar entre a atitude punk suave e a vulnerabilidade de cantor-compositor”, conta.

MI6, “THE MIND MACHINE”. Projeto criado por músicos experientes do som eletrônico e da cena gótica, o MI6 é baseado em “new wave, old wave, cold wave, dark wave, com toques de doom, goth, ebm e punk”, cabendo originais e covers no repertório. The mind machine é o primeiro single, um pós-punk gótico com vocais graves feito pelo integrante Dominique Nuydt. Porrada.

Continue Reading
Advertisement
Capa do disco Queen II
Lançamentos1 semana ago

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

Os discos nota 10 de 2025 (até agora...)
Crítica1 semana ago

Os discos nota 10 de 2025 (até agora…)

From the pyre aposta no glam-barroco performático do The Last Dinner Party, com ótimos momentos, mas perde equilíbrio e força na segunda metade.
Crítica1 semana ago

Ouvimos: The Last Dinner Party – “From the Pyre”

Portal, do Balu Brigada, mistura rock, synthpop, house e punk em estreia festeira, certeira na maioria das faixas, sobre dúvidas amorosas.
Crítica1 semana ago

Ouvimos: Balu Brigada – “Portal”

Em A very Laufey holiday, Laufey transforma canções natalinas em jazz orquestral elegante, com clima de Hollywood clássico e arranjos mágicos entre nostalgia e sofisticação.
Crítica1 semana ago

Ouvimos: Laufey – “A very Laufey holiday” (Santa Claus is coming to town edition)

Emicida revisita raízes com dois discos inspirados nos Racionais, misturando histórias pessoais e interpolações em faixas experimentais, íntimas e contestadoras.
Crítica1 semana ago

Ouvimos: Emicida – “Emicida Racional VL.3: As aventuras de DJ Relíquia e LRX” (mixtape) / “Emicida Racional VL.2: Mesmas cores e mesmos valores”

Nigéria Futebol Clube mistura noise e no-wave para confrontar o rock, narrar histórias de negritude e de raiva urbana em dois discos radicais e políticos.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Nigéria Futebol Clube – “Entre quatro paredes” / “Hamas” (ao vivo)

Instrumental pesado da Dinamarca, o Town Portal mistura prog, jazz-math-rock e grunge 90s, buscando beleza melódica em riffs densos e climas variados.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Town Portal – “Grindwork”

RosGos mistura folk espacial e rock 90s num disco gravado em 5 dias, ao vivo. Clima viajante, tenso e dolorido, entre Brian Eno e Elliott Smith.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: RosGos – “In this noise”

Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação
Lançamentos2 semanas ago

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

Fermentação marca fase quase solo de Bebel Nogueira no Bel Medula: piano minimalista, poesia em foco e experimentações que cruzam jazz, MPB e ritmos brasileiros.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Bel Medula – “Fermentação”

Vamossive, de Posada, mistura folk nordestino, baião-rock e psicodelia afro-latina, com clima sonhador e percussão tranquila que soa como convite.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Posada – “Vamossive”

Como duo, o francês Pamplemousse mistura stoner, punk, grunge, psicodelia e vários experimentos sonoros em Porcelain.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Pamplemousse – “Porcelain”

Em Factory reset, Retail Drugs faz eletropunk ruidoso com baixo distorcido e ironia ácida sobre trabalho, redes sociais e a vida real.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Retail Drugs – “Factory reset”

Em Novo testamento, Ajuliacosta faz um manifesto em rap e r&b: existencial, direto e vingativo, criticando machismo, mercado, fama e relações.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Ajuliacosta – “Novo testamento”

Sea change, segundo disco do Lovepet Horror, mistura pós-punk, dream pop e ecos 80s em clima imersivo, dançante e sombrio, com guitarras ecoadas.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Lovepet Horror – “Sea change”

Cultura Pop2 semanas ago

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Após seis anos, Of Monsters And Men volta com um disco indie folk mais real e celestial, que fala de saúde mental, amor em desgaste e franqueza emocional.
Crítica2 semanas ago

Ouvimos: Of Monsters And Men – “All is love and pain in the mouse parade”