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Djangos mexem no baú e regravam demo de 1997 aos poucos

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Djangos mexem no baú e regravam demo de 1997 aos poucos

Mesmo sem conseguir dar shows e sem conseguir ensaiar por causa da pandemia, a banda carioca Djangos voltou, discretamente, com um lançamento comemorativo. Lyle Diniz (baixo), Jj Aquino (bateria) e Marco Homobono (guitarra e voz) mexeram no baú, voltaram à sua demo de 1997, 100 cortes – cujas músicas ainda não haviam sigo gravadas em discos do grupo – e estão regravando as quatro canções do K7, aos poucos. Em 2021 já saíram dois singles do projeto 100 cortes revisitado, com as músicas Bibliografia (lançada em março) e Aeroporto internacional (em outubro).

Batemos um papo com Homobono, que também vem lançando vários materiais off-Djangos (solo, ou acompanhado de amigos como Gilber T) e ele contou sobre como Aeroporto internacional é ligada à sua vivência como ex-morador de um bairro muito pouco citado do Rio de Janeiro. E relembrou a época de Raiva contra oba-oba, a estreia do grupo, de 1998

Como Aeroporto apareceu na sua vida e na do Djangos?

Essa música está numa demo que a gente lançou em 1997, chamada 100 cortes. É uma demo muito importante pra gente porque foi gravada na década de 1990 lá em Curitiba. A gente tinha uma certa facilidade para viajar porque os eventos que aconteciam geravam um dinheiro que dava para pagar a passagem de ônibus, estadia… A gente não ganhava cachê, mas viajava.

Eu nunca tinha nem pensado em ir para lá, mas fui duas vezes no lançamento da coletânea Paredão, que foi no Aeroanta, e depois voltamos porque o Rodrigo Cerqueira, que era baterista do Skuba, fez um evento lá e chamou a gente para tocar. Fomos lá, o Pedro de Luna (jornalista, escritor e autor da biografia do Planet Hemp, Mantenha o respeito, entre outros livros) fez essa ponte para a gente. O Pedro inclusive foi com a gente.

E aí esse show foi até bem importante para a gente porque eu vi uma banda de ska com metais tocando lá. E isso determinou que usaríamos metais, porque eu fiquei encantado com aquilo. Enchi o saco da banda: “A gente tem que ter metais, tem que ter metais!”. O João era muito partidário do esquema de ser só o trio. Mas isso serviu para a gente fazer a parada desse jeito. O 100 cortes, como a gente gravou numa mesa e transformou numa demo, ela vendeu bastante, a galera vendia muito essa demo.

Havia um mercado grande de demos, não?

Havia um mercado aquecido, você vendia demo, mandava pelo correio, era um negócio movimentado mesmo. A galera que trabalhava no Garage – o Max, o Ricardo, o Panda, o Ronald – eles tinham essa sociedade e comercializaram essa fita. O Djangos ia começar a gravar, a compor músicas novas, a gente estava se encontrando em 2020. Mas aí veio a pandemia e a gente parou total. Nesse meio-tempo, começaram a rolar aquelas gravações que cada um fazia uma coisa no seu canto, assim… com vídeos com quadradinhos dividindo, cada um no seu ambiente de casa.

Fizemos um justamente com a música Aeroporto internacional, mas o resultado não ficou bom. Acho que aí tivemos a ideia de pegar a demo, porque ela tem quatro músicas que nunca foram gravadas em lugar nenhum. Pensamos: “Vamos fazer um projeto, 100 cortes revisitado“. Escolhemos duas músicas para começar, que foram Bibliografia e Aeroporto internacional.

Essa música apareceu porque na época, isso lá em 1996, 1997, eu estava escutando o Casa babylon, disco do Mano Negra. Tinha lá uma música chamada El Alakran (La mar esta podrida), que é muito maneira, tem um coral de crianças. E esse disco é cheio de colagens, ele usava muito sampler. Depois o Mano Chao (vocalista) usou isso no disco dele de estreia. Essa música me chamou muito a atenção, porque vem uma voz que diz “aeroporto Mano Negra!”.

Isso ficou na minha cabeça e eu: “aeroporto, aeroporto…”. Eu comecei a falar do Galeão e imaginei o entorno, que era um lugar que eu visitava  bastante quando era criança. Eu morava ali onde o pessoal fala que é Higienópolis, perto de Del Castilho, do Complexo do Alemão…

Sim, sim. Um bairro que o carioca não conhece, por acaso. Você fala em Higienópolis e o cara pensa em São Paulo, não no Rio…

Verdade! Mas existe esse bairro, ali perto de Del Castilho, do Jacarezinho. Cresci ali, conheci bem aquela região. Comecei a falar de uma comunidade fictícia que ficava à beira do aeroporto. Não sei posso considerar que a Maré está na cabeceira, pode ser que ela esteja bem distante. Mas imaginei a comunidade em que o pessoal tomava banho na Maré poluída. Fui numa onda que eu acho que é bem Alagados (Paralamas), a mesma geografia que o Herbert Vianna contemplava quando ia para o fundão… foi a mesma que me inspirou ali. Comecei a falar dessa comunidade aí, da coisa de trabalho assalariado, trabalho escravo, “quero minha carta de alforria”…

Tem uma onda parecida mesmo!

É uma filha de Alagados. Eu tava até lembrando aqui que essa música aí… Os Djangos são uma banda independente, a gente faz o que pode em termos de verba para gravar. E essa música levou muito tempo para ser feita. Aconteceram várias coisas, desde computador quebrado, a gente teve que consertar computador para terminar a música. Fiquei duas semanas sem fazer nada nela… O João (Jj Aquino, baterista) eu não vejo há tempos, até mandei uma mensagem para ele e falei: “A gente tem que se encontrar, cara!”. Porque nunca mais eu encontrei com ele.

Desde 2020?

Desde 2020, foi nosso último ensaio. O pai do Lyle morreu há pouco mais de um mês, e o pai dele era meu vizinho, era um grande apoiador da banda desde o começo. Eu tô aqui em Niterói hoje e eu lembro que ele vinha trazer a gente em Niterói, no Gato Preto, no Farol. Foi um cara que ajudou muito a gente. Estive com Lyle e o João não vejo desde aquela época. E aí a gente fez isso tudo separado, o João foi num estúdio, com o maior cagaço, no meio da pandemia. “Vai ter só eu e o cara na outra sala…”, ele disse. Foi lá e gravou duas músicas na bateria.

O Lyle não tinha onde gravar e foi lá em casa. Depois que o Lyle gravou fiquei duas semanas parado, apático. Foi na semana que o Paulo Gustavo (ator) morreu, e aquilo mexeu bastante com muita gente, a perda. E depois na mesma semana teve a matança no Jacarezinho… Cara, eu fiquei deprê, sem atitude, para fazer certas coisas. Isso atrasou um pouco as coisas. A gente não tinha um prazo, não sei se isso é bom ou se é ruim, porque a gente é nosso próprio coordenador, produtor, a gente tem que se cobrar. Mas sempre fui defensor dessa música, falava “tá demorando, algumas coisas são mais cagadas mesmo que as outras, mas essa música é boa!”. E a galera curtiu, muita gente tá falando da música. Bibliografia passou meio em branco…

Eu fui ouvir Bibliografia outro dia, não tinha escutado quando saiu. A letra é bem legal, cita o nome de um monte de artistas, me lembrou até uma playlist do Ronca Ronca

Pois é, podia ter botado o Ronca Ronca no meio! A letra foi um dos releases que eu escrevia na época. Tinha várias outras coisas, “subwoofer do DJ Marlboro”, mas na hora de fazer a música botei o que dava mais musicalidade. Era um release da banda resumido, de coisas que influenciavam a gente.

Tem mais algo do 100 cortes vindo aí? 

A ideia é terminar! Porque tem mais duas músicas. Uma era uma adaptação que a gente fez do “trem maluco quando sai de Pernambuco, vai fazendo tchucotchuco até chegar no Ceará”, a gente cantava em versão mais punk. A galera gostava, pelo apelo da música infantil. E tem um hardcore misturado com reggae que são as duas últimas músicas. A gente quer gravar e botar num EP. Estamos cumprindo o script de lançar singles. Mas a gente é uma banda do milênio passado, a gente gosta mesmo é de álbum, né, cara?

Só que tem uma questão financeira aí, pra você gravar um disco legal precisa de uma grana. A gente é independente, tá correndo atrás aí de editais para bancar um EP num estúdio bem gravado, com uma produção maneira. Ou até um disco mesmo, vamos ver o que vai acontecer. Ou quem sabe alguém da banda ganha na Mega Sena! (rindo)

Eu dei a ideia da gente voltar a ensaiar em casa mesmo, retomar as músicas que a gente estava fazendo, que seriam para um terceiro disco. E pensar em voltar a tocar, né?

Os shows estão voltando, tem o Circo Voador, Audio Rebel… Como você tá vendo esse retorno aí?

Com muito receio. Fui ver um show da banda DKV aqui em Niterói, foi cobrada carteira de vacinação, todo mundo de máscara, tinha distanciamento. Mas esse vírus é traiçoeiro e o pessoal fica falando das ondas, “lá fora já tá na quarta onda, surgiram casos em Londres…” E às vezes as pessoas se comportam como se já tivesse passado, né? Eu tenho muito receio, tipo “ah, vamos ver o Djangos sei lá onde”, aí a pessoa pega covid é entubada e morre. Eu ficaria bolado com isso.

Quero mais segurança para todo mundo, isso só vai vir com o tempo. Vamos ver como as vacinas vão se comportar ao longo do tempo. Esse show que eu fui foi na Sala Nelson Pereira dos Santos, um espaço enorme, um palcão. Pensei: “Isso é o que eu gosto de fazer, mas eu tenho medo”. Prefiro ser prudente nessa hora aí.

Raiva contra oba oba, o primeiro disco de vocês, lançado em 1998 pela Warner, completa 25 anos em 2023, daqui a pouquinho. Como foi a experiência de estar numa gravadora grande? 

A experiência da gravadora foi boa para a gente ter acesso a um estúdio, a uma produção, a uma estrutura boa. A gente gravou num estúdio da Barra, de 18h até a madrugada. Fizemos isso durante um mês, todos os dias da semana de segunda a sexta. O João Barone e o Tom Capone (produtores) com a gente. Eu nunca teria estrutura para bancar dois produtores desse porte. Esse fim do ciclo das gravadoras, a gente pegou uma última fase onde a estrutura fonográfica tinha a coisa do advance, que era um dinheiro que a gravadora te pagava baseado numa previsão do quanto você poderia vender. Eles te adiantavam dinheiro, a gente aproveitou essas possibilidades.

Mas eu acho que a banda era muito imatura, falo por mim. A gente não conseguiu se impor, e ao mesmo tempo que a gravadora fez tudo isso, na hora de promover foi alegada falta de verba. Viajamos com dinheiro da gravadora algumas vezes, mas foi um trabalho pequeno, não foi maciço. Teve essa imaturidade, teve a mudança do diretor artístico – porque quem contratou a gente foi o Paulo Junqueiro, e ele depois saiu. O Tom Capone entrou. Às vezes isso pode acontecer, você não está no projeto empresarial de um diretor artístico.

Ele produziu a banda, mas aí ele mudou para a direção artística, e mudou a política do selo?

Mudou. Não tinha nada garantido, a gente era uma banda iniciante. Não recebemos muito apoio para divulgar, ainda mais levando em conta a estrutura empresarial ali. E teve a imaturidade, acho que a gente não conseguiu se impor. Eu era uma pessoa muito sem autoestima, apesar de acreditar nas minhas músicas. Isso dificultou muito. Mas teve seus momentos ótimos. Foi, de qualquer maneira, um grande momento, sou grato por ter tido essa experiência.

E como foi ser produzido pelo João Barone?

Paralamas para mim é paradigma de banda de rock, acompanhei os shows, os discos. E ele tava ali, exigindo da gente, coordenando a execução, comandando coisas nas letras, “isso não tá bom, não, muda!”. Eu lembro até que uma música que fazia relativo sucesso nos shows não foi pro primeiro disco, porque o Barone não curtiu muito. Faz parte da produção.

A gente teve que escolher repertório, o Barone escolheu o que ia entrar. Tem a convivência, de ele escutar a história da gente, a gente ouvir histórias dele. Sou muito fã dele e do Capone, mas na época eu não tinha consciência da magnitude do que estava acontecendo. Hoje eu olho para trás e penso: “Passei um mês convivendo com o Barone!” (rindo). E todo dia. Ele é um grande ídolo do João, que admira muito o Barone. Foi demais.

E acho que a gente conseguiu não ter uma reverência total, tanto que conseguimos discutir coisas dos arranjos. Sempre debati com produtor e tivemos essa liberdade de debater, ele estava aberto. Não iria rolar nada no esquema do Phil Spector, que quando alguém reclamava de alguma coisa, o cara abria a gaveta e mostrava uma arma (risos). Não rolou nada disso nem com ele nem com o Capone, foi um sonho de criança. E a gente era muito novo, eu tinha 24 para 25 anos, só pensava: “Que coisa boa que aconteceu!”

A última vez que a gente conversou foi na época da música Subcarioca, um single solo seu, que falava da situação atual do Rio de Janeiro. De lá para cá, como está sua visão sobre a cidade? Mudaram prefeito, umas outras coisas…

Eu sou pessimista. Você tira os personagens que protagonizam a vida pública, a máquina, o executivo, o legislativo… mas a mentalidade continua. O povo… bom, nós, né? Nós somos alienados. A gente não sabe o que está acontecendo. Isso facilita para que Bolsonaro seja eleito presidente, por exemplo. Essa mentalidade continua, e estamos nessa situação.

Eu prefiro ser realista: a gente vai evoluir sim, mas vai levar décadas para a gente chegar no “o Brasil é uma superpotência que dá valor a seu próprio povo”. Vai demorar muito para reverter isso. Eu costumo dizer que sou uma pessoa muito deprimida e muito feliz, porque qualquer pessoa que seja observadora atenta aos fatos vai olhar para o mundo e dizer que a gente tá fodido. Mas tenho minha mulher, minha família, minha banda, minha música. Isso me faz ser feliz dentro dessa realidade.

Lançamentos

Urgente!: Pronto, os 17 singles de Hayley Williams agora formam um álbum

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Capa de "Ego death at a bachelorette party", de Hayley Williams

Lembra quando Hayley Williams, há algumas semanas, lançou 17 singles de uma vez só, e o pacote ganhou, dado pelos fãs, o nome de Ego? Pois bem: Hayley decidiu lançar hoje tudo de uma vez no formato álbum, e deu ao disco o nome das melhores músicas do conjunto de faixas lançadas em separado por ela no dia 1º de agosto: Ego death at a bachelorette party. A capa é a foto acima.

Ao número original de faixas, foi acrescentada mais uma, Parachute. Um outro detalhe: no anúncio oficial de lançamento do disco no Instagram, Hayley avisa que o disco terá oficialmente 20 músicas – e que mais duas canções serão adicionadas ao projeto oficial.

O lançamento do disco em formato álbum (ainda sem data definida), bem como a entrada de Parachute, já haviam sido feitos por Hayley há alguns dias. A cantora também disse que a tracklist seria feita por um fã (em seu site oficial havia uma área para os fãs montarem sua própria tracklist, depois trancada). Na verdade nem foi bem assim: o site paramore.com.br revela que “a tracklist escolhida é uma mistura entre algumas playlists de fãs e a playlist de Daniel James, produtor do álbum”.

O disco é o primeiro lançamento de Hayley desde 2023 – em dezembro desse ano, o Paramore, banda da qual ela é vocalista, anunciou o término de seu contrato com a Atlantic. Ego death at a bachelorette party sai pelo selo próprio dela, Post Atlantic (note o nome), com distribuição da Secretly Distribution.

Para quem não ouviu, vale a pena conhecer de novo a ordem das faixas na maneira como Hayley as dispôs – por acaso, a ruidosa Parachute é a 18ª música da pacoteira (confira aí embaixo). Cópias físicas do disco já estão em pré-venda e chegam “a todos os lugares” (ela que garante) no dia 17 de novembro.

(e a gente resenhou as músicas novas de Hayley aqui).

Aliás, Parachute já tem um visualizer. Confira aí.


Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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Lançamentos

Radar: Carlos Dafé, Pélico, A Olívia, Cholópoles, Anacrônicos – e mais!

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Carlos Dafé e Adrian Younge

O Radar nacional de hoje começa com um lançamento mais do que aguardado – o produtor norte-americano Adrian Young está preparando disco com ninguém menos que o príncipe do soul nacional, Carlos Dafé, e já tem single rolando. Novidades de Pélico (com Ronaldo Bastos como parceiro!), Anacrônicos, A Olívia e outros nomes completam a série. Monte sua playlist!

Texto: Ricardo Schott – Foto 

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CARLOS DAFÉ E ADRIAN YOUNGE, “VERDADEIRO SENTIMENTO”. Após fazer gravações com Marcos Valle, Hyldon e até um excelente disco solo, Something about april III, o músico norte-americano Adrian Younge, se bobear, estava ouvindo de todo o mundo: “E aí, quando é que você vai fazer um disco com Carlos Dafé?”. Pois bem: o gênio do samba-soul (e “príncipe do soul”) Dafé acaba de soltar, ao lado de Younge, a poética Verdadeiro sentimento – cuja letra foi feita por ele nos Estados Unidos num momento de saudade da esposa, Marilda Barcelos (filha de Elza Soares). E não só isso: outros dois singles, Bloco da harmonia e Amor enfeitiçado, estão por aí. Carlos Dafé JID025, o disco que une a dupla Dafé-Younge, sai dia 17 de outubro.

PÉLICO, feat RONALDO BASTOS, “INFINITO BLUE”. No dia 26 de setembro sai A universa me sorriu – Minhas canções com Ronaldo Bastos, disco novo de Pélico, feito apenas de parcerias com o letrista niteroiense, revelado pelo Clube da Esquina (e cujo histórico inclui parcerias com artistas dos mais variados estilos e procedências). Anote aí que você vai se apaixonar por Infinito blue, single do álbum – canção feita a partir de uma melodia que Pélico havia feito há muito tempo, mas que ainda estava em busca de uma letra que combinasse. Com Ronaldo na parada, mais do que combinou. “Ele fez uma letra incrível, bem imagética, criando um clima mágico para canção”, diz Pélico.

A OLÍVIA, “IDEIA MALUCA”. Aproveitando sua primeira turnê fora do Brasil, a banda paulistana decidiu gravar o clipe de uma das faixas de seu disco Obrigado por perguntar em Buenos Aires. A faixa, ligada ao punk-pop, vira clipe no momento em que o grupo lança o disco mais acessível de sua história. O vídeo foca na arte de rua, nos museus, nas paisagens inusitadas e nos personagens da cultura pop que unem o universo latino americano.

CHOLÓPOLES, “LETRAS DE PROTESTO”. Essa banda de São Paulo acaba de lançar o EP Letras de protesto, unindo rock pauleira anos 1970, punk lascado e pós-punk a la Titãs, com vocais fortes. A faixa-título impõe peso e agilidade a uma historia que envolve excesso de informação, banalização, desinteresse e memória seletiva. “Quem não conhece a própria história / tá condenado a repeti-la / e repetir é andar pra trás”, cantam, dizendo também que músicas de protesto fazem bem, “porque o dia a dia é duro”.

ANACRÔNICOS feat KATIA JORGENSEN, “TEMPLO GALAXIAL”. A banda formada por Mauricio Hildebrandt (voz e guitarra), Bernardo Palmeiro (guitarra e voz), José Sepúlveda (baixo e voz) e Pedro Serra (bateria) vai lançar seu segundo EP em breve. Após adiantar o disco com Febre amarela, convidam Katia para dividir esse mistura de hard rock, gospel, samba e rap, com fundamentos espaciais. “Para aqueles que buscam as respostas para as grandes perguntas nos recantos mais distantes da galáxia e desejam navegar para além, o Templo oferece um astrolábio do amor a todos os destemidos que se atreverem a embarcar nessa jornada sem volta”, avisa a banda.

FILARMÔNICA DE PASÁRGADA, feat NÁ OZZETTI, “LADEIRA DA MEMÓRIA”. Aproveitando o logotipo do Lira Paulistana na capa, essa banda decidiu fazer uma homenagem à Vanguarda Paulistana no EP Rua Teodoro Sampaio, 1091 – por acaso, o título é o endereço do teatro do Lira. Ladeira (de Zécarlos Ribeiro) é uma música do grupo Rumo, e narra uma cena do dia a dia de São Paulo, com sua fauna urbana e seus moradores “vagando pelas ruas sem profissão, namorando as vitrines da cidade”. Às mumunhas orquestrais do grupo somou-se a entrada de Ná Ozzetti, integrante do Rumo.

JULIETA SOCIAL, “FOME”. “Me apoio muito nas conversas que temos no grupo para escrever, e essa letra carrega dores que sinto e que vejo muitos da nossa geração sentindo”, diz Rafael Bastos, cantor da banda paulista Julieta Social e um dos autores de Fome, novo single do grupo. Inspirada diretamente em Arctic Monkeys e numa mescla que vai de Zé Ramalho a sons do afropop, a nova música é definida por Rubens Adati (guitarrista) como “quase um beat tocado por banda” – o que é explicitado pelos corais hipnotizantes, pelo eco nas guitarras e pela combinação de baixo e bateria.

SUPERVÃO, “TUDO CERTO PARA DAR ERRADO – AO VIVO”. A banda gaúcha prepara uma session ao vivo para lançamento nas plataformas e já libera o primeiro single: Tudo certo para dar errado – ao vivo está no EP AVGN na Rádio Agulha, gravado em uma sessão nos túneis subterrâneos de Porto Alegre, debaixo da chaminé do Shopping Total, onde hoje funciona a Rádio Agulha. O Supervão reparou que essa música faz bastante sucesso com os fãs e é a mais ouvida nas plataformas, daí começar a divulgação por ela. E AVGN na Rádio Agulha, você deve imaginar, recauchuta o repertório do álbum mais recente da banda, Amores e vícios da geração nostalgia.

ANTONIO DA ROSA, “MUNDO DE AMOR”. Antonio decidiu, em seu novo clipe, falar de amor – mas não na onda do “ela me deixou, estou triste”, e sim com mensagens de esperança para quem se desiludiu com o amor. “É como se o eu-lírico Antônio​ canção fosse o próprio amor ou a vida em si”, conta ele. Mundo de amor migra para o universo do pop sem medo de ser feliz, com metais, batida dançante e refrão fácil de decorar.

ASTERISMA, “PROCEDURAL (AUTOMÁTICO)”. “Procedural” é um termo usado no universo das séries e define seriados como Friends, em que os episódios são histórias com começo, meio e fim, sem continuidade – na real, é algo que segue uma sequência de passos ou um método definido para alcançar um resultado. É também o nome escolhido pela banda gaúcha Asterisma para batizar seu novo single, que conta uma historinha de brigas internas e dúvidas em meio a guitarras pesadas e referências de shoegaze e emo.

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Lançamentos

Radar: The Cribs, She’s In Parties, David Byrne, Superstar Crush, Origami Ghosts – e mais

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The Cribs (foto) no Radar de hoje

O Radar do Pop Fantasma vai dar uma desaceleradinha nas próximas semanas e volta logo logo ao normal – tempo suficiente para a gente encarar uns trampos fora do site (é, eles existem) e encerrar coisas. Daí tem música que tá saindo meio atrasada por aqui, uns sons que já estavam no nosso arquivo e algumas outras novidades. E hoje tem Radar internacional, abrindo com The Cribs e seu som novo – e a primeira faixa depois de cinco anos. Ouça tudo no volume máximo.

Texto: Ricardo Schott – Foto (The Cribs): Steve Gullick/Divulgação

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THE CRIBS, “SUMMER SEIZURES”. Dentre as bandas indies que despontaram para a fama no começo do século 21, aposto que você, quando foi enumerá-las, esqueceu-se de uma: os britânicos do The Cribs, grupo formado por três irmãos Jarman (Ryan, Gary e Ross) – e importante a ponto de ter contado com o ex-smith Johnny Marr no posto de guitarrista entre 2008 e 2011. O grupo se prepara para lançar seu primeiro álbum em seis anos, Selling a vibe, dia 9 de janeiro, e adianta o trabalho com a bela melodia e os vocais bem construídos do single Summer seizures.

Ryan diz que a música surgiu quando ele estava na cozinha de seu apartamento em Nova York e sentiu que o verão estava começando. “Todos os grandes eventos da minha vida parecem ter acontecido no verão – os bons e os ruins. Quando pude sentir que tudo voltava, foi uma forma de marcar o tempo, olhar para onde estou agora e tentar conectar tudo. É uma música sobre amor, tragédia e aprender a conviver consigo mesmo, tudo ambientado no verão em Nova York”, contou.

SHE’S IN PARTIES, “SAME OLD STORY”. She’s in parties é o nome de uma música do Bauhaus – mas o som dessa banda britânica tá mais próximo do rock alternativo dos anos 1990, turbinado com guitarras altas, do que do som gótico. A cantora e guitarrista irlandesa Katie Dillon imprime um clima que lembra o lado franco e doce do rock-de-guitarras da época, com direito a versos confessionais sobre os descaminhos da vida no single novo, Same old story. O próximo EP do quarteto, Are you dreaming?, sai dia 7 de novembro.

DAVID BYRNE, “THE AVANT GARDE”. Dia 5 de setembro sai o novo de Byrne, Who is the sky?, que está sendo desenhado na cara dos/das fãs, com singles e clipes. The avant garde, música nova, fala do que muita gente chama de “arte pela arte”. Ou seja: erudições e experimentações que rompem com todos os padrões possíveis, mas não conseguem chegar a um público muito grande. Um risco, claro, corrido por ele desde a época dos Talking Heads. “Não há garantia de que vá alcançar o que se propõe, mas quando isso acontece, as recompensas emocionais e intelectuais valem a pena. Esse é o risco que se corre ao criar algo novo e fora do convencional”, diz.

SUPERSTAR CRUSH, “THEY KEEP CALLING”. Essa banda canadense de pop barroco faz de seu novo single um encontro entre dream pop e psicodelia. They keep calling abre como folk psicodélico, com vocal tremido, à maneira de Lullaby to Tim, dos Hollies. Torna-se depois um som sonhador, que une modernidades às influências de pop sessentista. Está no disco novo do grupo, Way too much.

ORIGAMI GHOSTS, “VIRTUAL REALITY BOY”. Essa inventiva banda de Los Angeles fala sobre um universo onde pessoas são quase tamagochis (lembra disso?) em seu single novo. O som é uma mistura bem feita de David Bowie, T. Rex e folk doidão. Faz parte do álbum A fine time to talk about nothing, o novo dessa banda indie. “E se eu não pudesse sair deste mundo virtual? Como um cenário tipo Willy Wonka. Eu comeria doces a vida toda? Como uma situação de ‘cuidado com o que deseja’?”, diz JP Scesniak , cantor, guitarrista e tecladista.

14 FLAMINGOS, “THE DUKE”. Esse quinteto do Canadá é assumidamente inspirado em Talking Heads, Lou Reed, Tom Waits, e nos textos de Hunter S. Thompson – ou seja, é música marginal e criativa das boas. The duke, single novo, é um pós-punk com guitarrra de blues, andamento funkeado, vocal grave numa onda Iggy Pop. O grupo tem um trompetista, então espere algo próximo do clima de fanfarra no som.

ANNE BENNETT, “ELECTRIC SIN”. Essa cantora nasceu e se criou em Salem, Massachussets – aquela cidade conhecida pelas bruxas locais. Isso acabou inspirando suas músicas e também a jornada de resistência e de vulnerabilidade que ela põe em suas letras, e em seu vocal delicado. Electric sin tem algo de darkwave na instrumentação eletrônica, sombria e minimalista – mas tem vocais que lembram a placidez do soft rock.

EV. G, “WAY WE REMEMBER”. Músico experimental do Canadá, Ev mexe com temas como experimentação e desorientação em seu novo single – o tipo da música feita para desafiar ouvidos, com referências de rap e dream pop. Tanto ele quanto o produtor e parceiro Brock Geiger lembram que na demo, já era uma música bastante etérea – que funcionava como uma paleta musical para a composição da faixa. Já o clipe traz imagens pra lá de surreais clicadas nas montanhas.

SORRY, “ECHOES”. Dia 7 de novembro sai o novo álbum do Sorry, Cosplay, pela Domino. O conceito do álbum é que qualquer pessoa, hoje em dia, pode ser qualquer um – um tema bem louco, mas que parece filtrado pelas IAs da vida, e pelo universo virtual no qual muita gente vive imersa 24 horas por dia. Já o single Echoes parte de uma historinha bem louca e filosófica: um poema sobre a história de um menino que grita “eco” dentro de um túnel, esperando pela resposta – com isso, a banda criou uma música sobre se perder no amor. O som é pós-punk com emanações de Talking Heads e Velvet Underground. E já tem clipe.

BURN KIT, “LOOKING THROUGH THE WINDOW AT YOU”. Pós-punk sinistro (e põe sinistro nisso), com ligeiras tendências a se tornar viajante e pesado. Essa banda de Boston acaba de lançar esse single, cujo clipe é tão sombrio tanto a música, envolvendo um assassinato, uma ocultação de cadáver e uma investigação. “A música confronta a sempre conhecida porta trancada que existe dentro de todas as mentes humanas. O fato de que ninguém se conhece verdadeiramente. Sempre há coisas em que pensamos, coisas que não dizemos e aparências que mantemos em meio à automação da vida cotidiana moderna”, diz Valentino Valpa, cantor da banda.

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