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E a música nova do Ludovic?

Letra surgindo depois de quase um minuto, vocais graves cantando sobre “o perigo e a inevitabilidade das idealizações românticas que a paixão traz consigo”, versos falados, certo clima de desespero, mudanças rítmicas – e lá vem novamente o Ludovic, em clima bastante indie e experimental, preparando o terreno para seu próximo álbum, previsto para este semestre pela Balaclava Records.
A descrição acima fala sobre Pedestal, nova música do grupo de Jair Naves, Eduardo Praça, Zeek Underwood e Rodrigo Montorso. Ela sai depois do single Desde que eu morri, que abriu a temporada de novidades na área do grupo.
Nem tudo é tristeza em Pedestal e muita coisa é superação. Jair, autor da frase entre aspas do parágrafo acima, completa dizendo que Pedestal “também busca uma reflexão madura e justa sobre separações, em que se reconhece a importância que uma relação já encerrada possa ter tido na vida de alguém – ao mesmo tempo em que se aceita o fim e se manifesta a vontade de seguir adiante carregando as lições aprendidas”.
Liderado pelo cantor e compositor Jair Naves, o Ludovic abriu sua discografia com um EP autointitulado, em 2000. A banda mudou bastante de formação, mas acabou se consolidando com a entrada dos guitarristas Eduardo Praça (Apeles e Quarto Negro) e Zeek Underwood (Shed, Mudhill, Reffer e Single Parents).
Após os discos Servil (2004) e Idioma morto (2006), rolou uma separação e o retorno, com Rodrigo Montorso (Hateen e Diagonal) assumindo a bateria. O próximo álbum do Ludovic, o terceiro de sua discografia, vai ser o primeiro depois de 20 anos. Lançamento histórico, portanto.
Abaixo você confere Pedestal, o clipe de Desde que eu morri, e um vídeo de Pedestal gravado ao vivo em Florianópolis (SC), total fanmade.
Texto: Ricardo Schott – Foto: José Menezes / Divulgação
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Lourenço Rebetez: jazz, hip-hop e ritmos afro-brasileiros em novo disco

RESUMO: Dez anos após sua estreia, Lourenço Rebetez prepara Língua geral, produzido por Arto Lindsay. O single Maestro, inspirado por Letieres Leite, mistura jazz, hip-hop, eletrônica e ritmos afro-brasileiros, e Sim e não (Yes and no) une percussão brasileira e jazz.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Gleeson Paulino / Divulgação
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Dez anos se passaram desde que o guitarrista, compositor e produtor Lourenço Rebetez lançou O corpo de dentro, seu primeiro álbum. Nesse intervalo, ele continuou pesquisando ritmos, experimentando maneiras de compor e se aproximando de músicos de diferentes áreas. Agora, prepara a chegada de Língua geral, segundo disco de sua carreira, que sai em 4 de novembro. O primeiro single é Maestro, que mistura jazz, ritmos afro-brasileiros, hip-hop e experiências com produção eletrônica.
Uma figura importante nessa história é Letieres Leite, maestro baiano morto em 2021, criador da Orkestra Rumpilezz. Rebetez estudou jazz na Berklee, nos Estados Unidos, mas foi depois de voltar ao Brasil e conhecer o trabalho de Letieres, em Salvador, que começou a olhar de outra maneira para as possibilidades do ritmo e dos arranjos. A influência do músico baiano acabou se tornando uma das bases de sua pesquisa.
Em Maestro, essa história aparece numa combinação de batidas que mudam de direção, ritmos que parecem escapar uns dos outros e arranjos que não seguem exatamente os caminhos esperados. Em vez de simplesmente colocar jazz, música afro-brasileira e hip-hop lado a lado, Rebetez prefere explorar os pontos em que essas linguagens se misturam, se sobrepõem ou até entram em conflito.
Já saiu também o single Sim e não (Yes and no), tocado ao lado do baterista e produtor de jazz norte-americano Kassa Overall, e do tecladista japonês radicado em Nova York, BigYuki. Ambos unem seus sons à percussão brasileira, numa dinâmica que junta uma bateria “reta” dialogando com as percussões de Kainan do Jêje e Ícaro Sá (que comandam agogôs, caxixis, timbaus, djembê e surdos virados).
O novo álbum tem sete composições inéditas e produção de Arto Lindsay, músico americano que há décadas transita entre a música experimental novaiorquina e os sons brasileiros. Rebetez assina a direção do trabalho, que reúne convidados como o baterista e rapper Kassa Overall, os tecladistas BigYuki e Jason Lindner, além de Kainan do Jêje, Ícaro Sá e Grupo Ofá.
A ideia é fazer com que improvisação, composição e produção participem do mesmo jogo. Pequenas irregularidades, mudanças de acentuação e desencontros rítmicos, normalmente associados à execução ao vivo, passam a fazer parte da própria construção das faixas.
Língua geral será lançado numa parceria entre os selos RISCO, Jazzybelle Records, do Reino Unido, e Think! Records, do Japão, com distribuição também na Europa e no mercado japonês.
Abaixo você ouve os singles novos, e confere capa e lista de faixas de Língua geral.
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LISTA DE FAIXAS:
01. Maestro (feat. Grupo Ofá)
02. Sim e não (Yes and no)
03. Everyday entities
04. Parade
05. Segundo sentido
06. Vas-Y
07. Ananké (feat. Grupo Ofá)
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Por que você deve esperar ansiosamente o próximo disco do Hot Chip

RESUMO: Em janeiro, o Hot Chip lança A long way from Kansas, com Beth Ditto e Eddie Chacon. O single Random violence homenageia o DJ JD Twitch e aponta para um synthpop mais emotivo e orquestral.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Louise Mason/Divulgação
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O Hot Chip está de volta com disco novo em janeiro. A long way from Kansas, nono álbum da banda britânica, chega quase cinco anos depois do anterior, com inspiração no universo de O mágico de Oz (daí o título, tirado da cena em que a Dorothy e seu cachorrinho são levados do Kansas à terra de Oz por um tornado) e participações de Beth Ditto (Gossip) e Eddie Chacon. E o primeiro single, Random violence, já dá alguns bons motivos para colocar esse lançamento na agenda.
O grupo não ficou exatamente parado nesse intervalo. No ano passado, lançou a coletânea Joy in repetition, resenhada aqui, enquanto seus integrantes se dividiam entre projetos paralelos. Agora, pelo que indica a primeira amostra do álbum, o Hot Chip parece interessado em explorar outros caminhos para seu synthpop.
Random violence é uma espécie de power ballad new wave, com uma construção que lembra bastante All my friends, do LCD Soundsystem. Só que, em vez daquele piano insistente da faixa de James Murphy, entram arranjos orquestrais. A comparação não é gratuita: afinal, o multi-instrumentista britânico Al Doyle toca nas duas bandas.
A história por trás da música, por sinal, é bastante triste. Random violence é uma homenagem a Keith McIvor, o JD Twitch, DJ do duo escocês Optimo, que morreu no ano passado, vítima de um câncer no cérebro. Amigo dos integrantes do Hot Chip, ele deixou uma marca especialmente forte em Joe Goddard, que escreveu a canção.
“Em setembro do ano passado, nosso velho amigo e brilhante DJ Keith McIvor, do Optimo, de Glasgow, morreu após receber, alguns meses antes, o diagnóstico de um tumor cerebral inoperável. Ele foi a principal inspiração para a letra. Era um apaixonado por música e um socialista convicto. Muitas das palavras se referem diretamente à sua morte e às lembranças do Sub Club, em Glasgow, onde nos conhecemos há 20 anos”, contou Goddard.
A música começa conduzida por Joe, mas Alexis Taylor entra no refrão, quando os dois cantam “você me deu algo em que acreditar”. É um Hot Chip mais emotivo, menos preocupado com a pista de dança, mas ainda com aquela capacidade de transformar sentimentos complicados em música pop.
Se Random violence servir de indicação, A long way from Kansas pode trazer uma banda mais interessada em explorar a melancolia e os arranjos do que simplesmente colocar todo mundo para dançar. E isso, vindo do Hot Chip, já é um bom começo. E você confere Random violence, a capa do álbum e a lista de faixas abaixo.
(e em novembro tem show em SP)
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LISTA DE FAIXAS:
01. Stuck around
02. Waiting around
03. Random violence
04. The mask is slipping
05. Splinter
06. Shortcut to love
07. Me in your head (feat. Beth Ditto)
08. Hook me up
09. Secular hymns
10. The garden (feat. Eddie Chacon)
11. Crushing
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Sand Jar: folk, dream pop e shoegaze em música sobre saudade

RESUMO: Em Still so far, Sand Jar estreia ao lado da cantora indiana yashwi, misturando indie folk, dream pop e shoegaze. Uma canção sobre saudade e términos, com ecos de Big Thief, Beach House e Slowdive.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Fim de relacionamento, saudade e aquela dificuldade de tirar alguém da cabeça. É disso que fala Still so far, single de estreia de Sand Jar, artista que mistura indie folk, dream pop e shoegaze numa música que começa intimista e vai ganhando peso até chegar a um crescendo de guitarras.
A faixa tem duas vozes, e a outra é a da cantora e compositora yashwi, de Mumbai, na Índia. As duas se alternam sobre guitarras com slide e camadas de efeitos, numa sonoridade que lembra tanto o lado mais delicado de Big Thief e Alex G quanto as atmosferas de Beach House e Slowdive.
“Você está nos cantos da minha mente, onde guardei um lugar para você / seus olhos atravessam a decadência, mas você está tão longe”, diz um trecho da letra, que acompanha as lembranças de uma relação encerrada. A música vai ficando mais intensa, com as vozes ganhando força em meio aos instrumentos, até terminar num clima de alívio.
Sand Jar compõe, canta, toca guitarra e produz suas próprias músicas. Entre suas referências estão Bon Iver, pelo lado folk, e Black Country, New Road, especialmente o álbum Ants from up there (2022). O interesse pelo shoegaze aparece no uso de guitarras cheias de efeitos e na construção de ambientes sonoros que vão mudando ao longo da faixa.
Já yashwi trabalha com referências de R&B, pop e jazz pop, influenciada por artistas como Laufey, Raye e Naïka. A cantora também atua como diretora de arte e escreve músicas em inglês e hindi.
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