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Radar: Giovani Cidreira, City Mall, Kassel, UMZÉ e Lio, OVM, Ana Cacimba

Semana praticamente encerrada (como diz o meme, já tava encerrada desde cedo e quem fez, fez), mas o Radar tá aí – e ele sempre costuma sair mais perto da noite. Temos uma edição brasileiríssima, começando pela comemoração de dez anos de estrada musical de Giovani Cidreira. Mas também destacamos o rock pesado e denso da banda O Velho Manco (OVM para os íntimos), além do dream pop do Kassel. Ouça tudo no volume máximo, para os vizinhos conhecerem.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Giovani Cidreira): Divulgação
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GIOVANI CIDREIRA, “DENGA” (AO VIVO). O cantor e compositor baiano começa a celebrar dez anos de carreira com Denga, single que antecipa o álbum ao vivo Coração disparado. Inédita, a faixa aposta no formato mais direto possível: voz, violão e interpretação sem enfeites, registrada no palco.
A ideia do disco nasce justamente desse clima de apresentação ao vivo – simples, afetivo e próximo, como música feita para tocar em casa e desacelerar o tempo. Curta (pouco mais de dois minutos), Denga é turbinada emocionalmente por um refrão assoviado e fácil de guardar na cabeça. E ainda por cima tem um design musical que faz lembrar bastante compositores como Geraldo Azevedo.
CITY MALL, “GOLDEN EYE”. Banda paulista dedicada ao city pop – e cujo EP Lobby songs foi resenhado aqui – o City Mall volta com uma espécie de synthpop que vai além do synthpop, com uma letra que usa os perigos vividos pelo agente 007 como metáfora da vida. Dessa vez, a banda comparece com uma melodia que até poderia estar num disco de uma banda como Thompson Twins, Ultravox ou China Crisis. Só que uma vibe setentista toma conta do arranjo – e os vocais de Mariana Stein parecem até quase bossanovistas, acompanhados por timbres clássicos de synths.
A própria banda diz que em Golden eye, a ideia foi deixar a literalidade de lado, e entregar uma canção que permitisse várias camadas de leitura, tanto em letra quanto em música – daí até mesmo o rótulo “city pop”, geralmente ligado a eles, parece não dar conta de tudo que rola na faixa. Ficou bem legal.
KASSEL, “BRILHO DA MANHÔ. Três anos após o álbum de estreia This is about leaving, essa banda formada na pandemia promove mudanças. O duo Renan Rocha e Rodrigo Soares, que deu origem a banda (e que veio do grupo Two Places At Once), virou quarteto com a chegada de Igor Pinto (baixo) e Pedro Arita (bateria) nova fase. E o Kassel passa a cantar em português, o que já passa a fazer a partir do single Brilho da manhã, produzido por Saulo von Seehausen (saudade).
A nova música traz referências assumidas de grupos como Tame Impala, Radiohead e Men I Trust, apontando para estilos como dream pop e post rock. Para mostrar a força sonora do quarteto, o clipe da faixa, dirigido por Cassiano Geraldo, traz o grupo tocando, em ação. “Somos um quarteto, tocamos como banda mesmo. É diferente do primeiro álbum, em que fizemos muita coisa digital, dentro do computador. Estamos vivendo novamente a sensação do olho no olho, do lado humano da música”, diz a banda.
UMZÉ feat LIO (TUYO), “NÃO VOU DANÇAR NA SUA PISTA”. Fruto de uma pesquisa de três anos do cantor e músico UMZÉ sobre bailes charme, música e movimentos negros brasileiros, seu novo single indica uma nova fase na sua história musical. Olhando para a história dos bailes, a faixa traz essa energia para o agora, misturando sons da música negra brasileira, além do r&b. Com perspectiva preta e queer, a faixa fala de ocupar espaços, questionar desigualdades e dançar do próprio jeito – apresentando também a voz de Lio, da banda Tuyo.
O músico conversava bastante com seu pai sobre os bailes, além de assistir a documentários sobre os bailes charme, mas seu grande questionamento vinha de não se sentir representado por completo: afinal, eram bailes que celebravam a negritude, mas não a presença gay nos locais. “Eu me via representado pela cor, mas não pela sexualidade. Então através desse projeto, enxerguei a oportunidade de criar um espaço acolhedor onde pessoas como eu pudessem se sentir humanas e inteiras”, diz o artista.
OVM (O VELHO MANCO), “DEPOIS?” / “AS PEDRAS”. Lançado pelo selo Casalago Records, o single duplo dessa banda é a segunda etapa de uma série de músicas que irão ser compiladas em seu segundo álbum, previsto para o terceiro trimestre de 2026. O som une grunge, pós-punk, alt rock e noise dos anos 90 – há sonoridades aqui que lembram de Soundgarden a Smiths.
As duas músicas falam de condições da psique: o tema da tranquila Depois? é síndrome do pânico e ansiedade, enquanto a soturna As pedras é uma música sobre drogas – como vício, como escape recrativo ou como uso controlado. “A OVM não fala para quem quer ouvir boas notícias; nosso conteúdo é calcado na realidade”, diz a banda.
ANA CACIMBA feat PH MORAES, “SEREIA”. Após o canto de proteção de Mandinga, Ana, cantora quilombola e periférica, lança Sereia, balada que mistura nova MPB, espiritualidade afro-brasileira e clima praiano. Feita em parceria com PH Moraes (do duo Luau), a música fala de um amor que é intenso enquanto dura, evocando a imagem da sereia como encontro encantado à beira-mar. Violões, tambores, beats eletrônicos e o uso do asalato (um instrumento africano de percussão) ajudam a criar uma atmosfera leve, reforçada por visualizer de Ysis Policarpo.
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Radar: De Luca, Good Vibes Rollercoaster, Dax, Love Ghost – e mais sons do Groover!

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do De Luca.
O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.
Texto: Ricardo Schott – Foto (De Luca): Divulgação
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DE LUCA, “PARECER E APARECER”. “Escravo do algoritmo sem desobedecer ou não ser / tanta informação que faz a mente se perder”, diz a letra dessa música de De Luca, cantor e compositor brasiliense radicado no Rio, que une em seu som referências de nomes como Charly Garcia, Mutantes e Raul Seixas. Parecer e aparecer é um rock de base folk, com balanço de música brasileira, que data de 2023. Mas cuja letra permanece atual, ao falar da vida moderna como uma bagunça em que todo mundo olha cada vez mais para os algoritmos, mas continua se perguntando “cadê eu?”.
GOOD VIBES ROLLERCOASTER, “THE GOOD LIFE”. “Escrito e produzido por Matt Walton, este coletivo musical britânico tem o compromisso de espalhar positividade através do som”, conta essa turma no release, avisando que The good life, o single novo, é “uma música que destaca a beleza das coisas simples da vida. Amigos, família, sorrisos, risadas, criar memórias e se divertir”. O som varia entre country e power pop – e a letra provoca diversos sentimentos: você pode achar bem embevecedor, ou até bem irônico…
DAX, “GOD, CAN YOU HEAR ME?”. Esse rapper meio nigeriano, meio canadense, investe em letras fortes e existenciais – e dessa vez fala sobre situações-limite em God, can you hear me?, uma música sobre gente que vive momentos em que é complicado até manter-se de pé. “Sou um escravo da minha carne / e meus ossos foram quebrados por pedras fundidas / por isso estou gritando e rezando para que sua graça apare minha queda”, diz ele, acompanhando os passos de um sujeito numa ponte vazia (eita). Cenas fortes.
LOVE GHOST, “MÁTAME SUAVEMENTE” (feat BARNEY GOMBO). Esse projeto musical que não para de lançar coisas (recentemente apareceram nas resenhas do Pop Fantasma) solta uma música em espanhol, feita ao lado do Barney Gombo, uma banda pop-punk da cena mexicana. O som é referenciado tanto em Fontaines DC quanto na música pop latina atual. “A faixa retrata aquele momento específico em que o amor dói, mas, mesmo assim, torna-se impossível de esquecer”, avisam.
UNKNOWN OFFICIAL ARTIST, “FOSTER WALLACE”. Tá aí um projeto musical bem curioso. Vindo da Itália, o UOA é “um projeto sem press kit, sem fotos promocionais e sem qualquer interesse em vender uma persona”: não tem Instagram, nem TikTok, e a ideia é que as músicas falem por si só. Musicalmente, Foster Wallace, o single, é um indie rock com peso e ambiência, bem realizado (por mãos humanas, ou…?). Aparentemente, mistério não é um problema pra eles. “É música feita nos próprios termos da banda e lançada no mundo para encontrar quem ela tiver que encontrar”, dizem.
MASSIMO MONACELLI, “NAUTILUS RELOAD”. Pós-punk climático e instrumental feito na Itália. Mesmo sendo uma música instrumental, Massimo faz questão de avisar que há uma mensagem em Nautilus reload, que pode ser vista no clipe. “Ele mostra exércitos marchando por cidades bombardeadas, crianças em meio às ruínas das cidades e, finalmente, crianças de diferentes nacionalidades marchando pelas cidades e destruindo os exércitos”, conta. “O poder de contraposição das novas gerações pode neutralizar as tendências nacionalistas belicistas atualmente presentes no mundo”.
ANDY JANS-BROWN, “RADIO SONG”. O som desse músico australiano é bastante influenciado por estilos como surf music e pós-punk – tem aquela mesma onda praiana de bandas como Hoodoo Gurus, mas quase sempre partindo para algo entre o punk e a nostalgia. Radio song é uma canção altamente cantarolável que fala sobre um assunto duro: o que sobra quando a democracia vira um algoritmo, e todo mundo parece ter ficado viciado em dopamina?
OUTLAW CARTIER, “EUPHORIA”. Sujeito mascarado e sombrio, que une pós-punk e darkwave, Outlaw Cartier faz música como se fosse uma saga de anti-herói – todos os seus singles giram em torno de histórias quase tão dark quanto as melodias e arranjos, e tudo parece meio que interligado. Tanto que ele diz que seu single anterior, Lil runaway, foi o momento de fuga, e Euphoria, a nova música, é a queda que vem depois. O som é pesado e desesperado na medida.
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Radar: Menderbug, Filthdealer, Mirror Tapes, Crucifera – e mais sons do Groover

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Menderbug.
O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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MENDERBUG, “IN WHAT REMAINS”. Em breve sai Falling voices, primeiro EP do Menderbug, uma banda de slowcore surgida “na zona rural do sul da Suécia, longe das cidades e de seu ritmo implacável”. A música desse grupo segue outro tempo, com riffs de guitarra fincados à moda do pós-punk, beat pesado e robótico, e uma onda sonora que parece unir Hüsker Dü e bandas clássicas do estilo como Low. Antes do EP, dia 15 de maio, sai mais um single, Where stillness left.
FILTHDEALER, “RINCONADA”. Vindo de São Paulo e formado por Gustavo Urshei (baixo e voz), André de Sousa (guitarra e sampling), Rafael Colombero (guitarra, baixo de seis cordas e teclados) e Alexandre Araujo (bateria), o Filthdealer une punk, metal, stoner e shoegaze em doses quase iguais, em seu álbum Home stalker and other abominations. Nomes como Bauhaus, Faith No More e My Bloody Valentine surgem como referências do som deles, que ainda tem um ardidinho lo-fi na gravação e na mixagem – mas lo-fi com peso!
MIRROR TAPES, “LOVE DRUG”. O lance desse projeto de Nova York é misturar pós-punk, elementos eletrônicos e psicodélicos e algo de shoegaze – com várias referências do som de Manchester do começo os anos 1990. Alain de Saracho, criador do Mirror Tapes, trabalhou por um bom tempo como produtor de acid house e credita a isso a atmosfera firme da base rítmica – embora seja, na prática, uma banda de baixo, guitarra e bateria. Love drug acrescenta também violões e synths para falar de um amor perdido no tempo.
CRUCIFERA, “LABYRINTH OF FOOLS”. Projeto montado por uma musicista de Nova York chamada Daniela Astraea, o Crucifera é puro dark metal, com ondas eletrônicas e aproximação básica do nu metal, que vai surgindo nos beats e no design musical. Mesmo sendo uma música bem eletrônica, Daniela conta que tudo surgiu de modo bem analógico (“cada faixa deste disco começou com lápis e papel e foi composta no meu piano de cauda e violão”, conta). Exostential, álbum do Crucifera, já está nas plataformas, com a pesada Labyrinth, que fala sobre “o isolamento de estar sozinho em um mar de pessoas que só enxergam a superfície”.
NEIGHBOURHOOD TOWER, “ONE LAST TIME”. Vindo de Helsinki, esse grupo de um músico só (Markku Ruottinen é o cara por trás do nome) acaba de lançar o álbum Channeling darkness (Discovering the light), que ganhou até edição em fita K7. One last time, um dos singles, reúne influências que vã de Alan Parsons Project e Electric Light Orchestra a War On Drugs e Future Islands – tem algo de synthpop e um clima meio progressivo de FM que toma conta da faixa.
MADANES, “S.U.D. STAR”. S.U.D. é a sigla para substance use disorder (“transtorno de uso de substâncias”). O single novo desse projeto musical britânico é um synthpop malucão que fala não em deixar vícios, mas em saber que você não pode nem sequer começar a usar drogas – porque você simplesmente vai perder o controle e não vai parar. Já tem até clipe, em desenho animado, com vibe tragicômica.
RYAN LORD, “DREAM NO MORE”. Esse músico norte-americano, que já apareceu algumas vezes no Radar, voltou cada vez mais entronizado no darkwave em seu novo single, Dream no more. É som eletrônico, pesado e lúgubre, mas cujos sintetizadores parecem oscilar entre climas noturnos e solares, como na primeiríssima fase do Human League. A música está no novo EP de Ryan, Static dream, que já está nas plataformas.
AGOX, “ROCES”. Nicolás Gómez, artista colombiano radicado nos EUA, é quem toca o Agox, uma onda sonora que mistura folk alternativo e indie rock, sempre com letras em espanhol. Temas como identidade e transformações pessoais surgem nas músicas do projeto, que agora lança o single Roces. Uma música bem delicada, definida por Nicolás como tendo sido “escrita a partir desse território liminar em que o passado continua exercendo seu peso e o futuro ainda não se revelou por completo”, conta. “A música avança com sutileza sobre tensões que não busca simplificar: desejo e perda, luz e sombra, identidade e mudança”.
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Radar: Red Jacket, Bending Backwards, The Days Away – e mais sons do Groover!

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Red Jacket.
O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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RED JACKET, “THE GIRL FROM THE SUBWAY LINE”. Vindo do Canadá, o Red Jacket faz pop-rock com cara setentista, aludindo tanto ao power pop quanto a Joe Jackson e Ben Folds – parece o tipo da coisa que seria lançada sem adiamentos por um selo como Stiff. Em maio sai o álbum Perfect timing, com esse suingado tema de piano inspirado nos acordes de George Gershwin, e mais outras faixas, provavelmente com o mesmo potencial de grude.
BENDING BACKWARDS, “I SEE YOU FROM HERE”. Essa banda da Dinamarca prepara para qualquer momento o primeiro álbum, de título misterioso: Still and quiet, brother, are you still and quiet. I see you from here, single de quase seis minutos, é quase tão lúgubre quanto o nome do disco: une pós-punk, post rock e uma melancolia gélida, solitária. O vocalista e letrista Frederik Blæsild Vuust foi criando a música unindo várias cenas que mostram um relacionamento chegando em seus estágios finais, tudo impulsionado “pelo desejo e pelo medo de se aproximar de outra pessoa”.
THE DAYS AWAY, “NO ONE AROUND”. Essa banda de Chicago é formada por três músicos com raízes portorriquenhas e equatorianas: Danny Maldonado (voz e guitarra), Joanna Maymó (baixo) e Justin German (guitarra solo), acompanhados por uma bateria eletrônica.
No one around é uma canção influenciadissima por Smiths e The Strokes – mas com uma onda mais minimalista no arranjo. A letra fala sobre um romance tranquilo, daqueles em que o casal sempre busca refúgio – e acha! Vale citar também o ótimo clipe feito em clima de stories. Detalhe: a banda cantava em espanhol, e adota o inglês a partir dessa música
THE LUCKY LITTLE RED HOUSE, “DEMISE”. Esse septeto francês curte bandas como Swans, Soft Machine e Young Gods, e investe numa sonoridade bem abrasiva e sombria. Já saiu o novo álbum, Fake you, e o clima do single Demise é de deprê a la Leonard Cohen, por causa da voz profunda do cantor Luc Tironneau – só que, de pano de fundo, rolam ruídos, uma guitarra repetitiva, um piano que parece tocar sozinho (eita) e uma vibração bem fantasmagórica. A faixa tem quase dez minutos. A tecladista Rachel Pallid é bem discreta e só diz que a banda está “bem distante da estrutura verso-e-refrão”. Ô se está – e isso é ótimo.
OLDE PAUL, “ART MASTER (YOU WANT TO HANG ME ON YOUR GALLERY WALL)”. Com nome de roqueiro das antigas, Olde Paul faz um som próximo do pós-punk e do synth pop, com referências de Taking Heads e até de CMAT, além de electroclash. O som novo fala de um artista que vive das glorias do passado e começa a perder público por causa disso.
MAX CEDDO, “EVERYONE FALLS IN LOVE”. Com um álbum recém-lançado, Burnable, esse cantor e compositor é outro a evocar a era do selo Stiff – Everyone falls in love, uma música que ele define como “uma celebração frenética e animada da natureza caótica e imprevisível de se apaixonar” e como “a natureza de queda livre letal de um novo romance” poderia ter sido feita ou gravada por Nick Lowe.
MACY, “PRETTY BABE”. Vindo da Áustria, Macy dá um clima de darkpop à sua nova música Pretty babe – na verdade um clima indie e distorcido dado à dance music. “Eu fiz essa faixa para qualquer pessoa que já esteve em um relacionamento tóxico e ainda sabe que é o prêmio. É sombrio, é autoconsciente — e essa confiança é toda a energia da faixa”, conta ele.
JOE GRAH, “FAR”. Ex-vocalista de uma banda de alt-rock de Dallas chamada JIBE, Grah faz um hard rock bastante ligado à cena da qual ele fazia parte: a turma ruidosa dos anos 1990 / 2000. Atualmente ele está numa banda chamada Inside The Trojan Horse e também grava solo. Far, seu novo single, é tensa: fala de solidão, distância, sustos no meio da noite e vontade de se libertar – com direito aos vocais catárticos de Joe e a um clipe sombrio e muito bem realizado.
WESTWELL, “NOTHING TO SAY”. “Nothing to say é o som de um homem aprendendo a falar de novo, despedaçado pelo primeiro batimento cardíaco de seu filho ainda não nascido”, diz esse duo formado, por acaso, por um pai e por um filho. E cuja música nova se equilibra, segundo eles próprios, em algo que se localiza entre The National e Pearl Jam (ou seja, entre intimismo e clima visceral).
HAGA187, “AMSTERDAM”. Liderado por um cara chamado Peter dos Santos, esse projeto musical acaba de lançar um álbum chamado Cruelty free. Um disco bem louco, punk e experimental, com uma onda que lembra bandas como The Residents, Negatvland e outros artistas que curtem desafiar limites. A psicodélica Amsterdam descreve um passeio doidão pela capital da Holanda, e a procura pelo beck perfeito. Dá até nervoso, de tão psicodélico.


































