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Total Bummer Festival: clássicos do ruído underground reunidos em dois dias (mas é lá fora…)

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Total Bummer Festival: clássicos do ruído underground reunidos em dois dias (mas é lá fora...)

Dá para sonhar bastante vendo a programação do Total Bummer Festival, patrocinado pela New Noise Magazine e pela distribuidora de música DistroKid. O evento estreia em Nova York neste ano, nos dias 30 e 31 de maio, e a ideia dos organizadores é que o festival entre para o calendário local, rolando anualmente.

O elenco do festival (que acontece no Knockdown Center, no Queens, região da qual vieram os Ramones) tem só nomões de várias vertentes do rock alternativo, cabendo bandas clássicas e novidades. Olha aí a lista de atrações.

30 de maio
DINOSAUR JR
BLONDE REDHEAD
MEAT PUPPETS
FLIPPER
TEEN MORTGAGE
NO JOY
MIHO HATORI
BLOODSPORTS

31 de maio
THE JESUS AND MARY CHAIN
JULIE
THEY ARE GUTTING A BODY OF WATER
DROP NINETEENS
HER NEW KNIFE
STARCLEANER REUNION
LATHE OF HEAVEN
BLAIR

O Total Bummer é co-organizado e produzido pela Saint Vitus Presents, o braço de eventos ao vivo do lendário Saint Vitus Bar, no Brooklyn. O local funcionou durante 13 anos – em 2024 fechou as portas devido a supostas violações das normas de construção da cidade de Nova York. Bandas clássicas como Nirvana, Blink-182, Megadeth, Refused e Anthrax, tocaram lá, bem como nomes ruidosos e indie como Nothing, King Woman e Deafheaven.

Aliás, só pra você ter uma ideia de como a casa era importante, vários itens de memorabília estavam expostos nass paredes do local, incluindo as baquetas de Dave Grohl da festa pós-show da reunião do Nirvana em 2014 (que celebrou a entrada da banda no Rock and Roll Hall Of Fame), além de fotos e objetos de visitas de membros do Black Sabbath e Iron Maiden.

E o pôster do evento tá aí. Já pensou você lá? Se tiver como, os ingressos estão à venda na Dice.FM.

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Soprü transforma o Tocantins em paisagem afetiva e em som indie pop

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Soprü - Foto: João Pedro Monteiro (@cyberj0n) / Divulgação

Banda indie de Palmas (TO), o Soprü tá pavimentando o caminho até seu próximo disco, que sai em breve pelo selo Rockambole. Já saíram os singles Douraddo e ArraiasCéus (lançado ontem). O som une indie pop, música brasileira e memórias pessoais ligadas à capital – e tem o diferencial de incluir na formação os clarinetes, instrumentos pouco usuais no rock e no pop.

Um detalhe tanto de Douraddo quanto de ArraiasCéus é que a banda fala de sua cidade não apenas como o lugar físico – Tocantins se transforma na arena em que sentimentos e emoções podem acontecer, por causa de situações vividas e imaginadas. Isso rola bastante por causa da escrita de Carvalho Samuel, vocalista e letrista do grupo.

Em Douraddo, tudo rola em meio a imagens de calor, impérios, ruas e símbolos como o carnaval – e Carvalho espera que cada um construa seu próprio imaginário. O som é dançante, com referências de pop oitentista e de sons mais recentes do indie pop, com beats e toques de guitarra ligados a uma gama de artistas que vai de The Police a Marina Lima.

ArraiasCéus vai na mesma onda, mas a MPB surge como citação até na letra, que fala de Belchior (“ele fugiu e não vai mais voltar”, canta Carvalho), enquanto várias texturas vão sendo remexidas de forma quase psicodélica.

Tem mais: no mês de agosto, quem for ao festival Bananada, em Goiânia, vai conferir o show do Soprü no projeto 5 Bandas. A apresentação acontece no dia 19 de agosto e antecede a chegada do novo álbum, previsto para os meses seguintes.

Você conhece os dois sons abaixo!

Foto: João Pedro Monteiro (@cyberj0n) / Divulgação

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Rita Lee, city pop e boogie: Orfeu Menino estreia com “Imagina”

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Orfeu Menino (Foto: Luíza Villa e Olívia Albergaria)

Quando uma banda diz que quer fazer todo mundo dançar, normalmente convém desconfiar. No caso da paulistana Orfeu Menino, porém, a conversa faz sentido. O quinteto estreia com Imagina, um single que mergulha sem vergonha no boogie brasileiro dos anos 1980, mas evita a armadilha da nostalgia plastificada. Em vez de soar como uma coleção de referências vintage, a faixa parece mais interessada em descobrir o que ainda pulsa naquele universo.

Formada por Luíza Villa (voz), Pedro Abujamra (teclados), Tommy Coelho (bateria e percussão), João Chão (baixo) e João Vaz (guitarra), a banda passou os últimos anos lapidando o repertório nos palcos de São Paulo antes de entrar em estúdio. Dá para perceber. Em Imagina os instrumentos conversam o tempo inteiro: piano elétrico, guitarras e sintetizadores disputam espaço sem atropelar a cozinha.

Nomes como Rita Lee, Roberto de Carvalho e Lincoln Olivetti são citados pela banda como referências, bem como a sonoridade urbana e dançante do city pop (o piano da abertura remete direto a Lança perfume, de Rita e Roberto, por sinal, e a algo que passa por Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Já a letra fala de “um romance / na divisa, na contramão”, algo que talvez nem fosse para acontecer.

“Os shows são um ambiente muito criativo pra gente, estamos há quatro anos tocando juntos. Por isso, quando fomos para o estúdio, gravar as bases ao vivo era praticamente uma obrigação”, diz a vocalista Luíza. “Vejo nossa música como uma miscelânea, uma colcha de retalhos. Estar em um show nosso é como ir mudando as estações de rádio para ver o que tem de bom em cada uma”, reflete Tommy, baterista.

“Cada um de nós coloca um elemento diferente no conjunto, mas acho que o principal é que fazemos a música que gostamos de fazer e que nos dá tesão, independente de qual seja”, complementa Abu, tecladista do grupo. E nessa de “elementos diferentes”, a banda aproveitou a produção de Gustavo Ruiz Chagas – conhecido pelos trabalhos com Tulipa Ruiz e Liniker – para fugir do que parecia mais básico.

“O Gus foi fundamental. Teve coisas que ele sugeriu e nós nunca tínhamos pensado. Isso resultou em mudanças super importantes nos arranjos”, diz Luíza. “A primeira coisa que fizemos quando entramos no estúdio pra gravar com ele foi tocar a música um tom acima, por exemplo. Isso trouxe outro clima. É muito bom ter essa visão de fora e a gente sentia falta dessa direção artística externa”.

Foto: Luíza Villa e Olívia Albergaria

 

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O Kneecap vem aí e o bicho vai pegar: trio de hip hop faz show no Brasil

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Kneecap (Foto: Divulgação)

O Kneecap finalmente vai trazer sua mistura de hip-hop, punk, rave, caos e confusão organizada para o Brasil. O trio de Belfast faz show único no dia 23 de outubro, no Cine Joia, em São Paulo, em apresentação promovida pela Balaclava Records. Os ingressos já estão à venda.

Se você nunca ouviu falar (toma vergonha na cara!), um resumo rápido: Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí rimam em inglês e irlandês, defendem a revitalização da língua gaélica, fazem piadas que irritam metade do planeta e tratam política como parte inseparável da festa. Não é exatamente uma combinação que costuma passar despercebida.

Desde a formação, em 2017, o grupo virou um fenômeno que extrapolou a música. O próprio nome da banda faz referência ao “kneecapping”, prática associada ao IRA de atirar nos joelhos de supostos traidores ou criminosos — um detalhe que já dá uma ideia do tipo de terreno em que eles gostam de pisar. As letras misturam identidade irlandesa, desigualdade, legado dos conflitos na Irlanda do Norte e humor debochado, enquanto os shows parecem funcionar como uma rave onde alguém resolveu distribuir panfletos revolucionários.

A projeção mundial veio de vez em 2024. Além do ótimo álbum Fine art, produzido por Dan Carey, o trio lançou o filme Kneecap, uma cinebiografia em que eles mesmos interpretam versões de si próprios. O longa estreou em Sundance, virou candidato irlandês a uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional e ajudou a transformar a banda em um dos produtos culturais mais improváveis — e comentados — da Irlanda recente.

No palco, eles também colecionam histórias. O show no Glastonbury foi um dos mais comentados da edição, enquanto a defesa pública da causa palestina durante o Coachella rendeu mais debates do que muitos dos próprios artistas do festival. Neste ano, eles voltaram com Fenian, segundo álbum de estúdio, novamente produzido por Dan Carey (tem resenha nossa aqui). É música para dançar, discutir e, de preferência, fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

O show acontece em 23 de outubro, no Cine Joia, em São Paulo. Os ingressos estão disponíveis pela Ingresse, e quem preferir evitar a taxa de conveniência pode comprar presencialmente no Takkø Café, na Vila Buarque.

Foto: Divulgação

Serviço:
Balaclava Records apresenta: KNEECAP em São Paulo
Data: 23 de Outubro de 2026, sexta-feira
Local: Cine Joia
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
Horários: Portas 20h / Show 21h30
Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal
Ingressos aqui.

Ponto de venda físico (sem taxa de conveniência):
Takkø Café
R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP
Horários: Terça à Sexta, das 8h às 17h / Sáb, dom e feriados, das 9h às 18h.
Saiba mais em @takkocafesp no Instagram

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