Holy Holy: aquele fracasso inesquecível de David Bowie

A gravadora se esforçou para fazer a música tocar no rádio e vender discos, mas só se falava de outra coisa

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Holy Holy: aquele fracasso inesquecível de David Bowie

Estava – acredite – muito difícil vender um cara chamado David Bowie no começo dos anos 1970. Discos como David Bowie (1969) e The man who sold the world (1970) tinham feito barulho, mas as campanhas publicitárias em torno do cantor não estavam sendo exatamente bem boladas. A ponto de todas as atenções da Mercury Records, gravadora dele entre 1969 e 1971, terem ficado voltadas durante seis semanas para o lançamento dessa música aí.

Holy holy foi gravada em novembro de 1970, lançada em janeiro de 1971 e acabou sendo o último single de material inédito de Bowie lançado pela Mercury, antes de ele assinar com a RCA e investir no personagem Ziggy Stardust. Veio com Black country rock (de The man…) no lado B e a gravadora apostava tanto no potencial da faixa que pagou uma campanha que deveria durar as tais seis semanas, com entrevistas, reportagens e até a distribuição de bolsas temáticas. Quem revela o fato é Peter Doggett no livro David Bowie e os anos 70 – O homem que vendeu o mundo.

Doggett chama a atenção para o fato de que o vocal de Bowie em Holy holy lembra bastante o de Marc Bolan no T. Rex (sim, lembra), que estavam nas paradas com Ride a white swan. A música daí de baixo.

Para Holy holy, foi recrutado o baixista Herbie Flowers, que tocava com nomes como Paul McCartney e seria o criador do arranjo de Walk on the wild side, de Lou Reed. O próprio Flowers cuidou do arranjo de Holy holy e dividiu o estúdio com Mick Ronson (guitarra) e Mick Woodmansey (bateria). As atenções da gravadora não fizeram a canção se dar bem nas paradas e logo logo a canção desapareceu, virando raridade. Ainda que Bowie tivesse divulgado a canção na TV britânica em 1971, usando um vestido – o mesmo que usaria na capa de The man who sold the world, por sinal.

Um assunto que permanece meio misterioso entre fãs de David Bowie é o significado da letra de Holy holy, que Doggett interpreta como sendo uma mensagem dele à esposa Angie, a respeito da dedicação possível dentro de um casamento aberto. Mas tem outras interpretações. Os autores de um blog chamado Bowie Songs juram que o tema central da música é a relação de Bowie com o ocultismo, e que o “irmão justo” citado na letra (“helping one another, just a righteous brother”) é uma referência à Ordem da Aurora Dourada, a qual Aleister Crowley pertencia.

“A música inteira é uma mágica do magistério sexual, com a letra passando da sedução básica para uma orgia no refrão (que termina “mas me solte!!!” – sugerindo que o cantor está sob um feitiço ou está vendo outras perspectivas nas proximidades)”, escreveram lá.

O que talvez ninguém esperasse é que Bowie revisitasse Holy holy durante as gravações do disco The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (1972). Mick Ronson (guitarra) fez os arranjos e deu mais ânimo à música, mas ainda assim ela ficou de fora do disco. Só reapareceu em 1974 como B-side de Diamond dogs.

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