Pode acreditar: entre os anos 1960 e 1970, lá fora (não faço ideia se isso rolou no Brasil), ficaram muito populares os cereal box records. Ou seja: discos de papel (ou pequenos flexidiscs) que ficaram na traseira de caixas de cereais, e que eram recortados pelas crianças e ouvidos em pequenas vitrolinhas – daquelas com caixa acústica no tampo.

Normalmente os pais que tinham grandes aparelhagens de som em casa resistiam a colocar uma porcariazinha dessas no toca-discos oficial da casa. Afinal, eram disquinhos de prensagem duvidosa, com qualidade de som ruim e que, justamente pelas dificuldades do formato, só poderiam ter músicas pequenas.

Entre os mais populares, estavam o Super Sugar Crisp, que chegou a trazer cereal box records dos Archies, aquela banda do hit Sugar sugar, lá por 1969. Everything’s Archie, tema da série Archie Show, saiu nesse formato. Os cereais Rice Krinkles, Alpha Bits e Honey-Comb aproveitaram o imenso sucesso da reprise da série dos Monkees, em 1970, para relançar faixas da banda no mesmo formato.

Sim, claro, existiam bandas pop feitas apenas para o formato. Olha aí os Sugar Bears, que começaram a ficar famosinhos nos anos 1970 e lançaram até um disco, Presenting the Sugar Bears, com Kim Carnes – antes da fama – fazendo vocais.

Além dos Monkees, os Jackson 5 também lançaram seus disquinhos em cereais. E olha só quem também fez o mesmo: o Kiss, já que a banda lançou um cereal próprio.

Em 1956 saiu um dos primeiros desses disquinhos, lançado em 78 rpm (!) no cereal Wheaties, com musiquinhas do Mickey.

Sim, rolaram uns disquinhos de cereais que adiantaram o formato podcast. O cereal Honey Comb, lá pra 1977 ou 1978 lançou vários desses compactinhos de papel com histórias de terror (!).

Em 1986 (deve ter sido um dos últimos), teve o Rock Music Mystery, publicado na embalagem de um cereal chamado Life. Não tinha internet, então você preenchia um formulário de inscrição para o concurso, fazia as adivinhações no jogo de mistério musical e concorria a prêmios.

O canal de vídeo Vinyl Eyezz descolou vários desses disquinhos e fez uma reportagem mostrando o quanto esses compactos ficaram populares e o quanto (enfim) o som era uma merda. “Mas o que você esperaria de um disco feito de caixa de cereal?”, indaga o apresentador.

Via Mr. Breakfast