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Cultura Pop

Quando John Taylor (Duran Duran) ficou p… da vida com Making Plans For Nigel, do XTC

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O Duran Duran já foi uma banda cujo vocalista não era Simon LeBon. Era um sujeito chamado Andy Wickett, mais conhecido como Fane, que foi guitarrista de uma banda chamada TV Eye e era um músico conhecido na região de Birmingham, de onde o DD vinha. O guitarrista John Taylor, que depois trocaria seu instrumento pelo baixo, era influenciadíssimo por Everybody dance, do Chic – considerava essa música tão revolucionária quanto Anarchy in the UK, dos Sex Pistols.

John começou a usar um baixo que Andy tinha guardado em seu quarto, e descobriu que conseguia imitar o baixista do Chic, além de tocar vários sucessos da disco music. Também consultou seu colega Roger Taylor, sobre a ideia da banda ser uma seção rítmica – algo mais próximo da disco do que das bandas punk ou pós-punk. Mesmo que John continuasse um guitarrista, comprou um baixo Hondo, passou a praticar nas horas vagas e se manteve focado no diálogo baixo-e-bateria a maior parte do tempo.

Logo assim que a banda resolveu gravar a primeira demo, John já estava fazendo a transição da guitarra para o baixo e tocando os dois instrumentos. Ele, Fane, Roger e o cofundador Nick Rhodes (teclados) contactaram uma lenda musical de Birmingham, o músico e produtor Bob Lamb, que acabou trancando o grupo no estúdio e produzindo a primeira demo deles, em setembro de 1979. É o que você escuta abaixo, com direito aos vocais de Fane, que lembram mais os de Robert Smith (Cure) do que qualquer outra coisa.

No livro No ritmo do prazer, amor, morte e Duran Duran, biografia de John Taylor, ele se recorda que a gravação no estúdio de Lamb (que havia sido baterista da Steve Gibbons Band, banda que abriu shows pro The Who e teve certa projeção) foi uma surpresa, com o músico pela primeira vez microfonando de maneira decente a bateria de Roger Taylor, e apresentando aos quatro um mundo de mesas de som, cabos e fios.

John tocou baixo e fez as guitarras em separado – Andy Taylor ainda não estava no grupo. Lamb curtia disco music e deu um banho de loja (da maneira que era possível dar numa demo de quatro canais) gravando prato hi-hat em separado e dando uma cara dançante ao som da banda.

O clima seco do pós-punk bateu na hora de fazer o design da capa da demo (bolada por John) e no momento de creditar os músicos, já que os quatro preferiram ser chamados cada um por um único nome: Fane (voz), Nigel (guitarra e baixo), Roger (bateria) e Nick (teclado).

Nigel?

Até então, John Taylor assinava seus trabalhos como músico assim, já que seu nome é Nigel John Taylor. Depois da demo, o músico decidiu jogar o “Nigel” pra longe, já que jamais gostara do seu nome e sempre achou que ele tinha uma cara nerd que não condizia com a de seus projetos musicais. “Eu vinha ficando de saco cheio de ser Nigel havia anos. Em vários esquetes, era o nome que aparecia como o de um personagem nerd”, contou na autobiografia, lembrando especialmente de um personagem Nigel, que era um bobalhão que aparecia num episódio de Monty Phyton. “O dia seguinte à exibição desse programa foi um pesadelo na escola”.

Pra piorar um pouco, 1979 foi o ano de… Making plans for Nigel, sucesso-assinatura do XTC, que foi um grande hit e contava a história de um moleque meio superprotegido pelos pais, e incapaz de decidir o próprio futuro. Contamos a história dessa música aqui.

Foi nessa hora que Taylor decidiu que “Nigel tinha que ir. Mas John – Johnny – era um rocker. Johnny Rotten, Johnny Thunders, Johnny Ramone”, escreveu. “Era mais do que arrumar um nome artístico. Eu precisava me reinventar. Não era mais o garoto de mamãe e papai. Não queria mais ser chamado de Nigel por ninguém: a banda, meus amigos, minha família. E levaria anos para minha mãe entender os planos para John”, escreveu.

Não, não achamos nenhum registro do Duran Duran cantando a música do XTC. Mas pega aí o clipe de Girls on film.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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