Lançado há 45 anos e uns quebrados (foi em 1º de março de 1973), The dark side of the moon, do Pink Floyd, gerou um infame lançamento pirata da banda. Aliás não foi só ele que gerou, já que o trocadalho de The dark side of the moo (literalmente, “o lado escuro do múúúú”) tirava sarro mais até de Atom heart mother, o disco “da vaca” lançado em 1970.

The Dark Side Of The Moo: piratão de raridades do Pink Floyd

Olha a capa aí. Para os advogados do Pink Floyd não tirarem o disco de catálogo, o selo Trixie Records creditou o álbum à banda The Screaming Abdabs. Era um dos nomes que o Pink Floyd levou em consideração antes de se decidir pelo definitivo.

The dark side of the moo fez um barulhinho no circuito de discos piratas, por volta de 1983. Não era um daqueles discos com gravações ao vivo de baixa qualidade, que fizeram a fama dos grandes bootlegs. Apesar de geralmente todo mundo pensar exatamente nisso quando pensa em pirataria, tem um outro lado: LPs piratas eram uma boa maneira de disponibilizar novamente gravações que há muito tempo estavam fora de catálogo. Ou, num nível alguns furos acima, publicar out-takes discretamente surrupiados de algum estúdio.

O The Who teve um monte de lançamentos assim durante os anos 1970. Um dos mais populares foi Who’s zoo, só com músicas que se bobear nem os integrantes lembravam mais, como Waltz for a pig. Para combater os lançamentos, o baixista da banda, John Entwistle, foi aos arquivos das gravadoras do grupo e saiu de lá com Odds & sods, uma coletânea de raridades e out-takes da banda.

No caso de The dark side of the moo, a Trixie Records ficou na fase 1967-1971 da banda, e pegou faixas que estavam inéditas ou fora de catálogo nos Estados Unidos. Começava com uma gravação manjada, Astronomy domine, de The pipes at the gates of dawn (1967). Manjada para os fãs ingleses – os americanos ficaram sem essa canção no lançamento do disco por lá, já que ela foi substituída por See emily play.

Depois tinha Interstellar overdrive na versão da trilha do filme Tonite let’s make love in London, de Peter Whitehead (1968), Embryo, lançamento exclusivo de uma coletânea do selo Harvest, duas da trilha de Zabriskie point, faixas de singles (Apples & oranges, Point me at the sky) e outras.

A novidade é que dá pra ouvir The dark side of the moo no YouTube. Pega aí.

E isso aí é o Pink Floyd no estúdio em 1971, fazendo cara feia ao ouvir – ao lado de seu empresário Steve O’Rourke – um disco pirata da banda. É um trecho de um documentário da BBC sobre bootlegs, feito para a série 24 Hours, que chegou a ser aproveitado para uma caixa de DVDs do grupo.