Connect with us

Cultura Pop

Getúlio Côrtes: “O Roberto Carlos me ajudou bastante”

Published

on

Getúlio Côrtes: "O Roberto Carlos me ajudou bastante"

Quem escutar As histórias de Getúlio Côrtes, disco de estreia como solista do autor de músicas como Negro gato e Quase fui lhe procurar, que não espere nada de saudosismo. Revelado na Jovem Guarda, o compositor – que, aos 80 anos, possivelmente é o roqueiro mais idoso de todos os tempos a estrear em disco solo – vem com um som bastante pesado e renovado. “Aquela sonoridade da Jovem Guarda ficou pra trás”, admite Getúlio Côrtes, que solta (muito) a voz, ao lado do produtor e guitarrista André Paixão e de Gustavo Benjão (guitarra), Melvin (baixo) e Marcelo Callado (bateria). Essa turma foi para o estúdio com Getúlio e também se apresentou no show de lançamento, no Teatro Ipanema.

Batemos um papo com Getúlio Côrtes e ele contou algumas histórias da gravação do disco, da sua carreira (o disco é seu primeiro álbum solo mas não é a estreia dele como cantor, aliás) e da sua vida. Também recordou ter sido ajudado pelo menos duas vezes por ninguém menos que Roberto Carlos. O material desse papo saiu primeiro numa matéria do jornal O Dia. Divirta-se.

O disco é seu primeiro solo mas não é sua estreia como cantor, certo? Não. Eu fazia vocal na CBS (hoje Sony Music) no começo da carreira, em 1964. Eu era roadie do Renato & Seus Blue Caps. Na verdade isso de roadie é hoje, né? Eu era carregador de instrumentos, mesmo (rindo). Mas eu tinha certo conhecimento com alguns produtores e de vez em quando rolava um: “Você não quer fazer um coro ali?” Eu fazia sem nenhuma pretensão de virar cantor, nada disso.Mas eu fazia trabalhos com todo mundo que estava lá: Wanderléa, Renato, Roberto Carlos… Estava sempre lá.

Teve também um disco chamado O pulo do negro gato, lançado em 2002 com vários artistas, que tem você cantando Coração embalsamado. Pois é, rapaz. Não foi um disco bem sucedido, a distribuidora não trabalhou direito. Foi feita uma gravação às pressas, não ficou muito profissional. Meio triste, porque muitos artistas participaram desse disco e não adiantou nada. Não ficou como eu queria. E no fundo o que eu queria mesmo era um disco só meu, né? Tive essa oportunidade graças ao Marcelo Fróes (do selo Discobertas) que é um grande produtor, e ao André Paixão, que é meu amigo de muitos anos.

O som do disco está bem pesado, roqueiro mesmo. Eles fizeram com uma roupagem totalmente nova. Era isso o que eu queria. O som da Jovem Guarda infelizmente ficou lá pra trás. Queria pegar músicas antigas e reler de maneira nova, dentro da nova geração, no som deles. Que agora é o meu também! (rindo).

Getúlio Côrtes: "O Roberto Carlos me ajudou bastante"

Getúlio Côrtes e banda

Como foi que você começou a compor? Foi nessa época de roadie ou antes? Antes disso, eu compunha mais no amadorismo. Fui me infiltrando na antiga CBS e, na época, o Renato estava gravando lá. Estavam faltando músicas e falei: “Renato, será que você pode ouvir isso aqui, sem compromisso?”. Era Negro gato.

A música foi gravada por ele antes do Roberto, então? Foi, sim. Ele ouviu, falou: “Pô, legal, é uma faixa diferente, vou gravar”. Alguns músicos da banda não ficaram contentes, não… Teve gente que falou: “Pô, a gente tá gravando Menina linda e você vai querer botar Negro gato?”. Mas ele gostou. Na mesma época o Roberto ouviu Pega ladrão e gravou.

O Negro gato era um gato que ficava miando perto da sua casa, não? Como surgiu essa música? O gato tem uma história… Eu morava em Madureira numa casa e não tinha acesso a disco, não tinha toca-disco, não tinha nada. Não dava para cantar as vitórias, tinha que cantar as derrotas, não é mesmo? (rindo). O meu quarto tinha um teto de zinco e ficava lá um gato preto andando em cima do teto e miando. Cara, já imaginou gato andando em cima de teto de zinco, a barulheira que é? E isso toda madrugada. Duas horas da manhã, ele tava lá enchendo meu saco. Eu tacava pedra, não adiantava nada. Só que um dia ele ficou me olhando no escuro, aqueles dois olhos me olhando no escuro. E me pus no lugar dele: pô, todo mundo diz que o bicho dá azar, machuca o gato. Aí fiz uma música em homenagem a ele.

O gato preto te deu sorte, então. Deu mesmo! O Luiz Melodia, quando foi gravar a música, me falou: “Pô, que legal que você fez uma música contra o racismo, a música tem essa conotação, etc”. Nem era nada disso, a música era pra um gato mesmo.

Você já teve gato, aliás? Ou tem? Bom, minha mãe criava gatos lá em Madureira. Tinha uns três, quatro gatos. Mas não eram gatos negros, não… Esse foi o primeiro gato da minha vida. Tenho uma casa em Madureira e aparecem gatos lá de vez quando. Moro em Botafogo e não dá pra ter gato em apartamento.

Você também foi assistente do Carlos Manga na direção do Jovem Guarda. Como foi essa fase? Tinha aquele contato com o Roberto Carlos, e um dia ele me chamou e falou: “Bicho, além do Jovem Guarda vou estrear um programa da TV Rio, é o mesmo de São Paulo. Quem vai dirigir é o Carlos Manga, mas ele não entende nada de hit parade. Ele só gosta de bossa nova e jazz, essas coisas. Como você saca desse negócio de hit parade americano, vai ser assistente lá”. Fui apresentado ao Manga e ele ficou me testando: “Você já trabalhou em televisão? Como você faria um programa do Roberto?”. Sugeri que tinha que ser um programa dinâmico, com meninas dançando. Isso aí foi o Jovem Guarda em Alta Tensão, na TV Rio. Não durou muito tempo, isso foi lá pra 1967, 1968.

Como foi ficando sua relação com o Roberto depois de Negro gato? Eu continuei compondo, todo ano ele pedia uma música. Uma vez ele falou: “Mudei meu estilo, agora quero que você faça mais canções. Não quero nada de rock, não, roqueiro é o Erasmo!” Fiz O tempo vai apagar com Paulo Cesar Barros e ele gostou.

Mas direito autoral é uma barra. Do que você ficou vivendo esse tempo todo? Naquela época, dava pra viver um pouco. Roberto vendia um milhão de discos. Mas não tinha noção, nem como controlar. Hoje, vendagem de discos nem existe, mas de execução sempre pinga um pouco. Comecei a investir em imóveis em Madureira e deu pra sobreviver. As pessoas não ligam muito pra compositor. O Faustão… O MC Leozinho gravou Negro gato e foi no Domingão do Faustão. Aí o Faustão, com aquele jeito dele, falou: “Orra meu, mas essa música é um clássico da Jovem Guarda, é do Gilberto Souza!”. Pô, confudindo Getúlio Côrtes com Gilberto Souza? (rindo) Os únicos artistas que sempre mencionaram compositor no show, que eu tenha visto, são Zeca Pagodinho e Frank Sinatra. O Frank falava até o arranjador da música!

E o Roberto? O Roberto gravou a última música minha em 1976, Por motivo de força maior… Tem um fato curioso, até. Em 1995 ele estava andando em Nova York e viu um cara parecido comigo. Até falou com o produtor dele: “Aquele cara não parece o Getúlio?”. Depois, ele soube que eu não estava numa situação boa, estava com uns problemas, e regravou Quase fui lhe procurar. Me ajudou bastante. Ele não esquece dos amigos.

Mas vocês têm se falado? Você ainda vem compondo? Eu fiz agora três inéditas. Mas é mais canção, porque é o que fica. O rock, o pessoal esquece logo. Eu fui no show do Roberto e conversei com ele. Ele me disse: “Não tô gravando nada, mas qualquer coisa te ligo”. Ficou assim. Mas alguns artistas gravam coisas antigas minhas, Leonardo gravou música antiga minha.

Falando um pouco sobre o disco, você regravou coisas suas que pouca gente lembra, como Hei você, que foi gravada num disco do Dom Salvador & Abolição (Som, suíngue e raça, de 1971, é o disco acima). Pois é, nem tudo ali é sucesso. Dom Salvador foi uma guinada diferente. O conheci na CBS, ele me disse que estavam faltando três músicas para o disco. E fiz uma música especialmente para ele, em parceria como Nelsinho do Balanço, que era tipo um crooner do grupo. Ali só tinha fera: Robertinho Silva, Rubão Sabino… Gravei com muita gente diferente na CBS: Reginaldo Rossi, Jerry Adriani, Wanderléa.

Uma vez o Raul Seixas, quando foi produtor da CBS, me pediu uma música para uma dupla que ele estava produzindo, Tony & Frankie. Mas falou: “Quero uma letra bem doida”. Fiz Patati patatá. Se você prestar atenção… ali nada tem a ver com nada. Fiz coisas em outras gravadoras também, com Bobby de Carlo, Paulo Sérgio. E muita música por encomenda, que você faz correndo e não fica legal (Getúlio Côrtes)

E que história é essa de você ter sido parado numa blitz e escapado porque te confundiram com Jorge Ben? Em 1968 eu tinha comprado meu primeiro carro, um Karman Ghia, em São Paulo. Estava todo feliz, dirigindo, quando fui parado por um guarda. O cara arrancou minha placa dizendo que estava ilegível. Aí o chefe dele: “Pô, libera ele aí, é o Jorge Ben. Quando você voltar de São Paulo quero um disco seu, hein?”. Tava fazendo um calor horrível…

Você é irmão do Gerson King Combo, e já fizeram coisas juntos, não? Como é o relacionamento de vocês? Sim, faço show com ele, ele sempre me chama. Falei com ele ontem, até. Eu gravei com ele, mas gravei até mais com o Tony Tornado (que gravou músicas de Getúlio Côrtes no primeiro disco). Na época todo mundo queria música. Tinha que fazer correndo!

Cultura Pop

Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

Published

on

Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

RESUMO: Billy Corgan e Butch Vig retomam a parceria de Gish e Siamese dream em Black stars, faixa da trilha de Jogos vorazes. Um reencontro com o produtor que ajudou a criar o som do Smashing Pumpkins. Relembre o histórico.

Texto: Ricardo Schott – Fotos: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Imagine você entrar num estúdio com Billy Corgan, no começo dos anos 1990, e descobrir que ele quer gravar uma música com dezenas de guitarras. E que, se uma delas não soar exatamente como ele imaginou, vai ter que fazer tudo de novo. Agora imagine que o produtor, em vez de mandar o sujeito sossegar, acha a ideia ótima. Pois era mais ou menos assim que funcionava a parceria entre o Smashing Pumpkins e Butch Vig. E, 33 anos depois, os dois resolveram repetir a experiência.

A novidade é Black stars, música lançada nesta sexta-feira (16) e incluída na trilha sonora de Jogos vorazes: Amanhecer na colheita. A trilha completa sai em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme. É a primeira gravação lançada pelo Smashing Pumpkins com produção de Vig desde o álbum Siamese dream, de 1993. A faixa também entrou no repertório da atual turnê Rats in the cage.

A história dos dois começou em 1990, quando o Smashing Pumpkins gravou Tristessa, compacto lançado pela Sub Pop, sob a produção dele. Isso foi antes de Vig produzir Nevermind, do Nirvana (1991). Corgan gostou do cara logo de primeira. Numa entrevista à Tape Op, contou que o produtor não tinha pose, trabalhava pra caramba e não se assustava com as ideias que ele e o baterista Jimmy Chamberlin levavam para o estúdio. Pelo contrário: parecia gostar da complicação.

Foi assim que chegaram a Gish (1991), álbum de estreia da banda, primeiro no qual trabalharam juntos. Corgan queria um disco com peso, psicodelia, melodias bonitas e guitarras aparecendo de todos os lados – um baita rock de arena, com ambiência, totalmente o oposto daquela onda da época, de simplesmente colocar quatro músicos numa sala e apertar o botão de gravar. Vig comprou a ideia e ajudou a organizar tudo aquilo. Dá para ouvir o resultado em Siva, Rhinoceros e Daydream, três músicas bem diferentes que parecem fazer parte do mesmo universo.

Só que os dois tinham um problema: não sabiam a hora de parar. Corgan contou à Rolling Stone italiana que Vig pegava pesado com afinação, ritmo e vocais. Fazia Billy cantar a mesma parte tantas vezes que ele começava a achar que não sabia cantar. O engraçado é que, olhando para trás, o vocalista reconhece que aquela cobrança fez toda a diferença.

Em Siamese dream (1993), o segundo disco, a situação ficou ainda mais complicada. A banda já tinha uma gravadora grande esperando resultados, Billy passava por uma fase emocional difícil e os integrantes não se entendiam nada bem. Foram gravar em Atlanta, mas os problemas viajaram com a banda nas malas.

Corgan acabou tocando praticamente todas as guitarras e boa parte dos baixos. Algumas músicas ganharam tantas camadas que Vig precisava descobrir como fazer tudo caber na mixagem. Era guitarra em cima de guitarra, com mais uma guitarra aparecendo quando você achava que já tinha acabado. E, se alguma coisa não estivesse perfeita, lá iam eles gravar de novo. O disco demorou, custou caro e deu um trabalhão. Só que saiu dali Siamese dream, com Cherub rock, Today, Disarm e vários clássicos.

Corgan nunca escondeu o quanto Vig foi importante. Nos textos da reedição de Siamese dream, em 2011, escreveu: “Butch me apoiou o tempo todo nessa visão maluca”. E completou: “Butch era a única pessoa que poderia ter feito aquele disco conosco, porque o respeitávamos tanto que queríamos estar à altura dos padrões elevados dele”.

Mas aí chegou a hora de fazer o duplo Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), e Billy resolveu mudar tudo. Chamou Flood e Alan Moulder para produzir, porque queria sair daquela maneira de trabalhar. Numa entrevista ao Grammy.com, explicou que Vig havia ajudado a construir uma versão quase idealizada do Smashing Pumpkins. Flood queria outra coisa: ouvir a banda como ela realmente soaria nos shows.

E não, a troca não aconteceu por causa de alguma briga. Em 2011, perguntaram a Corgan se ele toparia trabalhar novamente com Vig. “Eu amo Butch e temos uma relação muito boa. Adoraria. Ele provavelmente é uma das únicas pessoas com quem eu voltaria a entrar em estúdio”, respondeu. Vig também sempre pareceu adorar Corgan, embora já tenha declarado algumas vezes que o músico foi “um pentelho” no estúdio (quem conhece a história de Billy sabe que isso é um nome até carinhoso).

Pois bem: demorou 15 anos para aquela declaração virar realidade. Black stars coloca novamente os dois no estúdio, agora com décadas de experiência acumulada e sem a obrigação de repetir o que fizeram em 1993.

Ainda não há indicação de que a parceria vá render um álbum inteiro. Por enquanto, é uma música para uma trilha sonora. Mas já dá para imaginar a cena: Billy aparece com uma ideia complicada, Butch escuta, pensa um pouco e resolve que dá para melhorar. E lá vem outra guitarra…

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Cultura Pop

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

Published

on

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

Published

on

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Acompanhe pos RSS