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Cultura Pop

Bingo Hand Job: sai em disco o show que R.E.M. fez com pseudônimo em 1991

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Bingo Hand Job, projeto-de-uma-noite-só do R.E.M., em disco oficial

Os fãs do R.E.M. já podem começar a correr atrás: dia 13 de abril, no Record Store Day, sai pela primeira vez em lançamento oficial – e em LP duplo – o disco do Bingo Hand Job. Foi um pseudônimo que a banda usou em duas raras apresentações que fizeram para divulgar o disco Out of time (1991).

Sucesso massivo do rock numa época em que poucas bandas do estilo conseguiam liderar as paradas, o sétimo disco do R.E.M. (lançado em 8 de março de 1991, e uns seis meses antes de Nevermind, do Nirvana) ficou por vários meses no Top 10 das paradas. Shiny happy people permaneceu como o sexto single dos charts britânicos por um bom tempo. Nada mal para um álbum que chegou às lojas sob uma estratégia diferenciada e corajosa, já que a banda optou por não excursionar para divulgá-lo. Fez duas aparições na TV (uma no Saturday night live, outra num Acústico MTV que só ganhou lançamento oficial em disco há cinco anos). Deu poucas entrevistas.

https://www.youtube.com/watch?v=FdZAfB3bZpo

Você deve estar se perguntando: como uma das bandas mais poderosas do mundo resolve NÃO excursionar para divulgar seu disco de maior sucesso?

Bom, no começo dos anos 1990, discussões sobre “se vender ao sistema” ganhavam capas de revistas – tanto que boa parte dos dilemas vividos por Kurt Cobain e o Nirvana com o estouro de Nevermind vinham disso aí. Também foi uma época repleta de grandes turnês, shows tensos, equipes inchadas e, cada vez mais, de fãs disputando ingressos a golpes de caratê.

Nessa época, o R.E.M. achava que sua ascensão aos primeiros lugares (conseguida com a mudança do selo indie I.R.S. para a Warner) fazia a banda viver transtornos com os fãs antigos. Aqueles que acompanhavam o grupo desde a época em que Bill Berry, Mike Mills, Michael Stipe e Peter Buck eram apenas uma banda acessível, que tocava em universidades e vivia nas paradas das college radios.

“Se desse para a gente escapar por duas ou três semanas e tocar em teatros, a gente faria isso. Só que quando tocamos em lugares pequenos, os fãs reclamam: ‘Me matei para conseguir um ingresso de 200 dólares!’. E quando tocamos em lugares grandes, os fãs antigos falam que a gente se vendeu'”, queixava-se Bill Berry na época.

O grupo acabou fazendo poucos shows – dois deles num clube pequeno chamado The Borderline, em Londres, nos dias 14 e 15 de março de 1991, para uma transmissão de rádio. Nas duas noites, o grupo tocou usando o nome de Bingo Hand Job, com todos os músicos também lançando mão de pseudônimos: Michael Stipe era o Stinky, Peter Buck era o Raoul, Mike Mills apresentou-se como Ophelia e Bill Berry virou The Doc. O quarteto teve companhia. O “quinto R.E.M.” Peter Holsapple virou Spanish Charlie. Billy Bragg e Robyn Hitchcock também dividiram o palco com o grupo e, naquela noite, viraram Conrad e Violet, respectivamente.

Tem uns vídeos com um desses dois shows na íntegra no YouTube. Olha aí.

O repertório dos shows do The Borderline – que foi predominantemente acústico – trouxe muita coisa de Out of time, mais uma série de covers, como Love is all around (Troggs, na voz de Mike Mills), Hello in there (John Prine, com Billy Bragg) e Dark globe (Syd Barrett). No dia 15, o número de covers aumentou sensivelmente, assim como a espontaneidade dos músicos. Rolou até uma cover beat box de Tom’s diner, de Suzanne Vega, feita de brincadeira pela turma no palco.

A bem da verdade, essa cover deu tão certo que virou o lado B do single Near wild heaven, do R.E.M. Também se tornou o único lançamento oficial do Bingo Hand Job, já que figurou sob este crédito num lançamento da A&M de 1991, Tom’s album, só com covers de Tom’s diner selecionadas pela própria Suzanne. Para ouvir o “do-do-do-do/do-do-do-do” da abertura até bater com a cabeça na parede.

Para conseguir o disco do Bingo Hand Job é que são elas: são apenas três mil cópias, em LP duplo, lançadas por um selo chamado Craft Recordings. A única faixa que vai estar nas plataformas é a versão ao vivo de Radio song. Se você não quiser esperar pelo lançamento, no ano passado saiu mais uma edição pirata, em CD, do show – incluindo também outro pequeno show promocional feito pelo grupo na época, no Shocking Club, em Milão, Itália.

Via Slicing Up Eyeballs e Record Store Day
Com informações de Remarks remade: The story of REM, de Tony Fletcher.

Mais R.E.M. no POP FANTASMA aqui.

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

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George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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