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Ouvimos: Hugo Mariutti – “This must be wrong”

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Em This must be wrong, Hugo Mariutti troca o metal por britpop, pós-britpop e toques eletrônicos, num disco elegante e surpreendente.

RESENHA: Em This must be wrong, Hugo Mariutti troca o metal por britpop, pós-britpop e toques eletrônicos, num disco elegante e surpreendente.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: ForMusic
Lançamento: 5 de setembro de 2025

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Guitarrista de bandas como Shaman e Viper, Hugo Mariutti costuma ir além do heavy metal em sua carreira solo. This must be wrong, quarto disco solo do músico, é quase um álbum de britpop e pós-britpop – o que com certeza vai afastar fãs mais radicais, mas vai atingir outros públicos.

O som de várias faixas faz lembrar grupos com Starsailor, Keane, Semisonic (banda norte-americana de rock alternativo, mas cujo som parece às vezes mais próximo do rock britânico dos anos 1990/2000). Nem mesmo o Coldplay do começo escapa de surgir no disco – no caso, na balada celestial Away.

  • Ouvimos: Guitar – We’re headed of the lake

Heaven, a faixa de abertura, valoriza o uso de sintetizadores – que ganham um clima quase tecnopop na sequência. Out of time (You don’t know) traz elementos de New Order e R.E.M, e baladas como Someone like you investem num som elegante, entre o rock e o folk. O piano de Wherever you go, por sua vez, tem evocações de Supertramp e até de Elton John, enquanto Sometimes, mesmo tendo uma guitarra próxima do blues, é mais ligada ao rock britânico dos anos 1990.

Hugo deixa entrever sons próximos do metal em alguns momentos do disco – o estilo surge disfarçado no início meio solene da faixa-título e até em alguns climas da balada Alone, ainda que a vibe eletrônica da faixa tenha mais a ver com The Cure do que com o Shaman. Já em Smile, surge uma faceta mais distorcida e pós-punk.

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Ouvimos: Drivin N Cryin – “Crushing Flowers”

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Ouvimos: Drivin N Cryin – “Crushing Flowers”

RESENHA: Drivin N Cryin sai do peso 80s e chega a Crushing flowers com folk rock equilibrado, ecos de Tom Petty e The Rolling Stones após fase irregular.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 10 de abril de 2026

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O Drivin N Cryin vem de Atlanta, Georgia. E surgiu em 1985 fazendo um som bem próximo do rock sulista, mas com uma onda próxima do metal e do hard rock – o que levou muita gente a enxergar neles nada mais do que uma dessas bandas pesadinhas dos anos 1980. É também uma banda que tem em seu histórico pelo menos uma coisa dura de engolir: a música Fly me courageous, hit de 1991 que acabou adotado pelos soldados norte-americanos durante o início da Guerra do Golfo Pérsico.

Não é uma coisa legal de ter no currículo, mas a verdade é que o Drivin nunca foi lá muito conhecido fora dos Estados Unidos. De 1985 para cá, eles gravaram álbuns por selos como Island e DGC, largaram o som pesado por um rock mais folk, passaram um bom tempo sem lançar discos novos e abraçaram a independência lá pelos anos 1990 – quando, de certa forma, a música deles passou a fazer parte do universo “alternativo” da época.

Crushing flowers, o 11º álbum, não faz lembrar os anos mais pesados do grupo e soa bem equilibrado entre folk e rock. Tanto que o som de Kevin Kinney (voz, guitarra) e seus amigos volta com uma baita carta de Tom Petty (Mirror mirror), Rolling Stones da fase Mick Taylor (Why don’t you go around, Keep the change, a festa rocker de Come on and dance) e até Simon & Garfunkel (Dead end road).

Tem uma onda pós-punk clara em músicas como a faixa-título (uma música com boas guitarras e boas surpresas na melodia) e até um clima glam em Jesse Electric, mas não é o principal no som deles. O lado mais clássico do grupo surge também em faixas como Looks like we’re back again tem lembranças de Won’t get fooled again (The Who) e a onda puramente southern de Death of me yet, com guitarras gêmeas lembrando Thin Lizzy.

Pelo menos no disco novo, o Drivin N Cryin vem com cara de banda que faltava pra completar o álbum dos anos 1980. Mesmo tendo momentos bem desinteressantes no passado.

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Ouvimos: The Melodrones – “The Melodrones”

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Estreia dos Melodrones mistura doo wop, girl groups e noise à la The Jesus and Mary Chain, com dream pop, psicodelia e vocais divididos.

RESENHA: Estreia dos Melodrones mistura doo wop, girl groups e noise à la The Jesus and Mary Chain, com dream pop, psicodelia e vocais divididos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Third Eye Stimuli Records
Lançamento: 4 de abril de 2025

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O disco de estreia dessa banda australiana tá surgindo aqui com mais de um ano de atraso, mas vale a menção. Se bandas como The Jesus and Mary Chain levavam o idioma dos Beach Boys e da surf music para o universo do noise rock, os Melodrones fazem a mesma coisa com o doo wop e o som dos girl groups dos anos 1960 – além do pop melódico no estilo dos Righteous Brothers e dos Everly Brothers.

Na real, esse cruzamento já fazia parte da receita do Jesus – e de bandas seguidoras dos irmãos Reid, como os Raveonettes. No caso dos Melodrones, parece um som feito mais para embevecer do que para chocar pelo contraste, porque até climas esparsos e ruídos são usados como parte da beleza das músicas. O vocalista Rik Saunders e a baixista Melissah Mirage dividem vocais como se dialogassem ou discutissem (um lance que já vai remetendo à Motown) e o som fica entre o dream pop e a psicodelia.

O álbum só vai apresentando as referências de doo wop aos poucos, abrindo com o pós-punk voador de Keep me company, seguindo com o quase shoegaze de Bad news from Berlin (que lembra bastante o comecinho do Blur) e chegando a uma blues ballad com microfonias, Til kingdom come. Eyelash wishes II, balada bonita e celestial cantada por Melissah, lembra Marianne Faithfull.

The Melodrones volta e meia se aproxima do som do Mazzy Star (na mágica Swimming) e em vários momentos faz uma viagem sem volta ao mundo da psicodelia – como na doce I’ll belong to you e na texturizada Real life (Stoned love), repleta de glitches e de um clima lento, que quase insere o / a ouvinte na trip. O baladão-com-guitarras-pesadas No good memories, o soft rock lisérgico e instrumental Caius e a solar To err, cantado por Rik com voz de Lou Reed no começo da carreira, completam o clima variado do álbum.

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Ouvimos: Las Flores Del Underground – “Ella” (EP)

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Ouvimos: Las Flores Del Underground – “Ella” (EP)

RESENHA: Projeto argentino Las Flores Del Underground mistura psicodelia suja e elaborada; EP Ella cruza Syd Barrett, Radiohead e Pink Floyd com pegada retrô e viajante.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Mundos Imaginarios
Lançamento: 15 de dezembro de 2025

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Contratado de um selo psicodélico chamado Mundos Imaginarios, esse projeto musical argentino encara a psicodelia como algo entre a sujeira sonora e a elaboração. Tanto que Ella, EP lançado no fim de 2025, abre com Donde está?, música que, entre synths e guitarras, caminha entre Syd Barrett e Radiohead – com vocal nasal tipo Bob Dylan. Luces primeras tem solo de oboé, slide guitar e algo do Pink Floyd da transição entre a psicodelia e o progressivo.

  • Ouvimos: Lúcio Maia – Lúcio Maia

Quero llegar, terceira faixa, tem beat funkeado e viajante, oscilando entre Charlatans, Stone Roses e T. Rex, com guitarras ótimas. O mesmo clima próximo do pré-britpop surge na vibe indiana de Espejos e na viagem sonora da faixa-título, cuja guitarra faz lembrar bastante as canções mais psicodélicas do Oasis.

O EP ainda tem uma faixa chamada Revolver, em clima de psicodelia sombria como em alguns momentos do Revolver, dos Beatles – mas nessa música o som volta a lembrar o Pink Floyd. O principal do Las Flores Del Underground é fazer uma fusão entre psicodelias: tem dos anos 1960 a sons da neo-psicodelia oitentista misturados aqui.

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