Cultura Pop
Daniel Vangarde: o pai do cara do Daft Punk

Faz quase uns dez anos, a revista Dazed soltou uma mixtape com várias faixas de um compositor e produtor francês chamado Daniel Vangarde. Daniel é mais conhecido como o pai de Thomas Bangalter – enfim, metade do duo de música eletrônica Daft Punk, que encerrou atividades faz alguns dias. Seu nome também é Daniel Bangalter, mas ele preferiu adotar outro nome artístico ainda nos anos 1960, quando começou a fazer música profissionalmente.
Daniel esteve por trás de muita coisa da disco music que fez sucesso. Inclusive o hit D.I.S.C.O, do Ottawan, que foi hit no Brasil a ponto de entrar em trilha de novela (Água viva, de 1980). Até lá, já havia feito bastante coisa: desde 1967 gravava discos solo, além de ter produzido sensações pop da França como o cantor Ringo, que fez sucesso extremo até o fim dos anos 1980 e depois passou a se dedicar ao negócio de restaurantes.
No começo dos anos 1970, Daniel e um dos seus maiores parceiros, Jean Kluger, embarcaram numa aventura que muita gente enxerga como um espécie de proto-Daft Punk. Não, eles não vestiram capacetes, mas Daniel, que já curtia lançar música sob diversas nomenclaturas, lançou um projeto chamado The Yamasuki Singers. Era um falso grupo japonês, que soltou em 1972 o disco Le monde fabuleux des Yamasuki, com músicas como Yama yama.
O grupo também lançou singles como Anata bakana. Segundo o Google Translator, isso quer dizer “seu estúpido” em japonês. O jornal Irish Times lembrou desse disco faz alguns anos e teceu alguns comentários: “É descaradamente divertido, mas nunca banal ou kitsch. Todos os tipos de inovações tornam a música envolvente (…) A apresentação é uma obra de arte por si só. Uma série de instruções sobre como fazer a dança Yamasuki adornam a capa”.
Aieaoa, uma das melhores músicas do disco, chegou a ser gravada anos depois pelo Bananarama (!), com o nome de Aie a mwana. Foi até hit delas.
Aliás pega aí o disco inteiro logo. Ouça em alto volume.
Depois desse projeto, Daniel se inseriu na disco music (daí ter produzido o Ottawan) e em 1979 adotou mais um pseudônimo, Who’s Who. Dá para achar muitas raízes do Daft Punk nesse hit deles, Dancin machine.
Vangarde continuou produzindo e chegou até mesmo a se envolver com o comecinho do Daft Punk, dando consultoria e orientando a dupla. E, que surpresa, veio parar no Brasil. Segundo uma série pequena de matérias feita pelo site Popload em 2013 (quando surgiu uma suposta foto dos Daft Punk sem os capacetes) “possui uma pousada e uma pizzaria na pequena cidade de Caraíva, litoral da Bahia, mas sempre fazendo o circuito Caraíva-BH”. O músico também andou produzindo artistas brasileiros, como a banda de samba de raiz Caraivana.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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