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Daft Punk: clipe novo e mais novidades do que nos tempos de dupla

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Daft Punk: clipe novo e mais novidades do que nos tempos de dupla

RESUMO: Mesmo separados, o Daft Punk segue ativo: relançamentos, Fortnite e clipe novo de Human after all com cenas dp filme Electroma.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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Tem aquela banda que existe há trocentos anos e nunca mudou sua formação (poucas, entre elas os Paralamas do Sucesso). Tem aquela banda que existe há menos tempo e já não tem nem sequer uma unidade de integrante da formação original. E tem aquela banda que acabou e continua “na ativa”: o duo de música eletrônica Daft Punk é um bom exemplo. A dupla se separou há cinco anos, mas nesse tempo, o número de novidades vindas dos dois tem sido bem mais frequente do que os discos inéditos que saíam quando o DP oficialmente existia.

Em 2023 saiu a versão “drumless” do clássico álbum Random access memories (2013, resenhada pela gente aqui). Em 2025, duas novas: o Daft Punk adentrou no universo do game Fortnite e lançou uma coleção de remixes do álbum Human after all (2005) em vinil para comemorar o 20º aniversário do disco. Entre os artistas que remixaram as músicas, Justice, Soulwax, Basement Jaxx, Erol Alkan e Juan Maclean (detalhe: Human é o terceiro álbum de estúdio deles, e o duo demoraria oito – oi-to! – anos para lançar um novo álbum, justamente Random access memories).

E agora tem mais novidade: cinco anos após anunciar a separação, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo lançaram um novo clipe para o single Human after all, com cenas de Electroma, filme de ficção científica da dupla, de 2006. O clipe foi editado por Cédric Hervet. No vídeo, a dupla circula por estradas e desertos numa Ferrari e vai parar numa cidadezinha onde a população inteira usa capacetes como os deles – até mesmo as crianças (!).

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Papangu vai do prog ao metal MUITO pesado em em “Taxidermia”

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Papangu (Foto: Helder Bruno / Divulgação)

Seguindo o curso natural de seu próximo álbum, Celestial – previsto pra o dia 7 de agosto pela Deck – a banda paraibana Papangu apresenta o terceiro single do álbum, Taxidermia. Uma música de seis minutos, que passa por candomblé, rock progressivo e thrash metal, e que eles definem como “uma música que abre de forma solene, mas termina em tragédia”, e como “Rush encontra Dimmu Borgir”.

Do material que já veio a público de Celestial, Taxidermia abre num clima que lembra tanto progressivo quanto jazz fusion, mas é a faixa mais pesada já liberada do disco até agora – é levada adiante inclusive por vocais guturais. A própria banda afirma que o fim da música é um dos momentos mais extremos já lançados por eles (de fato, a bateria lá pelas tantas lembra o peso violento do Krisiun, mas a “progressividade” do grupo está ali).

Na letra, o personagem faz uma espécie de ritual de fechamento de corpo, só que dá tudo bem errado. Entre outras coisas, ele perde a própria cognição para a inteligência artificial (rapaz, mas que bom que o mundo em que a gente vive não é assim, não é mesmo?). Nas palavras da banda: “o homem se junta à manada oca presa em pino: é peça de museu que escreve a própria etiqueta técnica”.

O grupo diz que na concepção original, Taxidermia tinha sido feita para vocal melódico, mas se tornou mais pesada com o tempo e começou a pedir mudanças. O material de Celestial foi todo feito em fita analógica, e a música usa sintetizadores e amplificadores de guitarra e baixo antigos. além de um órgão Hammond que fica na frente da faixa a maior parte do tempo.

Recentemente o The Guardian fez um perfil do grupo, anunciando que o Papangu vai fazer uma tour pelo Reino Unido e Europa a partir de 15 de agosto, e louvando o trabalho do departamento de música da Universidade Federal da Paraíba, por fazer da capital João Pessoa um celeiro de músicos de estilos variados. Um voo bem alto e bem bacana pro grupo, assim como tudo que já saiu de Celestial.

Foto: Helder Bruno / Divulgação

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Naturezautomática: a história da internet em três minutos e meio em “Vem!”

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Naturezautomática - Foto: Flávio Charchar / Divulgação

E não é que a internet já tem uma “história decadente”? Uma história, por sinal, que envolve CDs de operadoras, promessas de acessos limitados, a luxúria do bate-papo UOL e gente esperando dar meia-noite para navegar (aliás, “navegar”, também faz parte dessa história). Páginas indispensáveis dessa história aí estão no single da banda Naturezautomatica – aliás uma banda bem nova, surgida em 2025.

O Naturezautomatica reúne membros de diversas bandas da cena independente de Belo Horizonte como 4Instrumental, Cães do Cerrado, Jota Quércia e RU NA – só que agora, André “Pepo” Persechini (voz, violão), Leo Bryan (baixo), Raul Lanari (bateria, vocais) e Tiago Sales (guitarra, vocais) buscam referências em estilos brasileiros, folk e rock para cantar sobre as angústias de viver nos limites do “antropoceno tecnológico”, como afirmam. E o single Vem!, uma espécie de jingle tardio para as operadoras dos anos 1990 / 2000, fala justamente das promessas que elas faziam na época, e lembra de quando a internet tinha ares mesmo de “repositório de todo o conhecimento do mundo”.

“A ideia é fazer uma viagem audiovisual pela história da internet, desde seu início como promessa utópica de acesso universal à informação, até sua eventual assimilação pela lógica necroliberal do tecnofascismo das bigtechs”, explica André Persechini, compositor e vocalista do grupo, e autor do clipe da faixa – um passeio pelas mudanças do mundo após o smartphone surgir. O som mescla batida cerimonial, como se fosse um baião pós-punk, e viola caipira.

Vem! tem produção de Fernando Bones e abre caminho para mais alguns singles – que juntos, vão formar um EP previsto para esse ano.

Foto: Flávio Charchar / Divulgação

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E aí, curtiu ouvir Marisa Monte e Nando Reis cantando “Pra você guardei o amor”?

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Marisa Monte e Nando Reis (Foto: Leo Aversa / Divulgação)

Lançada originalmente no álbum Drês, de Nando Reis (2009), com um dueto com Ana Cañas, Pra você guardei o amor volta agora às plataformas numa versão mais camerística, e mais lenta, gravada por Nando ao lado de Marisa Monte. Os dois, que já foram namorados no começo dos anos 1990, gravaram juntos pela última vez na música Pra quem não vem, de outro álbum de Nando (Sei, de 2012).

A própria Marisa produziu a gravação, com arranjos de Newton Carneiro, arregimentação e regência do maestro André Bachur, e presença de instrumentos como violino, violoncelo e oboé – num clima que remete realmente ao chamber rock.

“Para essa nova versão, eu e Nando resolvemos fazer algumas coisas diferentes e outras iguais. Basicamente, o violão é a estrutura básica da composição. Foi instrumento que você usou para compor”, diz Marisa num vídeo de bastidores da gravação (veja lá embaixo).

Nando complementa: “E eu sempre pensei em gravar em duas vozes, cantar em duas vozes. Então isso se mantém igual. Mas a instrumentação é muito diferente. Eu chamei Marisa para produzir a faixa e fomos conversando, conversando e achamos”, conta.

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Marisa continua: “Fomos construindo juntos uma ideia de ter um grupo de instrumentos reduzido, meio camerístico. Então temos oboés, temos trompas, temos harpa, temos um Hammond, temos cello, cordas, temos marimba. Uma formação meio inusitada, mas bastante interessante, que eu acho que acrescentou a essa canção, que é uma canção pop, com uma sonoridade atípica para música pop”, diz.

“E isso permite uma outra interpretação, tanto nossa quanto de quem vai ouvir a música na voz da Marisa junto comigo”, responde Nando.

E ela finaliza: “Que é uma dinâmica linda dos dois, cantando juntos as intensidades, os alívios, os rallentandos. A gente já canta junto há muitos anos, tem uma intimidade artística, musical, já muito assimilada. Então, pra gente foi muito prazeroso também cantar junto e dividir essas vozes assim, um ouvindo o outro”, diz.

Foto: Leo Aversa / Divulgação

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