Cultura Pop
Uma conversa franca com Ric Ocasek em 1982

Em 1982, o já saudoso Ric Ocasek, criador da banda americana The Cars, já podia se dar ao luxo de posar de artista que deu certo. Se o projeto de vida dele era unir new wave, tons pop, algum clima chique herdado do Roxy Music (com direito a belas modelos nas capas dos discos) e tocar nas rádios, e vender discos, ele tinha conseguido chegar lá.

Foi nesse ano também que os Cars deram um tempo e os integrantes foram fazer trabalhos solo. Ric gravou seu primeiro disco individual, Beatitude. Na sequência, veio o disco solo do tecladista Greg Hawkes, Niagara falls (1983). Ambos foram gravados no Syncro Sound, estúdio em Boston que os Cars haviam comprado e reformado em 1981 – ele, antes, se chamava Intermedia Studios. Apesar da iniciativa, os Cars gravaram apenas um LP lá, o bom e pop Shake it up (1981), de hits como a faixa-título e Since you’re gone.
E olha aí Ric Ocasek, pouco antes de partir para a carreira solo, dando uma entrevista sobre a escalada dos Cars no próprio Syncro Sound. O simpático Ric diz que o som dos Cars veio “de seu porão” e que muito do diferencial da música feita por eles surge das diferentes personalidades dos integrantes da banda, cada um fazendo o seu som. Diz também que não sentia pressão para que a banda conseguisse sucesso e que nem esperava que o primeiro álbum vendesse bem. E que resolveram comprar o tal estúdio porque estavam querendo mudar o método de trabalho, que levava a banda a muitas vezes achar até mesmo as demos melhores que os álbuns.
No decorrer do papo, ele ainda faz piada dizendo que o relacionamento com os outros integrantes da banda era “puramente sexual”. E faz questão de afirmar que ele mesmo era o compositor da banda e que os integrantes não contribuíam. “Isso foi aceito e entendido porque montei o grupo basicamente para fazer essas canções”, conta (nem tanto, já que havia parcerias com Hawkes desde o comecinho).
No final da conversa, também rola um solo de Ric sobre o assunto “drogas”, em que ele garante que não chapava tanto. E uma conversa sobre o disco Shake it up, além de uns papos-cabeça sobre como ele via a humanidade em dez anos. “Estamos sempre olhando em direção ao futuro e pegando emprestado do passado”, afirma.
Por sinal, o Boston Globe, certa vez, publicou uma reportagem sobre o que rolava por dentro do estúdio do The Cars e revelou que a ideia de Ocasek ao comprar o local era bem ambiciosa: ele pretendia fazer algo como a Factory de Andy Warhol por lá. Para Shake it up, o produtor Roy Thomas Baker, que cuidara de discos de sucesso do Queen, instalara por lá sua mágica (e cara) máquina de 40 canais. Greg Hawkes afirma que o maior benefício do estúdio foi manter a banda perto de casa em meio às gravações. O grupo chegou a agendar sessões de nomes importantes do rock e do pop (Yes e Cheap Trick entre eles), mas os Cars se cansaram rápido do negócio. Heartbeat city, disco de 1984, foi gravado em Londres.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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