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Crítica

Ouvimos: Tamar Berk – “OCD”

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Com OCD, Tamar Berk entrega um álbum tenso e melódico, entre noise pop e baladas sofisticadas, equilibrando caos emocional, introspecção e descobertas pessoais.

RESENHA: Com OCD, Tamar Berk entrega um álbum tenso e melódico, entre noise pop e baladas sofisticadas, equilibrando caos emocional, introspecção e descobertas pessoais.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 5 de setembro de 2025

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Em seu álbum anterior, Good times for a change (resenhado pela gente aqui), a norte-americana Tamar Berk guiava o timão para uma infusão de folk com (às vezes) power pop – misturando estileira voz-e-violão com lembranças de Veruca Salt, Blossoms e The Feeling, além das mesmas fontes dessa turma. O quinto álbum, OCD (literalmente “transtorno obsessivo-compulsivo”) é definido por ela como um “turbilhão distorcido” e Tamar conta que sua missão é “tentar transformar o caos emocional em algo melódico e honesto”.

De fato, soa mais distorcido e tenso em vários momentos, como no noise pop de Stay close by, no peso com alma cantarolável de You ruined this city for me e nas heranças de Pixies e Weezer de There are benefits for mixed emotions – esta última, curiosamente, ganhando guitarras com design sonoro tipicamente setentista, lembrando Brian May e Mick Ronson. Faixas como I’m in the day after e Time zone têm muito de bandas como Go-Go’s, The Cars e XTC.

  • Ouvimos: Piri & Tommy – Magic (EP)

O lado que parece ganhar mais espaço no trabalho de Tamar, talvez até como reflexo do caos interno que ela diz colocar no álbum, é o que traz mais tranquilidade musical. A faixa-título é uma balada com cara meio soul – algo quase sophisti-pop, ou dream pop sofisticado, com balanço dado pelo piano. Sons mais introspectivos ganham espaço em Any given weeknight, no alt-folk Tell me why (com referências bem evidentes de Simon & Garfunkel e Bob Dylan), na tristinha My turn will come e na imagética e noturna Ghost stories, que encerra o álbum.

Tem duas ótimas curiosidades no álbum. Uma delas é a pop e até meio r&b Indiesleaze2005 – cuja ótima letra fala sobre sonhos artísticos perdidos, exigências de camarim, frustrações, tudo misturado (“quando chegar a hora de contar o troco / você estará esperando o ônibus debaixo de chuva torrencial / você será um triste, triste caso de um sonho americano perdido”). I had a dream I was lost in an auditorium, som entre os girl groups dos anos 1960 e a doçura à Teenage Fanclub, fala de sonhos com amores e shows frustrados (“sonhei ontem à noite que esqueci minhas falas quando estava tentando cantar no show / e eu sabia que era uma perda de tempo e comecei a chorar e me disseram que eu deveria ir para casa”).

As duas letras meio que balizam OCD entre vida artística e vida pessoal e dão mais ainda um norte para o tal “caos emocional” que Tamar aborda no disco. Se o disco anterior era a “mudança”, o novo álbum tem muito de descobertas.

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Crítica

Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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