Cultura Pop
Substance: relembrando a época em que New Order virou rei

Substance (1987) representou muito para o New Order. E a coletânea de mesmo nome (1988) ajudou a varrer mais um pouco o legado do Joy Division, oito anos depois da morte do vocalista Ian Curtis. No caso do disco duplo do New Order, foi o lançamento que fez a banda conquistar de vez os Estados Unidos, e que trouxe Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e Gillian Gilbert para o Brasil.
O duplão do New Order, por sinal, surgiu de uma combinação de fatores meio maluca. Primeiro que a Factory nunca foi um dos empreendimentos mais rentáveis do mundo, mas a gravadora andava lucrando bastante com o New Order. A ponto de depender bastante da banda – era com a grana de discos como Brotherhood (1986) que o selo investia em bandas de pouco alcance como Kalima e Durutti Column.
Segundo que o dono da gravadora, Tony Wilson – e quem conta isso é Peter Hook no livro Substance: Inside New Order – andava gastando grana feito um maluco, vivendo um estilo de vida compatível com o de um dono de gravadora, mas incompatível com o do dono de um selo que volta e meia ficava deficitário. E o New Order não estava ganhando tanta grana assim com os próprios discos. Substance, duplão e cheio de hits, viria como uma excelente ideia para recuperar os singles do New Order que não haviam saído em LP. E vender pra cacete.
Terceiro que a tal ideia de recuperar os singles do New Order que saíram apenas em compacto viria por uma razão que tem tudo a ver com a cabeça de Wilson naquela época: ele tinha comprado um carrão (um belo Jaguar XJ6), que vinha com um CD player. Sem o menor semancômetro, pediu até conselho a Peter Hook, o playboy do New Order, sobre que automóvel deveria comprar (mesmo devendo grana para o grupo). E informou à banda que uma de suas vontades era conseguir escutar os singles do New Order no CD player da caranga. Daí sugeriu ao empresário do quarteto, Rob Gretton, que lançassem canções como Blue monday, Everything’s gonna green e outras, num só disco. Que virou Substance.
Quarto que, justamente para tentar recuperar grana e pagar o New Order pelas dívidas, a Factory convenceu a banda a assinar um inacreditável acordo dando à gravadora 75% dos direitos do disco (mais uma vez, segundo Peter Hook), para que ela pudesse pagar as dívidas com a própria banda. Isso porque Substance foi um sucesso enorme que fez com que, entre 1988 e 1990, New Order virasse mania no mundo todo. E nesse momento, o New Order virou quase sócio do próprio disco, sem saber se ia ter a grana recuperada ou não.
Seja como for, o New Order caprichou para que Substance virasse um puta sucesso. Se trancaram até num estúdio com um dos produtores daquele momento, Stephen Hague (OMD, Pet Shop Boys) para fazer uma das melhores faixas da banda, True faith. O roteiro todo de gravação da música – sucesso de pista até hoje – você acha aqui (em inglês). Mas basta dizer que a banda usou os instrumentos que costumava levar para o palco, e mandou bala em duas joias dos estúdios na época: o sequenciador Yamaha QX1 e o sampler Akai S900.
Também, você deve saber, os singles foram incluídos em versões remix, e dois deles, Temptation e Confusion, foram regravados.
https://www.youtube.com/watch?v=7hFQUuJ_oVo
A história com Substance deu certo – disco de ouro no Brasil e platina nos EUA, Canadá e Reino Unido. E animou a Factory a produzir uma coletânea similar, só que simples, com o Joy Division, banda da qual o New Order nasceu. A Substance do Joy Division trazia os singles da banda que não saíram nos dois álbuns: Transmission, Komakino, Love will tear us apart e Atmosphere. E também tinha músicas que saíram em EPs e coletâneas da gravadora. Além de uma versão diferente de She’s lost control, do disco Unknown pleasures (1979).
Ao contrário do disco do New Order, o Substance do Joy Division tá no Spotify.
Veja também no POP FANTASMA:
– New Order entregando as referências de Blue monday
– Aquele disco inesquecível do New Order, Vida pobre
– New Order pouco antes do Brotherhood, ao vivo em 1986
– Como a capa de Unknown pleasures, do Joy Division, virou essa Coca-Cola toda
– Love will tear us apart, do Joy Division, por… Paul Young?
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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