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Hermanos Gutiérrez vão transformar paisagens andinas em música no próximo álbum

O Hermanos Gutiérrez volta em 25 de setembro com o sétimo álbum, Los ojos del condor, sucessor de Sonido Cósmico (2024). O disco sai pela Easy Eye Sound e chega acompanhado do single Canto andino, primeira amostra dessa fase mais ligada às raízes sul-americanas da dupla.
A faixa já entrega bastante do clima do álbum: violões em destaque, andamento calmo e uma ambientação inspirada nas paisagens andinas. Os irmãos Estevan e Alejandro Gutiérrez dizem que a ideia do disco nasceu justamente dessa conexão com a América do Sul e com referências musicais da região.
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“Aquela melodia que você ouve no refrão, que é muito alegre e depois volta para os tons escuros e baixos do slide, é legal porque é exatamente assim que o clima funciona nos Andes” , disse Alejandro. “Você tem sol e, de repente, fica tão nublado e parece que pode chover ou até nevar. Canto andino é um chamado dessa paisagem que nos inspirou. Esta é uma carta de amor à América do Sul. O que queremos fazer com este disco é convidar as pessoas a fazerem outra jornada conosco, desta vez pelos Andes, e criar curiosidade por essa cultura e por esta parte do mundo”.
Produzido mais uma vez por Dan Auerbach, dos Black Keys (Dan é dono do selo Easy Eye Sound, por sinal), o álbum aproxima o som da dupla de ritmos e instrumentos andinos. O charango aparece em várias músicas, enquanto Estevan gravou o trabalho usando a mesma guitarra de náilon que ganhou do pai quando era criança.
Ao longo dos discos anteriores, o Hermanos Gutiérrez construiu um som instrumental que mistura violões latinos, surf music e climas cinematográficos. Em Los ojos del condor, essa mistura ganha referências mais diretas do Equador, Peru, Argentina e Colômbia, passando por elementos de milonga e cumbia. Além dos próprios discos, os irmãos colaboraram recentemente com Leon Bridges e Natalia Lafourcade, e também participaram da trilha de um documentário sobre Jack Johnson.
E abaixo você confere o clipe de Canto andino, e a capa de Los ojos del cóndor.
Foto: Jackie Lee Young / Divulgação

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The War On Drugs volta com “Who’s that”, música escrita “em dez minutos”

RESUMO: Adam Granduciel escreveu e produziu sozinho Who’s that, nova faixa do The War On Drugs. O grupo não lança um disco de estúdio desde 2021 – ainda não se sabe se a faixa vai render um álbum.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Capa do single
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“Who’s that foi escrita em 10 minutos, em algum momento entre o primeiro café e a hora de deixar as crianças na escola”, diz Adam Granduciel, criador da banda The War On Drugs, e aparentemente um sujeito madrugador e pai zeloso, sobre a nova música de seu grupo – a primeira em cinco anos.
“É uma música sobre tentar se amar apesar das coisas que nem sempre podemos controlar, como a ansiedade, a depressão e a insegurança que podem nos impedir de viver a vida plenamente”, continua ele, que na letra, constata que “mantemos o tempo em um plano diferente / onde tudo está sempre mudando” e que “há um leão pendurado nos meus dentes / posso senti-lo, mas não consigo chegar perto / é só a minha depressão, querida”.
Granduciel escreveu e produziu a faixa sozinho. A gravação foi feita no galpão da casa dele em Burbank, Califórnia, e Adam chamou para tocar com ele a turma com a qual ele já trabalha no War On Drugs: Dave Hartley (baixo), Robbie Bennett (teclados), Anthony LaMarca (bateria, guitarra), Jon Natchez (órgão, saxofone) e Eliza Hardy-Jones (vocais). A mixagem ficou a cargo de Jonathan Low (The National, Taylor Swift), que já havia trabalhado com o TWOD no disco Future weather, de 2010.
O que todo mundo quer saber é: vai ter disco novo do The War On Drugs? Nenhuma informação sobre isso até o momento. O último lançamento de estúdio da banda foi I don’t live here anymore (2021), que encerrou o contrato com a Atlantic – teve ainda o ao vivo Live drugs again, de 2024. Em compensação, a nova música já tem até clipe, dirigido por Max Flick. Olha aí.
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Azul Marine transforma reconstrução pessoal em “Cura”

RESUMO: Em Cura, Azul Marine transforma uma experiência de sofrimento psíquico em canção sobre destruição e renascimento, misturando funk e gospel em meio ao Setembro Amarelo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Isadora Tricerri / Divulgação
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Em meio ao Setembro Amarelo, Azul Marine lança Cura, single que transforma em música um período de profundo sofrimento psíquico e o processo de reconstrução que veio depois. A faixa, lançada em 4 de setembro, parte de uma experiência pessoal em que chegou perto de desistir da própria vida, para falar sobre identidade, destruição e renascimento.
A história começou a ser apresentada em Torre, single anterior inspirado pela internação psiquiátrica de Azul Marine. Se aquela música está ligada ao momento do colapso, Cura olha para o período seguinte: a tentativa de reconstruir a própria identidade e encontrar uma maneira mais autêntica de existir. Nesse percurso, a criação artística aparece como uma forma de elaborar experiências que chegaram a colocar sua vida em risco.
Composta em 2021, Cura foi pensada como uma espécie de baile do fim do mundo. A música trabalha com a ideia de que, para alguma coisa nascer, outra precisa ser destruída. A narrativa aproxima morte e nascimento, crueldade e compaixão, tendo como figura central uma divindade matriarcal associada tanto à destruição quanto à criação.
“Muitos acreditam que a salvação vem do divino, enquanto a destruição é vista como uma maldição. Mas a própria natureza mostra que esses processos fazem parte de um mesmo ciclo. Em Cura, tentei criar uma imagem em que esses polos, aparentemente opostos, se tornam a força motriz um do outro. É preciso destruir uma personalidade que já não nos serve para que outra possa nascer”, explica Azul Marine.
A ideia de dualidade aparece também na sonoridade. Produzida por Dalmas, Cura aproxima funk e gospel e tem entre suas referências Glamurosa, de MC Marcinho, Two weeks, de FKA Twigs, e Mary, don’t you weep, na versão de Aretha Franklin. É também a única faixa do próximo EP cujo beat original foi criado pelo próprio Azul Marine.
A escolha de lançar a música durante o Setembro Amarelo reforça seu tema, mas Cura não tenta transformar uma experiência de sofrimento psíquico em uma história de respostas fáceis. A faixa registra um momento limite e o processo, ainda em andamento, de reconstrução.
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Cherokee Dreams transforma imperfeição em psicodelia e no wave, tudo junto

RESUMO: No projeto Cherokee Dreams, o baterista Joshua Lynchard mistura lo-fi, ruído de guitarra, baixo circular, psicodelia e no wave em canções marcadas pela imperfeição.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Vindo de Florence, Alabama, o músico Joshua Lycnhard se define como um baterista que toca em várias bandas (The Invisible Teardrops, The Dismals, Nightmare Boyzzz, por exemplo), e sempre “um pouco rápido demais com tempos instáveis”. Sozinho, ele mantém seu projeto Cherokee Dreams e faz uma fusão de ritmos e texturas, com gravação lo-fi, ruídos de guitarra, baixo circular e clima próximo de uma fusão de psicodelia e no wave.
“Cherokee Dreams é a versão de Joshua que se entrega completamente a essa imperfeição suada. Em suas próprias palavras, sempre unidos por sal e sempre com um timing ruim”, conta Joshua que, na real, daria um ótimo batera para Lydia Lunch e para o PiL na fase Metal box (1979). No momento, ele divulga um single duplo chamado Too, com as faixas Dhoop dawg e Desire palth. Mas vem mais por aí, já que ele anuncia pra breve o álbum Breathes corporate thunder, que vai sair em fita K7.
“O nome do disco soa menos como um título e mais como uma sirene de alerta percorrendo um amplificador quebrado”, conta ele, que explica um pouco de sua filosofia musical. “Por trás da estética focada no ruído, reside uma filosofia real: a de que a honestidade emocional vive em notas Sol ligeiramente agudas e tempos flutuantes. Que a mídia física é tanto rebeldia quanto uma tábua de salvação para artistas em turnê. E que um bom dia de trabalho braçal em contato com a natureza traz a criatividade à tona de uma forma que o tempo livre ilimitado jamais conseguirá”, diz.
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