“O primeiro álbum do Roxy Music ainda soa como algo nunca ouvido na Terra. Como se fossem meia dúzia de bandas separadas clamando por atenção. Tem Velvet Underground, The Marcels, uma pitada de krautrock, Johnny & The Hurricanes. Tudo isso encontrando o Sounds Incorporated (no ácido) com algumas graves mutações prog. Várias faixas têm estrutura-padrão de rock progressivo, e de vez em quando você pode ouvir um mellotron sendo tocado ‘corretamente’. Mas as faixas são cheias de texturas decididamente anti-rock” (leia esse texto inteiro aqui).

Sim, faça o teste: mostre alguma música do Roxy Music do começo da carreira a alguém que nunca ouviu a banda. Possivelmente você vai ganhar uma série de respostas – parece banda nova, parece banda dos anos 1970, parece The Cure mas sem os vocais do Robert Smith, parece David Bowie, etc. Ou mostre o vídeo acima, que é uma das últimas aparições do grupo na TV com Brian Eno nos vocais. O músico andou pela banda só no começo, e gravou apenas dois discos. Mas marcou presença tempo suficiente para que o comecinho do Roxy seja eternamente lembrado como uma das melhores fase da banda – que por aquele tempo já contava com Phil Manzanera na guitarra.

Roxy Music apavorando geral no Musikladen em 1973
Todo mundo de guitarra na mão, na parte interna da capa dupla do segundo disco, “For your pleasure” (1973)

O vídeo acima foi feito em 1973 e mostrou a ida do Roxy ao Musikladen, espécie de Globo de Ouro (ou Top Of The Pops) da Alemanha. Tocaram quatro músicas: Do the strand, Editions of you, In every dream home a heartache e Re-make/Re-model. Em alguns momentos, é possível desconfiar que tem mais de uma banda tocando no palco, apontando para vários estilos: rock dos anos 1950, hard rock, progressivo, kraut rock, glam rock, pré-punk, o que pintar.

Pouco depois disso, Eno sairia do grupo alegando diferenças irreconciliáveis com o estilo de liderar de Ferry. O grupo continuaria trilhando uma excelente carreira, com Bryan compondo quase todo o material, com ajudas ocasionais dos colegas. Difícil escolher uma “fase melhor” do grupo, mas essa do Musikladen pegava fogo, até pelos atritos entre vocalista e tecladista – que ainda levava o Roxy para outras paradas, manipulando fitas no palco ou enfiando eletronices nas músicas.