Um tempo atrás, a MTV americana recuperou aquele famoso papo que Zeca Camargo teve com Kurt Cobain, no estúdio Cia dos Técnicos, em 1993. E num trecho, o líder do Nirvana revela que está tocando com uma arma taser. E mostra um aparelho chamado Dreamer (que provavelmente é uma Dreamachine) com o qual vinha compondo naqueles tempos.

O tal aparelho é um kit maluco que possui óculos estroboscópicos, fones de ouvido e um controlador usado para alterar as configurações e mudar os efeitos. Kurt mostra o controle remoto e avisa que “existem seis funções diferentes, são programas. Eles basicamente apenas ajudam com estresse, insônia, relaxamento, criatividade, concentração e meditação”. Disse também a Zeca que tinha sonhado com pastores alemães, com sexo com seu padrasto e com comer flores (!).

A tal Dreamachine (“máquina dos sonhos”, enfim) tinha sido uma traquitana inventada por Brion Gysin, artista plástico, poeta e escritor, e por um colaborador do escritor William Burroughs, Ian Sommerville, que servia como “consultor de sistemas” e parceiro de ideias malucas. O objeto exibido por Kurt parece, digamos, mais cheio de funções. Porque basicamente o aparelho inventado pelos amigos de Burroughs era um toca-discos de vinil, em cujo prato iam uma lâmpada e um cilindro todo cortado nas laterais. Dependendo de em que rotação estivesse o aparelho, a lâmpada dava 8 a 13 pulsos por segundo.

O aparelho costuma estar em exposições visuais de Burroughs e a ideia é que a pessoa confira o show de luzes de olhos fechados. A ideia é que a pessoa se sinta cercada de luzes e experimente uma sensação de relaxamento. Dizem que o lance é forte, que um entre cada dez mil adultos pode ter convulsões por causa da Dreamachine e que pessoas com epilepsia fotossensível devem ficar longe de um troço desses.

Aqui tem um curta sobre o assunto.

E tem uma teoria da conspiração BEM maluca a respeito da ligação de Kurt Cobain com a Dreamachine.

Bom, tem um dado real: Kurt ficou amigo de William Burroughs e gravou um single com ele, The “priest” they called him, lançado em 1993. É a música acima. Mas em 1996, um jornalista chamado Steve Bloom, editor de música da revista High Times, resolveu juntar numa reportagem três pessoas que apostavam ferozmente que Kurt Cobain havia sido assassinado.

“O primeiro é Tom Grant, um investigador particular contratado por Courtney Love uma semana antes do corpo de Cobain ser encontrado em Seattle, há dois anos.

O segundo é El Duce, o líder da banda Mentors, de porno-metal. Ele garante ter sido procurado por Love, que teria oferecido 50 mil dólares para se livrar de Cobain.

O último é o pai de Love, Hank Harrison, afirmando que a filha tem múltipla personalidade, ‘um lado extremamente violento’ e não duvida de seu envolvimento no assassinato”.

Os trechos acima são de uma reportagem sobre a reportagem que a Folha de S. Paulo publicou em 1996. E Bloom decidiu começar a fazer a tal matéria quando recebeu, em dezembro de 1994, um fax na redação da High Times, assinado apenas por um grupo secreto chamado “Amigos que Entendem Kurt”. No tal fax estava escrito que Kurt havia se suicidado porque tinha resolvido usar uma Dreamachine – ele teria comprado uma – por 72 horas seguidas (!), o que o teria levado ao suicídio.

Na época, Bloom achou que isso era apenas uma tentativa de desviar o foco das denúncias de Tom Grant. Até hoje nada foi provado. Pessoas bem íntimas de Kurt afirmam que Grant é o maior cascateiro. Sejam verdades ou mentiras, Tom Grant dedica boa parte do seu tempo a postar sobre o assunto em redes sociais.

Se você amou loucamente a ideia de ter uma geringonça dessas em casa, segue aí outro doc sobre a Dreamachine, com uma visão bem bacana a respeito do trabalho de Brion.

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