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The Baggios lança clipe novo, “Deixa raiar”

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POP FANTASMA exclusivo: The Baggios, "Deixa raiar"

O quinto disco da banda The Baggios, Tupã-Rá, sai em outubro pelo selo Toca Discos. A banda vem lançando alguns singles antes do álbum chegar às plataformas. O clipe do single mais recente, Deixa raiar, você conhece agora com exclusividade no POP FANTASMA. A música traz novidades para a história da banda vinda de São Cristóvão (SE): o trio de Julio Andrade (voz, guitarra), Rafael Ramos (baixo, teclados) e Gabriel Perninha (bateria) retorna em clima de afrobeat na nova faixa.

O disco que está chegando, diz Julio Andrade, é mais “pra frente, mais dançante, mais extrovertido, menos introspectivo, como foi o Vulcão (álbum mais recente, de 2018)“, conta. Tupã-Rá é o terceiro movimento de uma trilogia que abriu no peso de Brutown (2016) e passou pela introspecção do anterior. O “personagem” do disco novo, após  a reflexão de Vulcão, é um ser mais evoluído, mais preparado para o mundo.

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“O disco é mais solar, o elemento luz, sol, já está representado no próprio título disco, Tupã-Rá. Rá é o deus do sol, na cultura egípcia. Tupã é o deus do trovão, o deus maior para algumas tribos. Isso traz uma onda, o trovão traz um impacto muito forte que assusta, o sol traz a sensação de plenitude, de um dia mais tranquilo, alegre, feliz. Dizem que depois de uma tempestade vem um dia de sol, e o título tem a ver com essa dualidade, do ser humano ser dual, viver em conflito consigo mesmo”, conta Julio, adiantando que vem por aí um álbum com mais elementos do sertão e da música africana. “Tem duas ou três músicas na linha do afrobeat, umas outras com mais elementos de percussão. E coisa de baião misturado com rock e blues”, completa.

E falando do clipe, ele tem direção de Julio, que já vem trabalhando com vídeo há algum tempo. “Eu já venho de alguma maneira atuando nisso (de dirigir), mas só fui descobrir que estava dirigindo depois.  Como editor e criador de conteúdo em vídeo eu já atuo desde o início da banda, 2004, 2005. Nos últimos anos pude assumir mais isso, dirigir, criar roteiro, editar”, conta o guitarrista.

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POP FANTASMA exclusivo: The Baggios, "Deixa raiar"

“Acho que é uma vertente natural para mim porque as músicas que eu vou compondo já vêm com algumas imagens, alguma sensibilidade imagética”, conta o músico, que procurou explorar imagens que representem esperança e pureza, incluindo a figura de um enorme coração (a ideia é representar a sensibilidade nesse momento peculiar do mundo). O clima do vídeo, assim como o da faixa, é bem afrobeat.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Sepultura: “Nosso disco novo não é nem ao vivo, nem de estúdio”

“Lembrei das estampas de roupas africanas, com os contrastes de cores, e também me lembrei de artes gráficas, que mistura tons mais vivos e monocromáticos, uma brincadeira com a psicodelia, que influencia diretamente o The Baggios”, conta.

POP FANTASMA exclusivo: The Baggios, "Deixa raiar"

Recentemente Julio lançou seu primeiro disco solo, o excelente Ikê maré (que já apareceu aqui no POP FANTASMA). Para o lançamento, adotou o apelido Julico como nome artístico. “Me trouxe muito conhecimento técnico, gravei tudo em casa, com equipamento limitado. Experimentei muita coisa, tirei o som que eu queria de guitarra, baixo, voz. Fiquei mais seguro de poder assumir a produção do disco, uma nova forma de construir as músicas. Venho construindo músicas nos últimos três anos em cima de beats, de grooves, de afoxé, afrobeat, de coisas mais populares. Às vezes vira outra coisa. São infinitas as possibilidades”, conta ele, dizendo que tem outras dezenas de músicas na fila e que já está pensando num segundo disco solo.

“É para o segundo semestre de 2022. Graças a Jah a fonte está bem fluida, e a música tem salvado bastante, na parte de se ocupar, de criar, exorcizar essas angústias do mundo”, completa.

Fotos: Marcelinho Hora (1), frames do clipe (2, 3 e 4)

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Um papo com Lucas Estrela, herói da guitarra paraense

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Um papo com Lucas Estrela, herói da guitarra paraense

Quem mora no Rio – ou vem ao Rio nesse fim de semana – vai ter a oportunidade de conferir no palco o guitarrista paraense Lucas Estrela. O músico vai fazer uma participação no show do Metá Metá na edição carioca do festival paraense Se Rasgum. O evento retorna do Rio neste sábado (9), e justamente no palco do Circo Voador, um local em que Lucas sempre sonhou em tocar.

Lucas é um músico ligado tanto à guitarrada e às misturas pop quanto aos improvisos e experimentações musicais. O primeiro lado aparece em seus discos solo – o mais recente, Farol, saiu em 2017. O lado de cientista musical tem aparecido nas oficinas que ministra sobre eletrônica e em suas pesquisas sobre softwares (aliás, outro de seus sonhos é trabalhar sozinho em toda a parte de sons digitais de seus shows). Também levou Lucas a criar uma instalação cine musical, Arboreal, que em breve ganha uma sequência, “mas assim que eu me organizar e tiver tempo”. E esses foram alguns dos assuntos que conversamos com Lucas (foto: Divulgação/Prix Chemical)

Como vai ser trazer seu som novamente pro Rio e como vai ser esse encontro com o Metá Metá?

Esse convite já tinha sido feito antes da pandemia. O festival ia acontecer no Circo Voador lá pra abril de 2020, e foi cancelado. Fiquei surpreso quando o Marcelo Damaso (organizador do Se Rasgum) disse há poucos meses que ia rolar esse ano e o convite ficou de pé. É a primeira vez que vou tocar no Circo Voador, tô realizando esse sonho. Já fui lá várias vezes assistir a shows, e tocar é a primeira vez. É realmente muito especial, ainda mais sendo um show com o Metá Metá, que é uma banda da qual eu sou muito fã. O show deles foi um dos maiores que eu assisti, e foi justamente no Se Rasgum em Belém. Fiquei muito impactado.

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É muito impactante mesmo.

Demais, demais, e tem essa diferença do estúdio pro ao vivo, que é uma coisa que eu prezo muito. Quando vi o show deles fiquei muito impressionado e quando o Damaso fez o convite nem acreditei. Vai ser a realização de um sonho tocar no Circo e fazendo ainda por cima uma participação no show deles. Vai ser muito especial.

Em 2019, você tocou no Rock In Rio, no show Pará Pop, com Fafá de Belém, Dona Onete, Jaloo, Gaby Amarantos. Como foi a sensação de tocar lá?

Tocar com eles foi incrível e acho que a gente só percebeu depois do show a importância daquilo, de mostrar a representatividade cultural do Pará. Porque antes a gente estava tão preocupado e focado em fazer um bom show, em tocar bem, que só depois a gente percebeu a grandiosidade daquilo, de levar a musica paraense pro Palco Sunset. Até hoje as pessoas vêm falar comigo lembrando desse show, falam como foi especial para elas. Muita gente ficou emocionada, chorando na frente do palco (risos).

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Só depois que eu desci do palco, percebi que aquilo realmente tinha acontecido. A gente aprendeu muito com aquelas pessoas. Eu e Jaloo estávamos ali só observando (risos). Gaby, Fafá e Dona Onete estavam à frente de tudo. O show foi o encerramento de um ciclo, porque quando o Zé Ricardo (do Palco Sunset) fez o convite, vimos naquilo uma celebração grande da música paraense, de tudo o que tinha acontecido nos últimos dez anos. Desde a Gaby lá em 2011 com o Treme, que levou a música paraense para outros lugares no Brasil, e depois com anova geração, como eu e Jaloo… Esse show sintetizou tudo o que aconteceu nos últimos dez anos aqui no Pará. E abriu muitas outras portas, inclusive fora do país.

Você vinha dando oficinas de eletrônica em Belém há um tempo atrás. Como ficou isso com a pandemia?

Bom, as oficinas começaram tem alguns anos. Sempre fui muito interessado em eletrônica e daí comecei a estudar sobre instrumentos eletrônicos, controladores MIDI, comecei a fazer meus próprios controladores e quis passar isso para outras pessoas. Como faço com vários outros assuntos. Fui juntando essas turmas ao longo desses anos e desenvolvendo as oficinas. No fim do ano passado tive duas oficinas, uma virtual e outra presencial, no interior do estado. E agora eu estiou planejando algumas coisas novas que eu venho trabalhando, com controladores MIDI, impressão 3D. Pretendo fazer também toda a parte de instrumentos digitais do show, de controladores, levar isso tudo para o palco. É meu objetivo agora, mas preciso estudar mais isso para fazer com segurança.

Como você divide seu tempo entre produção de música, pesquisa de softwares, composição, ensaios, etc? Como tem sido pra você equilibrar todos esses lados na sua vida?

Rapaz, nem eu sei! (risos) É tanta coisa que eu fico perdido às vezes. Hoje mesmo eu estava conversando com minha produtora, porque eu estou com alguns prazos. Era para eu ter lançado o novo álbum no ano passado, mas acabei adiando. Eu não tinha tanta vontade assim de lançar um disco sem fazer show de lançamento. Daí deixei pro segundo semestre desse ano. Aí ela me deu um puxão de orelha, disse: “Olha, tem que correr com os prazos, hein?” Tá um pouco atrasado, não porque eu quero, mas porque tem várias coisas acontecendo, e às vezes fico meio perdido com o prazos. E tem a parte de produção musical, de construção de instrumentos eletrônicos, de gravação de vídeos. Estou gravando conteúdo e também faz parte do projeto do álbum, com vídeoaulas de guitarrada.

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A partir do segundo semestre tem os singles, tem muita coisa rolando. E estou gravando com outras pessoas, produzindo outros artistas, e arrumando tempo pra fazer tudo (risos). Bom, não sei como estou fazendo tudo, mas estou levando. Agora o trabalho musical não está só ligado ao conteúdo que ele quer divulgar, as pessoas estão procurando conhecer mais o artista. Isso de só divulgar coisas ligadas ao trabalho, à carreira, não existe mais. As pessoas querem ver o artista fazendo outras coisas fora da música.

Você fez o Arboreal, um trabalho multimídia que envolveu uma série de outras coisas diferentes. Vi uma entrevista sua em que você falava sobre ter gravado áudio de vários lugares… Como foi realizar isso?

Ontem mesmo eu estava pensando em achar um tempo pra fazer o segundo trabalho desses. Esse trabalho surgiu da ideia um pouco relacionada a essa coisa dos instrumentos, do experimental. Porque quando eu morava em São Paulo – passei seis anos lá – fui lá para estudar música, composição e uma das matérias era música contemporânea. Formou-se um grupo de alunos interessados em música contemporânea, interpretação livre, música experimental, eletroacústica e tudo o mais.

Sempre gostei dessa relação da música com o audiovisual, com o filme, e como eu tinha um conhecimento básico de cinema, vídeo, fotografia, comecei a fazer vários pedaços de filme, para fazer parte da apresentação. Quando vi que aquilo estava começando a dialogar de maneira mais forte, estava ficando mais amarrado, pensei que podia fazer um trabalho maior, um filme, um curta, um média-metragem. Mas aí foi isso e foi muito legal esse trabalho. Foi uma surpresa, porque voltei depois para Belém em 2015 e aí fiz o lançamento desse trabalho. Eu não tinha álbum solo lançado, nada disso. Musicalmente o que o pessoal conhecia que eu tinha feito eram trabalhos anteriores, discos que eu produzia. Quando lancei esse filme foi muito legal porque muita gente teve acesso a um trabalho de música contemporânea. Há uma barreira muito grande entre isso e o público, aliás até os próprios músicos têm certo preconceito.

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Não tem nada do Arboreal no meu trabalho solo, é tudo bem diferente. E quando surgiu esse trabalho, um número muito grande de pessoas ficou interessado. Fizemos até algumas turmas de improvisação livre. Eu lembro de uma apresentação num cinema alternativo aqui de Belém que foi até na abertura do Se Rasgum. Foi incrível tocar no cinema. Tenho vontade de fazer o segundo filme, penso em fazer em 360 para o espectador usar um óculos de realidade virtual.

E como você escolhe os títulos das músicas que você faz? Apesar de não terem letras e serem instrumentais, os títulos sempre parecem alguma coisa que você estava passando na época. Tem Reflexões, Onde é que eu vou parar

É muito difícil dar nome para música instrumental. Mas todas as músicas têm alguma referência de alguma coisa daqui de Belém. Sal ou Moscou, por exemplo, é uma alusão a duas praias daqui, Salina e Mosqueiro. Aliás tirei isso de uma música do Felipe Cordeiro chamada Café pequeno. Muita coisa é da minha infância. Farol é porque eu ia com minha família para um hotel chamado Farol, em Mosqueiro. Isso ficou muito marcado na minha vida. Reflexões eu fiz com o Waldo Squash. A gente fez uma viagem de barco para tocar em Alter do Chão, são três dias de viagem de barco, uma viagem incrível, muito transformadora. Três dias navegando no Rio Amazonas, acordando às seis da manhã no nascer do sol. Fizemos essa música no barco a caminho do show, porque tinha toda aquela atmosfera, aqueles momentos em que você fica ali refletindo.

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Walfredo Em Busca da Simbiose: um papo sobre pandemia, novas músicas, disco novo e… Rick & Renner

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Tem disco novo do Walfredo Em Busca Da Simbiose vindo aí. O projeto musical paulistano criado pelo cantor e compositor Lou Alves estreou em 2019 com o álbum Maiúsculas cósmicas. Dessa vez, retorna com uma série de questionamentos causados pela pandemia, pelo isolamento, por amadurecimentos pessoais e até por sonhos. Como no caso de Netuno, o single mais recente, inspirado simultaneamente por um sonho do amigo e produtor Fernando Rischbieter, e pelos climas de Dark side of the moon, clássico do Pink Floyd. “Brincamos dizendo que essa track deveria se chamar The dark side of the netuno“, conta Lou.

Em uma conversa com o Pop Fantasma, Lou adianta um pouco do disco novo, que virá em climas mais noturnos e menos solares, mas sempre inspirados por nomes como David Bowie e o próprio Pink Floyd. Também recordou a época em que, começando como técnico de som, gravou artistas como Belo, Banda Calypso e Rick & Renner num dos estúdios mais populares de São Paulo. Tá aí o papo.

Como é que foi esse período de isolamento pra você, ainda mais levando em conta que seu projeto musical fala em simbiose (em biologia é a relação ecológica que ocorre entre indivíduos de espécies diferentes)?

Eu aproveitei muito o período para me descobrir como compositor, completo. É tudo muito novo pra mim, comecei esse trabalho como músico, compositor e produtor em 2017. Aí na pandemia acendeu algo diferente. Eu já tinha o Maiúsculas cósmicas (primeiro disco, de 2019), era um compilado daquelas músicas que a gente faz quando é mais jovem. Para o segundo disco, eu tinha que me provar, aquela coisa de “será que você consegue fazer mais um compilado de músicas? Compor mais músicas do zero?” Antes eu tinha todo o período da minha vida, agora eu tenho esse momento para compor. Pensei em fazer uma música por semana, em compor.

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A quarentena então foi literalmente esse período de sentar e ficar compondo. Ler muitos livros e também compor bastante. Acho que o segundo ano de quarentena foi o mais difícil, porque a gente não estava mais aguentando. O primeiro ano foi para escrever as músicas e fazer as prés tanto dos singles quanto do disco que tá vindo.

No que você acredita que amadureceu como compositor e como letrista, em especial?

É quase como se eu tivesse uma responsabilidade nova. E como é arte, muita gente fica falando “ah, tô esperando meu período de inspiração e tal”. É ótimo estar inspirado porque você senta e compõe rapidinho, mas tem momentos em que você não está assim. E eu tinha que fazer uma música por semana (risos). Tinha dia em que você não estava tão inspirado mas buscava essa inspiração. A primeira coisa que eu aprendi foi buscar essa inspiração, e ir atrás dela, seja ouvindo música, lendo um livro, vendo um filme. A leitura me ajudou muito. Às vezes você não está num bom dia mas busca alguma coisa que te inspira, e a inspiração vem.

Evoluí muito na parte técnica como compositor, comecei a ficar mais pragmático, a prestar atenção em estruturas de rimas, tipo “ah, não vamos fazer uma rima tão óbvia”. E a parte mais metafísica, espiritual, mais profunda da coisa, é literalmente aprender a se libertar. Eu escrevo sobre coisas verdadeiras, sentimentos verdadeiros, é quase um ato de autoconhecimento quando você fala de você mesmo, sobre coisas da sua vida. Eu falo muito sobre sonhos, então eu anoto meus sonhos. As pessoas que eu ouço têm isso também, então é um espelho.

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E como é o caminho de reflexão para você chegar no tipo de letra que você faz? Suas letras têm comentários bem legal sobre a condição humana, a coisa do “o louco sempre tem razão”, “traumas de estimação procuro não arrastar comigo a vida inteira”. É um caminho de autoconhecimento muito forte…

É um nível de ensimesmamento, não vou dizer nem que é algo egocêntrico nem egoísta… A primeira coisa que influenciou muito foi ler muita coisa sobre filosofia. O que abriu minha cabeça foi o Assim falou Zaratustra, do Nietzsche. Li muita coisa sobre cabala, sobre autoconhecimento mesmo. Gosto muito de Jung também, psicologia analítica, muita coisa que eu até preciso me aprofundar mais. Essa coisa da música O louco sempre tem razão é algo que até faz parte da minha vida. Tem o arquétipo do louco, que tem em músicas dos Mutantes, Raul Seixas. Os loucos não se importam com o que estão falando dele, ele não se importa com o julgamento. O arquétipo do louco no tarô para mim é muito importante, ele é o arquétipo mais puro da liberdade. Só que ele precisa ser guiado, tem que ter alguém guiando ele até o fim da jornada.

E o que você pode adiantar do disco que tá vindo aí? O single Netuno, você comentou que tem uma influência grande do Pink Floyd, do Dark side of the moon… O disco novo vem nessa linha também?

Netuno e Traumas de estimação são minhas faixas favoritas no disco, porque elas não são tão solares, são mais noturnas. O disco tem esse ar um pouco mais noturno, não é tão solar. Por causa da quarentena, né? O disco foi todo feito na quarentena, uma época em que todo o inconsciente coletivo estava muito pra baixo. Hoje tá tudo mais solar, até coletivamente. O disco é bastante ambientado, tem uns barulhos do nada nas músicas (risos), e ouvindo de fones, isso dá um gostinho a mais. Você fica querendo escutar aquele ruído de novo, é quase como num filme.

Com certeza vai ter algo da estética de Netuno, que foi uma música que foi até um presente dado a um amigo. No meio da quarentena, a gente estava vivendo uma crise, porque a gente sofreu muito nessa época. Ele um dia começou a desabafar e contou um sonho que ele teve. Eu nem falei que iria fazer a música, só fiz, mandei para ele e quando ouviu, ele não percebeu nada (risos). Só falou: “Nossa! Não acredito que você fez uma música sobre o meu sonho”. Queria fazer uma surpresa, ver se ele percebia, e ele percebeu.

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Você trabalhou como  técnico de som durante um tempo, com artistas que fazem um som bem diferente do seu, mais popular. No caso, Belo, Alexandre Pires… Como foi essa experiência? E foi no Gravodisc, que é um estúdio bem tradicional…

Bom, quando eu saí da escola, fiz um curso de áudio. Juntei uma graninha, porque eu trabalhava numa locadora de vídeo, e fiz o curso. Abri o jornal, peguei os classificados e mandei currículo pro primeiro emprego que apareceu – e era esse, de técnico de gravação. E fui parar lá. Dei muita sorte, até porque eu morava do lado, era bem ali no Largo do Arouche. Era um estúdio realmente muito antigo e foi uma experiência bem louca, porque eu era bem novo, tinha 18 pra 19 anos.

Eu tava ali como técnico de gravação trainee, andava no corredor e cumprimentava Chitãozinho e Xororó. Muito legal, vi Belo gravando, Daniel, banda Calypso… Rick & Renner foi meu primeiro play-rec, pra você ver. Foi a primeira vez em que eu sentei na mesa de som. Os caras ainda por cima me chamavam de Fiuk, pra piorar. Era: “vem pra mesa de som, Fiuk” (risos). Eu apertei o play-rec tremendo, imagina? E querendo ou não, são músicas que ficam na cabeça das pessoas. Você vai num bar tomar uma cerveja e tá tocando. Eu amava as músicas do Rick & Renner (canta Ela é demais), foi uma grande experiência gravar esses caras. E me ajudou, me deu bagagem no meu trabalho.

Imagino. Na verdade ia até perguntar em que nível o que você aprendeu com essa galera mais popular ficou no teu trabalho…

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Ficou muito essa coisa de trazer coisas mais complexas pro meu trabalho – eu adoro assuntos como filosofia, psicologia, metafísica – mas de forma simples. Parece um paradoxo, mas fui sacando que essas canções são bem diretas e retas no que elas estão dizendo. Então, é nesse lance mesmo, da construção de uma canção. Eu gosto de estruturas psicodélicas na produção, mas o cerne é a canção, aquela coisa do estrofe, ponte e refrão, que é a coisa bem radiofônica. No Gravodisc lembro que havia a preocupação de não passar dos 3m30. Lembro de ter visto os caras levantarem a base de uma música do zero e ter a música pronta em seis horas. E com cordas, com tudo, metais.

Eu trabalhei com a Gal Costa em produção, também, mas foi num estúdio mais de ensaio. Foi na época do Estratosférica. Vi todo mundo levantando o show do zero, direção de show do Pupillo… Foi uma aula. Eu estava ali na graxa, mas aprendendo tudo. E ainda teve outros artistas, gravei o Detonator, também (risos). Aliás, ele e a Gal estavam no estúdio no mesmo horário.

Rolou de se conhecerem?

Não, infelizmente. Bom, se cruzavam no corredor do estúdio, mas não sei se teve alguma prosa. Não deve ter rolado.

E por que o nome Walfredo Em Busca Da Simbiose?

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Walfredo era o nome de um cliente do último estúdio que eu trabalhei. Tinha uns clientes que batiam na porta do estúdio sem ter nenhuma assessoria. O cara batia na porta e falava: “Oi, tenho uma musiquinha, queria gravar em voz e violão, mas não é pra fazer sucesso. É só pra gravar e deixar em casa tocando pros meus filhos”. Um desses caras era o Walfredo. Eu pensava: “esse é o cara!”, só dele estar ali entregue no estúdio. Aquilo para ele era um Playcenter, e ele estava lá gravando voz e violão, uma coisa bem simples mas bem singela, pura.

E por outro lado, tinha uma turma bem jovem, de banda, que chegava lá e falava: “Então, como é que é? A gente grava a música aqui e já põe a música dentro do rádio? Como é que faz? Manda pra quem?” (risos). Eu e meu parceiro de estúdio pensávamos: “Mas o cara nem gravou e já quer pular as etapas!”. E tinha esse cliente que era oposto disso, o nome dele era até Walfredo dos Anjos. O “simbiose” veio da semiótica, que eu adoro. É o processo de comunicação dos símbolos, como ele se apresenta na sua consciência, como ele trabalha. Ficava pensando que o Walfredo tinha encontrado a simbiose, só dele estar ali, íntegro, gravando, em voz e violão (risos). E era algo bem singelo, a gente gravava em CD-ROM – na época se gravava em CD-ROM – e o cara levava para casa para ouvir com a família.

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Florais da Terra Quente: som, poesia e trabalho coletivo no Piauí

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Florais da Terra Quente: som, poesia e trabalho coletivo no Piauí

A banda piauiense Florais da Terra Quente une MPB, indie rock e poesia. E foi criada a partir da união de vários trabalhos individuais de compositores e cantores. Marcelo Queiroz Moura Fé Santos, Yngla Hillary Silva, Juscelino Roberto Alves Filho (os três violão e voz), Maria Clara Leite Macêdo (voz), Rafael Marques da Silva (baixo), João Baptista Mereu Filho (violino), Artur Caldas Meneses Pires Ferreira (guitarra e voz) e Dominic Ferreira (bateria) faziam seus próprios trabalhos e, ao se descobrirem um grupo, em 2018, começaram a cruzar diferentes vertentes musicais.

O Florais lançou um álbum epônimo em 2018, destacando músicas como A semana e O que sobrar. Além de A marte, que Yngla define como uma canção que tem um significado enorme para ela e “o meu legado de amor até o momento”. Recentemente, rolaram mais dois lançamentos, o single Suco de umbu, e o EP gravado ao vivo no festival Marthe Sessions com A marte, O que sobrar e a inédita Correntes, composta pelo cantautor piauiense Tio (Fabrício Santos) – um artista muito importante para o grupo.

Batemos um papo com o Florais abaixo. Confira e aproveite para conhecer o som (foto: Renata Fortes/Divulgação).

Como foi juntar todos os compositores e cantores no grupo e organizar tudo?

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Juscelino: O processo de formação da banda se deu de forma bem orgânica, até como um mecanismo de “sobrevivência” pros compositores. Ainda é muito difícil para artistas independentes angariar recursos para a gravação das próprias músicas, então pensamos que agrupar conhecidos e amigos de amigos seria uma boa forma de aumentar nossa plataforma. É até engraçado lembrar que esse era o plano, já que logo nos primeiros meses nossa conexão se tornou tão grande que nos apaixonamos uns pelos outros e viramos essa super “bandona”. Inclusive, hoje eu sinto que o que nos diferencia musicalmente é justamente essa ausência de “ego” estilístico, que acaba gerando uma sonoridade super comunitária e afetiva.

Falem um pouco da época em que a banda foi formada. Rolaram aquelas coisas que geralmente rolam na  formação de coletivos, de integrantes se dividindo entre vários instrumentos, ou músicas feitas por três, quatro integrantes? 

Juscelino: Sim! Inclusive, somente agora estamos conseguindo cimentar melhor esses papéis em nossos shows, e evitar essas trocas de instrumentos no palco. Já no estúdio, e por trás dos panos, a maioria dos integrantes são multi-instrumentistas, o que torna inevitável essa “coletivização” de funções. As composições da banda foram seguindo a mesma lógica: No início, nossa escrita era super individual, tanto que a maioria das músicas do primeiro álbum foram feitas antes da criação do grupo. Conforme fomos nos aproximando e desenvolvendo afinidades, porém, nossas composições passaram a ser cada vez mais coletivas, e essa tendência só tende a crescer nos lançamentos vindouros!

A semana é a mais ouvida de vocês no Spotify. É o maior sucesso também de vocês nos shows?

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Marcelo: Como ainda não realizamos ainda algum tipo de turnê regional ou nacional, nossos shows em grande maioria foram para o público teresinense, então a dinâmica acaba sendo diferente dos dados das plataformas. O nosso público em teresina conhece nossas músicas mais recentes e se apegam facilmente a elas, assim como “a semana” em algum momento foi bem reproduzida. Então diria que músicas como O que sobrar acabam tendo uma aclamação maior do público nos nossos shows.

A gravação para o Marthe Sessions foi feita num círculo, com todos os integrantes se olhando enquanto tocavam. É uma configuração que vocês costumam usar em gravações ou foi a primeira vez?

Artur: Foi a primeira vez que gravamos assim, e inclusive foi a primeira vez que gravamos ao vivo. A experiência foi muito boa! Lembro até que estávamos um pouco tensos, por ser uma gravação importante e por não termos experiência anterior, mas o círculo nos deu uma segurança e uma intimidade incrível. Além disso, os retornos estavam muito melhores que o normal! Foi sem dúvida nossa melhor experiência com sonorização até agora. Só temos a agradecer, porque a ideia do meio círculo veio da produção do festival.

Quem é o Tio, de quem vocês gravaram correntes?

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Dominic: Fabrício Santos é o multiartista por trás do Tio, vulgo menino azul e também meu melhor amigo! Sou suspeito pra falar dele pois o admiro em todas suas facetas. Além de cantor e compositor, ele também é poeta, produtor cultural e um dos fundadores do selo cultural menorque, juntamente comigo e nossa menina Karine Lima. Chega a ser difícil resumir quem é esse cara porque ele é GIGANTE e atua no cenário cultural piauiense desde 2014.

Como músico, posso citar Tio, que canta suas verdades de uma forma intensa e grita peito a fora como é respirar arte, e que passou de compor e cantar baixinho dentro do quarto pra encher de lágrimas os olhos atentos nos teatros e nas ruas. Esse “Tio” sempre me conta como foi compor Correntes, canção que, em suas palavras, “fala de como as vezes a gente ama pessoas e as conhece de uma maneira que essa vida não dá conta de explicar, que parece que o amor ultrapassa esse plano… como se eu me despedisse de alguém pra reencontrar numa próxima vida e num próximo plano”. Pra mim, só resta achar bonito demais tamanho sentimento.

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