Cultura Pop
Phil Collins e Robert Plant: parabéns por você existir, amigo

Rodou pela web no último de semana – a partir de um resgate feito pela conta do Twitter Classic Rock Pics – a imagem de um selinho entre ninguém menos que Phil Collins e Robert Plant. Nem mesmo a considerável diferença de altura entre os dois (quase vinte centímetros, com vantagem para o cantor de Stairway to heaven) impediu o beijinho dos dois amigos. Olha que fofo.
Phil Collins and Robert Plant kiss each other at Be-bop cafe in New York, 1983 pic.twitter.com/KJkXp0p0Xm
— Classic Rock In Pics (@crockpics) April 20, 2018
O encontro de Plant e Phil Collins, na época, ainda rendeu mais cliques. A Getty Images tem mais fotos da ocasião. Na época, o bromance dos dois foi parar na capa de uma revista de música dos Países Baixos, Muziek Express. A publicação emoldurou a foto com a frase “o que temos?”.

A Classic Rock Pics informa que a foto foi tirada no Be-Bob Cafe em Nova York, 1983. E vale citar que o regabofe não rendeu só beijos entre o ex-Led Zeppelin e o ex-Genesis, não, como você viu acima no tal link da Getty Images. O evento rolou em 12 de setembro daquele ano e era a festa da turnê do segundo disco solo de Plant, Principle of moments. Na ocasião, Plant já estava mais do que convencido que os tempos de Led Zeppelin haviam ficado para trás. Tinha dado uma disfarçada na cabeleira dos anos 1970 com um mullet e adotara uma boa dose de sintetizadores em seu som. Um dos maiores hits do disco foi esse aí, Big log.
O cara que fez as fotos de Plant e Collins é ninguém menos que Ron Galella, um dos maiores paparazzi dos Estados Unidos. Ron clicou praticamente todos os grandes astros do pop gringo – de Michael Jackson a David Bowie, pouca gente escapou. E também apontou suas lentes pra uma turma grande do cinema. Uma das histórias mais malucas a respeito de Ron foi a da vez, em 1973, em que ele recebeu a missão de localizar o ator Marlon Brando, então totalmente fora de circulação, e fotografá-lo. Ele conta a história neste vídeo abaixo, infelizmente sem legendas.
Para quem não conseguiu ouvir, vamos lá. Após alguns dias de procura – durante os quais se valeu de informações de colegas e até de motoristas de limusine – Ron conseguiu localizar Brando num restaurante em Chinatown, Nova York. Conseguiu tirar a foto do ator. Mas Brando, irritadíssimo por ter sido encontrado, deu em Ron um soco que lhe quebrou cinco dentes e arrebentou seu lábio inferior. Galella processou o ator e saiu da contenda judicial com US$ 40 mil nos bolsos (“não quero ninguém pensando que pode me socar se eu tirar uma foto”, contou). Em 1974, vingou-se enquanto clicava novamente Brando em outro restaurante, só que usando um capacete de futebol americano com “Ron” escrito.
Se você está achando o rolé Phil Collins-Robert Plant muito aleatório, vai a info de que Phil, por aqueles tempos, dividia seu tempo em três. Era o baterista do Genesis, mantinha uma bem-sucedida carreira solo que começara com Face value (1981) e era… o baterista de Robert Plant. Tocou nos dois primeiros discos solo do ex-Led Zeppelin, Pictures at eleven (1982) e Principle of moments (1983), além de participar das turnês.
A amizade dos dois era nova. Em 1982, após se oferecer para tocar com o Who e não conseguir a vaga (o grupo havia acabado de pôr Kenney Jones na batera), Collins estava em casa, quando Plant telefonou perguntando se ele gostaria de ser um dos convidados de sua estreia solo. Na autobiografia Ainda estou vivo, Phil contou que Robert lhe mostrou uma série de demos do disco, em que o baterista era Jason Bonham, filho de John Bonham.
“Mais tarde, Jason me contaria que seu pai o fez escutar Turn it on again (sucesso do Genesis), lançada pouco antes da sua morte, e havia pedido que tentasse tocá-la. Nem passava pela minha cabeça que John soubesse que eu era baterista”, escreveu no livro. Robert Plant, numa entrevista ao The Pulse Of Radio, disse ter outra lembrança: a de que o próprio Phil o contactou e disse: “Eu amo tanto (John) Bonham, eu quero sentar atrás de você quando você canta. Foi Phil Collins. Sua carreira estava apenas começando e ele era o cara mais animado, mais positivo e realmente o mais encorajador”, contou, responsabilizando o amigo pelo apoio definitivo em sua carreira solo.
A amizade entre Phil e Plant rendeu ainda outros lances. Em 1985, o Led Zeppelin surgiu do nada no palco do festival Live Aid – com o ex-Genesis na cozinha. Em 1988, quando foi personagem de um programa de TV no estilo esta-é-a-sua-vida, Collins ganhou uma homenagem-zoeira do amigo Robert Plant, que apareceu na cozinha fritando salsichas. Isso porque durante a gravação de seus primeiros discos solo, a turma só comia isso todo dia no café da manhã.
E já que você chegou até aqui, pega aí Phil Collins e o Led Zeppelin quebrando tudo no Live Aid.
Aliás, dá mole pro beijoqueiro Phil que ele chega junto. Olha aí o encontro cordial entre ele e o ex-colega Peter Gabriel, nos anos 1970.

Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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