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Cultura Pop

Aquela vez que o Pansy Division fez tributo LGBT ao AC/DC

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“Éramos uma banda de rock abertamente gay, até que fomos parar na MTV e tivemos esse tipo de impacto em outros músicos. Foi para que eles pudessem sair do armário com segurança, sem reações adversas. Agora Sam Smith pode ter um álbum nº 1 e não ter que se preocupar. Isso, para mim, é o mundo que queríamos”. Quem diz é Chris Freeman, baixista e integrante fundador da Pansy Division, uma das mais conhecidas bandas de queerpunk (punk com temas ligados à comunidade LGBT).

O grupo chegou em 2018 aos 27 anos. Em 2016, lançaram um disco comemorativo de duas décadas e meia, Quite contrary, e repassaram a carreira num papo com o The Guardian – do qual saiu a declaração acima. Os fundadores Freeman e John Ginoli (voz, guitarra) começaram o grupo numa época em que poucos artistas saíam do armário e homofobia era praticamente um procedimento padrão, na política, na indústria musical e nas vidas dos seres humanos em geral.

Freeman, no tal papo com o The Guardian, falou também que uma das intenções do grupo era afastar o estigma negativo que havia sobre a comunidade gay na época. Se a mídia (até no Brasil) preferia enfocar os gays como uma turma solitária, assombrada pela pecha de “grupo de risco”, lá vinha o Pansy Division para mostrar exatamente o contrário.

“Se nos dizem que ser gay é tão errado e estamos sendo banidos por isso, vamos mostrar quão bem ajustadas e agradáveis ??são nossas vidas. Foi realmente um esforço consciente da nossa parte, falar: ‘Não vamos ficar preocupados com isso’. É exatamente isso que eu acho que eles queriam – mostrar como é triste ser uma pessoa gay. Daí, cantávamos músicas comemorativas”, afirmou.

Olha aí Rock’n roll queer bar, uma gozação do Pansy Division em cima de Rock’n roll high school, dos Ramones. O Pansy sempre fez músicas autorais, mas volta e meia davam seu toque especial a algum clássico do punk.

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Já esse som é Horny in the morning (Com tesão de manhã).

Falando (bastante) sério agora. O grupo tinha também No protection, música feita para ensinar o público gay a usar camisinha sempre.

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No começo dos anos 1990, o Pansy Division assinou com o (hoje defunto) selo punk Lookout! e fez turnê com o Green Day. Por acaso, Freeman é também um dos responsáveis pelo GayC/DC, tributo queer ao AC/DC. Na semana passada, Freeman falou sobre o GayC/DC para o site Loudersound e contou que a ideia do tributo é que as canções, marcadas por “uma heterossexualidade machista” (expressão dele), pudessem conversar com o público LGBT.

Olha o GayC/DC aí no palco com ninguém menos que Sebastian Bach, ex-Skid Row.

E a relação de Freeman com a música do AC/DC já vem desde a época do Pansy Division, já que a banda lançou em 1996 um EP-zoação com o universo do heavy metal, For those about to suck cock (obviamente uma brincadeira com o disco de 1981 do AC/DC, For those about to rock). Olha a capa aí.

Aquela vez em que o Pansy Division fez tributo LGBT ao AC/DC

O EP tinha uma música da banda, Headbanger, cuja letra narrava uma paquera com um garoto metaleiro. No final da canção, aparecia um solo de guitarra creditado a um músico chamado Al Shatonia. Anos depois, foi revelado que o tal guitarrista era Kirk Hammett, do Metallica, em participação especial.

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Apesar da brincadeira, a intenção do Pansy Division era fazer um protesto contra os estados americanos que criminalizavam as relações homossexuais (“sodomia consentida”, diz a contracapa). No lado B, vinham duas covers: Sweet pain, do Kiss, e Breaking the law, do Judas Priest (com um “sodomy law” encartado na letra). Pena que ninguém subiu ainda as duas releituras para o YouTube, e elas também não estejam disponíveis em streaming. O disquinho do Pansy Division vale uns vinte reais, diz o Discogs. Vai comprar um?

Com informações também de Polari Magazine.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

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Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

Tá faltando gente pra fazer isso com os programas de música do Brasil – ok, dá mais trabalho, enfim. Lá fora tem uma turma bastante dedicada a recordar os bons tempos do 120 minutes, programa “de música alternativa” da MTV que misturava novos lançamentos, entrevistas, bate-papos reveladores e apresentadores especiais (gente como Lou Reed e Henry Rollins).

O programa durou de 1986 a 2000 (foi encerrado pelo canal sem alarde) e foi substituído por um programa análogo chamado Subterranean, além de dois retornos à telinha, no canal associado MTV 2. Entre os apresentadores titulares, gente como JJ Jackson, Martha Quinn e Adam Curry. Agora, a lista de músicas que foram lançadas pela atração e que hoje são tidas e havidas como clássicos, assusta. Tem Smells like teen spirit (Nirvana), Under the milky way (The Church), Kool thing (Sonic Youth), Mandinka (Sinead O’Connor), World shut your mouth (Julian Cope), Seattle (Public Image Ltd), Just like heaven (The Cure) e outras, umas mais, outras menos conhecidas.

A novidade é que um sujeito chamado Chris Reynolds subiu no YouTube uma playlist chamada 120 minutes full archive, com supostamente todos os clipes que foram lançados pela atração.

E uma radialista chamada Tyler Marie criou um site que traz tudo (ou quase tudo) sobre o programa: quem apresentou cada edição, os convidados, os clipes que foram apresentados, etc. “A partir de nossa página inicial , você pode navegar por 27 anos de playlists de 120 Minutos da MTV e seu sucessor, Subterranean“, explica ela. “Este projeto começou em 2003 como o site não-oficial do 120 Minutes, quando o programa ainda estava no ar na MTV2. Surgimos com a ideia de postar a playlist toda semana, porque a MTV não o fazia”, completa.

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Aqui no Pop Fantasma, a gente já recordou o dia, em 1986, que Lou Reed foi um dos apresentadores do programa. Só que chegou usando óculos escuros quase cobrindo o rosto todo, falando com voz grave, de cara amarrada, e disposto quase a encher um convidado da atração de porrada – ninguém menos que Mark Josephson, um dos criadores do New Music Seminar, painel de música que serviu de modelo para vários music conferences ao redor do mundo, reunindo bandas, novos artistas, CEOs de gravadoras, gente de mídia, etc. Mas ele também deu uma de fan boy quando entrevistou a iniciante Suzanne Vega e apresentou clipes.

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Cinema

Tangarella: uma pornochanchada com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

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A carreira de Jô Soares como ator incluiu um filme que pediu para ser trash e ficou três vezes na fila: Tangarella, a tanga de cristal era uma pornochanchada soft lançada em 1976, dirigida e escrita por Lula Campello Torres, e que tinha o humorista interpretando uma espécie de mordomo trapalhão (Erasmo), meio viciado em participar de concursos, que trabalhava para uma família disfuncional e falida, e que complementava a renda trabalhando como consultor sentimental numa revista.

A grande curiosidade é a participação de ninguém menos que Paulo Coelho (!), naquele que talvez seja seu único papel no cinema, interpretando Avelar, um garotão meio vida-torta. Numa das cenas, Paulo aparece sentadão numa poltrona, lendo um exemplar da revista Vampirella. Por acaso, Cachorro urubu, parceria dele com Raul Seixas, aparece na trilha do filme (na interpretação de Raul no disco Krig ha bandolo, de 1973).

Tangarella: pornochanchada de 1975 com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

A tal família esquisita era o prato principal do filme. Lucio Tangarella (Jardel Filho), um marido abusivo, viciado em jogo, violento com a mulher e a filha, Sandra – que assiste a todas as brigas dos pais. Ele fica viúvo e casa-se com Luísa Maria (Lidia Mattos), uma dondoca também viúva, que tem três filhos, Âncora (Regina Torres), Alvorada (Fanny Rose) e o tal Avelar. Sem grana por causa do vício em jogo do marido, Luisa sai em busca de um empregado que não saiba fazer nada direito, para que ela possa pagar bem pouco a ele. Erasmo, que mal consegue carregar objetos sem se atrapalhar, é contratado.

O que a madame não contava era que Lucio desaparecesse e deixasse a esposa com o três filhos, com o mordomo e… com a filha Sandra, já adolescente (e interpretada por Alcione Mazzeo). Ela sofre bullying da família e é tratada como uma criada. Até que surge na história um garotão interiorano, rico e meio outsider, Muniz Palacio (interpretado pelo designer de capas de discos e editor do jornal alternativo Presença, Antonio Henrique Nitzche) e algumas coisas mudam.

Tangarella foi lançado discretamente, em cinemas do Rio e de São Paulo, e foi considerado um filme “leve”, liberado para jovens de 14 anos. É uma produção que dá vontade de socar as paredes de tão trash, mas é um filme bem legal – aliás é uma boa indicação para quem curte ver imagens antigas do Rio de Janeiro, já que aparecem lugares como a Lapa, o Largo da Carioca, o Túnel do Pasmado (mesmo local em que o personagem de Roberto Carlos já havia entrado com um helicóptero no filme Em ritmo de aventura, de 1967) e até o Carnaval carioca (que dá sentido à tal “tanga de cristal” do título).

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Lula Campello Torres é um cineasta sobre o qual há bem pouca informação – na Globo, em 1991, ele escreveu uma minissérie chamada Meu marido, ao lado de Euclydes Marinho, que foi assistente de direção em Tangarella. O filme foi todo montado como se fosse uma espécie de documentário ou novelinha de rádio “com imagens”, já que um narrador (Aloysio Oliveira, dublador de filmes da Disney e criador do selo bossa-nova Elenco) vai explicando toda a história. As aparições do já saudoso Jô Soares são quase sempre de rolar de rir, especialmente quando ele participa de uma maratona de corredores sambistas, ou quando se veste de fada madrinha para ajudar Sandra.

Pega aí antes que tirem do YouTube.

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Cinema

Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

O site Brooklyn Vegan, quando noticiou a caixa Life moves pretty fast – The John Hughes mixtapes, com o repertório dos filmes do diretor norte-americano, lembrou bem: “Algumas pessoas podem argumentar que as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes resistiram melhor do que os próprios filmes”. Maldade com o diretor que melhor conseguiu sintetizar a angústia jovem dos anos 1980, em filmes como Gatinhas e gatões, Clube dos cinco e Curtindo a vida adoidado.

A “década perdida” (pelo menos para os países da América Latina, como dizem alguns economistas) pedia um novo tipo de filme jovem, em que até as picardias de produções como Porky’s, do canadense Bob Clark (1981), tinham seu tempo e lugar, desde que reembaladas e exibidas com um verniz mais existencial e (vá lá) inclusivo.

Ainda que se possa alegar que algumas situações envelheceram (e algumas envelheceram muito), que não havia diversidade racial, etc, tinha espaço para o jovem zoeiro e audacioso de Curtindo a vida adoidado, para o choque de tribos de Clube dos cinco e A garota de rosa shocking (este, dirigido por Howard Detch e roteirizado por Hughes), para a decepção com a vidinha besta e burguesa de Ela vai ter um bebê. Eram criações bastante originais para a época, tudo fruto do trabalho de Hughes, um ex-publicitário e ex-colaborador da revista de humor National Lampoon. Tudo embalado pela sensação de que a vida é, sim, apenas um piscar de olhos – como o próprio Ferris Bueller (Matthew Broderick) sentenciou em Curtindo a vida adoidado.

>>> Leia também no Pop Fantasma: Quando teve uma sitcom do Ferris Bueller

Live moves pretty fast, a caixa em questão, é a primeira compilação oficial de músicas de todos os filmes de John Hughes, incluindo aqueles que ele dirigiu ou apenas escreveu o roteiro. Sai em 11 de novembro pela Demon Music e vai ser vendida em vários formatos: box com LPs, CDs, etc, incluindo canções que estavam nos filmes mas acabaram não aparecendo nas trilhas sonoras.

Entre as bandas que apareciam nas trilhas, New Order, The Smiths, Echo & The Bunnymen, Simple Minds, Oingo Boingo, OMD, The Psychedelic Furs, Simple Minds, e várias outras que, muitas vezes, chegaram ao grande público por aparecem num filme dele. Ou já estavam virando “tendência” e foram pinçadas quando as agendas bateram, como foi o caso do New Order com Shellshock e Elegia em A garota de rosa shocking – um filme que ainda tinha na trilha Smiths com Please, please, let me get what I want e Echo & The Bunnymen com Bring on the dancing horses, gravada especialmemte para a trilha.

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Teve também o caso de Don’t you forget about me, da trilha de Clube dos cinco – aquela famosa música que o Simple Minds não queria gravar de jeito nenhum, mas acabou gravando. E virou o maior hit deles. Você já leu sobre isso aqui.

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