Crítica
Ouvimos: MC Lan – “V3NOM Volume 1 – Eclipse”

RESENHA: MC Lan mergulha no rock em V3NOM Volume 1 – Eclipse, com rap-metal, nu-metal e ecos de System Of A Down e Slipknot, mantendo o funk como atmosfera.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: 12 de dezembro de 2025
Lançamento: Som Livre / Hit One Music Group
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Começaram a rolar notícias de que o funkeiro MC Lan estaria ficando cada vez mais próximo do rock – especialmente quando ele participou do show do Bring Me The Horizon em São Paulo no ano passado. Os rumores viraram realidade no fim do ano: ele lançou V3NOM Volume 1 – Eclipse, que abre uma trilogia mais voltada às guitarras, ao peso e a temas mais introspectivos.
Não é algo para estranhar: para começar, V3NOM Volume 1 serve para mostrar o quanto estilos como rap-metal, emocore e nu-metal, além de bandas como System Of A Down e Slipknot, foram realmente populares durante os anos 2000 e 2010. Esses estilos vão surgindo alternadamente no álbum, em faixas como Robocop (com participação de John Dolmayan, baterista do System Of A Down), ØZ, V de vingança e Red laser, mas ganham a companhia de outros elementos aos poucos.
- Ouvimos: Alter Bridge – Alter Bridge
Scorpion, por exemplo, tem abertura lembrando vagamente a de Hell’s bells, do AC/DC, andamento que lembra levemente o Deep Purple de Perfect strangers (1985) e vocal com emanações do Alice In Chains – além de uma parte 2 em clima de hardcore metal. Darth Vader tem algo da prosódia do funk no refrão, mas foca em riffs com cara de Black Sabbath e cordas que lembram o metal clássico. Algumas músicas surgem organizadas em torno de um RPG particular, ou em volta de referências espirituais – como no blues metal de umbanda de Open e o trap-grunge de 4 mil minutos, ou o metal gótico de Runas.
MC Lan disse que o funk surgiria como elemento em algumas passagens do disco – ele surge em vocais, batidas e algumas ambientações, como se o estilo fizesse parte de um cenário. V3NOM Volume 1 sai bastante convincente e imaginativo, talvez mais do que o projeto pudesse parecer antes de existir de verdade.
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Crítica
Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026
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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.
Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.
- Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina
Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.
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Crítica
Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026
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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.
- Ouvimos: Seera – Sarab (EP)
Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.
Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.
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Crítica
Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026
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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.
- Um tributo português a David Bowie
As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.
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