Crítica
Ouvimos: She Drew The Gun, “Howl”

Louisa Roach, a mulher por trás da banda She Drew The Gun, foi uma espécie de mistura de Nico e Siouxsie Sioux nos dois primeiros discos, e bandeou-se de vez para o eletrorock (que já aparecia nos álbuns anteriores) em Behave myself (2021). No quarto disco, Howl, apresenta uma seleção de músicas pouca coisa mais acessível que nos primeiros álbuns, levando seu rock inorgânico para uma sonoridade que beira a vibe country na marcial Mirrors e lembra os synthpops das paradas da Billboard nos anos 1980, em Washed in blue.
Não que isso seja ruim. O discurso anti-capitalismo e anti-machismo de Louisa continua o fino, e retorna até mais afiado em Howl, partindo para a briga em várias músicas, como Shine on e Rise. Musicalmente, algo diz que os próximos movimentos do She Drew The Gun serão no sentido de tornar sua música mais conhecida – Out, single novo que saiu já depois de Howl, e não está no álbum é mostra bem isso. Faixas como a música-título, Nothing lasts e a própria Washed in blue (e a própria Out) dão certa impressão de que, se não houver cuidado, o som de Louisa pode acabar ficando preso demais a padrões.
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De qualquer jeito, em Howl, o lado imaginativo do She Drew The Gun anda à toda em músicas como Became, funkeada e psicodélica, lembrando as experimentações de bandas como Jefferson Airplane, só que nos dias de hoje. Ou o r&b pós-punk de Shine on, que lembra uma mescla de Prince com o finalzinho da primeira fase do Echo and The Bunnymen. A segunda metade do álbum é bem mais acessivel que a primeira em vários momentos, mas ainda assim ousadias musicais surgem em faixas como a bossa dream pop What’s the matter, o ambient Conjuring e o synthpop místico Ritual.
Se o caminho do She Drew The Gun será o da ampliação de público ou o da radicalização estética, só os próximos passos dirão. Mas Howl reforça que Louisa Roach tem fôlego para seguir reinventando seu som – e reafirma que, entre altos e baixos, Revolution of mind (2018) segue sendo seu melhor álbum.
Nota: 7,5
Gravadora: Submarine Cat Records
Lançamento: 15 de novembro de 2024.
Crítica
Ouvimos: Normans – “Faust demonica”

RESENHA: Normans revive o pós-punk com ecos de Joy Division, Killing Joke e The Cure, unindo sombras, riffs marcantes e clima gótico em Faust demonica.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Solid Brass Records
Lançamento: 5 de junho de 2026
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Normans vem de Los Angeles e faz um revival pós-punk bastante fiel ao clima tenso de bandas como Joy Division e Killing Joke. Os riffs são simples e dominantes, o vocal é grave, e vibes herdadas do The Cure volta e meia também invadem Faust demonica, segundo álbum do grupo – como rola na exuberância dance-rocker de Destruction e no clima gótico de Gold.
Com baixo à frente e beats quase sempre marciais, o Normans promove um encontro entre a elegância e as sombras musicais em músicas como Urge to merge, Mexico unlimited e a faixa-título (cujos vocais e riffs têm algo de The Mission e U2). Broken moon é um curioso country gótico, com slide guitars e clima desértico – parece um som feito para ouvir na estrada, à noite. Mesmo com o clima pós-punk e com os sintetizadores, Riding horses in hell tem algo de stoner rock nas guitarras que parecem ter rotação alterada.
- E é isso: Vai ter New Order no Brasil! (só um show em SP)
The magic touch, no final, é psicodelia morosa com herança britpop, enquanto os quase seis minutos de Ankle biter vão da lisergia a um peso quase noise-rock, com diversas partes (e com mais do que apenas uma simples lembrança do Killing Joke). Descubra essa banda.
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Crítica
Ouvimos: Seek Validation Loop – “Seek Validation Loop” (EP)

RESENHA: Seek Validation Loop faz pós-punk e darkwave sem clichês, com clima oitentista, ecos de Depeche Mode e letras sobre redes sociais, memória e isolamento.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 26 de junho de 2026
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Esse duo italiano une pós-punk e darkwave e, de modo geral, recorre pouco aos vícios punk + metal presentes no som de bandas que juntam essas sonoridades. Seek Validation Loop é também um nome bastante criativo, aludindo ao ciclo de validação do qual ninguém consegue escapar nas redes sociais.
- Ouvimos: Castlebeat – Castlebeat II
Muita coisa do EP de estreia de Paola Torrisi e Alessandro Palazzo é bastante oitentista, como já rola na abertura, com o peso marcial e sombrio de One day less. Before I die abre com mais do que apenas uma recordação do Depeche Mode – embora os vocais cheios de eco de Paola tenham até um ar dream pop.
Dead letter põe voz feminina no clima grave e maquínico geralmente associado à darkwave, com uma letra que fala do peso dos desejos antigos guardados. O EP encerra com o punk gotico de No room for the rest e a frieza marcial de Cold reflection.
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Crítica
Ouvimos: Allpacas – “Jorge”

RESENHA: Em Jorge, Allpacas une hardcore, punk e peso californiano em disco direto, com letras afiadas contra coachismo, redes sociais, pacto com elites e política.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 3 de julho de 2026
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O Allpacas é uma banda punk de Americana (SP) que existe há onze anos. Jorge, um álbum curto e grosso (menos de meia hora), gravado ao vivo em um final de semana, é mais um disco sobre o punk do que apenas um disco punk – o som vai do hardcore ao peso californiano, há sons em estilo “grito de torcida” que lembram Blind Pigs e o começo do CPM 22, e climas oitentistas.
As letras são atualizadíssimas: Analfabeto funcional, hardcore com clima quase lo-fi (o disco inteiro lembra uma demo fortalecida e reconstituída), põe dramaticidade nas guitarras para falar de alguém que não sabe escrever, não lê jornal, só reproduz ódio e clichê mas não consegue deixar de dar opinião. Tragédias sociais e políticas, do povo sendo transformado em lixo, tomam conta de MRV, Lumempartidarismo e Everyday I wake up brasileiro – essa última em clima noventista, que surge também em Rotina.
- Ouvimos: 808 Punks – Bater cabeça e rebolar (EP)
Há vibe gótica no começo de Chuteira preta, que une ódio, redes sociais, jornais, celebridades e pacto com as elites. O punk rock Startup senta a mamona no empreendedorismo e coachismo de palco. Sons entre D.R.I. e Charlie Brown Jr dão as caras em faixas como Que soy? e Bueiros. Som pro último volume.
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