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Crítica

Ouvimos: Kyd Barrett, “Latex”

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Ouvimos: Kyd Barrett, “Latex”

Parece zoação, mas essa pessoa existe, e não tem nada de irônico nisso: Kyd Barrett é de Los Angeles, faz darkwave e promove misturas do estilo musical com rock, já tendo feito feats em várias canções. 2024 foi um ano especialmente produtivo para Kyd, com participações, singles, e dois EPs lançados – o segundo deles é este Latex.

Kyd tem, por sinal, um know how roqueiro: chegou a liderar várias bandas do estilo entre 2009 e 2014 (é ele mesmo quem conta em seu Bandcamp). Isso transparece em algumas músicas que ele andou lançando, como o single Sin ti, que saiu em julho e tem um oitentismo que chega a soar quase retrô – destaque para os vocais meio blasé e punk, soando como um Robert Smith extremamente chapado.

O EP novo abre com duas odes marciais e góticas ao sexo e à dança – a faixa-título e Sexclub – que aparentemente não poderiam ter sido feitas sem a audição de Stooges/Iggy Pop, Nine Inch Nails e rock dos anos 1990 em geral. No disco, volta e meia rola pagação de tributo a galera que gosta de emoções fortes na cama (os versos “me amarre/me humilhe/sou seu escravo/em dívida com você”, em Sexclub, por exemplo). Life’s dance soa quase alegrinha, um espelho retrovisor da house music, coberto por um filtro aterrorizante. Mas a letra tem versos como “tudo que eu odeio parece passar por mim”.

O disco fecha com o synthpop demoníaco de Purgatory – um clima meio Billy Idol-meio Marilyn Manson para uma canção que fala sobre mágoas e encostos pessoais do passado – e com o batidão robótico de Robot vampires.

Nota: 7,5
Gravadora: OM/N Records

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Crítica

Ouvimos: Media Puzzle – “New racehorse”

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Resenha: Media Puzzle - “New racehorse”

RESENHA: Media Puzzle mistura egg punk, pós-punk e new wave em disco frenético, divertido e surreal sobre as manias e absurdos da vida moderna.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Impressed Records
Lançamento: 17 de abril de 2026

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Haja país nessa história: existiu (e isso é sério) um cavalo de corrida norte-americano de origem irlandesa chamado Media Puzzle (1997-2006) que fez sucesso na Austrália em 2002, ano em que foi o animal vitorioso da Melbourne Cup (disputa de corrida entre puros-sangue).

A vitória do cavalo acabou até inspirando uma banda australiana, chamada Media Puzzle. O MP chegou a samplear a narração do dia em que seu xará de quatro patas venceu a copa – tá na abertura do segundo disco deles, A brief history of planets, space and shit (2023). Não por acaso, as capas dos álbuns, EPs e singles deles fazem referência ao saudoso cavalo. New racehorse, novo álbum, não foge à regra, e até o título do disco fala de animais de raça.

O som que melhor define o Media Puzzle é o novato egg punk (o punk cheio de teclados “com defeito” e ritmo frenético), mas New racehorse exibe uma banda mais voltada para a loucuras musicais do pós-punk, com a verve egg punk surgindo aqui e ali. O baixo é o instrumento “mais importante” do grupo, mas surge combinado com guitarras simples, teclados zoeiros e até metais, como na abertura sujaça com Knowledge, e no clima quase math rock de New pet.

New pet, aliás, é uma música que entrega que ter um animal de estimação não é a fofura que muita gente pensa. Pelo contrário: você vai gastar grana – às vezes MUITA grana -, ficar em casa pra cuidar dele quando precisar e ter que lidar com morte bem mais rápido do que no caso de parentes mais velhos. Essa visão das manias modernas como algo na base do “tá todo mundo louco, oba” é a cara do Media Puzzle, que abusa de referências de bandas como Wire em faixas como Out of the rain, More horse, less code e Equine end of life.

I don’t care, com relinchos, teclados “espaciais” de araque e ritmo pipoquento, é a cara do Media Puzzle dos primeiros singles. A falada Tea time tem algo de Stranglers e algo de The Fall. My age, in minutes and seconds, soa como se a banda gravasse normalmente e aumentasse a velocidade. Don’t know you e See you there são new wave ruidosa na cola de bandas como Guitar Wolf, mas em clima menos estridente. Dead dog une ritmo maquínico e melodia bacana lembrando Stranglers.

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Ouvimos: Xico Chagas – “xico-chagas_show_14_11_2025” (ao vivo)

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Resenha: Xico Chagas – “xico-chagas_show_14_11_2025” (ao vivo)

RESENHA: Gravado ao vivo no primeiro show solo, Xico Chagas estreia com disco inventivo que mistura blues, MPB, psicodelia, samba e tropicalismo.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Naïf
Lançamento: 25 de maio de 2026

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Cantor e compositor da cidade de Charqueadas (RS), Xico Chagas decidiu fazer de seu primeiro álbum solo algo especial – e bota especial nisso. Pra começar, decidiu gravar o disco ao vivo justamente em seu primeiro show solo (!). Deve ser a primeira vez que alguém faz isso na história da música, e na história dos registros ao vivo.

xico-chagas_show_14_11_2025 acabou ganhando nome de arquivo de computador, para enfatizar que tudo ali é uma primeira versão – como se fosse a origem da obra, e não a variação dela (que é o que costuma acontecer em discos ao vivo). As músicas seguiram a mesma ordem, cada uma delas ganhando underline e o rabicho “show_14_11_2025”. Não são rascunhos ou versões cruas, apesar da crueza surgir como norte. Acompanhado por uma banda que inclui baixo, bateria, sax, synths e vocalistas, Xico faz um som que tem cara de blues, até mesmo quando o gênero não é predominante na música.

  • Ouvimos: Johnny Hooker – Viver e morrer na América Latina

As letras vão de recordações de família e amigos (a pinkfloydiana Roupa do irmão, e Praia da Bonja, que tem pinta de MPB do começo dos anos 1980) a dores de cotovelo (Divido o coração, uma espécie de ijexá jazz, Até demais, balada-blues com algo de Peninha e Roberto Carlos), passando também por amores cagados por conta própria (MTSA). O clima musical muda um pouco em Nothing but words, psicodelia funkeada com coral feminino e guitarra chupada de Shaft, tema de Isaac Hayes. Tem ainda Conhecer o mundo, forró cheio de mudanças nos acordes, com beat herdados de Chico Science e Nação Zumbi, e letra falando sobre sonhos e surpresas da vida.

No encerramento, Um dia é rock tropicalista, com heranças de Gilberto Gil e Novos Baianos (e novamente de Chico Science) – mas guitarras distorcidas misturam-se a um sax que amacia o som, e tudo vira samba no fim, gravado como nos discos do estilo no começo dos anos 1970, com agogô e cuíca à frente.

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Ouvimos: Outlaw Cartier – “…And hell’s coming with me” (EP)

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Resenha: Outlaw Cartier - “...And hell’s coming with me” (EP)

RESENHA: Trap, darkwave e pós-punk se encontram no EP de estreia de Outlaw Cartier, que une atmosferas sombrias, autotune e boas melodias.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 3 de julho de 2026

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Outlaw Cartier é um artista da Filadélfia que soa como um trapper perdido no universo da darkwave, misturando climas pós-punk e sombrios com vocais sinuosos e cheios de autotune. Esse é o som do EP de estreia ...And hell’s coming with me, que abre logo com o darktrapwave nervoso de Euphoria e segue com a onda minimalista e cheia de glitches de When it’s dark out, além dos vocais processados e quase murmurados de Bleed out.

  • Ouvimos: Seek Validation Loop – Seek Validation Loop (EP)

Hellbound, por sua vez, abre com riffs lembrando as fases mais dark do The Cure, e um vocal que tem mais clima de hip hop e r&b do que de darkwave – vIbração sonora que toma conta também de Lil runaway, no encerramento do disco. Nas letras, personagens e histórias sombrias e sangrentas vão se misturando aos poucos. No geral, o som de Outlaw Cartier ganha pela união de climas que parecem difíceis de misturar. E vale ouvir.

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