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Crítica

Ouvimos: Jerry Cantrell, “I want blood”

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  • I want blood é o quarto álbum solo do guitarrista da banda norte-americana Alice In Chains, Jerry Cantrell. O disco tem produção de Joe Barresi. Jerry gravou e mixou tudo sozinho, além de co-produzir.
  • O disco foi gravado com Jerry acompanhado de um time que inclui Greg Puciato (ex-Dillinger Escape Plan) nos backing vocals, Mike Bordin (Faith No More) na bateria, Robert Trujillo (Metallica) no baixo, Duff McKagan (Guns N Roses) também no baixo, e outros.
  • Jerry disse à Kerrang! que o nome do disco (“eu quero sangue”) segue uma linhagem de títulos fortes que seus discos solo e os álbuns do Alice In Chains tiveram. “O nome parecia se encaixar no tom porque é um disco contundente – uma representação adequada do que você pode experimentar se decidir mergulhar nele”, contou.

O quarto disco solo de Jerry Cantrell é o novo rock clássico – no sentido de que cada geração tem seu clássico do rock. Quem está chegando aos 40 viu os primeiros discos do Alice In Chains chegarem às lojas, conferiu o clipe de Man in the box quando o Nirvana sequer era conhecido no Brasil, e pôde ouvir em tempo real nas FMs um rock pesado diferente da estileira glam metal que fazia sucesso nos anos 1980.

Mesmo que não pareça, o Alice In Chains era uma ruptura – era blues-rock do pântano, um quase-heavy-metal deprê, um hard rock herdeiro tanto da tristeza do rock oitentista britânico quanto do rock pauleira setentista. I want blood prossegue no mesmo clima selvagem dos primeiros discos do Alice In Chains, chegando mais próximo do heavy metal e de seus ritmos quase galopados em Vilified, unindo rock pauleira e stoner rock em Off the rails, conquistando um terreno mais melódico em Afterglow (que soa como uma canção de metal melódico simplificada) e mesclando metal, punk e clima on the road na faixa-título, um som pesado valorizado pelo tom grave e sombrio.

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Até a metade de I want blood é perceptível o quanto o jeito de cantar do saudoso Layne Staley (vocalista da fase inicial do grupo, morto em 2002) nasceu justamente dos riffs e melodias de Cantrell – e o quanto o clima contemplativo que marcou o lado mais comercial do som de Seattle deve ao AIC. Daí até o fim, Jerry e seus músicos partem para diversos cantos do som pesado, incluindo sons morosos (Echoes of laughter), blues-rock com andamentos incomuns e riffs herdados do Black Sabbath (Throw me a line e Let it lie), grungeira típica (Held your tongue) e, no encerramento, uma balada sombria de seis minutos (It comes).

I want blood segue aquele ritmo normal dos discos que têm uma receita clássica: quem estiver chegando no rock deve ouvir, se influenciar e ir além – não precisa imitar. Ouça em alto volume.

Nota: 9
Gravadora: Double J Music

Crítica

Ouvimos: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

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Resenha: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

RESENHA: Sutiã Rasgado mistura darkwave, pós-punk e punk em Trash meninas, EP que vai do etéreo ao peso com letras de desilusão e autoafirmação.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 30 de maio de 2025

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Duo feminino de Campinas (SP), o Sutiã Rasgado lançou ano passado o EP Trash meninas e o single Ilusão – e são uma banda que vai do clima etéreo ao peso punk em poucos minutos. Na verdade, é exatamente esse o caminho que elas fazem em Trash meninas: Again, a faixa de abertura, tem onda darkwave e baixo lembrando Joy Division, além de um beat de máquina. Like a shot tem estileira doce, guitarras bem simples e legais, e um som que lembra bandas como The Chameleons, The Sundays e a fase mais seca e nervosa do The Cure.

  • Ouvimos: Sutil Modelo Novo – Corre errado (EP)

Gênio ganha mais distorções, uma letra de desilusão amorosa em português e um clima entre o pós-punk e o jangle pop. A faixa-título encerra o EP migrando pro punk com riffs pesados – já a letra fala de autoafirmação feminina, mas conceitua o nome da banda falando que nem sempre as coisas são leves na vida (“às vezes eu me sinto um sutiã rasgado / uma calcinha larga ou um sapato usado / uma sola descolada, uma roupa com amassos”).

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Crítica

Ouvimos: Truckfighters – “Masterflow”

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Resenha: Truckfighters – “Masterflow”

RESENHA: Truckfighters mistura stoner, metal e riffs sabbathianos em Masterflow, disco que promete caos, mas segura a explosão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: Fuzzorama Records
Lançamento: 10 de abril de 2026

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Banda sueca de stoner rock que existe há 25 anos, mas tem discografia pequena, o Truckfighters volta com o sexto (!) disco, Masterflow, apelando para os prazeres broncos logo na capa – a lata de um líquido que poderia ser um lubrificante para automóveis diz mais a respeito de Ozo (voz, baixo) e Dango (guitarra) do que qualquer outra coisa. A frase “balance between discipline and freedom” (balanço entre disciplina e liberdade) diz igualmente muito sobre o caráter pesado e, às vezes, improvisado, do stoner que segue as receitas de bandas como o Kyuss: uma vibe sabbathiana, cheia de riffs e com som de alta octanagem.

Essas são a receita e a vibe geral, mas Masterflow é (vá lá) uma propaganda meio enganosa. Começa com o som cromado de Old big eye e The bliss, músicas que dão a impressão de que tudo vai sair do controle, entre metal, punk e stoner, e em meio a guitarras que rugem e rangem. O problema é que nada sai tanto assim do controle, ainda que depois venham os seis minutos e meio de Carver, som com vibração de Hawkwind.

O Truckfighters é mais interessante quando explode, o que torna faixas como Truce, com certa vibe oitentista (tem momentos em que lembra U2 e até The Cure), a faixa-título (um introspectivo tema instrumental) e Goin’ home em experiências meio chatinhas. Sem tentar dar uma de heróis do som pesado e apostando numa receita cheia de riffs, eles ainda assustam no clima cerimonial de Gath e na onda The Cult + Stooges de The gorgon. Uma viagem sonora que promete e às vezes cumpre, no geral.

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Crítica

Ouvimos: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

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Resenha: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

RESENHA: Jambu troca o pop noventista por emo, grunge e pós-punk em Cartas que escrevi enquanto sonhava, EP intenso, sentimental e cheio de guitarras marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Deck
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Mudaram algumas coisas no som da banda manauara Jambu – ou melhor, a mudança foi geral. Manauero, o álbum anterior (resenhado aqui, e que ganhou edição deluxe recentemente), era tão pop que chegava a lembrar o som dos discos da Sony Music nos anos 1990. O EP Cartas que escrevi enquanto sonhava mostra uma face mais roqueira do trio, entre emo, grunge, climas pós-punk e algumas trevas nas letras – como a de Invisível, indie rock anos 2000 salpicado de tristeza emo, cuja letra diz “me sinto invisível, sozinho neste mundo”.

Cartas é uma nova fase da banda, em que Gabriel Mar (voz e guitarra), Roberto “Bob” Freire (guitarra) e Yasmin “ysmn” Moura (bateria e voz) fazem um som bem mais sentimental em que as guitarras estão na frente. A vibe pop do disco anterior dava um pouco mais de distinção ao som do grupo, importante dizer. Mas o mergulho no peso e na intensidade rendeu pelo menos dois sons que grudam no ouvido: a balada Carne e osso (com vocais bem bonitos) e as surpresas melódicas de Desconectou, que tem algumas lembranças de Foo Fighters. Já Desculpa, a segunda música, tem muito do indie britânico dos anos 2000.

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