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Crítica

Ouvimos: Barba Rala – “Nos tempos do egoritmo”

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Resenha: Barba Rala – “Nos tempos do egoritmo”

RESENHA: No álbum Nos tempos do egoritmo, o Barba Rala mistura grunge, stoner e protesto em disco sobre redes sociais, alienação e farsas do cotidiano.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 10 de abril de 2026

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Há alguns anos, várias bandas e artistas estavam adotando o pós-pandemia como tema – além das lembranças amargas do próprio confinamento. Mudou tudo e as preocupações começaram a ser outras: uma das principais é a vida do ser humano que passa o dia com a cara enfiada no celular, fuçando a vida alheia e vivendo quase sempre de superficialidades. Vindo de Santa Catarina, o Barba Rala é uma das bandas que já se adiantaram nesse assunto: Nos tempos do egoritmo, primeiro álbum completo do grupo, fuça temas como redes sociais, alienação e sacanagens da política, ao som de uma mistura de psicodelia, grunge e stoner rock.

  • Ouvimos: American Football – American Football (LP4)

Muita coisa do som do Barba Rala alude ao rock alternativo dos anos 2000, ou da virada dos anos 1990 para os 2000 – faixas como A mentira bem contada, Transa (que entra numa onda samba-metal) e É bom ser nóis têm lembranças de bandas como Deftones e System Of a Down. O show vai começar, logo no começo, é uma das mais variadas: abre com guitarra cavalar, típica do heavy metal, e emenda num vocal mais ligado à MPB. A letra, que cita nomes de humoristas como Zacarias, Tiririca e Batoré, é a descrição de um circo em que tudo é farsa e as pessoas só enganam umas às outras – conhece algum mundo assim?

Entre letras de protesto (boas, por sinal, sem panfletarismo barato, e com pistas para o/a ouvinte desvendar) e temas motivacionais, o Barba Rala une hard rock e rap em Diamante e caviar, emenda no lado mais pesado do grunge em Melhor assim e faz um nu-metal típico em Paz. Mas une até samba, forró e metal na ótima Ser o que não é, e emenda pelo pós-hardcore em Cronofobia. Mandaram bem.

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Crítica

Ouvimos: Moving Boxes – “Nothing so certain”

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Resenha: Moving Boxes – “Nothing so certain”

RESENHA: O Moving Boxes cruza Midwest emo e hardcore californiano em Nothing so certain, disco marcado por peso, melodias e uma perspectiva de perda. Entre guitarras ágeis e vocais vulneráveis, a banda transforma incerteza em canções intensas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 22 de maio de 2026

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O “emo whatevercore sulista” do Moving Boxes ressurge com bastante peso e melodia em seu segundo disco, Nothing so certain. O grupo une os dedilhados comuns do Midwest a arranjos ágeis (quase sempre mais próximos do hardcore californiano dos anos 1990), vocais que somam força e fragilidade (a cantora é Sophie Biancofiore, também baixista) e canções que parecem formar um só bloco musical.

É o que rola no início, com as interligadas e energéticas Post traumatic swag disorder e Hot Brennan Lee Mulligan – seguidas pelo clima ruidoso e tranquilo de More than a white sky, música praticamente costurada pelos riffs e solos. E logo depois, o falso sarcasmo de Hypochondriacs live longer, com sua letra cheia de tensão e desespero, com mensagens sendo vistas até em corvos no telhado.

Tanto o nome da banda quanto do disco, aliás, sugerem incertezas, mudanças repentinas, tarefas chatas (“carregar caixas”, enfim) – aquela coisa que surge quando você não está precisando nem um pouco de novidades. Afinal, Nothing so certain, diz a própria banda, foi feito a partir da “perspectiva da perda”. E essa perspectiva, ao lado de um certo clima de ter que, baliza o disco. Essas duas ondas surgem em faixas como o emocore circular There’s ranch in the tuna salad and I miss my dad, o doce skate-punk Discourse is dead and so are our insides, a balada folk de luto Chloe.

  • Ouvimos: Pussy Miel – Bee raged (EP)

Elas também dão as caras na seca emocional da inacreditável Funeral hawaiian shirt, no “adeus” cantado e gritado da guerrilheira Bering Streit e no amor meio traumático de Record scratch headset (do verso “você é a luz do sol através das folhas / não consigo saber de onde vem, mas sei para onde leva”). O final do disco dá a impressão de que um caminho percorrido pelo grupo foi narrado do começo ao fim, nas duas partes da curta e desconsolada Wake, e na sinceridade desprendida de Howl’s moving studio apartment.

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Crítica

Ouvimos: Mau K – “Cortejos” (EP)

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Resenha: Mau K – “Cortejos” (EP)

RESENHA: O gaúcho Mau K mistura post-rock, baixa-fidelidade e música instrumental no EP Cortejos, com referências a Gregory Uhlmann e Godspeed You! Black Emperor. Entre guitarras, teclados e repetições krautrock, o disco transforma introspecção em som.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Frase Records
Lançamento: 17 de julho de 2026

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Ligado a música, design, fotografia e audiovisual, o gaúcho Mau K cita nomes como Gregory Uhlmann e Godspeed You! Black Emperor entre as referências do EP Cortejos, voltando para a onda post-rock, e para a baixa-fidelidade instrumental. Partindo de uma ideia inicial em que as músicas deveriam ser tristes, Mau K acabou chegando a um EP contemplativo, que embala momentos de introspecção em faixas como Cortejo e cria uma espécie de chiptune analógico em Hyoshigi.

Ambas são músicas em que a guitarra, o violão e demais cordas entram para compor um resultado sonoro bem “humano” e quente, que talvez outros músicos decidissem fazer com aparatos eletrônicos. O som fica mais maquínico, e meditativo, nos teclados e nas repetições quase krautrock da progressiva Coluna forte, e no dedilhado de Com dois eles. Esta, um som tenso e etéreo, cortado pelo som melancólico de uma guitarra, e por algo que parece um tubo de oxigênio – e que remete a uma abertura de série de TV.

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Crítica

Ouvimos: Dion Lunadon – “Rare gems vol. 1” (coletânea)

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Resenha: Dion Lunadon – “Rare gems vol. 1”

RESENHA: Dion Lunadon, ex-A Place To Bury Strangers, reúne raridades e inéditas em Rare gems vol. 1, coletânea que atravessa garage rock, noise, punk e eletrônica. O disco inclui a mod punk Dead or alive e a garageira I owe you (Nothing).

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 24 de junho de 2026

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Conhecido principalmente por ter feito parte durante vários anos do A Place To Bury Strangers, onde tocou baixo, Dion Lunadon é um sujeito do garage rock, do noise rock e do punk espacial – estilos que desenvolve em sua produtiva carreira solo. Rare gems vol. 1 é uma prova de produção: ele reuniu sobras de estúdio e raridades de sua história numa coletânea – cabendo músicas inéditas como o mod punk Dead or alive, mistura perfeita de Damned e Kinks, com órgão Farfisa, guitarra e baixo distorcidos e gravação pra lá de lo-fi.

  • Ouvimos: Pussy Miel – Bee raged (EP)

Crush, outra inédita, une guitarra batida a la MC5 (a fase do disco High time, de 1971), mais teclados “sujos” e voz gravada como se viesse de um megafone, reverberando lá de longe. O hit 1976 investe em reminiscências num clima de punk espacial, abrindo espaço para mais duas novas: a garageira I owe you (Nothing) e a eletrônica podre (e instrumental) de Head on.When will I hold you again é punk simultaneamente orgânico e maquínico, feito como se fosse uma interferência sonora, enquanto The city is ours tem parentesco simultâneo com Velvet Underground, Stooges e Rolling Stones.

Rare gems vol. 1, em resumo, é uma baita loucura, em que uma faixa alucinada como The enemy consegue soar como “a mais normal” – apenas por remeter a um pós-punk mais gelado. No final, a sombria Destroyer visita uma espécie de eletrônica stoner, cheia de efeitos.

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