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Crítica

Ouvimos: “But here we are”, do Foo Fighters

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Foo Fighters lança single com participação da filha de Dave Grohl
  • But here we are é o décimo-primeiro álbum dos Foo Fighters, e o primeiro desde a morte de Taylor Hawkins, baterista que tocou com a banda entre 1999 e 2021.
  • Greg Kurstin, o produtor, trabalha com a banda desde 2017 e vem se tornando um produtor “do rock” nos últimos dez anos – antes, produziu artistas como Adéle, Sia, Pink e Kelly Clarkson (no caso dessa última, produziu até o álbum de Natal dela, de 2013, Wrapped in red).
  • Na época de Medicine at midnight, disco anterior (2021), Dave Grohl disse que cada disco é uma resposta ao anterior e que o próximo da banda (que se tornou But here we are) seria um disco “de rock progressivo insano”.
  • Até o momento, Grohl e a banda continuam em silêncio sobre o disco, apesar do vocalista ter dado a chance a alguns jornalistas de ouvirem uma prévia do álbum. Só saíram comunicados de imprensa.

But here we are tá bem longe de ser um disco de rock progressivo, lógico. Medicine at midnight, álbum anterior dos Foo Fighters, era mais redefinidor e um tantinho mais maluco que o álbum novo – mas vale dizer que nem por isso era um disco melhor. Apesar da banda ter dito nos releases dos singles que o disco seria uma volta ao Foo Fighters de 1995, não é exatamente: o FF de 2023 ainda lembra mais o som da loudness war que a banda fazia na época do hit The best of you, com Grohl berrando feito um maluco em meio a gravações de guitarra-baixo-bateria altíssimas. E nem lembra tanto o power pop, mais pra power do que pra pop, do trio inicial de discos da banda.

Se faltava uma canção tão boa quanto Big me, Everlong, Monkeywrench ou Learn to fly nos discos pós-século 21 do Foo Fighters, But here we are cumpre esse papel em grande parte, com faixas como Rescued, Show me how (a melhor do disco, com a filha de Grohl dividindo os vocais e um clima análogo ao dream pop) e Hearing voices. O lado mais formulaico (e pouco criativo) da banda bate ponto em faixas como The glass e Under you. Já Nothing at all, pós-grunge influenciado pelo David Bowie de Let’s dance, lembra Queens Of The Stone Age – a explosão no refrão é o momento em que provavelmente o ouvinte mais se dá conta de que é Grohl na bateria, conduzindo a canção e, nesse caso, voltando (forçadamente) aos velhos tempos.

Nas letras, como não podia deixar de ser, Grohl sublima as duas perdas que sofreu recentemente (a morte de Taylor e de sua mãe Virginia). Não são versos diretos: boa parte das letras do disco é bastante enigmática, como na faixa-título ou em The teacher, de dez minutos, que parece unir frases ligadas à convivência com a mãe e com a banda, no decorrer dos anos. Nem mesmo essa faixa pode ser chamada de progressiva: é basicamente punk-hard rock em alto volume, dividido em partes mais ou menos iguais (com exceção do final, com versos como “tente fazer bem com o ar que resta/contando cada minuto, vivendo respiração por respiração…/adeus”).

Rest, no final, traz os Foo Fighters aderindo à mescla de shoegaze e som pesado (ou ao emo, no entendimento de muita gente). But here we are não finaliza levando o grupo de volta aos primeiros anos, mas mantém a máquina funcionando de maneira bem mais decente que vários álbuns mais recentes da banda.

Nota: 8,0.

Crítica

Ouvimos: Martin Carr – “What future”

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Resenha: Martin Carr – “What future”

RESENHA: Martin Carr troca o britpop dos The Boo Radleys por eletrônica, dub e experimentalismo político em What future.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Sonny Boy Records
Lançamento: 1 de maio de 2026

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Principal letrista dos Boo Radleys até 1999 (ano em que deixou a banda), Martin Carr lembra bem pouco o som do grupo em seu trabalho solo – que é predominantemente eletrônico e experimental. What future, o novo álbum, segue a trilha do radicalismo sonoro e da porrada política, misturando notícias de TV, gravações aleatórias, beats eletrônicos e ondas que chegam perto do reggae e do dub. Ele diz inclusive que o disco surgiu da necessidade de mostrar em vez de contar, e que percebeu que suas letras sempre foram sobre a mesma coisa.

Martin passou um bom tempo trabalhando com trilhas pra TV e dá pra sentir um pouco disso no clima telejornal de Amerikkka is not your friend, tema eletrônico e experimental que ganha ares de dub e post rock, e no loop de percussões e sons melódicos de Canton rockers. Connie Converse is playing at my house, por sua vez, abre lembrando um teste sonoro, mas vai ganhando um beat de soul andarilho, e uma onda de beleza musical do meio para o fim. Diana F e Hex vão do pot rock eletrônico ao blues infernal e distorcido.

What future tem ainda as sombras e luzes de In the hall e New Brighton Baths 1983, mas une dub, ambient e festa soul em She came in through the Overton window e Strange now, encerrando com o synth-não-pop da faixa-título, uma música dançante e fria. Mal dá pra reconhecer o britpop dos Boo Radleys aqui, e Martin Carr busca um caminho bem novo pra sua música.

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Crítica

Ouvimos: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

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Resenha: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

RESENHA: Post-rock minimalista e doce: Ghost Valley mistura ambient, pós-punk e synth pop em climas belos e hipnóticos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 4 de abril de 2026

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“Vale Fantasma” é um ótimo nome. O Ghost Valley vem de Portland, Oregon, e faz algo próximo do post-rock. É um som (vá lá) experimental, sem dúvida, mas é bonito, doce e minimalista. Como na abertura com El matador e na onda ambient de Glass nebula / Furnace creek, com teclado ambient na introdução, e toques musicais que lembram o Kraftwerk da era Autobahn (1974), em que a banda ainda usava guitarras. Aos poucos, essa música vai ganhando dedilhados e até uma guitarra slide tipicamente pinkfloydiana.

Vão rolando modificações aos poucos no contexto do Ghost Valley: Vampyre é pós-punk introvertido e chuvoso, com beat mais do que minimalista e guitarra circular – uma música que parece ter sido gravada num quarto. Fear & loathing é quase progressiva, com guitarras em clima relax e um baixo que ajuda a dar sensação de completude no arranjo – até que ganha mais peso, intensidade e ar de interferência sonora. Tem ainda o synth pop doce de Topanga e o drone celestial de Airline sunset, com oito minutos. Uma beleza.

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Crítica

Ouvimos: Tears Of A Martian – “Light II dark”

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Resenha: Tears Of A Martian – “Light II dark”

RESENHA: Tears Of A Martian mistura neo soul, indie e pop punk em estreia nostálgica, densa e elegante, com ecos de Amy Winehouse, Smiths e Khruangbin.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 8 de maio de 2026

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O Tears Of A Martian é um projeto musical criado por uma cantora e compositora de Detroit chamada Arianna Bardoni. O nome é usado por ela desde 2018, já rendeu alguns singles e EPs, e Light II dark é o primeiro álbum. Apesar do clima meio punk da capa, o som tem uma onda bem mais variada. Arianna, na voz e na guitarra, e a turma que toca com ela faz uma espécie de neo soul + jazz + pop punk, quase como se o disco fosse pensado para ser lançado em 1997 ou 1998, mas esperando para ser complementado por algum produtor mainstream. Faixas como o soul esparso Knock me down e o r&b indie e minimalista Dik têm clima de época, mas simultaneamente têm arranjos cheios de eco e ambiência, que apontam até para bandas como Khruangbin.

Músicas como Tower e Spotless mind fazem com guitarras quase limpas, baixo e bateria uma recriação da estileira soul-folk que tornou Corinne Bailey Rae famosa, enquanto Men é um rock + r&b oitentista com guitarras lembrando Smiths e interpretação análoga à de Amy Winehouse, mas bem mais contida. Um lado mais roqueiro, denso e tenso se avizinha do Tears Of A Martian em duas músicas que não abandonam o lado neo soul do projeto, Litltle blue flowers e Reel / Real. Nas letras, Arianna vai do amor ao humor em poucos minutos.

Light II dark é um disco bem underground e o Tears Of A Martian são o tipo de banda que ainda não foi abraçada pela coolzice indie. É a melhor hora pra se descobrir uma banda – mas por enquanto o som esparso e as guitarras tranquilas (na maior parte do tempo) são a cara do grupo, e algo a não ser perdido na mão de algum produtor.

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