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Radar: Spirals, Metamourne, The Rancho Park Devils – e mais sons do Groover!

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Spirals (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Spirals.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Spirals): Divulgação

SPIRALS, “NEVER LEARN”. Essa banda do Texas faz rock com pegada country, não apenas na musicalidade, como também nas letras sofridas – como a de Never learn, do recente EP Reflections, que fala no suplício de uma saudade tamanho-família. “Você levou as chaves do meu coração / por que te amar é tão difícil? / sempre nos faltam palavras / às vezes acho que nunca aprenderemos”.

METAMOURNE, “GRAVE WALKER”. Essa dupla australiana mergulha ainda mais no darkwave e no pós-punk em sua primeira composição inédita desde o EP Nocturne minuet, lançado em maio. A faixa amplia o uso de sintetizadores e elementos eletrônicos, criando uma atmosfera mais sombria. Na letra, a morte assume o ponto de vista da narrativa e observa a passagem inevitável de todas as coisas vivas para o fim.

THE RANCHO PARK DEVILS, “RED WINE SUPERNOVA”. Essa dupla de Los Angeles, formada por C. Tyler Michaud e Cheryl Lee Scott, aposta em guitarras, baixo, órgão e bateria para criar um rock ao mesmo tempo cru e melódico, com referências à diversidade musical de sua cidade. A faixa sucede o EP de estreia Baby, enquanto a dupla prepara seu primeiro álbum para 2026. E Red wine supernova é punk com vibe country – ou seria o contrário?

HAGA 187, “FRESH THOUGHTS”. Projeto de um músico só, vindo da França, o Haga 187 lança discos e singles repletos de uma música experimental e bem desafiadora, feita provavelmente em estúdio caseiro – e se bobear, gravada de forma bem analógica. Fresh thoughts, faixa-título do novo álbum, soa como um Suicide bem viajante.

ALEXAYNDRA, “LITTLE RED”. Vinda de New England, Estados Unidos, essa cantora combina rock industrial, alternativo e eletrônico em Little red, novo single. A faixa aposta numa atmosfera sombria e passa por elementos de metalcore e experimentação eletrônica. Os vocais alternam momentos intimistas e intensos, enquanto a produção trabalha o contraste entre tensão, peso e explosões instrumentais.

OUTLAW CARTIER, “POLTERGEIST”. Esse projeto musical é BEM produtivo – recentemente apareceu no Pop Fantasma com a resenha do EP … And hell’s coming with me – e cruza pós-punk, rock alternativo e elementos do hip hop e do trap. Essa mistura ressurge no single Poltergeist, que combina guitarras agressivas, baixo acelerado e sintetizadores sombrios com um vocal de cadência próxima do rap e tratamento inspirado no trap. O resultado aproxima a atmosfera escura do pós-punk de uma produção mais contemporânea, sem abandonar o peso e a urgência das guitarras.

MAMA NO LIKEY, “ALIVE”. Esse grupo de Los Angeles transforma atração, medo e descoberta em Alive, faixa de rock moderno gravada com Cameron Morris nos vocais. A música parte de uma relação nociva que acaba despertando novas sensações e trata das experiências que tiram alguém da zona de conforto. Guitarras pesadas e um refrão expansivo reforçam essa tensão entre aquilo que assusta e, ao mesmo tempo, faz alguém se sentir vivo.

ORPHAN PRODIGY, “2020”. Esse projeto musical transforma transforma incerteza e alienação num single inspirado pelo momento em que “o futuro havia sido cancelado”. Tem outros assuntos no jogo: mais do que falar da pandemia, a faixa aborda a pressão para se tornar aquilo que os outros esperam e as consequências de escolher outro caminho. Versos introspectivos e trechos de “na-na-na” acompanham uma ideia central: decepcionar alguém não significa fracassar.

 

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Radar: Amaravida, Circle Round A Sphere, Nobres Cadelos – e mais sons do Groover!

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Amaravida (Foto: Divulgação)

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Texto: Ricardo Schott – Foto (Amaravida): Divulgação

AMARAVIDA, “PERGUNTA LÁ PROS SEUS HERÓIS”. Depois de 13 anos tocando punk no Hurry Up, de Americana (SP), Lucas Arissa resolveu baixar o volume. Seu novo projeto aposta num emo acústico, com violões, teclados e influências de Death Cab for Cutie e Jimmy Eat World. A estreia tem clima introspectivo e termina com um solo de trompete.

A letra de Pergunta lá pros seus heróis questiona nossa mania de colocar ídolos num pedestal e depois cobrar deles uma perfeição impossível. Há também referências religiosas e uma inspiração na estrutura de Blowin’ in the wind, de Bob Dylan. É o primeiro passo de um EP que terá três músicas em português e versões em inglês.

CIRCLE ROUND A SPHERE, “RATE”. Punk rock frio, guitarras nervosas e melodias que grudam na cabeça. Essa banda de Dublin tem bastante a oferecer a quem gostava do caos controlado do Therapy? nos anos 1990, além de lembrar Sugar e Buzzcocks. A letra tira sarro da mania atual de avaliar, classificar e dar nota para absolutamente tudo.

No lado B do single de Rate, uma versão de Darkness, do The Police, lançada justamente nos 45 anos do álbum Ghost in the machine. A releitura deixa de lado boa parte do pós-punk sofisticado da gravação original e aposta numa abordagem mais punk, direta e ruidosa. O álbum do Circle Round A Sphere, Technology and other problems, sai nesta sexta-feira (6).

NOBRES CADELOS, “FEED” / “NOVAS ONDAS DE CALOR”. Dez anos depois da formação, o grupo amplia seu som com sintetizadores, pianos e novas experiências. Feed mistura rock brasileiro, pós-punk e rap, numa letra sobre a vontade de andar por aí sem se preocupar com redes sociais. A liberdade é o assunto, mesmo que o mundo nem sempre ajude. Já Novas ondas de calor segue por outro caminho: rock-reggae com clima lounge, piano elétrico e até uma citação de Boombastic, sucesso de Shaggy.

MARGARIDA THE CAT, “(REALITY IN A) SPEEDING CLOUD” / “ALIEN SONG”. Formada em São Paulo em 2023, a banda prepara seu primeiro álbum, Coisas que não disse para manter a paz. O novo single, (Reality in a) speeding cloud, tem guitarras distorcidas, gravação em tons graves e uma pegada que aproxima o rock alternativo do grunge e do metal. A letra fala de desconexão com a realidade e da sensação de ver o tempo passar sem conseguir acompanhá-lo.

Já Alien song, single anterior, segue por outro caminho: é uma espécie de balada metal, misteriosa e de clima soturno. As duas faixas mostram um grupo interessado em explorar diferentes pesos e atmosferas, sem sair do rock alternativo.

ROLE OF THE OBSERVER, “STEPHEN HAWKING”. Peso metálico, riff forte e sabbathiano, vocal distorcido e uma estrutura que foge do convencional. O som desse grupo de San Jose, na Califórnia, mistura rock progressivo, metal alternativo e grunge, com algo de Alice in Chains, Queens of the Stone Age e King Crimson. Há mudanças de ritmo, solos de guitarra e passagens instrumentais experimentais.

A faixa foi gravada nos primeiros anos da banda e agora reaparece remasterizada, abrindo os trabalhos do álbum Quantum state revisited. A nova versão preserva a aspereza original, mas ganha mais definição. É prog rock com os dois pés no peso das guitarras.

THE FLOATING TRUTH, “LAND OF SMOKE”. Psicodelia lo-fi, art-rock e uma sonoridade áspera, que remete ao rock alternativo dos anos 1980. O projeto do músico e escritor nova-iorquino David Salvage aposta num som de contornos pouco definidos, com uma pegada experimental. Há algo de Pixies e de uma psicodelia mais suja nessa mistura.

A letra compara as revoltas da juventude dos anos 1960 com o desencanto atual. O entusiasmo de quem acreditava que poderia mudar o mundo deu lugar à preocupação em sobreviver. Até a frase “amanhã é outro dia”, que encerra a música, soa menos como esperança e mais como uma maneira de manter tudo como está.

LEAH JANE HENDRIX, “CRYSTAL COFFINS”. Rock gótico com algo de metal e música industrial, guitarras distorcidas, baixo pesado e uma voz grave, quase sussurrada, que contrasta com o peso dos instrumentos. Leah, cantora de Reno, nos Estados Unidos, aposta num clima macabro para contar em Crystal coffins a história de alguém que coleciona pessoas bonitas como se fossem borboletas, guardando-as em vitrines de cristal. Uma história sobre obsessão, posse e o lado perturbador da beleza.

VAN GOOSE, “BROADWAY-LAFAYETTE”. Batida de hip-hop, vocal falado de maneira displicente, sintetizadores e um clima meio rap-jazz. O projeto de Shlomi Lavie, baterista do Marcy Playground, mistura guitarras e bateria acústica numa faixa sobre a vontade de fugir do bombardeio de informações, provocações e discussões das redes sociais. Gravada e produzida pelo próprio músico, a canção é a primeira amostra de seu terceiro álbum, ainda sem data de lançamento.

AWAKE & DREAMING, “LIGHTS DOWN LOW”. Uma balada acústica e sensível, que destaca os vocais de Sasha Kristoff e parte de uma cena familiar: durante o aniversário de uma criança, um dos pais observa as velas se apagarem e pensa no mundo que espera pelo filho. Alegria e preocupação se misturam numa letra sobre lembranças difíceis e o desejo de poupar alguém querido dos mesmos problemas.

A música começa delicada, ganha algumas dissonâncias e vai crescendo aos poucos. Perto do final, tudo parece parar, até a entrada de um órgão de igreja de oito mil tubos e um coral, que dão à faixa um encerramento grandioso. Detalhe: há algo de Ordinary world, do Duran Duran, nessa melodia.

MAX CEDDO, “SO YOU SAY”. Compositor desde a juventude, Max Ceddo deixou a carreira de psiquiatra em 2024 para se dedicar à música. Aqui, em So you say, ele investe numa new wave cheia de sintetizadores, que remete à passagem dos anos 1970 para os 1980. Tem algo da excentricidade dos Sparks e do Devo, além de um parentesco com o pop nervoso e esperto de Elvis Costello.

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Radar: Starcrusher, Whippets, The Grays, Dolours – e mais sons do Groover!

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Starcrusher (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Starcrusher.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

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Texto: Ricardo Schott – Foto (Starcrusher): Divulgação

STARCRUSHER, “SPACE POLICE”. Se não for alto, eletrônico e sujo nem tem graça – parece ser a mensagem desse grupo de Montreal, no Canadá, que se define com “o side project da Spice Girls” e diz que sua música está “situada em algum lugar entre o pós-punk, o rock alternativo e o lado mais desvairado do indie”. O single Space police é ruidoso, viajante e espacial.

“No centro do Starcrusher está a crença de que a música ainda deve parecer perigosa, comunitária e vibrante. A banda está menos interessada na perfeição do que na conexão – músicas que você pode cantar aos berros em uma casa lotada, shows que dão a sensação de que algo pode dar errado e um mundo ao redor da música do qual as pessoas realmente querem fazer parte”, avisam eles.

WHIPPETS, “THESE WOODS”. Uma letra bem surrealista e fantástica, com versos como “enfiar uma agulha no nariz / lendo ficção pela prosa / é impossível acompanhar o que te falta / te acompanhei até em casa no escuro / agora eu sou a estrela / e você é a faísca”. E um som que volta e meia lembra Guided By Voices. É a proposta do trio Whippets, que faz “pós-punk da Costa Oeste” e vive de unir melodias sonhadoras e clima trevosos. O álbum No skulls já saiu.

GRAYS, “DAY TO DAY”. “Fresco e familiar. Uma síntese de todas as suas músicas favoritas. Estilo independente. Sinceridade e doçura. Bateria real. Sintetizadores de computador. Muitos microfones diferentes. Nova York, Salt Lake City, Columbus, Cidade do Cabo, Londres. Surreal. Sobre todas as pessoas que nunca mais verei”. É assim, com frases soltas, que esse grupo estadunidense busca explicar seu ótimo indie rock, referenciadíssimo nos anos 2000, mas com uma certa cara krautrock. O álbum Grizwald: 26 já saiu.

DOLOURS, “PARADE”. Vindo da cena underground britânica, esse quarteto mistura pós-punk, darkwave e guitarras abrasivas, num som que lembra Joy Division e Fontaines D.C. A nova faixa, que antecipa o EP de estreia, previsto para 18 de novembro, fala da libertação de um relacionamento controlador e da recuperação da própria identidade. Gravada e produzida pela banda em quartos e estúdios improvisados, a música aposta em sintetizadores, baixo pulsante e clima tenso, sem perder a urgência punk dos trabalhos anteriores.

SURV7H, “I’LL FIND YOU THERE”. Eletrônica bem sonhadora e experimental é o que rola neste projeto criado pelo músico Craig Bottel. A música mistura sintetizadores, shoegaze, ambient e space rock, com batidas marcadas e clima viajante. Bottel transforma sentimentos cotidianos em paisagens sonoras sem se prender a gêneros.

AWAKE & DREAMING, “REWIRE”. O som novo dessa banda canadense mistura rock alternativo, guitarras saturadas e uma linha de baixo que conduz a melodia – destaque para a voz de Sasha Kristoff, que também toca teclados. A letra fala da busca por estímulos e da dificuldade de sentir alguma coisa. A faixa está no recém-lançado álbum Inevitable.

WHEREABOUTS, “SWINGS”. Garage rock com pegada surf, guitarras vibrantes e uma onda que lembra Beach Fossils, Mac DeMarco e Real Estate. O single desse grupo de Austin, no Texas, tem clima praiano, daqueles que dão vontade de pegar um skate e esquecer os problemas. A letra, por outro lado, fala dos altos e baixos da vida, como se tudo fosse um ciclo que se repete sem parar. O som acompanha essa ideia, com melodias circulares, ritmo constante e um jeito relaxado de fazer indie rock, sem deixar a energia cair. E fique de olho nos outros singles deles.

SCIENCE OF SENSATIONS, “SCAPESHIFT”. Rock progressivo instrumental vindo da Costa Rica, com uma pegada atmosférica e ritmos intrincados, daqueles que exigem atenção a cada mudança de andamento. A faixa faz parte de Exvotos, novo álbum do grupo, gravado em três estúdios de Buenos Aires, incluindo o tradicional ION, onde a música foi registrada. Sem vocais, a proposta é deixar que os instrumentos contem a história.

THE SCOOW, “MAGIC!”. Pós-punk dançante com um pé no indie rock e outro na new wave, lembrando a mistura de esquisitice e groove de Devo e Talking Heads. A estreia desse misterioso projeto sueco tem guitarras nervosas, ritmo pulsante e uma boa dose de humor.

O grupo se apresenta como um conselho secreto de magos (SCOOW é The Secret Council of Odd Ordered Wizards”, ou “O Conselho Secreto de Magos de Ordem Incomum”). Mas, por enquanto, ninguém sabe quem está por trás da brincadeira. Magic! é o primeiro de quatro singles que formarão um EP – o segundo, Excelensior the Great, também já saiu.

NO MORE TOMORROW, “LYDIA”. Esse grupo finlandês se apresenta como uma banda de metal alternativo, mas há muito de rock gótico e pós-punk em sua sonoridade. Formado em 2019, o quarteto aposta numa história bastante amarga: uma garota (a Lydia do título) foge de casa para escapar dos problemas familiares, mas descobre que o mundo lá fora pode ser ainda pior. A narrativa avança sem revelar o destino da personagem, deixando um final em aberto e bastante inquietante.

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Radar: Holy Death Temple, Dale John Max, Foxglove – e mais sons do Groover!

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Holy Death Temple (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Holy Death Temple.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Holy Death Temple): Divulgação

HOLY DEATH TEMPLE, “NOBODY LOVED YOU”. Esse grupo de dance-punk de Seattle deixa o peso dos singles anteriores um pouco de lado e assume uma influência até então pouco vista no som deles: o Erasure. O resultado é synthpop gótico e dançante em forma de murder ballad. A letra olha com ironia para a obsessão pública por crimes famosos, culpados e vítimas — e para a necessidade de escolher um lado mesmo diante da morte.

“Os três primeiros singles foram sombrios e impactantes, mas essa é uma demo de synth pop que foi ressuscitada com um refrão originalmente destinado a uma música completamente diferente. Nossos melhores momentos surgem de experimentos malsucedidos e acidentes felizes”, diz Bryan Edward (vocais, guitarra, programações).

DALE JOHN MAX feat SARA JADE, “CASTLES IN THE SAND”. Inglês radicado em San Diego, Dale John Max canta sobre aquele período estranho em que uma relação acabou, mas continua ocupando espaço na memória. O título compara esse amor a um castelo de areia: algo que foi real e bonito mesmo destinado a desaparecer. Nick Drake e Noah Kahan estão entre as referências para esse lado mais íntimo.

A música nasceu acústica, mas ganhou guitarras, sintetizadores, baixo e bateria no estúdio de Ariel Levine. O resultado aproxima folk e rock alternativo, com ecos de R.E.M., Biffy Clyro, Switchfoot e Angels & Airwaves.

FOXGLOVE, “SKINWALKER”. Essa banda britânica, com integrantes de Londres e Hertfordshire, deixa a influência de Elliott Smith bem à mostra, especialmente nos detalhes da composição, no violão e na fragilidade das melodias. O som começa contido, quase folk, e vai crescendo aos poucos, sem abandonar o clima íntimo.

A música dá nome ao EP de estreia do grupo, gravado no Up Top Studios, em St Albans. Além de Smith, aparecem ecos do EP Jar of flies, do Alice in Chains, e do acústico do Nirvana. São quatro faixas entre folk, grunge e rock alternativo, com gravações que evitam polimento excessivo.

KIDS ON NEPTUNE, “NOTHING BUT NO ONE”. Dale Valentine, nome artístico do italiano Antonio Valentini, mergulha com sua banda Kids On Neptune em darkwave e pós-punk oitentista, numa faixa sobre alguém rejeitado tanto pelo céu quanto pelo inferno, condenado a vagar no vazio. Guitarras cheias de delay e reverberação acompanham o baixo pulsante de Matilde Marchetti e a bateria quase marcial de Giovanni Chiodi, enquanto a letra transforma esse limbo numa sensação bem humana de inadequação.

ON LE ORE, “GNASHVILLE”. Essa banda norte-americana vai direto ao ponto em Gnashville: indie rock curto, melódico e com guitarras sujas, daquele tipo que parece carregar um pouco do porão dos anos 1990. O projeto é liderado pelo compositor, cantor e guitarrista Jon Moore, com Travis Harrison — produtor de longa data do Guided By Voices — na bateria, mixagem e masterização. Para fãs de GBV, Pavement, Sugar e Weird Nightmare.

SA BAUER, “TELL ME”. Sa Bauer olha para a infância e para a relação com os irmãos em Tell me, faixa guiada por guitarras e com algo de emo e post-rock em sua sonoridade. A letra nasceu da saudade do tempo em que todos eram crianças — tema especialmente próximo de um artista que cresceu cantando com a irmã e foi incentivado por um dos irmãos a compor. Frank Dormani ajudou na composição, tocou baixo e bateria e produziu a faixa. Uma canção com várias partes diferentes, mas curta a ponto de ficar na mente.

ALESSANDRO CASINI, “THE GOLDEN FRACTURE”. Neste sábado (10) sai o álbum Do colors dream of electric noise?, feito pelo músico experimental italiano – a inspiração, claro, é o romance Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K. Dick, o livro que inspirou o filme Blade runner, de Ridley Scott. Um ambient eletrônico, em que sons surgem de cores e imagens – e a bela The golden fracture adianta esse clima.

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