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Mais dois singles de tributo a Neil Young, com Modest Mouse e My Morning Jacket

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Digitalizaram todos os números de Broken Arrow, revista do fã-clube de Neil Young

RESUMO: A série Heart of gold, de tributo a Neil Young, ganha mais duas prévias: Modest Mouse e Califone regravam Barstool blues, enquanto My Morning Jacket e Preservation Hall Jazz Band encaram Like a hurricane.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O segmento de “discos de covers” (naquela onda de “várias bandas regravando músicas do mesmo fulano”) assusta – tem muito projeto por aí que só faz empilhar covers sem pé nem cabeça. Agora, Heart of gold: The songs of Neil Young Volume I, lançado ano passado, não só não assusta como é uma bela coleção de versões, incluindo artistas como Fiona Apple e Eddie Vedder interpretando canções de Young.

Deu tão certo – e Neil tem um catálogo tão rico – que vêm mais dois volumes aí. Heart of gold, Vol. 2 – Out of the blue e Vol. 3 – Into the black, saem em 6 de novembro, cabendo nomes como MJ Lenderman, Kurt Vile, Ben Gibbard, My Morning Jacket, Lucinda Williams, Los Lobos, Jesse Malin, Devendra Banhart e Modest Mouse com Califone. Mais uma vez, toda a renda das coletâneas será destinada à Bridge School de Young.

Após os singles em que King Princess, interpreta Helpless (música que Young escreveu para o álbum Déjà vu, de 1970, do Crosby, Stills, Nash & Young) e Draco Rosa canta After the gold rush, tem mais duas nocidades circulando: Modest Mouse gravou Barstool blues, e My Morning Jacket interpreta Like a hurricane, que estão respectivamente nos volumes 2 e 3 da série.

Nas duas versões, rolam participações importantes: o Modest Mouse (leia-se o criador do grupo, Isaac Brock) uniu-se ao grupo experimental Califone, e o MMJ toca ao lado da veterana Preservation Hall Jazz Band. Brock diz que resolveu o desafio de reinterpretar um clássico de Young dando um toque krautrock à faixa.

“Fazer um cover de uma música do Neil em um projeto como este é importante tanto por ajudar uma causa importante como a The Bridge School, quanto por estar ligado à pessoa cuja música estamos interpretando. É realmente… bem, é uma honra estressante. A responsabilidade parece um pouco maior. Eu gosto disso”, conta, em comunicado à imprensa.

“Inicialmente, eu havia escolhido e começado a trabalhar em um cover de Cortez the killer, antes de perceber que, para fazer do jeito que eu queria, levaria mil horas. Então me ocorreu: existe uma música que eu gosto tanto quanto e com a qual me identifico mais, Barstool blues. Essa era uma música que eu realmente podia cantar com toda a minha alma”, continua.

“Além de ser uma música muito cativante, era algo com o qual eu sentia uma conexão mental e emocional maior do que com Cortez, com a qual tenho uma conexão emocional mais ‘histórica'”, diz. “O próximo desafio, sempre que você faz um cover de uma música que já ouviu tantas vezes, é encontrar uma maneira de não deixar sua versão muito parecida com a original. Afinal, por que alguém precisaria disso?”

E estão aí as duas versões. Mais sobre os volumes 2 e 3 do tributo aqui.

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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

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Solarski - Foto: Shoot Me Again Webzine

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine

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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.

O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.

E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.

“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.

Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.

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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

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Smile (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.

Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.

Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.

A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?

No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.

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“The black parade”, do My Chemical Romance: no topo das paradas após 20 anos

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My Chemical Romance (Foto: NBStwo / Wikimedia Commons)

RESUMO: My Chemical Romance leva The black parade ao topo da Billboard 200 após 20 anos. O clássico do emo bate recorde com sua edição comemorativa.

Texto: Ricardo Schott – Foto: NBStwo / Wikimedia Commons

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O My Chemical Romance esperou 20 anos para colocar um disco no primeiro lugar da parada norte-americana. E conseguiu isso justamente com um álbum antigo. The black parade, lançado em 2006, voltou à Billboard 200 graças a uma edição comemorativa de duas décadas, apareceu inicialmente na 139ª posição e agora saltou direto para o topo. Na época do lançamento, havia chegado ao segundo lugar, barrado por uma concorrência curiosa: a trilha sonora da série Hannah Montana, estrelada por Miley Cyrus.

É um recorde e tanto. Nenhum outro álbum demorou tanto para chegar ao primeiro lugar da Billboard. A marca anterior pertencia à coletânea 35 biggest hits, de Toby Keith, que alcançou a liderança em 2024, quase 16 anos depois do lançamento. A subida de The black parade também é a maior desde 2021, quando Fearless (Taylor’s version), de Taylor Swift, pulou do 157º para o primeiro lugar.

Mas não foi só uma questão de fãs antigos voltando a ouvir o disco. A edição comemorativa movimentou 78 mil unidades equivalentes, incluindo 68 mil cópias vendidas — 42 mil delas em vinil. Foram mais de 20 versões disponíveis, o que dá uma boa ideia do peso dos colecionadores nessa história. O My Chemical Romance chegou ao topo também porque soube transformar o aniversário do álbum num acontecimento comercial.

E por que The black parade continua mobilizando tanta gente? Para começar, porque foi um daqueles discos que ajudaram a definir o rock dos anos 2000. O My Chemical Romance já vinha fazendo sucesso com Three cheers for sweet revenge (2004), mas resolveu aumentar bastante suas ambições no trabalho seguinte. Em vez de apenas repetir a fórmula, montou uma espécie de ópera-rock sobre morte, medo e lembranças.

Produzido por Rob Cavallo, que havia trabalhado com o Green Day em American idiot (2004), o disco conta a história de The Patient, um personagem que está morrendo de câncer e revê sua vida. A morte aparece como um desfile, daí o título e toda a identidade visual do álbum, com uniformes militares pretos, maquiagem e uma estética que misturava filme de terror, teatro e rock de arena.

O som também tinha bem mais coisas do que o emo pelo qual a banda ficou conhecida. Queen, Pink Floyd, David Bowie e o rock teatral dos anos 1970 entravam na mistura, ao lado de punk, pós-hardcore e guitarras pesadas. Welcome to the black parade, com sua introdução ao piano e aquele refrão enorme, virou praticamente um hino geracional – e levou muita gente a querer ouvir Queen, já que as guitarras eram decalques desavergonhados de Brian May. Teenagers tinha uma pegada mais direta, enquanto Famous last words e I don’t love you mostravam outros lados do grupo.

Vale dizer que, quando ele saiu, “emo” não era um estilo que funcionava como um bom cartão de visitas – muita gente tinha preconceito, e os próprios músicos detestavam esse tipo de rótulo. Gerard Way, cantor do MCR, chegou a dizer que via esse negócio de emo como “um monte de merda”. Não havia essa profusão de bandas emo que existe hoje (e em 2026 a própria crítica já “convive” com o termo). Contraditoriamente, por ter aparecido bastante na MTV, o MCR se aproveitou bem de uma época em que parecia que bandas e músicas novas de todos os estilos saíam na bica da cozinha. E na época, era altamente comum esbarrar com garotos e garotas copiando os looks do grupo.

O álbum chegou numa época em que o emo já era um fenômeno de comportamento, moda e identidade juvenil — e também alvo de muita implicância. O My Chemical Romance era uma das bandas mais associadas à cena, mas The black parade mostrava que Gerard Way e seus companheiros estavam pensando em algo maior. Era um disco exagerado, teatral, cheio de mudanças de clima e arranjos grandiosos. E não tinha vergonha nenhuma disso.

Havia quem achasse tudo dramático demais, pretensioso demais, calculado demais. Só que o tempo acabou jogando a favor do álbum. Boa parte daquela estética que parecia excessiva em 2006 virou referência para artistas que cresceram ouvindo emo, pop punk e rock alternativo. E The black parade continuou sendo ouvido mesmo depois que a explosão comercial do gênero passou.

O recorde chega pouco depois de o My Chemical Romance encerrar uma temporada de cinco shows no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Nas apresentações finais, em 30 e 31 de outubro, o grupo ainda tirou algumas raridades do baú: Someone out there loves you, que o MCR não tocava desde 2008, e Early sunsets over Monroeville, apresentada integralmente pela primeira vez desde 2003.

Vinte anos depois, The black parade finalmente conseguiu o primeiro lugar que perdeu para Hannah Montana. E ainda deu ao My Chemical Romance um recorde que a banda não tinha nem nos tempos em que o emo dominava a MTV (e a MTV dominava os corações e mentes de uma turma enorme).

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