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Morphine volta aos arquivos de Mark Sandman e anuncia álbum “Cocoon”

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RESUMO: O Morphine volta aos arquivos de Mark Sandman para Cocoon, álbum montado a partir de sessões de 1998, com novas mixagens e overdubs de Dana Colley. É o primeiro disco novo da banda desde The night.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Morphine acabou em 1999, da maneira mais triste possível – Mark Sandman, líder do grupo, sofreu um ataque cardíaco e morreu no palco durante um show da banda, em Palestrina, na Itália, no dia 3 de julho de 1999. Mas ainda há coisas guardadas. Hoje, quando Sandman completaria 74 anos, a banda anunciou Cocoon, primeiro álbum novo com o nome da banda em 26 anos. O disco sai em 4 de dezembro pela Partisan Records e recupera gravações feitas pouco antes de The night, último álbum do grupo, lançado postumamente em 2000.

Para quem chegou agora: o Morphine foi uma das bandas mais peculiares do rock alternativo dos anos 1990. Formado em Cambridge, Massachusetts, em 1989, o trio montou seu próprio vocabulário a partir da voz grave e do baixo de duas cordas tocado com slide por Sandman, dos saxofones de Dana Colley e da bateria — primeiro de Jerome Deupree e, depois, também de Billy Conway. Era rock sem guitarra, misturado a blues, jazz e aquela atmosfera de bar vazio às três da manhã. Discos como Good (1992), Cure for pain (1993) e Yes (1995) fizeram do grupo uma espécie de caso à parte no alternativo americano.

É justamente o período anterior a esse disco que Cocoon recupera. “É um álbum perdido? Uma obra de arte redescoberta? A resposta é sim e não. Cocoon parte de gravações feitas e depois abandonadas pela banda durante o período que antecedeu The night”, explica o grupo. O material havia sido registrado em 1998 no loft de Sandman, com os produtores Paul Q. Kolderie e Sean Slade. Décadas depois, Sabine Hrechdakian, companheira de Sandman e responsável pelo espólio do músico ao lado de Deb Klein, procurou Kolderie para transferir as fitas originais e selecionar as músicas e mixagens.

Fãs mais dedicados talvez reconheçam algumas dessas faixas em outras versões. A diferença é que Cocoon retorna às fitas multicanal originais, reúne novas mixagens e acrescenta overdubs recentes de saxofone gravados por Dana Colley. Em vez de simplesmente abrir o arquivo e despejar raridades no streaming, a ideia foi organizar aquele material como um disco do Morphine. Só que chegando 26 anos depois do último.

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Chococorn and The Sugarcanes: som e conversa no +um APRESENTA

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Chococorn and The Sugarcanes - Foto: Danilo Abreu de Souza / Divulgação

RESUMO: O Chococorn and The Sugarcanes leva duas faixas de Todos os cães merecem o céu ao +um APRESENTA e conversa com Lucio Ribeiro e Gustavo Sartori sobre a história e o momento da banda.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Danilo Abreu de Souza / Divulgação

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Entre baixos distorcidos, guitarras dedilhadas e letras bastante emocionais, a banda Chococorn and The Sugarcanes faz sua aparição na série de lives +um APRESENTA, do selo +um HITS. O grupo de Santa Bárbara d’Oeste (SP) apresenta as faixas Palavra de amigo e Agito e propaganda, ambas do álbum Todos os cães merecem o céu, lançado em março deste ano – e resenhado pela gente aqui. O vídeo tem também uma entrevista com a banda, realizada pelo jornalista Lucio Ribeiro (Popload) e por Gustavo Sartori, fundador da +um HITS.

No papo, Alê Luz (bateria e voz), Pipe Bacchin (guitarra base e voz), Pedro Guerreiro (guitarra solo e voz) e Pietro Sartori (baixo e voz) contam sobre a história do grupo e o seu momento atual, após o novo disco e vários shows para divulgá-lo. O papo começou justamente pelo nome da banda – Lucio chamou a atenção para o fato de que hoje há mais bandas com nomes criados ironicamente ou baseados em brincadeiras internas, como rolava bastante nos anos 1980. O fato de Todos os cães merecem o céu ser o segundo disco (fase delicada na carreira de uma banda) também surgiu na conversa.

Gravada no estúdio Base Obrigado Vida – que fica em Americana (SP), cidade natal do selo -, a sessão acontece em plano sequência, com a banda sendo filmada até pegar nos instrumentos. A ideia é reforçar a sensação de acompanhar o momento ao vivo. “O +um APRESENTA nasce da vontade de tirar o artista do palco tradicional e mostrar outra camada da performance, mais próxima e sem os recursos de uma produção de show convencional”, comenta Bianca Souza, diretora criativa e redatora da +um HITS.

“E também busca fazer com que o público conheça ainda mais o artista, apresentando um bate-papo que abre espaço para falar sobre a trajetória, as referências e o processo criativo de cada um. A intenção é que o público entenda o contexto por trás das músicas, e não apenas a performance em si”, conclui.

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Klicia mostra som autoral maranhense em session do selo Brisa Rec

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Klicia mostra som autoral maranhense em session do selo Brisa Rec

RESUMO: A maranhense Klicia encerra a primeira temporada da Brisa Sessions, do selo Brisa Rec, com cinco músicas, incluindo Garupa, faixa do EP Entre marés que marca uma nova fase da cantora.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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A cantora e compositora maranhense Klicia encerra a primeira temporada da Brisa Sessions, projeto audiovisual da Brisa Rec voltado ao registro de artistas da cena autoral do Maranhão. A oitava e última sessão foi gravada no Doc Studio, em São Luís, e reúne cinco músicas e uma entrevista sobre a trajetória, as referências e o momento atual da artista.

Entre as faixas apresentadas está Garupa, primeiro single do EP Entre marés, lançado por Klicia neste ano. A música abre uma nova fase do trabalho da cantora e combina elementos da música brasileira contemporânea com referências do reggae maranhense. Movimento, liberdade e transformação aparecem como temas da composição, que também aponta para a direção musical do novo projeto.

Na sessão, Garupa divide espaço com Complicado, Tudo que eu preciso, Novas danças e Vou voar, repertório que atravessa diferentes momentos da produção autoral de Klicia. A cantora é acompanhada por João Simas (guitarra), Rodrigo Tarta (baixo), Leo (bateria), Gabriel Oliveira (trompete) e Jadi Seguins (trombone).

O conjunto mostra uma artista que trabalha a partir de uma mistura de reggae, R&B, latinidades e música brasileira, sem se prender a uma única dessas referências. A apresentação também funciona como um registro de uma etapa de transição, entre o material já lançado e o que Klicia prepara para os próximos meses.

Com a participação da cantora, a Brisa Sessions fecha sua primeira temporada depois de oito episódios dedicados a diferentes artistas e repertórios do Maranhão. A proposta do projeto é registrar essas apresentações em formato audiovisual e ampliar o acesso à produção autoral da cena local.

A Brisa Sessions retorna no próximo ano para uma segunda temporada. Por enquanto, a sessão de Klicia, que encerra o primeiro ciclo, está disponível no YouTube da TV Brisa.

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MC Karlos: porrada nos defensores do “agro é pop” em “Máquinas agrícolas”

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MC Karlos: porrada nos defensores do "agro é pop" em "Máquinas agrícolas”

RESUMO: Ao lado do rapper guarani MC Driel, MC Karlos lança Máquinas agrícolas e transforma rap, punk e Lynyrd Skynyrd em ataque frontal ao agronegócio, à violência contra indígenas e à extrema direita em Mato Grosso do Sul.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Após 20 anos de serviços prestados ao rock independente no interior do Mato Grosso do Sul, MC Karlos se define como um ex-roqueiro – um cara que largou o punk e o hardcore para fazer rap minimalista e independente. E para espezinhar os roqueiros radicais de todas as formas possíveis, já que nem faz muito tempo ele lançou O rock morreu (Graças a deus). Ele também lançou Lutar pra ficar em casa, defendendo o fim da escala 6×1. Agora, os defensores da direita e do “agro é tech, agro é pop” ganharam uma porrada daquelas com Máquinas agrícolas.

Com participação especial do rapper guarani MC Driel, a faixa une mundos bem diferentes, musicalmente falando: tem samples de Sweet home Alabama, do Lynyrd Skynyrd, lado a lado com guitarras de punk rock e bateria eletrônica (a famosa Roland TR-808). Na letra, porradas nos fãs do agronegócio e críticas à violência cometida contra os povos indígenas no interior do Mato Grosso do Sul.

“Máquinas agrícolas, elas são mortíferas / tem sangue na engrenagem, pergunte aos indígenas / agromilícia, indústria alimentícia / triturando corpos, estancando a sangria”, diz a letra, que depois avisa: “MS Dourados made in USA / logo confederado na SUV / eles tem as armas, nós temos a batida / poder material versus o poder da rima / e a cachaça que eu bebo parte ao meio a minha vida”.

Outros versos são bastante reveladores: “Seu deus é o mercado, eu chamo é de diabo / seu bolso está cheio de sangue derramado / família, propriedade e tradição / crianças brincando com arma na mão / papai financiando atos golpistas / SUVs estampando símbolos fascistas”.

“Buscando seguir os passos de referências como Dee Dee King (Dee Dee Ramone) e Beastie Boys, o ‘artista’ abandonou o punk rock / hardcore para se dedicar ao rap. Com a diferença de que, ao contrário deles, MC Karlos não é rico, muito menos famoso e não nasceu em Nova York, mas sim no Brasil Profundo”, afirma o texto de lançamento. “As batidas são influenciadas pela década de 1980/1990 (a partir da fórmula ‘drum machine + guitarra distorcida + samples’) e as rimas refletem sobre a existência humana no contexto do capitalismo neoliberal do século 21”.

Se você ainda não sacou por que ouvir MC Karlos no último volume, então pega aí Máquinas agrícolas. E ouça bem alto.

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