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O que já se sabe sobre “Peaches!”, próximo disco dos Black Keys

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Os últimos anos têm sido cruéis para o Black Keys, uma das melhores e mais produtivas bandas recentes. Após o lançamento do ótimo Ohio players (2024), Dan Auerbach e Patrick Carney, vistos ali em cima em foto de Romeo Okwara, tiveram que enfrentar vendagens baixas, uma turnê pouco concorrida, cancelamento de shows, substituição de arenas por lugares menores, rompimento com os empresários. O ano seguinte viu nascer o razoável No Rain, no flowers, justamente na época em que Auerbach cuidava do pai, que tinha sido diagnosticado com câncer de esôfago – e morreria em seguida. Brabeira.

Carney teve uma ideia para, simultaneamente, ajudar o amigo a superar o luto e voltar a criar música: sugeriu que os dois mexessem em suas coleções de discos e tocassem covers. “Eu procurava discos de 45 rotações especificamente para tocar em encontros de colecionadores, mas às vezes encontrava uma música e pensava: ‘Isso seria divertido para mim e para o Pat tocarmos ao vivo'”, disse.

Foi daí que veio Peaches!, disco de regravações previsto para 1º de maio, pela Easy Eye Sound / Parlophone. A banda cuidou da produção e da mixagem e é um álbum em que todas as dez faixas são gravadas ao vivo, sem separação. E aí que quem sentia saudade do estilo “meta-Black Keys” (aquele blues-rock de hipster dos primeiros álbuns) já pode comemorar, porque é exatamente isso que Dan e Patrick são flagrados fazendo nos dois singles que já brotaram do álbum.

No dia 6 de fevereiro saiu o primeiro single, You got to lose, blues composto por Conde Hooker (1930-1970), guitarrista de blues de Chicago – e imortalizado por George Thorogood and The Destroyers. Em 20 de março, saiu o single Where there’s smoke, there’s fire, blues-soul composto e gravado originalmente pelo cantor de funk-soul William Griffin, que foi cantor dos Miracles. Ambas as faixas já ganharam clipes em que a dupla aparece tocando em pubs pequenos, daquele tipo em que tudo acontece ao mesmo tempo: garçons passando, a banda tocando, gente jogando sinuca, brigas na plateia, etc.

Tem um nome que volta a fazer parte das fichas técnicas da banda em Peaches!, que é o irmão de Patrick: Michael Carney fez as capas dos dez primeiros discos dos Black Keys (sim, se você piscou o olho e deu mole, Peaches! é nada mais nada menos que o 14º álbum) e volta para fazer o design da capa nova. A imagem que aparece na capa desenhada por Michael foi clicada pelo fotógrafo estadunidense William Eggleston, tido como um dos descobridores da fotografia colorida como forma de arte. O original da capa de Peaches! é uma foto sem título, tirada por Robert em 1973 (ou em 1971, segundo algumas fontes), mostrando o luminoso gasto (e o teto todo cagado) de um bar em Greenville, perto do Mississippi.

E sim, antes que você pergunte: a arte de Eggleston já surgiu em outras capas de discos. A foto do teto vermelho com uma lâmpada (uma imagem cujo nome é nada mais do que O teto vermelho) que aparece na capa do segundo disco do Big Star, Radio city (1971), é dele também. Alex Chilton, um dos artífices do grupo, estreou solo em 1979 com o disco Like flies in sherbert, que também trazia uma foto dele na capa – com bonecas no capô de um Cadillac.

Mais: a capa de Give out but don’t give up, disco de 1994 do Primal Scream, foi igualmente feita a partir de uma foto dele. E ora ora, Delta kream, disco do Black Keys de 2021, também trazia uma foto de Eggleston na capa (e no mesmo clima da de Peaches!).

Pouco antes do lançamento de Peaches!, vem a estrada. A dupla está se preparando para lançar sua turnê mundial Peaches ‘n kream a partir de 24 de abril, com todos os artistas de abertura escolhidos entre os artistas da gravadora Easy Eye Sound, de Auerbach. Dan, aliás, considera que o novo disco é o mais “natural” da dupla desde a estreia, The big come up, de 2002.

E tá aí a lista de faixas de Peaches!, e a capa do disco.

01. When there’s smoke, there’s fire (Willie Griffin)
02. Stop arguing over me (Paul “Wine” Jones)
03. Who’s been foolin you (Arthur Crudup)
04. It’s a dream (Neil Young)
05. Tomorrow night (Sam Coslow, Wilhelm Grosz)
06. You got to lose (Conde Hooker)
07. Tell me you love me (Frank Zappa)
08. She does it right (Wilko Johnson)
09. Fireman ring the bell (R.L. Burnside)
10. Nobody buy you baby (Junior Kimbrough)

Capa do álbum Peaches!, do Black Keys

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Deftones: após quase duas décadas, álbum perdido “Eros” vaza na internet

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Deftones (Foto: Divulgação)

O Deftones tem em seu currículo um dos discos “perdidos” mais famosos do rock pesado recente. Eros, álbum gravado entre abril e dezembro de 2008, deveria ser o sexto disco do grupo, e o sucessor de Saturday night wrist (2006). E também deveria marcar uma nova fase da banda. Só que uma sequência de acontecimentos transformou o trabalho em lenda – e agora, quase duas décadas depois, o disco volta aos holofotes após vazar integralmente na internet nesta segunda (22).

A história de Eros começa num momento bem delicado para o grupo. Depois de anos de conflitos internos e de um processo turbulento de gravação de Saturday night wrist – disco feito com os integrantes quase separados – o Deftones quis voltar às origens. Em vez de compor separadamente e trocar arquivos, passaram a tocar juntos em uma sala de ensaio, como nos primeiros tempos.

O resultado foi um conjunto de músicas que apontava para um Deftones mais experimental e espontâneo, e bastante melódico (como já é apontado pela faixa de abertura, Destiny). Há sons mais viajantes e depressivos, como Margot. A banda chegou a descrevê-lo como “aquela boa e velha agressividade do tipo ‘foda-se, espero que você morra!'”.

As gravações começaram oficialmente em abril de 2008, com o produtor Terry Date, parceiro da banda em discos clássicos como Around the fur (1997) e White pony (2000). O grupo chegou a divulgar vídeos de estúdio e a tocar ao vivo a inédita Melanie, enquanto os fãs aguardavam um lançamento previsto inicialmente para o fim daquele ano, ou quem sabe 2009.

Tudo mudou em novembro de 2008. O baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro e entrou em coma. Na época, Chino Moreno ainda gravava os vocais do álbum. Com a tragédia, os trabalhos foram interrompidos imediatamente.

Nos meses seguintes, a banda recrutou o baixista Sergio Vega para cumprir compromissos ao vivo e tomou uma decisão difícil: engavetar Eros. Em vez de concluir aquele material, o grupo preferiu começar do zero. O resultado foi Diamond eyes (2010), um disco mais luminoso e direto, criado em meio à tentativa de lidar emocionalmente com a situação de Cheng.

Chi nunca pôde voltar à banda. Após anos em estado delicado de saúde, ele morreu em 2013. Desde então, Eros passou a carregar um peso simbólico ainda maior, já que se tornou o último álbum gravado com o baixista.

Ao longo dos anos, algumas músicas escaparam para a internet. A mais conhecida foi Smile, divulgada por Chino em 2014. Mesmo assim, a maior parte do material permaneceu inédita. Os integrantes frequentemente deram entrevistas contraditórias sobre a possibilidade de lançamento oficial. Enquanto alguns defendiam ao menos a divulgação das gravações inacabadas, outros afirmavam não ter interesse em revisitar aquele período.

O vazamento completo de Eros encerra, ao menos para os fãs, uma espera de quase 18 anos – mesmo nunca tendo sido oficialmente acabado e estando disponível de forma pirata. Ao mesmo tempo, é um documento raro de um momento decisivo na história do Deftones, registrado pouco antes da tragédia que mudou para sempre os rumos do grupo. Fica a missão de descobrir como foi que o álbum vazou. Um post no reddit Numetal vai um pouco na história.

“O disco foi descoberto em maio e houve várias tentativas privadas de vender o álbum por até ‘cinco dígitos’, como disse o vendedor. Como foi obtido ainda é desconhecido, mas a maioria está especulando que foi por meio de um funcionário da Warner. Supostamente, há faixas vocais brutas de cada música do Eros, com Smile sendo a única faixa vocal pública no momento”, afirma o autor do post, dizendo que a postagem do disco pode ter vindo de alguém que supostamente comprou o conteúdo de forma ilegal (leia o post todo aqui).

Foto: Divulgação

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Bailinho: um canal para recuperar a experiência de ouvir música em família

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Tem gente tentando fazer conteúdo infantil no grito, no excesso de cor, no estímulo vindo de todos os lados. O Bailinho, canal criado pelo jornalista e publicitário Rafael Simi, vai na direção oposta. A ideia nasceu dentro de casa, entre músicas tocadas para os filhos na hora de dormir, e acabou virando um projeto que mistura afeto, educação e repertório musical sem tratar criança como alguém incapaz de ouvir “música de verdade”.

“Eu toco diversos instrumentos e sempre sonhei em ter uma banda de baile. Até hoje, meu melhor público foram meus dois filhos”, conta. “Na hora de dormir, eu não cantava músicas infantis tradicionais. Cantava as canções que gosto, de um jeito suave e calmo. Minha mulher chamava de ‘Rock in Rio para Crianças’. Eu chamava de Bailinho”.

A proposta do canal também conversa com ideias da educadora Maria Montessori, principalmente no que diz respeito à autonomia e à concentração das crianças. Em vez de apostar em desenhos acelerados e estímulos visuais exagerados, Rafael prefere trabalhar num formato minimalista, deixando espaço para a música respirar. As canções são divulgadas nos shorts do YouTube.

“Eu trabalho com baixos estímulos. É piano, violão e voz. Algumas canções são mais dançantes, mas não uso desenhos animados e nem arranjos excessivamente estimulantes. A ideia é criar espaço para que a criança se concentre na música, na melodia e na imaginação”, conta.

O repertório passa longe da lógica de separar completamente o universo musical de adultos e crianças. Músicas como Sangue latino (Secos & Molhados), Trem das 7 (Raul Seixas), Anunciação (Alceu Valença) e Take on me (A-Ha) surgem em versões feitas para crianças. Rafael diz sentir falta justamente dessas experiências compartilhadas em família – algo que, segundo ele, foi importante na própria formação musical.

“Eu cresci ouvindo muita música por influência do meu pai. Em casa, tocava de tudo: Noel Rosa, samba, jazz americano”, conta. “Hoje, muita gente vive com seus próprios fones de ouvido e as crianças acabam tendo menos oportunidades de compartilhar referências culturais com os adultos da família. Quis criar um espaço para esse encontro. Hoje, adulto ouve música de adulto e criança ouve Galinha Pintadinha. Sinto falta de experiências em comum. Já que é impossível evitar o contato das crianças com telas, que elas promovam uma experiência coletiva”.

Mesmo usando músicas originalmente compostas para adultos, Rafael diz que existe um cuidado grande na escolha das canções.

“Músicas de amor podem ser interpretadas como algo universal. Nós nos apaixonamos pelos nossos filhos assim que os conhecemos e eles nos amam incondicionalmente”, disse. “Quando trabalhei na Heads Propaganda, fizemos um comercial de Dia das Mães em que a música romântica Ela é carioca era cantada por crianças. O que eu não faço de jeito nenhum é cantar músicas em português com palavrões ou temáticas explicitamente adultas”.

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Pelados lançam “Contato” em vinil e anunciam primeira turnê internacional

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Pelados (Foto: Gabriela Luiza / Divulgação)

Um ano após o lançamento de Contato, seu quarto álbum, a banda Pelados anunciou uma edição em vinil do disco. O lançamento sai pelos selos Romaria Discos, Amigues do Vinil e RISCO.

A edição traz encarte duplo com letras e imagens inéditas, capa com acabamento envernizado e vinil azul. O projeto gráfico foi desenvolvido por Manu Julian, vocalista da banda, em parceria com Lilla Lescher. A pré-venda começou em dezembro de 2025 pelo site da Romaria Discos.

Para marcar a chegada do vinil, os Pelados fazem show no dia 22 de julho, no Porão da Casa de Francisca, em São Paulo. A apresentação será dividida com Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo. Os ingressos estão à venda, com preços a partir de R$ 44.

Lançado em 2025, Contato apresentou uma nova fase da banda, com maior espaço para experimentações sonoras e elementos pop. Nós resenhamos o disco aqui – e pouco depois de lançar o álbum, a banda soltou ainda o curta-metragem sci-fi O roubo da pasta azul, que está no YouTube.

Tem mais: nos próximos meses, o grupo embarca em sua primeira turnê internacional. A agenda passa por 11 cidades de Portugal, Espanha e Alemanha. A estreia acontece no dia 30 de agosto, no festival Kalorama, em Portugal.

Depois, a banda segue para apresentações em Porto, Odemira, Odeceixe, Esposende e Leiria, antes de passar por Vic, na Espanha, e encerrar a viagem com shows em Marburg, Saarbrücken e Berlim, na Alemanha.

SERVIÇO:
Pelados lança vinil de CONTATO
com Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo
22 de julho – quarta-feira
Abertura: 19h30 | Show a partir das 21h30
Porão da Casa de Francisca
Rua Quintino Bocaiúva, 22 – Sé
Ingressos aqui.

Foto: Gabriela Luiza / Divulgação

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