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Cinema

Cocksucker Blues voltou pro YouTube

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Cocksucker Blues voltou pro YouTube

O máximo que Cocksucker blues teve de lançamento “oficial” foi quando uns trechos da famigerada “cena do avião” apareceram num dos DVDs da série História do rock n’roll, da Warner.  Dirigido por um fotógrafo chamado Robert Frank, Cocksucker é um documentário cinema-extremamente-verdade sobre tudo da turnê da banda em 1972.

E por tudo, leia-se tudo mesmo: Keith Richards preparando-se para usar heroína, Mick Jagger cheirando cocaína, roadies e groupies usando drogas injetáveis, os Micks (Jagger e Taylor) fumando maconha. Ademais, surgem alguns momentos bizarros de pornografia: Mick Jagger aparece se masturbando, e em outro momento, uma groupie aparece nua na cama.

Alguém subiu, em duas partes, uma espécie de “corte final” do filme – com algumas poucas cenas tiradas após um alegado pedido da produtora Eagle Rock. Até o momento, é o melhor arquivo que já subiram do filme no YouTube, já que volta e meia ele aparece com som horroroso e imagem pior ainda que o original (que já é precário).

(importante: a “parte 2” original deste texto foi tirada do ar, achamos outra no YouTube e colocamos aí em cima)

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Até que tirem do ar, você pode verificar que os Rolling Stones bateram recordes de degradação com a turnê de 1972 (a primeira a rodar os EUA desde o desastre do festival de Altamont). Mas dá pra ver que muita coisa que falam sobre o filme é lenda. Cocksucker blues choca pela maneira como os Stones se deixaram expor – ainda que na sequência tivessem sustado o filme. Só que é mais um filme sobre uma banda na estrada do que pornografia e devassidão a todo momento. Por sinal, Keith aparece no auge do vício em heroína, desdentado e desorientado. Mas consegue manter a sanidade na hora de orientar a banda.

O músico também aparece na cena mais aleatória do filme, da qual possivelmente você ouviu falar. É quando ele e o saxofonista Bobby Keys resolvem atirar um aparelho de TV da janela do hotel. Aliás, alguém separou esse momento e jogou em outro arquivo no YouTube.

Na tal “cena do avião”, roadies caem na sacanagem explícita com groupies, durante uma viagem no avião da banda. Enquanto isso, os Stones animam a festa tocando percussão. Rola até uma cuíca, provavelmente trazida por Mick e Keith do Brasil, para onde tinham vindo em 1968. Uma cena que muita gente diz ter sido armada só para o filme, muito embora Keith chegue a fazer gestos pedindo para Frank parar de filmar.

Apesar da nudez, Cocksucker blues é quase um Férias do barulho um pouco mais pesado, com câmera bêbada e cores saturadas. Aliás, certa vez entrevistei Ezequiel Neves (1935-2010), fã dos Stones até a medula, e perguntei do filme. Ele me disse que não se interessava em ver um lançamento oficial e ainda detonou Cocksucker blues. “É um ancestral da Bruxa de Blair. É horroroso. Quem aguenta ver aquela câmera tremida o tempo todo?”.

O que rolou depois com Cocksucker já foi bastante contado por aí. Jagger assistiu ao filme e disse a Frank que aquilo faria com que a banda jamais pudesse voltar aos EUA. O longa sumiu e, após uma batalha legal, o diretor conseguiu finalmente (e só em 1977) liberar a exibição de Cocksucker caso ele esteja presente no recinto. Mas nesses momentos, o filme é aberto com a frase-cascata “exceto pelas sequências musicais, tudo nesse filme é ficcional”. Por acaso, ela aparece também no vídeo lá de cima.

Os Stones continuam interessadíssimos em fazer registros das “internas”. Recentemente andam saindo vários DVDs da banda. Um deles, Olé olé olé – A trip across Latin America documenta o último giro da banda pelo nosso continente. Inclui cenas da banda no Brasil, com direito a imagens do guitarrista Ron Wood grafitando o Beco do Batman. Mas traz também as estressantes negociações do show da banda em Cuba, que obrigaram a chefia a contratar um produtor acostumado a dialogar com países comunistas. Cocksucker chega às portas de 2018 encantando bem menos que esses novos lançamentos, apesar dos detalhes sórdidos. Mas vale assistir.

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Cinema

Urban struggle: tem documentário raro sobre punk californiano na web

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Sabe aquele vizinho fascista que você detesta, e que também tem uma relação péssima com você? Pois bem, o conto dos vizinhos que se odeiam mutuamente ganhou proporções astronômicas e perigosas com o relacionamento bizarro entre dois bares californianos: o boteco punk Cuckoo’s Nest e o bar de cowboys urbanos Zubie’s. Os dois ficavam um ao lado do outro na cidade de Costa Mesa, localizada em Orange County, região com cena punk fortíssima.

O Cuckoo’s Nest era um local importante para o punk da Califórnia, a ponto de bandas como Black Flag, Circle Jerks, Fear e TSOL teram tocado lá. E do primeiro show do Black Flag com Henry Rollins no vocal ter acontecido na casa, no dia 21 de agosto de 1981. Bandas como Ramones e Bad Brains, ao passarem pela cidade, sempre tocavam lá. Já o Zubie’s, lotado de playboys no estilo country, costumava ser um problema para os punks: os cowboys invadiam o local, arrumavam brigas com os punks e os insultavam usando termos homofóbicos.

Vale citar que mesmo dentro do Cuckoo’s Nest as coisas não eram fáceis, até porque “movimento punk” significava uma porrada de gente reunida, com motivações diferentes e estilos de vida conflitantes. Tipos violentos e machistas começaram a frequentar o local e a arrumar briga com os frequentadores. E quem viu o documentário The other f… word, da cineasta e roteirista Andrea Blaugrund Nevins, recorda que o rolê punk na Califórnia era muito violento.

Flea, baixista dos Red Hot Chili Peppers – e que tocou no Fear por alguns tempos nos anos 1980 – lembra em The other f… word que, no começo dos anos 1980, uma cena comum nos shows do Black Flag eram as inúmeras brigas nas quais os fãs eram esmurrados e nocauteados, apenas por terem o cabelo ou a roupa assim ou assado. “As pessoas não somente tomavam porrada, elas acabavam no hospital. Havia ambulâncias transportando os fãs após os shows a todo momento!”.

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O Cuckoo’s Nest ficou aberto de 1976 até 1981 e nunca deixou de ter problemas. O proprietário Jerry Roach lutava para manter a casa aberta, dialogava da maneira que dava com policiais, com clientes e até com a turma enorme de hippies, cabeludos e malucos que pulava de galho em galho na Califórnia.

E essa longa introdução é só pra avisar que jogaram no YouTube o documentário  Urban struggle: The battle of the Cuckoo’s Nest, dirigido em 1981 por Paul Young.  Infelizmente sem legendas.

Tem uma edição melhor no Vimeo. Sem legendas também.

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Num dos depoimentos do documentário, Jerry define a atitude dos punks como “foda-se, vivo de acordo com minhas regras”. Mas diz que não vê hippies como sendo pessoas da paz e do amor o tempo todo, e muito menos enxerga punks como odiadores contumazes. “É só um conflito de gerações”, disse Jerry, que – você talvez já tenha imaginado – batizou o local em homenagem ao filme Um estranho no ninho, de Milos Forman (o nome no original era One flew over the cuckoo’s nest).

Tanto os músicos quanto Jerry falam bastante a respeito de brigas com a polícia – o dono do local relata as vezes em que conversou com os agentes – e reclamam da violência policial. Por acaso, um dos agentes é entrevistado, e os meganhas locais, seguindo o exemplo dos cowboys, não tinham o menor apreço pelos punks. A luta de Jerry para manter o local aberto também está no doc. Mas se você quer sair fora das discussões, o documentário ainda tem apresentações bem legais do Black Flag, Circle Jerks e TSOL.

Paul Young, o autor do filme, era um estudante de cinema que tinha sido contratado por Jerry para filmar as invasões da polícia ao local. Acabou sendo responsável pelo documentário, e anos depois acabou ficando bastante indignado quando viu o filme We were feared – The story of The Cuckoo’s Nest, de Jonathan WC Mills, e reconheceu várias de suas imagens lá.

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Cinema

Mostra de cinema e música Curta Circuito vem aí e estamos nela!

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Tem um festival unindo música e cinema, cuja 21ª edição começa hoje, e nós estamos nele. O festival Curta Circuito começa nesta segunda (11), online e que e traz sete filmes brasileiros que contam a história da música e de músicos. Com direção de Daniela Fernandes e curadoria de Andrea e Carlos Ormond, o evento acontece online pelo site da mostra, entre 11 e 17 de outubro, com filmes disponíveis a partir das 20h em cada dia e participação gratuita. Nós (enfim, eu, Ricardo Schott, editor deste site) estamos lá participando de um debate sobre o filme Ritmo alucinante, de Marcelo França (na quarta, dia 13, ao lado do diretor de fotografia Jom Tob Azulay)

“Em anos anteriores debatemos filmes populares (2017), violência (2018), fé, magia e mistério (2020). Nosso recorte da curadoria conta não especificamente a história da música, mas histórias de música – e de músicos. Em todos os filmes, existe um ponto convergente: os músicos são protagonistas de experiências e emoções, levando de carona o espectador”, explica a curadora Andrea Ormond. “Esta edição do Curta Circuito vem como mais um alento a todos aqueles que resistem. A programação está recheada de histórias e da presença de personagens femininos marcantes da filmografia brasileira, dos anos que trazem som, cor, vivacidade, liberdade e postura”, completa a diretora Daniela Fernandes.

O filme Ritmo alucinante mostra trechos do festival Hollywood Rock de 1975, realizado no antigo Estádio de General Severiano, em Botafogo, com participações de Rita Lee, Vímana, O Peso, Erasmo Carlos, Raul Seixas e Celly Campello.

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Entre os outros filmes da mostra estão Bete Balanço (1984, dir. Lael Rodrigues), Um trem para as estrelas (1987, dir. Cacá Diegues), Corações a mil (1983, dir. Jom Tob Azulay, com Gilberto Gil e Regina Casé) e Roberto Carlos e o diamante cor de rosa (1970, dir. Roberto Farias).

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Cinema

Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

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Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

Daqui a bem pouco tempo, Uma cilada para Roger Rabbit (1988) vai fazer 35 anos – e como o tempo voa, logo logo faz 40. O filme de Robert Zemeckis inovou por misturar desenho animado e realidade, e deixou todo mundo intrigado não apenas pelo filme, mas também pelas suas imagens de making of, já que não havia quem não quisesse saber como aquilo foi feito.

Quem ficou de olho nas imagens de bastidores (o Cinemania, da Manchete, e o Fantástico exibiram muita coisa) viu que a produção usou máquinas para mexer os objetos “movidos” pelos desenhos animados (sim, porque ninguém abriu mão de usar objetos de verdade). E que os personagens humanos de Roger Rabbit precisavam fazer força para fingir que “contracenavam” com os desenhos animados, principalmente nas cenas de ação – que eram inúmeras.

O canal kaptainkristian localizou três regras importantes na animação de Uma cilada para Roger Rabbit, e que tornaram o filme um prodígio, feito numa época em que nem havia tecnologia suficiente para unir tão bem assim desenho e realidade. Dica: o uso de luzes e sombras contou bastante para ajudar o filme a se tornar o que é.

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