Connect with us

Urgente

Novas de Ana Spalter, Gabo Islaz e Sutil Modelo Novo

Published

on

Ana Spalter. Foto: Teresa Marques

Não é um Radar, mas é quase: a cantora paulista Ana Spalter, o gaúcho Gabo Islaz e a banda carioca Sutil Modelo novo mandaram notícias – ou melhor, colocaram nas plataformas singles novos. Dois deles, por sinal, apareceram na lista de lançamentos que a gente faz toda sexta-feira na nossa newsletter (ei, vocês sabiam que a gente faz isso?).

Ana Spalter acaba de lançar a delicada Talvez, mais uma parceria com o músico mineiro Lince, com quem ela já havia dividido o single Prevaleça, lançado em dezembro de 2025. As duas músicas foram gravadas, aliás, no mesmo dia – e a faixa nova tem mais do que apenas uma relação com o excelente disco que Ana lançou no ano passado, Coisas vêm e vão.

Talvez soa quase como um bônus mais introspectivo do álbum, falando das metamorfoses da vida a partir de reminiscências de Ana sobre suas temporadas na praia da Barra do Sahy, no Litoral Norte de São Paulo. A ideia é que a música faça com o / a ouvinte a mesma coisa que o mar faz: tranquilizar e embalar, a partir de um instrumental amigável e de versos que falam da “visita a um futuro que nunca existirá, um mergulho no luto”, como revela a própria Ana. Baseada em piano e voz, a melodia consegue passar perto de Tom Jobim, Marcos Valle e Rita Lee, simultaneamente. E deixa todo mundo se sentindo mais leve e feliz com a combinação de letra e música.

Pop adulto de clima psicodélico? Pois é: unindo uma melodia fácil de grudar e uma guitarra que remete a True, hit do Spandau Ballet, é isso que o gaúcho Gabo Islaz faz no single Me deixei. A faixa saiu na semana passada, e adianta seu disco de estreia, Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração, previsto para maio. Gravado em Santa Fe, Buenos Aires (Argentina), Porto Alegre e Tunja (Colômbia), o álbum foi todo composto entre os 22 e os 25 anos de Gabo, aproximadamente, e funciona como um “querido diário” da época – é uma “coletânea de canções íntimas”.

A faixa começa com uma instigante conversa entre um homem e uma mulher, em que ela pergunta em espanhol: “você é romântico?” – e o tal papo é nada menos que Charly Garcia, rei do rock argentino, sendo entrevistado em 1998 pela apresentadora Susana Giménez. O “me deixei” do título não é outra coisa senão um aviso: aqui tem muito romantismo e muita vontade de viver.

Assim como Ana, a banda carioca Sutil Modelo Novo já tinha aparecido no Pop Fantasma – resenhamos o disco A teoria d q td vai dar certo no final, de 2024. Eles fazem parte da turma do selo Alterego, que já esteve neste site também. O grupo lançou nesta segunda o single Abobrinha, que abre os trabalhos do EP Corre errado, previsto ainda para o primeiro semestre. E avisam que tem uma nova fase da banda chegando: antes mais conhecida por voar do emo ao pós-punk, a Sutil Modelo Novo vai agora para uma onda mais crua.

Abobrinha mistura guitarras pesadas, vocais graves e registrados em clima lo-fi, e dedilhados típicos do Midwest emo. A letra fala sobre um amor que vai embora, mas deixa ensinamentos. “Ela fala sobre aceitação. Aceitar que algo que foi tão importante e fundamental na sua vida agora é memória, é passado, e se permitir perceber que você é livre para encontrar outras formas de ser feliz e de viver”, diz o vocalista e compositor Theo Necyk.

Foto Ana Spalter: Teresa Marques / Divulgação

Urgente

Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

Published

on

Elephant Run - Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.

A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?

“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.

Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.

Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.

Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.

Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Urgente

Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

Published

on

Solarski - Foto: Shoot Me Again Webzine

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.

O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.

E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.

“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.

Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Urgente

Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

Published

on

Smile (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.

Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.

Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.

A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?

No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS