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Mallory Hawk: country-rock com cara de anos 1990 em “Revolver”

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Capa do disco Chinook, de Mallory Hawk

Mallory Hawk já passou por bandas como Customer, M(h)aol e Trace Mountains, e agora tá solo está prestes a lançar seu álbum de estreia. Dia 31 de julho sai Chinook, faz referência aos helicópteros que costumavam fornecer um zumbido constante na cidade militar de Fayetteville, na Carolina do Norte, onde ela cresceu. O single Felicity, lançado no outono passado, está presente no álbum, assim como a nova faixa Revolver, que ganhou clipe dirigido por Aldo Fisk

Revolver segue uma onda country e até bastante comercial, pelo menos levando em conta a vibe do alt-country atual – o site Stereogum chega a citar cantoras como Sheryl Crow em comparação (eu acho exagero, mas…). Agora, Mallory seguiu as referências mais conhecidas do country rock feminino dos anos 1990 na faixa e no clipe.

“Sou fã de videoclipes dos anos 90 com uma cantora e compositora morena em seu loft ensolarado. Queria fazer um vídeo descontraído, que retratasse um dia agradável em casa compondo a música, e foi exatamente assim que aconteceu”, conta.

“O início presta homenagem ao vídeo de You learn, da Alanis Morissette, onde ela começa fazendo uma parada de mãos e logo segue com seu dia. Eu sabia que queria que a câmera ‘girasse’, então meu amigo Colin juntou alguns equipamentos e luzes e gravamos o vídeo inteiro na minha sala de estar. Eu estava cuidando dos cachorros da minha amiga, Connie e Vinny, na época, e eles roubaram a cena”, continuou.

A foto da capa de Revolver é a mesma que será usada em Chinook – uma pintura de Mallory feita por Margo Schultz, a partir de uma foto da cantora tirada por Natalie Piserchio (acima). Abaixo você confere as faixas do disco e o single.

01 The mirror
02 D’anger
03 Revolver
04 Four o’clocks
05 Caretaker
06 Low rise
07 Superhighway
08 Felicity
09 Rotten man
10 Rabbit hole

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Peso e psicodelia: Levitation desembarca no Brasil com Melvins, Boris e Osees

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RESUMO: O Levitation ganha sua primeira edição no Brasil em 23 de janeiro de 2027, em São Paulo, com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Levitation finalmente vai atravessar o Hemisfério Sul. Um dos festivais mais importantes da cena psicodélica americana terá sua primeira edição no Brasil em 23 de janeiro de 2027, no Komplexo Tempo, em São Paulo. E o primeiro cartaz já chega com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.

A edição brasileira faz parte de um circuito sul-americano que também passa por Buenos Aires, em 20 de janeiro, e Santiago, no dia seguinte. Os ingressos começam a ser vendidos em 19 de agosto, às 10h, pela Fastix. A organização é da Maraty, com patrocínio da Kunumi.

A ideia de trazer o Levitation para cá começou há mais de uma década. André Barcinski, produtor da Maraty, conheceu o festival em Austin em 2014, quando o evento ainda carregava o nome Austin Psych Fest. “Fiquei impressionado com a qualidade das bandas, a organização e o clima de camaradagem entre o público e os artistas. Eu não conhecia 70% das bandas do line-up e saí de lá zonzo de tanta música boa”, conta. “Desde então, sonho em poder replicar esse festival no Brasil. Foram vários anos de tentativas, e agora deu certo!”

O projeto brasileiro pretende manter uma das características mais importantes do festival americano: uma programação que não depende apenas de grandes nomes. Leandro Carbonato, produtor da Powerline e sócio da Maraty, coordena o Levitation na América do Sul ao lado de Barcinski e quer transformar as três primeiras edições em um circuito permanente. “Queremos construir um projeto duradouro, com muitas edições. Por isso, o festival também chegará ao Chile e à Argentina”, afirma.

A versão brasileira também terá uma feira dedicada à produção independente, com discos, camisetas, livros, pôsteres e outros itens de selos e marcas alternativas.

MELVINS: No palco, o Melvins é um daqueles nomes que dispensam muita apresentação. Buzz Osborne e Dale Crover estão à frente da banda desde os anos 1980, quando o grupo ajudou a transformar a lentidão e o peso do hardcore em uma das bases do sludge.A banda e o estilo são referência para o grunge, o doom, o noise rock e uma série de outras formas de música pesada. Melvins volta ao Brasil depois de 17 anos. Na formação atual, Osborne e Crover tocam com Steven McDonald e Coady Willis.

OSEES: Esse grupo chega como uma espécie de especialista em transformar um show de rock em um teste de resistência. A banda de John Dwyer atravessa garage rock, psicodelia, krautrock, hardcore, synth punk e música experimental há quase três décadas. A formação com duas baterias — Dan Rincon e Paul Quattrone — ajuda a explicar a reputação dos shows. E a discografia recente mostra que Dwyer continua interessado em mudar de direção, migrando para estilos como hardcore, no wave e rock progressivo. No Brasil, a banda terá ainda a participação da ex-integrante Brigid Dawson.

BORIS: O japonês completa o trio de atrações internacionais mais pesadas do cartaz. Formado em Tóquio em 1992, o grupo de Wata, Takeshi e Atsuo construiu uma discografia que passa por drone, doom, noise, sludge, shoegaze, psicodelia e até pop. Detalhe: o nome do grupo foi retirado de Boris, faixa que abre Bullhead, álbum lançado pelos Melvins em 1991.

FRANKIE AND THE WITCH FINGERS: Essa banda representa uma geração mais nova dessa linhagem psicodélica. Formada em Indiana e posteriormente estabelecida em Los Angeles, a banda começou no garage rock e foi incorporando post-punk, funk, new wave e eletrônica. Data doom, de 2023, e Trash classic, de 2025, mostram essa transformação.

BRASILEIROS. A Ema Stoned leva seu “rock digressivo” para o Komplexo Tempo. O trio formado por Alessandra “AL” Duarte, Elke Lamers e Theo Charbel trabalha com improvisação, psicodelia, krautrock e jazz. Já a Bike chega com a mistura de psicodelia, rock progressivo, tropicália e ritmos brasileiros que marcou sua trajetória. O disco mais recente, Noise meditations (2025), nasceu de sessões abertas de improvisação.

O Test leva ao Levitation uma proposta completamente diferente de estrutura. João Kombi e Barata construíram a carreira tocando em ruas, estacionamentos e do lado de fora de grandes shows, muitas vezes usando uma Kombi e um gerador como infraestrutura. Fechando a escalação está o Bufo Borealis, sexteto paulistano que cruza jazz-funk, psicodelia, rock experimental e improvisação. A banda lançou Natureza em 2025, álbum que apareceu entre os cem melhores discos brasileiros daquele ano na seleção da APCA.

O FESTIVAL. O Levitation nasceu em Austin em 2008, ainda como Austin Psych Fest, criado por integrantes do The Black Angels e outros nomes da cena local. A proposta era reunir a nova geração da psicodelia em um evento independente. O festival cresceu, mudou de nome em homenagem ao The 13th Floor Elevators e já recebeu The Flaming Lips, Tame Impala, The Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Spiritualized, Slowdive, Beach House, Sonic Youth, Dinosaur Jr., Pavement, King Gizzard & the Lizard Wizard e muitos outros.

O Levitation também criou edições em França, Vancouver e Chicago e desenvolveu uma ligação com o selo Reverberation Appreciation Society, responsável por registros ao vivo de artistas que passaram por suas edições.

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SERVIÇO:
Levitation Brasil
Data: sábado, 23 de janeiro de 2027
Local: Komplexo Tempo
Endereço: Avenida Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo
Atrações: Melvins, Osees, Boris, Frankie and the Witch Fingers, Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis
Ingresso aqui.
Venda: a partir de 19 de agosto na Fastix
Ingressos físicos sem taxa: Loja 255 da Galeria do Rock (R. 24 de Maio 62, Centro)
Patrocínio: Kunumi
Produção: Maraty
Apoio: Powerline
Censura: permitida a entrada de menores de 18 anos desde que acompanhados de responsável legal.
Acessibilidade: o local é totalmente equipado para atender a PCDs e haverá um espaço exclusivo para cadeirantes poderem ver os shows com toda a visibilidade e conforto.

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Elephant Run revisita “Fernanda” em clima de jazz, tarantela e chuva

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Elephant Run (Foto: Gregory Rowlinson / Divulgação)

RESUMO: A Elephant Run revisita uma música de 2017 em Fernanda, versão acústica gravada no Mato Records, em Minas Gerais. A faixa troca o peso psicodélico por violão, bandolim, jazz e tarantela.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Gregory Rowlinson / Divulgação

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O Elephant Run resolveu voltar quase dez anos no tempo para mexer em uma de suas primeiras músicas. A banda sueco-brasileira apresenta uma versão ao vivo e acústica de Fernanda, faixa do primeiro álbum do grupo, lançado em 2017. A gravação faz parte da série Mato Sessions e foi realizada no Mato Records, estúdio localizado no interior de Minas Gerais.

A música ganhou outro desenho nessa nova versão. O arranjo abandona o peso roqueiro e psicodélico do original e coloca violão, bandolim, baixo acústico e bateria tocada com vassourinhas no centro da gravação. A ideia também aproximou Fernanda de referências de jazz e tarantela, sem apagar a identidade da banda.

“O rock é a nossa base, mas estamos abertos ao jazz, ao folk ou a elementos mais teatrais, se for esse o caminho da música”, diz Amanda W. Plantin, que divide os vocais e o piano com Ladislau Kardos (bateria), Fernando Coelho (bandolim) e Renato Cortez (baixo acústico). Karin Älverbrandt participa da sessão no violão e nos backing vocals. “Não temos receio de construções longas, estruturas pouco convencionais ou de deixar uma música levar o tempo que precisar”, completa Amanda.

Fernanda tem um significado especial para a Elephant Run. É uma das primeiras composições do grupo e integra o repertório que a banda chama de “nordic tropical”, combinação de referências que também aparece em outros momentos de sua trajetória. A versão original ganhou tratamento mais psicodélico; agora, a música parece ter sido colocada em outra paisagem.

O Mato Records ocupa um lugar importante nessa história. O estúdio fica na casa de Renato Cortez e se transformou em um ponto de encontro para uma banda cujos integrantes vivem em diferentes partes do mundo. Foi ali que a Elephant Run gravou Leftover land, seu álbum mais recente, lançado em 2024. Renato também mixou e masterizou a nova sessão.

“Fazer regravações, outros arranjos de obras, sendo nossas ou não, é algo que eu sempre gostei”, conta o baixista. “É um exercício de se apegar a algo essencial da música e abandonar o resto. Com a presença da Karin Älverbrandt conosco naqueles dias, foi natural fazer uma versão com o apoio da voz e do violão que ela fez.”

A gravação ainda ganhou uma solução visual que nasceu de um problema. A ideia inicial era registrar a banda ao ar livre, com as montanhas ao fundo, mas a chuva forte obrigou todo mundo a permanecer dentro do estúdio. As câmeras de Rafael Russano acompanharam a performance na sala de estar, enquanto Tiago Feliciano cuidou da edição de cor e levou o vídeo para o preto e branco.

“Queríamos gravar ao ar livre, com as montanhas como pano de fundo, mas estava chovendo muito, então tivemos que fazer a gravação na sala de estar do estúdio, em frente às janelas”, conta Amanda. “Então, a chuva acabou se tornando parte da narrativa e decidimos incorporar essa linguagem na pós-produção, mostrando a chuva e usando, por exemplo, o preto e branco”.

E tá aí Fernanda.

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Uma música de seis minutos, um público fiel e a aposta da Lighthouse

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Lighthouse (Foto: Matheus Oliveira / Divulgação)

RESUMO: A Lighthouse desafia a lógica do single curto com Saudade, faixa de mais de seis minutos que virou favorita nos shows. Produzida por Teago Oliveira (Maglore), ela mistura emo, Radiohead, Coldplay e Midwest emo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Matheus Oliveira / Divulgação

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O mercado musical é cheio daquelas ondas que Nelson Rodrigues chamava de “Sobrenatural de Almeida”: discos altamente pop que não emplacam, músicas aparentemente anti-comerciais que viram hits, canções que são abraçadas pelo público mas nem sempre seguem a lógica-padrão das rádios e gravadoras. A banda Lighthouse, por exemplo, decidiu fazer da música Saudade um single após ver que ela fazia bastante sucesso nos shows. E Saudade, vale dizer, é uma música introspectiva, densa e… grande, com mais de seis minutos de duração.

Traduzindo: se a lógica do mercado é partir para canções “fáceis” e curtas, esse grupo formado no interior de São Paulo não está nem aí pra isso – muito menos seu público. “Desde sempre ela é muito importante para nós, foi a primeira música que o público abraçou”, recorda o guitarrista Matheus Oliveira, que integra a banda ao lado de Ralf Ricardo (vocalista), Felipe Rodrigues (baixo e voz) e Danilo Abreu (bateria).

  • Ouvimos: Teago Oliveira – Canções do velho mundo

A banda, formada no interior de São Paulo, se trancou no estúdio com o produtor Teago Oliveira (da banda baiana Maglore), e saiu de lá com Saudade registrada como uma canção quase progressiva, sem trair as origens emo e alternativas do grupo. A letra, bastante contemplativa e nostalgica, fala sobre a ausência de alguém e a falta que a pessoa deixou. O arranjo inclui riffs dedilhados e uma onda sonora que remete simultaneamente a Radiohead, a Coldplay e ao Midwest emo.

“É a mesma música, mas totalmente diferente. Estou ansioso para ouvir a galera perguntando: ‘isso é Lighthouse?’, brinca Ralf, dizendo que muita coisa foi acrescentada na canção, mas a essência foi mantida. “A expectativa que tínhamos é agora pequena perto do que se tornou realidade. Ter uma música produzida por um ídolo, em um processo tão leve, gratificante e evolutivo, já me deixa muito satisfeito”, diz o músico, que, como os amigos de banda, tem Teago e o Maglore como referências.

Saudade é o segundo single da Lighthouse, que já conta com a faixa Calma, lançada em 2024, e o EP Ao vivo na viva, de 2025.

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