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Blondshell: música nova sobre “amizade e traição”

If you asked for a picture, disco mais recente de Sabrina Teitelbaum – que usa o codinome Blondshell – tá tendo uma vida longa: saiu há um ano, e depois ganhou uma edição expandida expandida com participações de artistas como Conor Oberst, Samia, John Clacier e outros. Mas parece que há outro disco de Blondshell vindo por aí, sem muitas infos a respeito – a única coisa que todo mundo já pode conferir é Heart has to work so hard, single novo.
Quem viu o show de Blondshell no Coachella mês passado conferiu a canção ao vivo: é um soft rock alternativo (digamos), com uma certa cara grunge, e que fala sobre “amizade e traição”, segundo a própria Sabrina (um trecho da letra: “Eu te digo como me sinto e você pensaria que eu contei uma piada / estou gritando na sua cara que te odeio”).
“Essa música fala sobre ficar presa em uma dinâmica e deixar as coisas piorarem. Fala sobre dor e confusão – ninguém te prepara para os altos e baixos de uma amizade entre duas mulheres – mas também fala sobre um amor tão duradouro que você encontra compaixão não importa o que aconteça”, contou ela.
Foto: Divulgação
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Peso e psicodelia: Levitation desembarca no Brasil com Melvins, Boris e Osees

RESUMO: O Levitation ganha sua primeira edição no Brasil em 23 de janeiro de 2027, em São Paulo, com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Levitation finalmente vai atravessar o Hemisfério Sul. Um dos festivais mais importantes da cena psicodélica americana terá sua primeira edição no Brasil em 23 de janeiro de 2027, no Komplexo Tempo, em São Paulo. E o primeiro cartaz já chega com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.
A edição brasileira faz parte de um circuito sul-americano que também passa por Buenos Aires, em 20 de janeiro, e Santiago, no dia seguinte. Os ingressos começam a ser vendidos em 19 de agosto, às 10h, pela Fastix. A organização é da Maraty, com patrocínio da Kunumi.
A ideia de trazer o Levitation para cá começou há mais de uma década. André Barcinski, produtor da Maraty, conheceu o festival em Austin em 2014, quando o evento ainda carregava o nome Austin Psych Fest. “Fiquei impressionado com a qualidade das bandas, a organização e o clima de camaradagem entre o público e os artistas. Eu não conhecia 70% das bandas do line-up e saí de lá zonzo de tanta música boa”, conta. “Desde então, sonho em poder replicar esse festival no Brasil. Foram vários anos de tentativas, e agora deu certo!”
O projeto brasileiro pretende manter uma das características mais importantes do festival americano: uma programação que não depende apenas de grandes nomes. Leandro Carbonato, produtor da Powerline e sócio da Maraty, coordena o Levitation na América do Sul ao lado de Barcinski e quer transformar as três primeiras edições em um circuito permanente. “Queremos construir um projeto duradouro, com muitas edições. Por isso, o festival também chegará ao Chile e à Argentina”, afirma.
A versão brasileira também terá uma feira dedicada à produção independente, com discos, camisetas, livros, pôsteres e outros itens de selos e marcas alternativas.
MELVINS: No palco, o Melvins é um daqueles nomes que dispensam muita apresentação. Buzz Osborne e Dale Crover estão à frente da banda desde os anos 1980, quando o grupo ajudou a transformar a lentidão e o peso do hardcore em uma das bases do sludge.A banda e o estilo são referência para o grunge, o doom, o noise rock e uma série de outras formas de música pesada. Melvins volta ao Brasil depois de 17 anos. Na formação atual, Osborne e Crover tocam com Steven McDonald e Coady Willis.
OSEES: Esse grupo chega como uma espécie de especialista em transformar um show de rock em um teste de resistência. A banda de John Dwyer atravessa garage rock, psicodelia, krautrock, hardcore, synth punk e música experimental há quase três décadas. A formação com duas baterias — Dan Rincon e Paul Quattrone — ajuda a explicar a reputação dos shows. E a discografia recente mostra que Dwyer continua interessado em mudar de direção, migrando para estilos como hardcore, no wave e rock progressivo. No Brasil, a banda terá ainda a participação da ex-integrante Brigid Dawson.
BORIS: O japonês completa o trio de atrações internacionais mais pesadas do cartaz. Formado em Tóquio em 1992, o grupo de Wata, Takeshi e Atsuo construiu uma discografia que passa por drone, doom, noise, sludge, shoegaze, psicodelia e até pop. Detalhe: o nome do grupo foi retirado de Boris, faixa que abre Bullhead, álbum lançado pelos Melvins em 1991.
FRANKIE AND THE WITCH FINGERS: Essa banda representa uma geração mais nova dessa linhagem psicodélica. Formada em Indiana e posteriormente estabelecida em Los Angeles, a banda começou no garage rock e foi incorporando post-punk, funk, new wave e eletrônica. Data doom, de 2023, e Trash classic, de 2025, mostram essa transformação.
BRASILEIROS. A Ema Stoned leva seu “rock digressivo” para o Komplexo Tempo. O trio formado por Alessandra “AL” Duarte, Elke Lamers e Theo Charbel trabalha com improvisação, psicodelia, krautrock e jazz. Já a Bike chega com a mistura de psicodelia, rock progressivo, tropicália e ritmos brasileiros que marcou sua trajetória. O disco mais recente, Noise meditations (2025), nasceu de sessões abertas de improvisação.
O Test leva ao Levitation uma proposta completamente diferente de estrutura. João Kombi e Barata construíram a carreira tocando em ruas, estacionamentos e do lado de fora de grandes shows, muitas vezes usando uma Kombi e um gerador como infraestrutura. Fechando a escalação está o Bufo Borealis, sexteto paulistano que cruza jazz-funk, psicodelia, rock experimental e improvisação. A banda lançou Natureza em 2025, álbum que apareceu entre os cem melhores discos brasileiros daquele ano na seleção da APCA.
O FESTIVAL. O Levitation nasceu em Austin em 2008, ainda como Austin Psych Fest, criado por integrantes do The Black Angels e outros nomes da cena local. A proposta era reunir a nova geração da psicodelia em um evento independente. O festival cresceu, mudou de nome em homenagem ao The 13th Floor Elevators e já recebeu The Flaming Lips, Tame Impala, The Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Spiritualized, Slowdive, Beach House, Sonic Youth, Dinosaur Jr., Pavement, King Gizzard & the Lizard Wizard e muitos outros.
O Levitation também criou edições em França, Vancouver e Chicago e desenvolveu uma ligação com o selo Reverberation Appreciation Society, responsável por registros ao vivo de artistas que passaram por suas edições.
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SERVIÇO:
Levitation Brasil
Data: sábado, 23 de janeiro de 2027
Local: Komplexo Tempo
Endereço: Avenida Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo
Atrações: Melvins, Osees, Boris, Frankie and the Witch Fingers, Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis
Ingresso aqui.
Venda: a partir de 19 de agosto na Fastix
Ingressos físicos sem taxa: Loja 255 da Galeria do Rock (R. 24 de Maio 62, Centro)
Patrocínio: Kunumi
Produção: Maraty
Apoio: Powerline
Censura: permitida a entrada de menores de 18 anos desde que acompanhados de responsável legal.
Acessibilidade: o local é totalmente equipado para atender a PCDs e haverá um espaço exclusivo para cadeirantes poderem ver os shows com toda a visibilidade e conforto.
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Elephant Run revisita “Fernanda” em clima de jazz, tarantela e chuva

RESUMO: A Elephant Run revisita uma música de 2017 em Fernanda, versão acústica gravada no Mato Records, em Minas Gerais. A faixa troca o peso psicodélico por violão, bandolim, jazz e tarantela.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Gregory Rowlinson / Divulgação
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O Elephant Run resolveu voltar quase dez anos no tempo para mexer em uma de suas primeiras músicas. A banda sueco-brasileira apresenta uma versão ao vivo e acústica de Fernanda, faixa do primeiro álbum do grupo, lançado em 2017. A gravação faz parte da série Mato Sessions e foi realizada no Mato Records, estúdio localizado no interior de Minas Gerais.
A música ganhou outro desenho nessa nova versão. O arranjo abandona o peso roqueiro e psicodélico do original e coloca violão, bandolim, baixo acústico e bateria tocada com vassourinhas no centro da gravação. A ideia também aproximou Fernanda de referências de jazz e tarantela, sem apagar a identidade da banda.
“O rock é a nossa base, mas estamos abertos ao jazz, ao folk ou a elementos mais teatrais, se for esse o caminho da música”, diz Amanda W. Plantin, que divide os vocais e o piano com Ladislau Kardos (bateria), Fernando Coelho (bandolim) e Renato Cortez (baixo acústico). Karin Älverbrandt participa da sessão no violão e nos backing vocals. “Não temos receio de construções longas, estruturas pouco convencionais ou de deixar uma música levar o tempo que precisar”, completa Amanda.
Fernanda tem um significado especial para a Elephant Run. É uma das primeiras composições do grupo e integra o repertório que a banda chama de “nordic tropical”, combinação de referências que também aparece em outros momentos de sua trajetória. A versão original ganhou tratamento mais psicodélico; agora, a música parece ter sido colocada em outra paisagem.
O Mato Records ocupa um lugar importante nessa história. O estúdio fica na casa de Renato Cortez e se transformou em um ponto de encontro para uma banda cujos integrantes vivem em diferentes partes do mundo. Foi ali que a Elephant Run gravou Leftover land, seu álbum mais recente, lançado em 2024. Renato também mixou e masterizou a nova sessão.
“Fazer regravações, outros arranjos de obras, sendo nossas ou não, é algo que eu sempre gostei”, conta o baixista. “É um exercício de se apegar a algo essencial da música e abandonar o resto. Com a presença da Karin Älverbrandt conosco naqueles dias, foi natural fazer uma versão com o apoio da voz e do violão que ela fez.”
A gravação ainda ganhou uma solução visual que nasceu de um problema. A ideia inicial era registrar a banda ao ar livre, com as montanhas ao fundo, mas a chuva forte obrigou todo mundo a permanecer dentro do estúdio. As câmeras de Rafael Russano acompanharam a performance na sala de estar, enquanto Tiago Feliciano cuidou da edição de cor e levou o vídeo para o preto e branco.
“Queríamos gravar ao ar livre, com as montanhas como pano de fundo, mas estava chovendo muito, então tivemos que fazer a gravação na sala de estar do estúdio, em frente às janelas”, conta Amanda. “Então, a chuva acabou se tornando parte da narrativa e decidimos incorporar essa linguagem na pós-produção, mostrando a chuva e usando, por exemplo, o preto e branco”.
E tá aí Fernanda.
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Uma música de seis minutos, um público fiel e a aposta da Lighthouse

RESUMO: A Lighthouse desafia a lógica do single curto com Saudade, faixa de mais de seis minutos que virou favorita nos shows. Produzida por Teago Oliveira (Maglore), ela mistura emo, Radiohead, Coldplay e Midwest emo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Matheus Oliveira / Divulgação
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O mercado musical é cheio daquelas ondas que Nelson Rodrigues chamava de “Sobrenatural de Almeida”: discos altamente pop que não emplacam, músicas aparentemente anti-comerciais que viram hits, canções que são abraçadas pelo público mas nem sempre seguem a lógica-padrão das rádios e gravadoras. A banda Lighthouse, por exemplo, decidiu fazer da música Saudade um single após ver que ela fazia bastante sucesso nos shows. E Saudade, vale dizer, é uma música introspectiva, densa e… grande, com mais de seis minutos de duração.
Traduzindo: se a lógica do mercado é partir para canções “fáceis” e curtas, esse grupo formado no interior de São Paulo não está nem aí pra isso – muito menos seu público. “Desde sempre ela é muito importante para nós, foi a primeira música que o público abraçou”, recorda o guitarrista Matheus Oliveira, que integra a banda ao lado de Ralf Ricardo (vocalista), Felipe Rodrigues (baixo e voz) e Danilo Abreu (bateria).
- Ouvimos: Teago Oliveira – Canções do velho mundo
A banda, formada no interior de São Paulo, se trancou no estúdio com o produtor Teago Oliveira (da banda baiana Maglore), e saiu de lá com Saudade registrada como uma canção quase progressiva, sem trair as origens emo e alternativas do grupo. A letra, bastante contemplativa e nostalgica, fala sobre a ausência de alguém e a falta que a pessoa deixou. O arranjo inclui riffs dedilhados e uma onda sonora que remete simultaneamente a Radiohead, a Coldplay e ao Midwest emo.
“É a mesma música, mas totalmente diferente. Estou ansioso para ouvir a galera perguntando: ‘isso é Lighthouse?’, brinca Ralf, dizendo que muita coisa foi acrescentada na canção, mas a essência foi mantida. “A expectativa que tínhamos é agora pequena perto do que se tornou realidade. Ter uma música produzida por um ídolo, em um processo tão leve, gratificante e evolutivo, já me deixa muito satisfeito”, diz o músico, que, como os amigos de banda, tem Teago e o Maglore como referências.
Saudade é o segundo single da Lighthouse, que já conta com a faixa Calma, lançada em 2024, e o EP Ao vivo na viva, de 2025.
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