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Lollapalooza 2026 – Quem andou aparecendo no Pop Fantasma (3)

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Foto Lorde: Talia Chetrit/Divulgação

Tudo nessa vida poderia ser melhor do que é – até mesmo o Pop Fantasma. Mas quer saber? A programação de domingo do Lollapalooza 2026 é a prova de que a gente vem fazendo uma catação pop-rock bem feita (dos dez artistas, só dois não foram resenhados no site). Confira aí embaixo e programe-se para ler, ver e ouvir (falamos de sexta e sábado também). E ainda por cima tem Lorde.

Foto Lorde: Talia Chetrit/Divulgação

DOMINGO:

LORDE, “VIRGIN”. “Ah, artista adora esse negócio de ‘ruptura’”, disse certa vez uma ex-professora de matemática, pouco escolada nesses assuntos de arte e mais chegada numa fórmula de Báskara. No caso de Lorde, ela é a própria ruptura: Virgin, seu novo disco, é denso ao extremo, e bica o balde mandando para longe todas as versões anteriores dela. E agora, ainda por cima, Lorde é uma artista independente. Vale não só ver o show como esperar as próximas movimentações (resenha aqui).

PAPISA, “AMOR DELÍRIO”. Cantora paulistana de registro calmo, voz delicada e melodias meditativas – o álbum Amor delírio faz questionamentos sobre o amor romântico dentro de uma estética de pop psicodélico, que louva o pop nacional dos anos 1980, e opera numa esquina entre Mutantes e Titãs (resenha aqui).

MUNDO LIVRE S/A, “SESSÕES SELO SESC #15” (AO VIVO). Dispensa apresentações – e sem medo de errar, dá pra dizer que nunca o Brasil precisou tanto ouvir canções como Livre iniciativa e Saldo de aratu (ano de eleição, reacionarismo querendo botar a cabeça pra fora novamente, etc). Os shows são sempre históricos (resenha aqui).

TURNSTILE, “NEVER ENOUGH”. Essa banda do Baltimore aumentou bastante os limites do emo, com teclados, referências synthpop, vibes oitentistas e cacoetes hyperpop. Só não dá pra dizer que fizeram a revolução do estilo sozinhos: bandas como High Vis são tão responsáveis quanto, e grupos mais inclassificáveis, como Balu Brigada e Militarie Gun também estão nas mesmas trincheiras. Vai fazer sucesso no Lolla (resenha aqui).

TYLER, THE CREATOR, “DON’T TAP THE GLASS” / “CHROMAKOPIA”. Depois das histórias reais e dolorosas de Chromakopia, a vibe dançante e alegre de Don’t tap the glass – e Tyler, um rapper que já saiu mordendo quem atravessasse seu caminho, ganhou definitivamente outra cara. Se seguir os setlists dos shows recentes, Tyler vai focar na nova fase musical e deixar o clima pesado de Goblin, sua estreia solo (2011), quase de lado (resenha aqui e aqui).

JONABUG, “TRÊS TIGRES TRISTES”. Essa banda é tida como “emo caipira” por muita gente – mas o som é bem mais variado, unindo noise rock, grunge e pós-punk em poucos minutos. Seu álbum de estreia tem um som que está mais para grunge do que para shoegaze – mesmo que invista em paredes de guitarra e ruídos. Vale ver e ouvir (resenha aqui).

NINA MAIA, “INTEIRA”. Nina ainda não é mainstream – azar do mainstream, que deixa de dar espaço para a autora de um disco fino e significativo como Inteira. Um álbum conceitual sobre auto-descoberta, em que “a personagem começa trancada, questionando a si mesma e o mundo ao redor. Aos poucos, ela passa a entender o que aconteceu dentro de si e o que a deixou nesse lugar” (resenha aqui).

ADDISON RAE, “ADDISON”. Ela tem um disco legal e um sonho – e tem tudo para ter o povo a seu lado, já que a norte-americana é um misto de cantora, influencer e mito aspiracional para garotas brancas (a postura de “it girl pop” de Addison é mais acessível que a de sua ídala Britney Spears, por exemplo). Falta uma marca sonora e pop mais reconhecível, mas vale ver o show (resenha aqui).

PAPANGU, “LAMPIÃO REI”. Rock paraibano, apaixonado por música brasileira, vibes progressivas, ondas stoner e aclimatações próximas do krautrock. Acaba de lançar um single novo e está contratado pela Deck – bom momento para subir no palco de Interlagos. Promete (resenha aqui).

BALU BRIGADA, “PORTAL”. Um disco certeiro e festeiro, que une mistura rock, synthpop, house e punk. O irmãos Henry e Pierre Beasley são fiéis a uma das caras musicais de 2025 / 2026, que é a mistura sonora e a não-acomodação a um só estilo. Há quem diga que não são bons de palco (mix ruim, som ao vivo que não tem a força do disco, etc). Só vendo (resenha aqui).

ORUÃ, “SLACKER” / “PASSE”. Uma das bandas brasileiras mais internacionais, o Oruã faz uma releitura kraut da música brasileira, dos sons dos terreiros e do design sonoro urbano – uma vibe que une Seattle, Berlim, Praça Tiradentes (Rio) e Baixada. Os shows são sessões de hipnose (resenha aqui).

FBC. Tem três resenhas de discos desse rapper mineiro no Pop Fantasma (aqui, aqui e aqui). Mesmo tendo facetas diferentes que surgem a cada disco (soul, rap, funk, MPB), no palco tudo se une, como se não houvesse diferenças entre os estilos – um bom exemplo é o show de Assaltos e batidas, disco de boombap de FBC, que virou jazz-MPB no palco do Circo Voador.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Lollapalooza 2026 – Quem andou aparecendo no Pop Fantasma (2)

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Chappell Roan (Foto: Divulgação)

Vai aí um pequeníssimo raio X do que vai rolar neste fim de semana no Lollapalooza BR 2026 a partir das lentes (e ouvidos) do Pop Fantasma: uma turma numerosa que vai estar no show foi recentemente resenhada por aqui. Veja, coloque na lista de shows para ver  – caso você vá ao festival, ou vá ver pela TV – e ponha na sua playlist. Aqui falamos dos shows de sexta e aqui dos de domingo. E atenção para Chappell Roan.

SÁBADO:

CHAPPELL ROAN, “THE RISE AND FALL OF A MIDWEST PRINCESS”. Muitos olhos vão estar voltados para ela no sábado. Chappell vem ao Brasil apoiada em seus vários fãs, na comunidade LGBTQIA+ que ama músicas como Good luck, babe!, e no carisma pessoal – fora o storytelling de cantora que teve uma reinvenção no mercado. Os lançamentos dela vêm seguindo sua própria ordem, e não as maluquices do mercado, de estar sempre com uma carta na manga. O show promete (resenha aqui).

SKRILLEX, “FUCK U SKRILLEX YOU THINK UR ANDY WARHOL BUT UR NOT!! <3”. O DJ norte-americano já esteve no Lolla Brasil quatro vezes (uma delas com o projeto Jack Ü) e vem após uma série de singles colaborativos. O ultimo álbum foi esse de 2025 – um disco bem cansativo, por sinal (resenha aqui).

VARANDA, “REBARBA” (EP) / “BEIRADA”. Essa banda mineira tem som original (uma MPB-rock de contornos tropicalistas, destacando o hit Vida pacata) e vem na rabeira do lançamento do clipe de Não me – uma gozação com a noção de “show muito importante” que passa pelo Lolla. Vai sair de lá com mais fãs (resenhas aqui e aqui).

MARINA, “PRINCESS OF POWER”. Esse é o sexto disco da galesa Marina – e o terceiro em que ela assina sem usar a continuação “… and the Diamonds” ao lado do nome. Ela voltou unindo pop de câmara a vibes herdadas da disco music, em meio a um período de redescobertas pessoais e musicais que transparece nas novas canções (resenha aqui).

JADSA, “BIG BURACO”. Lançado recentemente em vinil, o novo de Jadsa teve gravação breve, tem emanações claras de Elis Regina e um som tranquilo, no estilo do “feito em casa”. Som intimista, mas de grandes possibilidades em cima do palco do Autódromo (resenha aqui).

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Lollapalooza 2026 – Quem andou aparecendo no Pop Fantasma (1)

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Deftones (Foto: Divulgação)

Vai aí um pequeníssimo raio X do que vai rolar neste fim de semana no Lollapalooza BR 2026 a partir das lentes (e ouvidos) do Pop Fantasma: uma turma numerosa que vai estar no show foi recentemente resenhada por aqui. Algumas dessas atrações fizeram mudanças substanciais em seu som (o Deftones, por exemplo, é uma das bandas que mais souberam se atualizar nos últimos tempos). Veja, coloque na lista de shows para ver  – caso você vá ao festival, ou vá ver pela TV – e ponha na sua playlist.  Começando por hoje.

SEXTA-FEIRA

DEFTONES, “PRIVATE MUSIC”. Geralmente mais celebrado como banda de “nu-metal”, Deftones é um grupo de música pesada e de tudo que possa tornar seu som mais intenso. Private music, o novo da banda, tem uma tendência nada ligeira a se aproximar do emparedamento shoegaze em vários momentos. Nos shows mais recentes, pelo menos cinco faixas do disco têm entrado no repertório (resenha aqui).

VIAGRA BOYS, “VIAGR ABIOYS”. Definir o Viagra Boys como uma banda punk-pop, como geralmente rola por aí, é bobagem: o grupo sueco está mais para dance-punk, stoner rock de festa. Sebastian Murphy, o vocalista, é aquele tipo de artista que consegue ser politicamente incorreto sem parecer um escroto – no Brasil, Rogério Skylab pertence à mesma turma (resenha aqui).

BLOOD ORANGE, “ESSEX HONEY”. Deve ser uma curtição ver como o britânico radicado em Nova York Dev Hynes leva seu som para o palco – Essex honey, seu disco mais recente, é um primor de melancolia e experimentação, daqueles discos que quase hipnotizam quem ouve. Um artista que vem mostrando há tempos que o mundo indie é pequeno para ele (resenha aqui).

SABRINA CARPENTER, “MAN’S BEST FRIEND”. A cantora que o mercado norte-americano está criando para ocupar o lugar de Taylor Swift (tem gente que leva isso realmente a sério) fez com que o primeiro dia do Lolla BR esgotasse todos os ingressos. Provavelmente vai levar uma baita Broadway para o palco montado no Autódromo. O disco novo gerou polêmica, e é bom (resenha aqui).

TERRAPLANA, “NATURAL”. Essa banda mineira ajudou o shoegaze a ser, senão uma força, uma onda bem interessante no Brasil – e seguiu uma tendência que vem ficando tão famosa no rock lá de fora, que vem pegando até no design sonoro do pop. As sessions no YouTube são boas e intensas (resenha aqui),

STEFANIE, “BUNMI”. Essa rapper paulista tem duas décadas de carreira, fez participações em álbuns de outros artistas, participou de coletâneas, mas só há pouco tempo saiu Bunmi, seu disco de estreia – e claro, a batalha para chegar até aí se tornou um dos assuntos do álbum (resenha aqui).

MEN I TRUST, “EQUUS CABALLUS” / “EQUUS ASINUS”. Convém ver nos setlists mais recentes qual a faceta que o Men I  Trust tá levando pro palco. Seus discos mais recentes, lançados um atrás do outro, vão da melancolia e do tédio ao pop bem referenciado (resenhas aqui e aqui).

 

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Jovem Dionisio tem novidades, Afghan Whigs também, e Varanda tenta arrumar nova vocalista em clipe (!)

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Jovem Dionisio (Foto: Fernando Mendes / Divulgação)

A banda curitibana Jovem Dionisio (vista aí em cima em foto de Fernando Mendes) vai soltando as peças do quebra-cabeça antes do disco inteiro aparecer. Depois do single Melhor resposta, chegam agora duas novas faixas de Migalhas, o proximo álbum: Faz tanto tempo e Saídas, lançadas no dia 18 e já dando uma ideia mais clara do caminho do álbum – previsto para 1º de abril.

Se você faz parte da turma que só conhece o hit Acorda Pedrinho, vai se surpreender muito com a beleza e o clima introspectivo das novas músicas: Faz tanto tempo vai aos poucos e tem cordas que puxam um clima mais emotivo, além de surpresinhas escondidas na melodia.

Saídas tem outro pique e tem linhas vocais que sugerem algo de trap e funk – mas tudo misturado com uma melodia que lembra bossa nova e soul. Essa música inclusive ganhou uma versão ao vivo no YouTube, em clima bem mais despojado que na gravação de estúdio.

Um outro detalhe sobre o álbum que está vindo aí é que Bernardo Pasquali (voz), Rafael Dunajski Mendes “Fufa” (guitarra), Gustavo Karam “Karam” (baixo), Bernardo Hey “Ber Hey” (teclado) e Gabriel Dunajski Mendes “Mendão” (bateria) aproveitaram o lançamento do single duplo para revelar a capa de Migalhas (veja abaixo).

E amanhã, sexta, dia 20, a banda faz um show gratuito às 20h na Rua XV (vinte, enfim), em Curitiba, em frente ao Palácio Avenida, já divulgando o álbum. Uma surpresa para os fãs que o grupo conquistou em sua terra natal.

Capa do disco Migalhas, da banda Jovem Dionisio

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Pulando do alt pop nacional para o indie rock clássico dos Estados Unidos: Afghan Whigs voltaram nesta quinta (19) com sua primeira música autoral inédita em quatro anos. Desde o disco How do you burn, de 2022, não saía nada realmente novo deles, embora Greg Dulli e seus camaradas tenham lançado em dezembro um single com covers do Poliça (Fake like) e do Still Corners (Downtown).

A música nova é House of I, mixada e produzida por Dulli ao lado de Christopher Thorn em Nova Orleans e Joshua Tree. “Estávamos procurando por uma música animada e sentimos que encontramos aqui”, conta o músico. House of I é sim, uma música alegre – mas antes de tudo é um som pesado e grudento, que deve tanto a Joy Division quanto a Rolling Stones.

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E a poucos dias de tocar no Lollapalooza Brasil (sobem ao palco montado no Autódromo de Interlagos no sábado), a banda mineira Varanda lança o clipe da faixa Não me – uma das músicas lançadas no EP Rebarba, do ano passado. Perto de “um show muito importante” (como a banda costumava brincar nas redes sociais), o Varanda fez ontem uma nota oficial em seu instagram para avisar que… hoje ao meio-dia faria uma nota oficial (!) sobre o futuro do grupo.

A tal nota é o lançamento do clipe de Não me, que traz a banda escolhendo uma vocalista para o lugar da titular Amélia do Carmo – e a música-teste é a ótima valsa-blues lançada pelo grupo no EP. A própria Amélia (que por acaso dirigiu o clipe) participa do teste, disfarçada, o que rende umas risadas. Veja tudo aí e divirta-se.

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