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O que Interpol e Deftones explicam sobre o som de hoje

Tem Interpol e Deftones no Lollapalooza Brasil no próximo fim de semana – e tem também Turnstile, que acabou não sendo citado no título deste texto, mas também é uma das faces da moeda (uma moeda de três faces?) do som de 2025 e 2026. E não apenas do rock. Afinal, Deftones era uma banda escutada até mesmo por artistas que hoje fazem rap, trap ou música eletrônica.
Mas antes de tudo: se você olhar especificamente para o rock de agora, dá para notar uma mudança de prioridades. Hoje ele parece muito mais interessado em clima e textura do que em riff memorável ou virtuosismo. Em certo sentido, é quase o oposto do rock dos anos 1990 ou 2000. E tanto o Deftones quanto o Interpol foram bandas que ensinaram a muita gente – ainda adolescente lá por 2002 ou 2003 – que intensidade e atmosfera também fazem parte do jogo.
Por acaso, o Interpol é convidado especial do Deftones num giro pela Oceania que rola em maio, do qual participa também a intensa Ecca Vandal, do single Bleach. E Chino Moreno, cantor do Deftones, ama a estreia do Interpol, Turn on the bright lights (2002). “Toda grande banda tem aquele momento na carreira em que tudo se encaixa e tudo funciona perfeitamente. Não há uma música ruim naquele disco” (fonte: Numetal Agenda). Em SP, nesta quinta (19), tem side show do Lolla com Interpol e Viagra Boys.
Sem isso, fica difícil entender fenômenos recentes como Black Country, New Road ou a onda de dream pop e shoegaze que atravessa boa parte do rock e até do pop atuais. O Deftones, por exemplo, fez algo que hoje parece natural, mas na época não era: colocou coisas bem diferentes no mesmo lugar. Guitarras pesadas, camadas atmosféricas, vocais que alternam agressividade e delicadeza. E tudo isso com uma dinâmica emocional bem clara – músicas que começam flutuando e de repente explodem em peso.
O Interpol mostrou outra saída possível. Como fazer rock de guitarras com elegância e clima num momento em que o formato clássico de banda já parecia meio gasto. Claro que havia ali uma herança forte de nomes como Joy Division e The Chameleons. Mas o Interpol reorganizou esse vocabulário para uma geração que estava chegando.
Isso conversa bastante com outra característica do rock atual: a mistura de estilos. A atmosfera herdada do pós-punk funciona bem com synths, eletrônica ou estética indie. Ao mesmo tempo, o Deftones acabou virando uma ponte improvável entre metal, shoegaze e dream pop. Quando essas portas se abrem, as bandas passam a circular entre estilos com muito mais liberdade.
Tem também um fator geracional bem simples. Muita gente que está lançando discos hoje tem entre 25 e 40 anos. Ou seja: cresceu ouvindo música no começo dos anos 2000 – exatamente quando Deftones e Interpol estavam no auge criativo. O impacto de discos como White pony (2000) ou Turn on the bright lights (2002) acabou virando referência formativa para essa turma. É o mesmo mecanismo que fez tantas bandas dos anos 1990 reverenciarem The Velvet Underground ou The Stooges.
E tem um detalhe importante nessa história: essas bandas envelheceram bem. Diferente de muito nu metal ou de parte do indie da mesma época, o som delas não ficou preso a um truque de produção específico. O Deftones mistura peso, ambiência e melodia; o Interpol trabalha com estruturas simples, guitarras angulares e um clima urbano sombrio. São fórmulas relativamente fáceis de reaproveitar sem virar paródia.
Basta olhar em volta: quantos discos com essa cara você ouviu só no ano passado? O próprio álbum mais recente do Turnstile, Never enough, aponta nessa direção – mais um sinal de que o mapa do rock atual ainda passa, de um jeito ou de outro, por essas duas bandas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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E os Rolling Stones, que anunciaram um single sobre pizza?

Vai entender se isso é só uma brincadeira, mas os Rolling Stones publicaram no Instagram o aviso de que no dia 26, sai um single – que não está na lista de músicas do próximo álbum, Foreign tongues – cujo título de trabalho é Fuck ur pizza.
Na real, tudo que existe até o momento é o tal anúncio e um vídeo de ensaio da tal música, em que a banda aparece com o produtor Andrew Watt no estúdio comendo pizza, e surgem algumas conversas sobre comida. Mick Jagger, por exemplo, diz que não curte pizza, mas come se o alimento for “pequeno e crocante”. Ron Wood pergunta se tem de cogumelo.
Mais fácil imaginar os Stones lançando uma pizzaria com a marca deles do que uma música sobre a iguaria, mas se for verdade, a tal da Fuck ur pizza é uma produção que envolveu toda a turma que toca com a banda – e no tal vídeo, dá pra ver ninguém menos que a lenda viva Steve Winwood nos teclados.
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Foreign tongues, que é o 25º disco de estúdio da banda, sai dia 10 de julho. O álbum traz Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood ao lado de seus principais colaboradores, incluindo Darryl Jones (baixo), Matt Clifford (teclados) e Steve Jordan (bateria). Também inclui uma participação especial do batera Charlie Watts, feita durante uma de suas últimas sessões de gravação (ele morreu em 2021). E ainda há participaçõoes de Steve Winwood, Paul McCartney, Robert Smith (The Cure) e Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers).
O disco só não vai ser lançado imediatamente com shows. Keith Richards diz que não existe plano de turnê para 2026 e que, neste momento, a prioridade é colocar o novo disco no mundo antes de pensar nos próximos movimentos. Talvez ano que vem. Mick Jagger, por sua vez, está ansioso para voltar aos palcos “o quanto antes”. Mas… “Não acho que será este ano. Espero que seja o mais breve possível”, disse.
Foto: Kevin Mazur / Divulgação
- Mais sobre Foreign tongues aqui.
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Trompas transforma angústias da pandemia em peso no single “Anxiety”

A pandemia já acabou, mas seus efeitos seguem aparecendo em músicas feitas naquele período, e lançadas agora. É o caso de Anxiety, novo single do Trompas, trio formado por Wally (voz e guitarra, fundador do CPM 22), Thiago Caurio (bateria) e Benhur Lima (baixo). A faixa nasceu das inquietações vividas durante os meses de isolamento e transforma sentimentos que marcaram aquele período na matéria-prima de um som pesado e arrastado.
O Trompas vem trabalhando numa área situada entre o sludge e o stoner metal, apostando em riffs lentos, clima sombrio e letras voltadas para desconfortos pessoais e coletivos. Em Anxiety, seu terceiro single, a banda olha para uma experiência comum na pandemia: a sensação de incerteza diante do mundo, já que toda a previsibilidade da vida com a qual a gente estava acostumado foi por água abaixo.
“Mesmo quando não estamos sozinhos, às vezes sentimos um certo vazio, uma tristeza, uma sensação de solidão. Escrevi essa letra durante a pandemia, quando eu tinha a impressão de que o mundo estava acabando. Aquilo gerou muita ansiedade, e acredito que muita gente tenha sentido o mesmo, porque foi uma grande loucura”, lembra Wally.
O músico recorda a lentidão dos dois anos de pandemia. “Havia uma mistura de angústia, ansiedade e incerteza, sem saber exatamente o que aconteceria dali para frente”, conta. “Foi um período que me inspirou muito a escrever. Acabei descarregando na letra várias coisas que estava sentindo naqueles dias, e tudo isso acabou se transformando na música Anxiety”.
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Um detalhe interessante é a capa de Anxiety: Wally juntou antigos telefones de ramal da casa de sua família, espalhou tudo sobre um gramado e bateu a foto – que foi parar na arte do compacto. São objetos tradicionalmente ligados à urgência, à cobrança e à necessidade de comunicação, que aparecem fora de contexto, imóveis e silenciosos, e lembram de uma época em que o contato com o mundo exterior mudou totalmente.
Anxiety adianta o EP de mesmo nome, que chega às plataformas nesta sexta (19), e que fala sobre o lado mais complexo da vida: frustrações, relações desgastadas, vínculos que vão terminando e etc.
Foto: Divulgação
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Camping de produção musical gera primeiro lançamento do coletivo M_AI

Uma experiência coletiva de criação musical deu origem a Por aí, primeiro lançamento ligado ao Camping de Produção Musical promovido pelo clube Música Que Não Toca Por Aí. O encontro, idealizado por Monique Dardenne, reuniu cinco produtores com trajetórias diferentes: L_cio, Nelson D, Nina Maia, Yann Dardenne e Julio Torres. Além da produção, todos atuam também como instrumentistas, compositores ou DJs.
A proposta era simples: criar uma música de forma colaborativa, sem uma liderança definida dentro do estúdio. O processo aconteceu ao longo de quatro encontros presenciais, complementados por trocas de ideias à distância. Parte dos participantes sequer se conhecia antes do projeto, já que vieram de cenas musicais distintas.
Por aí inaugura também o M_AI, coletivo que pretende reunir artistas em edições desses campings criativos. A ideia é repetir o formato com novos participantes, ampliando as conexões entre músicos e produtores.
Na faixa, a voz e a letra de Nina Maia conduzem uma composição baseada em repetição e atmosfera. As melodias foram construídas coletivamente e seguem um caminho próximo ao de um mantra, sem grandes mudanças de direção ao longo da música.
“Viver um processo de co-produção a muitas mãos é algo que sempre tive interesse. Estar ao lado de Nelson, Laércio e Yann criando a partir das nossas intuições, sob a direção afetiva e libertadora da Monique, foi realmente um presente. Por aí me move e me enche de orgulho – pelo resultado, mas principalmente pelo processo!”, conta Nina.
Monique Dardenne conta que o projeto nasceu da vontade de valorizar os processos criativos e incentivar a convivência entre artistas. Por aí, lançado pela Seloki Records com distribuição da Virgin Music Brasil, é o primeiro resultado dessa proposta. “É um laboratório vivo, com curadoria ativa, encontros pequenos e intensos, conversas profundas, experiências presenciais e conexões que geram impacto real para muito além do networking”, conta ela.
Além de música, tem papo, já que dentro do M_AI nasce também o videocast Música que Não Toca por Aí, ocupando o bar Matiz, no centro de São Paulo, nesta primeira temporada. Gravado em um ambiente especial e composto por 7 episódios, o programa revela quem “são as pessoas da música e não apenas o que elas fazem”.
Em cada episódio, Monique vai entrevistar artistas e agentes fundamentais do mercado em um “papo profundo e divertido, guiado por histórias do coração contadas por 5 vinis da coleção pessoal do convidado, bastidores, aprendizados técnicos e momentos raros que permeiam a conversa e música de fundo”.
Foto: Marcos Bacon / Divulgação


































