Crítica
Ouvimos: MINTTT – “Mixtape da prensa hidráulica”

RESENHA: Retrato caótico do Rio vira funk industrial em MINTTT: beats pesados, colagens sonoras e ironia transformam violência e desespero em baile ácido.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Orphans Club
Lançamento: 10 de fevereiro de 2026
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
E aí, preparado / preparada para enfrentar o Rio de Janeiro? Calma que não estamos falando do calor da capital carioca, e sim de toda a desesperança vivida por quem mora no Rio e pensa. Enfim: a / o carioca que tem que enfrentar transporte público cagado, governadores escolhidos “a dedo”, um povo conservador que se acha gente boa, uma burguesia numerosa – e ainda leva de brinde violência, turismo sexual, medo de bala perdida, etc etc etc.
Esse estado de espírito de puro caos (a “beleza” colocada ao lado do “caos” em Rio 40 graus, música de Fernanda Abreu, já deixou ter o mesmo peso faz tempo) comanda Mixtape da prensa hidráulica, álbum da produtora Min Tsgono ou simplesmente MINTTT – e que basicamente é um disco de funk industrial, em que batidões e sacanagens surgem como se tivessem passado por um banho de loja kraut.
- Ouvimos: Cyberkills – Dedo no cue
Esse encontro musical entre os universos de Rennan da Penha e da banda alemã Faust cria quase um baile lisérgico, conceitual e pesado, cabendo o funk Blade Runner de Lobotomia extrema (“suprema sensação de putaria proibida / suprema sensação de putaria escondida / vaza pro amigo, assiste na TV do quarto…. / aqui quem está falando não é uma mulher, é um robô”), o caos de gritos e gemidos de Não grita !!!!!!!!!! , o ritmo próprio de Todos vão cair evoluídão, a vibe quase psicodélica de Turismo sexual e o quase drum’n bass de Hoje eu vou zoar.
As letras soam como colagens de algo que até parece um pesadelo, mas vamos combinar que tendo bom humor, dá para rir – nem que seja da desgraça de encarar um sistema que você não sabe desmembrar, ou vários inimigos que você não conhece direito. Em Cidade maravilhosa (nada a ver com o hino oficial do Rio), samples, pregações e momentos de pura bizarrice misturam-se aos “vai tomar no cu, ô filho da puta” berrados pelo torcedor irado do curta-metragem Unido vencerás, sobre a torcida do América FC. No final, a selvageria de O último desliga a luz, que migra para um som cada vez mais lento e chapado.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Crítica
Ouvimos: Jubba & Samyr – “Até que foi bom, sabe?”

RESENHA: Dividido entre São Paulo e Paraíba, o duo Jubba e Samyr reúne em Até que foi bom, sabe? slowcore, soul, trip hop, city pop, folk-rock e trap em um álbum experimental sobre perdas, obsessões e recomeços.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 23 de março de 2026
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Dupla dividida entre São Paulo e Paraíba, Jubba e Samyr decidiram fundir sonoridades e experiências de vida nos climas experimentais e psicodélicos do álbum Até que foi bom, sabe?. Um disco que já começa entre estalos que lembram um disco de vinil, partindo depois para a balada slowcore + soul Quando tudo ficou leve, eu quase flutuei – com toques de guitarra a lembrar um Pink Floyd vaporwave. E para o trip hop cheio de estranhezas de Desassossego, falando do sonho tenso com um amor que já se foi.
O disco é dividido em faixas com letra e vocal, e temas intermediários, como o city pop sombrio de 2406, o charminho lo-fi de K e o instrumental noturno e tranquilo de Vila Aurora. A união de estilos dos dois traz músicas como o folk-rock espacial e lisérgico de Coração de aço (cuja letra fala sobre a primazia de corações fortes e vencedores), o trap loucão de Cicatrizes e obsessões, o instrumental voador e urbano de Onsra.
Até que foi bom, sabe? chega ao fim com o bilhete triste de Dissolução, emoldurado por uma espécie de ambient guitarrístico. E com os quase seis minutos de Inércia, um trip hop que fala em ciclos fechados e recomeços, mas sem deixar a deprê ir embora.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Crítica
Ouvimos: Septik – “World of turmoil” (EP)

RESENHA: No novo EP, World of turmoil, o Septik mistura crossover, thrash metal, punk e metalcore em faixas rápidas e agressivas, com referências a Megadeth, Sepultura, Ratos de Porão e Metallica.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: REDSUN Records
Lançamento: 27 de agosto de 2026
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Com um álbum e alguns EPs e singles na bagagem, o Septik vem de Houston e aposta em sons extremamente rápidos, agressivos e ríspidos em seu novo EP, World of turmoil. Mesmo podendo ser definida como “crossover”, pelo cruzamento entre metal e punk a banda tem até alguma ligação com climas mais clássicos do metal, embora vá fundo numa receita anárquica para unir tudo.
Tipo na curta Oblivion, que abre em clima de metalzão, tem algo de Megadeth (a banda de Dave Mustaine volta e meia surge como referência em algumas guitarras do disco) mas encerra com arrotos, lamentos e um clima de possessão demoníaca. Mind the silence tem algo de rap nos vocais e ganha até certo suingue, com uma cara punk vindo depois. A faixa-título tem vocais rappeados e um clima meio metalcore.
O final de World of oblivion expõe influências de Sepultura e Ratos de Porão, e do metal dos anos 1990 em geral – Without a trace tem muito de Dead embryonic cells, do Sepultura. Dá até para ver algo de Metallica no refrão de Vanish point, embora a principal onda da música seja ter um beat quase punk, bem ágil. Como o rock dos anos 1990 tem se tornado o paraíso idealizado de um monte de bandas e artistas (do rock e do pop), normal o metal ir pelo mesmo caminho. No caso do Septik, vem dando certo.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Crítica
Ouvimos: Elli Ott- “The how to sing tape”

RESENHA: No álbum The how to sing tape, Elli Ott explora cordas, objetos e falhas de gravação para criar uma mistura de folk, ruído e experimentação, entre o meditativo e o caótico.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 21 de julho de 2026
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Ligado ao selo de K7s Drongo Tapes, de Seattle, Elliott Hansen – o popular Elli Ott – é um cara do ruído e da tentativa-e-erro. The how to sing tape, disco lançado também em fita K7, é quase um Quinteto Violado de um cara só, mas voltado menos para o tocar violão e mais para o “violar tocão”.
Ele fricciona vários objetos contra as cordas e faz uma espécie de ruído falsamente meditativo, em faixas como How to sing, a cantada e letrada Will I have to beg you for it? e Meditation on the little black cat (nessa, as cordas do instrumento parecem se romper e causam pequenas rupturas na própria faixa – e em alguns momentos, as cordas parecem estar sendo tocadas por algo operado com pedal).
Essa experimentação aparentemente sem nenhum mapa transforma o instrumento numa interferência (Pumpkin center lament pt 1) e vai seguindo até chegar a algo quase meditativo (Shrimplicity, Untitled). O lado mais “musical” do disco passa por temas folk tocados com certa delicadeza (Dr Olive’s dream e a luminosa Long sea, que chega a lembrar coisas de bandas como Hot Tuna). Uma viagem válida.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
















![[The] Music of Sound - Foto: Divulgação](https://popfantasma.com.br/wp-content/uploads/2026/09/the-music-of-sound-shimmer-80x80.jpg)

















