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Cultura Pop

Lembra do Arc, do Neil Young?

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Lembra do Arc, do Neil Young?

Em 1991, Neil Young preparou uma surpresa para seus grandes fãs. Em meio à turnê do disco Ragged glory, de 1990, ele e a banda Crazy Horse lançaram o disco ao vivo Weld. Tratava-se de um álbum duplo tão energético e (vá lá) violento que, durante a fase de mixagem, a audição de Young começou a ficar comprometida. “Feri meus ouvidos e eles nunca mais serão os mesmos”, chegou a dizer o cantor.

Após as mudanças e cavalos de pau musicais dos anos 1980 (quando tangenciou com o rockabilly, a música eletrônica e o pós-punk), o cantor e guitarrista canadense tirou o fim da década – e o começo dos anos 1990 – para abraçar novamente o rock. No caso de Weld, fez isso acompanhado de um trio básico (Ralph Molina na bateria, Frank “Poncho” Sampedro na guitarra e nos teclados, e Billy Talbot no baixo), com o qual retornou aos tempos de discos como Everybody knows this is nowhere (de 1969) e Tonight’s the night (1975).

O repertório incluía clássicos como Cinnamon girl e Cortez the killer, e tinha também uma releitura barulhenta (e imediatamente apelidada de “Guerra do Golfo”) de Blowin’ in the wind, de Bob Dylan, cheia de ruídos de ataques aéreos.

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>>> Veja também no POP FANTASMA: Neil Young proibido pela MTV em 1988

É mais ou menos nesse clima ensurdecedor que rola o disco gêmeo de Weld. O álbum Arc saiu como terceiro disco da edição original do álbum ao vivo em CD, trazendo uma única composição de 35 minutos, feita ao lado do Crazy Horse, com a ajuda de Sal Trentino nos efeitos eletrônicos. Depois foi lançado em separado e está nas plataformas digitais.

O que quase todo mundo comenta é que Arc foi bastante inspirado na música do Sonic Youth, uma das bandas de abertura da turnê de Young na época. Neil Young comparou o novo lançamento com Viagem fantástica, filme de ficção científica lançado em 1966, que falava sobre pessoas miniaturizadas e colocadas num submarino (também miniaturizado) para conseguir remover um coágulo do cérebro de um cientista.

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Arc é como estar dentro de uma coisa muito grande. Eu igualo Arc a esse filme. É como uma viagem através de um acorde poderoso. O acorde pode durar cinco ou seis segundos, mas leva trinta e cinco minutos. No tamanho ao qual estamos nos reduzindo, para passar por isso”, afirmou Young (diz aqui).

>>> Veja também no POP FANTASMA: Neil Young e o Hambúrguer de Ouro

A tal música de Arc teve origem na faceta cineasta de Young – que já andou dirigindo uns filmes, como a gente já até falou aqui. Em 1987, o músico começou a filmar Muddy track, gravado com uma câmera de mão durante a turnê europeia daquele ano dele com o Crazy Horse. Uma turnê, aliás, bastante acidentada. O artista estava lançando o mal-sucedido disco Life (1987), atraiu pouco público para os shows e, por fim, a relação com a banda ficou abalada. Só que em meio às encrencas, Young documentou com a câmera inícios e fins de canções. Mixou e editou tudo e fez uma trilha sonora basicamente liquidificada para o filme.

Muddy track (que pena!) nunca teve um lançamento comercial decente. Aliás, também nem está no YouTube. Em 2015 rolou uma retro da carreira de cineasta de Young e o filme passou em alguns cinemas. Olha aí um papinho de Neil Young com o cineasta Jim Jarmusch sobre o filme.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Digitalizaram todos os números de Broken arrow, revista do fã-clube de Neil Young

Neil Young mostrou o vídeo para Thurston Moore, do Sonic Youth (olha!) e o músico sugeriu que ele gravasse um disco inteiro daquela mesma forma. Só que, ao contrário do que se diz por aí, Arc não foi gravado com câmera de celular. Young pegou vários momentos de barulheira da turnê, compilou e editou tudo, e montou a música.

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“Que legal. Isso foi tocado ao vivo?”, você pode estar se perguntando. Por que não? Olha aí Neil e a banda americana Phish tocando um trechinho no Farm Aid em 1998.

 

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

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“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

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Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

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“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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