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Cultura Pop

Quando Cassiano e Luis Vagner tocavam no rádio e na TV

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Nos anos 1970, a música de Cassiano e Luis Vagner era bastante acessível. O primeiro estava nos proto-clipes do Fantástico com o vídeo surrealista de A lua e eu, que mostrava o cantor caminhando numa praia decorada com um portão de ferro, além de vários objetos aleatórios. O cantor paraibano também estava na trilha sonora do sucesso televisivo Locomotivas e no terceiro volume da série de LPs Globo de ouro, em ambos os discos com o hit Coleção (fora a mesma A lua e eu na sombria O grito).

O cantor e guitarrista gaúcho Luis Vagner, por sua vez, gravou discos solo que, se não venderam milhares de cópias, lhe deram o que hoje em marketing digital se chama de “construção de autoridade”. O disco dele de 1976, que tem Guitarreiro e Tesourão, saiu por uma gravadora bem popular (a Copacabana) e virou objeto imediato de culto. Mas Luis Vagner podia ser escutado também como o autor de músicas gravadas por Ronnie Von (o hit Silvia 20 horas domingo), Wilson Simonal (a tristonha Moro no fim da rua), Silvinha, Paulo Diniz, Dudu França, Luiz Américo (Camisa 10 era dele e de Helio Matheus) e outros cantores bastante populares.

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Vindo da Jovem Guarda gaúcha, Luis ganhou fama de guitarrista eficiente, virou um dos inventores da batida samba-rock, ganhou espaço na banda de Jorge Ben (como baixista) e permaneceu gravando discos em selos como Copacabana e Paradoxx, além de um excelente disco pela PolyGram em 1978, Fusão da raças. Não sumiu de fato da mídia, mas não conseguiu o mesmo espaço que outros grandes nomes tiveram, por vários motivos – e todos eles bastante injustos.

O caso de Cassiano, por sua vez, foi dos mais lamentáveis da história da música brasileira. O cantor teve um sumiço aparentemente involuntário após o clássico disco Cuban soul (1976), quando a tuberculose lhe retirou um pulmão (o caso chegou a ser explorado pelo mesmo Fantástico que exibiu o clipe de A lua e eu). Depois disso, gravou pouco, fez poucas parcerias, teve um momento de redescoberta com o disco Cedo ou tarde, de 1991 (cheio de participações especiais). Mas, segundo testemunhas, preferiu ficar isolado – num apartamento na Zona Sul carioca, e posteriormente num sítio. Recusou até uma tentativa de aproximação de Mano Brown, dos Racionais MCs, segundo o próprio.

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Não existe sumiço de graça no meio artístico. As vozes vão começando a se calar aos poucos. E muitas vezes se calam por causa de desânimo, por não serem entendidas, por não encontrarem lugar para se expressar, por preconceito (não por acaso, Cassiano e Luis Vagner eram dois artistas negros), por não quererem se adaptar aos novos tempos, por uma série de razões. Luis Vagner ainda lutou bastante, gravando poucos discos e fazendo shows, mantendo os fãs fiéis satisfeitos. Já Cassiano, que preferiu o mistério, deve ter deixado um baú de músicas inéditas que poderiam ter mudado a história da música brasileira. Ambos morreram nos últimos dias deixando um rastro de perguntas sem respostas.

Ironicamente, hoje a obra do cantor de Coleção está mais acessível, já que está quase inteira nas plataformas digitais. Por outro lado, os discos de Luís estão quase todos fora delas. Vale procurar todos os álbuns de qualquer jeito (sempre dá pra encontrar e no YouTube praticamente todos estão). E também maratonar, para conhecer uma concepção diferente, extremamente rica e criativa, de música brasileira. E que já deveria ser obrigatória nas rádios e paradas de sucesso faz tempo.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

Tem XTC no podcast do POP FANTASMA

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XTC

É a banda de Making plans for Nigel e King for a day! A banda britânica XTC deixou saudade na gente e em mais um monte de fãs. No nosso podcast POP FANTASMA DOCUMENTO, recordamos alguns dos momentos mais maravilhosos (nada de “melhores momentos”, XTC só tem música maravilhosa) desse grupo, liderado pelos gênios Andy Partridge e Colin Moulding, que acabou de forma misteriosa e deixou vários álbuns que todo mundo tem que conhecer. E convidamos o amigo DJ e músico Pedro Serra (Estranhos Românticos, O Branco E O Índio, Rockarioca) para ajudar a explicar porque é que você tem que parar tudo e ouvir o som deles agora mesmo.

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

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Cinema

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

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No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

Indo na onda do documentário Val, sobre o ator Val Kilmer, e recordando os 50 anos da morte de Jim Morrison, lembramos no nosso podcast, o POP FANTASMA DOCUMENTO, aquela época em que Val virou Jim. O ator de filmes como Top Secret interpretou o cantor no filme The Doors (1991), dirigido por Oliver Stone. E, de uma hora para outra, mais uma vez (e vinte anos após a partida de Jim Morrison), uma geração nova descobria canções como Light my fire, Break on through e L.A. woman.

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

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Cultura Pop

Quando pegaram Gary Cherone (Extreme) para Cristo

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Em 1994, pouco antes de gravar o quarto disco com sua banda Extreme (o pseudo-conceitual Waiting for the punchline, de 1995) e de fazer uma tentativa de virar o vocalista do Van Halen (que deu no disco Van Halen III, de 1998, e numa turnê), o cantor Gary Cherone encontrou Jesus. Bom, mais que isso: ele se tornou Jesus, como ator da ópera-rock Jesus Christ Superstar, mas apenas nas montagens da peça em Boston, em 1994, 1996 e 2003.

O papel de Gary incluiu a crucificação e tudo, e o cantor chegou a declarar que a peça era uma antiga obsessão sua. “Sempre adorei a música dessa peça”, contou. O musical foi uma produção da Boston Rock Opera, trazia ainda Kay Hanley (Letters To Cleo) como Maria Madalena, e participação de vários roqueiros locais. Gary realmente curtia Jesus Christ Superstar: segundo uma matéria do The Boston Globe, a equipe que fazia o musical estava pensando em não apresentar nada na páscoa de 1994. Só que Gary não deixou: tinha visto uma encenação em Boston em 1993, gostou do que viu, passou a mão no telefone e ligou pessoalmente para a turma oferecendo-se para o papel.

A equipe ouviu o pedido do vocalista do Extreme, achou que ser maluquice não aproveitar a oferta do cantor e partiu para os ensaios. Detalhe que Gary, depois de três temporadas sendo crucificado, se preparava para outro desafio na mesma peça: iria interpretar Judas, o amigo da onça de Jesus. “Gosto do papel de Jesus, mas Judas tem músicas mais pesadas”, chegou a dizer.

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Isso de Gary resolver interpretar Judas e gostar do lado meio pesado da história (e ele fez mesmo o papel em 2000) reacendeu uma velha polêmica em relação a Jesus Christ Superstar. Criada por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice inicialmente como uma ópera-rock lançada apenas em disco (ninguém tinha grana para levar aquilo tudo ao palco e não surgiam produtores interessados), a história discutia os papéis de Jesus Cristo e de seus apóstolos durante sua última semana de vida. E quando a peça foi à Broadway, com Jeff Fenholt como Jesus e Ben Vereen como Judas, não faltou gente reclamando que Judas parecia bastante simpático na peça.

Interpretando Jesus, por sinal, Gary encarou um papel que já foi vivido por outro vocalista de rock. Ninguém menos que Ian Gillan, que foi Jesus no LP da ópera-rock, feito quando ainda não havia planos para levá-la aos palcos. Mas Gillan não quis subir ao palco quando a montagem começou a ser feita, alegando que não queria virar ator. Um tempo depois, o papel de Jesus passou a ser tão cobiçado por roqueiros que até Sebastian Bach (o próprio) interpretou o papel.

Se você mal pode esperar para ver o ex-Skid Row interpretando o papel (bom, vai demorar pro POP FANTASMA fazer outra matéria sobre o mesmo assunto…) tá aí.

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