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Cultura Pop

John Lennon e Yoko Ono: apresentadores de TV por um dia

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Em 1970, Yoko Ono relançou seu primeiro livro, Grapefruit, lançado em 1964. O livro consiste de vários event scores – pequenas performances descritas em poucas linhas, para o leitor realizar ou não. O relançamento do livro em Nova York rolou pela editora Simon & Schuster e, evidentemente, foi acompanhado de perto por John Lennon, que já estava casado com ela.

Esse tipo de modalidade artística (event scores, ou pontuação de eventos, enfim) fazia parte do dia a dia do Fluxus. Foi um movimento que Yoko integrou em Nova York e que se definia mais como uma “atitude”. E não como apropriadamente um grupo artístico com objetivos radicalmente definidos. Em Grapefruit, esses eventos apareciam descritos como atividades quase infantis, como se fosse um livrinho de conselhos psicodélicos.

O livro tinha trechos como “pense que a neve está caindo. Pense que a neve está caindo em todos os lugares o tempo todo. Quando você fala com uma pessoa, pense que a neve está caindo entre você e a pessoa”. Ou “Imagine mil sóis no céu ao mesmo tempo. Deixe-os brilhar por uma hora. Em seguida, deixe-os derreter gradualmente no céu. Faça um sanduíche de atum e coma”.

IMAGINE

No vídeo acima, Karen O’Rourke, curadora da exposição Double fantasy – John & Yoko (que sentou praça no Museu de Liverpool até 3 de novembro de 2019) explica que Grapefruit teve influência básica até mesmo na música de John Lennon. Em especial na letra de Imagine, que apesar de ser creditada apenas ao ex-beatle, sempre foi referida como uma composição do casal. E há dois anos passou a ser considerada oficialmente uma música dois dois. Aliás, de certa forma, havia semelhança entre a linguagem de Grapefruit e a de Lucy in the sky with diamonds, que Lennon fizera para os Beatles e que já tinha verbos no imperativo (“imagine-se num barco em um rio”, “procure a garota com o sol nos olhos”, etc).

E foi sob o signo de Grapefruit que John Lennon e Yoko Ono viraram apresentadores de TV por um dia, em 14 de outubro de 1971.

MUITO TEMPO LIVRE

O lado Faustão do casal de músicos foi para o ar no programa Free time, que ia ao ar numa estação de TV pública de Nova York, a WNET. O Free time era uma atração de variedades muito louca. Ia ao ar três vezes por semana na faixa de 22h30 à meia-noite e variava a equipe de apresentadores, convidando sempre uma turma a fim de arrumar confusão. Num dos programas, o poeta beat Allen Ginsberg dividiu o palco com o cantor Bob Dylan, o poeta e ator Peter Orlovsky e Gerard Malanga, também poeta, ator e ex-integrante da trupe de Andy Warhol.

A aparição do casal já esteve milhares de vezes no YouTube, saiu de lá e voltou pra lá. Os dois dividiram o palco com o cineasta alternativo Jonas Mekas. Na frente de uma plateia bastante animada, os três fizeram uma performance que incluía trechos de um texto de Yoko intitulado Of a grapefruit in the world of park. Aliás, exibiu também filmes do casal (entre eles, o Up your legs forever, cheio de bundas desnudas, do qual já falamos aqui).

TOMOU UM TOMBO

A plateia também sobe no palco e num dos momentos mais malucos, vários dos espectadores sobem, em fila, numa escada, para uma tentativa de “voar” do degrau superior. Todo mundo cai nos braços de Lennon. Com exceção de um sujeito que cai da escada e vai direto em cima do próprio braço, no chão. O ex-beatle consegue socorrer o cara, mas só depois de tudo.

John Lennon e Yoko Ono: apresentadores de TV por um dia

Videocassetadas do Lennon

Tá tudo aí.

Via Dangerous Minds e That Eric Alper

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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