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Jalmy: pop baiano e música de verão em tempos pandêmicos

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Jalmy: pop baiano e música de verão em tempos pandêmicos

Baiano de Salvador, Jalmy viu seu estado passar por tempos difíceis no fim de 2021, com as chuvas e enchentes. O material de seu EP Movimento procura manter a bandeira do pop de verão erguida, mesmo que num período adverso – além de tudo, ainda temos uma pandemia rolando aí. O material é autoral (“é o que ouço, busco e o que me balança”, diz), e une influências de música eletrônica, reggaeton e ritmos baianos. Abre com um convite às festas de verão em Aquela hora do ano e passa por temas como a farsa do “novo normal” em Nada normal. E tem muito da música baiana que marcou o dia a dia de Jalmy na infância e na adolescência.

Batemos um papo com Jalmy sobre o EP, sobre música pop da Bahia e sobre como vão as coisas por lá depois das chuvas (que finalmente diminuíram).

Foto: Júlia Dominguez/Divulgação

Fala um pouco das lembranças do verão em Salvador que vieram na sua cabeça quando você estava fazendo o disco. No que isso se reflete em canções como Aquela hora do ano?

As lembranças dos verões em Salvador vem acompanhadas de sensações. Uma das sensações é de que a cidade e as pessoas se transformam nesta época do ano. Outra sensação é de encantamento. As manifestações culturais e as festas populares pulsam na alma da cidade. Se não fossem estes tempos “nada normais” o dia a dia da cidade no verão estaria recheado de várias festas tradicionais e é por este assunto que Aquela hora do ano começa a falar do verão. É sobre curtir e sentir, as pessoas, a rua, este espaço de disputa e encontros. Além disso no verão a gente quer tomar um banho de mar, dourar a pele no sol e ainda com o tempo da paquera, o envolvimento, para algumas pessoas.

Aliás, como tá sendo pra você a chegada do verão e do calor, depois de um fim de ano de chuva e frio, e de enchentes na Bahia?

É um começo de ano de cuidado, de atenção. Pra mim a diminuição das chuvas traz um alívio, justamente por conta destes estragos, embora os danos ainda estejam impactando a vida das pessoas, então é importante estarmos ligados nas campanhas de apoio às comunidades e contribuir da forma que for possível, é urgente, para muitas pessoas é pra ontem. Parece que o verão finalmente chegou por aqui, mas com todo este rebuliço, as enchentes, o agravamento da pandemia e até surto de gripe, então precisamos pisar macio para nos proteger e também cuidar de todas as pessoas ao redor.

Quais são os ritmos que você ouviu nas ruas da Bahia que estão no disco, e como a música que você conheceu quando criança e adolescente ajudou na composição?

O samba de roda, samba duro, samba afro, pagodão baiano são os toques baianos bem evidentes nos arranjos do disco. Ao longo da minha carreira pude me aproximar um pouco de cada um, só que além disso também cresci indo para festas de largo e o carnaval pipoca, vivendo o caldeirão sonoro dos encontros de trios e toda a irreverência e musicalidade das fanfarras e arrastões na Festa de Yemanjá, lavagem do Bonfim, Conceição da Praia e por aí vai. Tudo isto me leva a sempre compor arranjos ou letras com MOVIMENTO, balanço, uma ginga no ritmo, na estrutura do arranjo e até nas letras.

Como você começou a se envolver com música?

Tive o privilégio de crescer num ambiente familiar onde, embora não houvesse musicistas, se escutava muita música e o gosto era e é bem diverso. Desde de pequeno já admirava (e às vezes tentava tocar) nos arrastões e festas que aconteciam pela rua em que morava. Na escola lembro de ter tido aulas de música também. Aos 11 anos comecei a estudar violão num conservatório de música, foi onde também estudei teoria musical, canto coral, regência e harmonia, e permaneci até entrar na Escola de Música da UFBA.

O que você estava escutando quando fez o disco? O que te influencia musicalmente hoje, de modo geral?

A lista é enorme, a busca por sons e artistas novas é um passatempo, mas preciso começar por mestras e mestres, como Lazzo, Margareth Menezes, Gil, Orquestra Rumpillezz, Augusto Conceição, Jorge Ben Jor, passando também por Baiana System, Attooxxá, Sistema Pagotrap, Luedji Luna, Josyara, Japa System.

A pandemia foi influência de uma das faixas, Nada normal. Como foi colocar o tema em música? O termo “novo normal”, usado quando as pessoas achavam que aquilo tudo duraria 15 dias, era bastante irritante, não?

Falar sobre a pandemia no EP foi inevitável. Esse momento transformou e vem transformando as nossas vidas e na época tudo estava mais difícil, com atraso nas vacinas, os dados alarmantes e o negacionismo constante. Muitas vezes via o termo “novo normal” sendo dito numa tentativa de forçar uma normalidade num momento de muita cautela e preocupação.

Claro que as vezes é bom dar uma aliviada, abstrair, quando o momento que se vive está difícil de atravessar, acho que pensar num novo normal pode ter trazido esta sensação e quem sabe não ajudou as pessoas a atravessarem este momento, mas não pude deixar de fazer o trocadilho e Nada normal vem para abrir o olho e a consciência para o fato de que estamos longe do precisamos para poder chamar o que estamos vivendo de normal.

Muitos artistas estavam fazendo planos para esse começo de ano (shows, eventos etc), mas veio a ômicron e enfim… Como foi pra você?

Eu tava também, ainda mais depois de lançar o EP. Para mim o processo de produção e lançamento de todo o projeto solo veio em etapas, então comecei a planejar os shows depois de lançar o EP, mas aí veio este banho de água fria… A difusão do trabalho como artista independente tem muitos desafios e este é mais um na conta, mas tudo em seu tempo, sigo nas redes sociais me conectando com meu público e novos ouvintes que vem chegando bastante, até que tudo melhore e a gente se encontre nos palcos de novo.

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Urgente!: Quatro apostas nossas pro Grammy 2026

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Urgente!: Quatro apostas nossas pro Grammy 2026

A 68ª edição do Grammy Awards vai rolar neste domingo (1º) em Los Angeles, com transmissão pela TNT e pela HBO Max, a partir das 21h30 – a apresentadora Carol Ribeiro vai acompanhar tapete vermelho. O comediante Trevor Noah ocupa mais uma vez o cargo de mestre de cerimônias. A lista inteira de indicados você já acompanha em vários sites por aí – tem até Caetano Veloso e Maria Bethânia concorrendo na categoria Melhor álbum de música global por causa de Caetano e Bethânia ao vivo, registro da turnê dos irmãos. Os dois são os únicos brasileiros da lista, aliás.

E seguem aí quatro apostas nossas para a premiação (esse texto não tem patrocínio de nenhuma bet e aconselhamos você a não apostar dinheiro em premiação nenhuma).

Álbum do ano: Chromakopia, Tyler The Creator. Lançado em 2024, e não em 2025, Chromakopia é mais um divisor na carreira de um artista cuja discografia só tem divisores. O álbum vai além do hip hop e cai pra cima de r&b, jazz, rock, psicodelias e maluquices – algo que Tyler já vinha fazendo em discos anteriores, mas que aqui ganha outro foco. Como costuma acontecer na discografia de Tyler, é pra ouvir prestando atenção nas letras, já que, partindo de histórias de sua infância e adolescência, o cantor dialoga com sua mãe, com antigos amores, com velhas versões de si próprio, e com vários lados diferentes de sua versão atual.
Quem mais concorre: Bad Bunny, Debí tiras más fotos. Justin Bieber, Swag. Sabrina Carpenter, Man’s beat friend. Clipse, Pusha T & Malice, Let God sort em out. Lady Gaga, Mayhem. Kendrick Lamar, GNX. Leon Thomas, Mutt.
Quem deve ganhar: Bad Bunny, ou Sabrina Carpenter. Recentemente, a academia botou todos os votantes do Grammy Latino para votar junto com eles, o que talvez ajude Bad Bunny.

Canção do ano: Abracadabra, Lady Gaga. Mayhem, seu disco de 2025, foi prometido desde o início como um retorno à fase “grêmio recreativo” de Gaga. E sim, ele entrega o que promete: Gaga revisita sua era inicial, piscando para os fãs das antigas, trazendo clima de sortilégio no refrão do single Abracadabra (que remete ao começo do icônico hit Bad romance), e mergulhando de cabeça em synthpop, house music, boogie, ítalo-disco, pós-disco, rock, punk (por que não?) e outros estilos.
Quem mais concorre: Doechii, Anxiety. Rosé, Bruno Mars, Apt. Bad Bunny, DtMF. Guerreiras do K-Pop, Golden. Kendrick Lamar e SZA, Luther. Sabrina Carpenter, Manchild. Billie Eilish, Wildflower
Quem deve ganhar: Pode ser que Bad Bunny ganhe. Ou Kendrick, que tem o maior número de indicações de 2026.

Artista revelação do ano: Olivia Dean. Não resenhamos ainda o ótimo The art of loving, seu segundo disco – fica para uma das próximas semanas. A Variety aposta que ela será a vencedora por causa de sua turnê concorridíssima e cara que está a caminho, ainda que seu disco não tenha entrado na lista de melhores discos porque saiu tarde demais para isso. Como é um baita disco pop, é uma aposta bem especial para a gente.
Quem mais concorre: Katseye, The Marias, Addison Rae, Sombr, Leon Thomas, Alex Warren, Lola Young.
Quem deve ganhar: Talvez o histórico complicado de Lola Young comova os jurados, mas algo nos diz que Sombr, grande cantor a bordo de um disco mediano, I barely know her, tem um bom número de benzedores.

Álbum de rock: HAIM, com I quit, discão lançado em junho e que aparentemente, foi pouco lembrado ao longo do ano – mas cujo repertório pode conquistar muitos jurados. O que pode parecer uma versão musical da novela Quatro por quatro (no caso Três por três, enfim) na real é um disco bastante arrojado, rock de olho no pop e vice-versa. É também um disco que ensina que, às vezes, as histórias mais duras não terminam em vingança nem em perdão – terminam no entendimento de que esse mundo é cheio de gente sonsa mesmo.
Quem mais concorre: Deftones, com Private music. Linkin Park, com From zero. Turnstile, com Never enough. Yungblud, com Idols.
Quem deve ganhar: A tal info de que os votantes do Grammy Latino estão no corpo de jurados talvez ajude os Deftones. Ou o Linkin Park.

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Urgente!: Tom Morello faz show para vítimas da violência policial em Minneapolis nesta sexta (30)

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Tom Morello, um dos nomes mais politizados do rock, anunciou um show beneficente em Minneapolis para apoiar famílias vítimas da violência de agentes federais.

Tom Morello, um dos nomes mais politizados do rock, anunciou um show beneficente em Minneapolis para apoiar famílias vítimas da violência de agentes federais. Batizado de A Concert of Solidarity & Resistance to Defend Minnesota!, o evento acontece nesta sexta (30), no histórico First Avenue, palco que já viu de tudo no rock americano – inclusive o show histórico do Hüsker Dü que deu origem a esta caixa que a gente resenhou aqui.

A ideia do show é arrecadar fundos para as famílias de Renee Good e Alex Pretti, ambos mortos em janeiro de 2026 durante ações do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da U.S. Customs and Border Protection. Morello, que não é de fazer rodeios, divulga o show chamando as ações dos agentes federais pelo nome: fascismo.

“Se parece com fascismo, soa como fascismo, age como fascismo, se veste como fascismo, fala como fascismo, mata como fascismo e mente como fascismo, meninos e meninas, é fascismo, porra”, escreveu Morello no Instagram. “Está aqui, está agora, está na minha cidade, está na sua cidade, e deve ser combatido, protestado, defendido, enfrentado, exposto, deposto, derrubado e expulso. Por você e por mim”.

Além de Morello, o palco vai receber Rise Against, Ike Reilly e o guitarrista de jazz fusion Al Di Meola, com direito a convidado surpresa prometido pela organização. Os ingressos custam US$ 25, e toda a renda vai direto para as famílias das vítimas.

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Cinema

Urgente!: Show solo de Thom Yorke (Radiohead) na Austrália vira filme

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Urgente!: Show solo de Thom Yorke (Radiohead) na Austrália vira filme

É provável que os fãs do Radiohead estejam esperando BASTANTE por um filme de concerto do grupo – mas pelo menos vem por aí um filme de show de… Thom Yorke, líder da banda. A primeira tour solo do cantor vai ganhar o registro oficial Thom Yorke Live at Sydney Opera House, com os shows que ele fez em novembro de 2024 no Forecourt, pátio da Ópera de Sydney. Detalhe que os fãs não apenas do Radiohead como também de todos os projetos capitaneados por Thom podem esperar para se sentirem contemplados pelo filme. A direção é de Dave May.

Isso porque, segundo o comunicado de lançamento, Thom Yorke Live at Sydney Opera House “abrange todos os aspectos dos mais de trinta anos de carreira de Yorke como artista de gravação, desde uma versão acústica de tirar o fôlego de Let down (Radiohead), até faixas menos conhecidas favoritas dos fãs (como Rabbit in your headlights, do UNKLE) e seleções de seus aclamados álbuns solo com influências eletrônicas”. Ou seja: você confere lá todo o baú de recordações do cantor, que mergulhou também em canções de sua banda paralela Atoms For Peace e de seu projeto em dupla com Mark Pritchard (o disco Tall tales foi resenhado aqui pela gente).

Um outro detalhe que o release promete: mesmo que a casa de shows seja enorme, a sensação é a de assistir a um show bem intimista, tipo “uma noite com Thom Yorke”. “O filme tem ares de um vislumbre íntimo dos bastidores, permitindo testemunhar um mestre em ação. Yorke une as diversas vertentes de sua carreira com seu falsete arrebatador e presença de palco magnética. Para fãs de Radiohead, The Smile e tudo mais, esta é uma experiência cinematográfica imperdível”, dá uma enfeitada o tal texto.

Live at Sydney Opera House estreou no Playhouse da Ópera de Sydney no último dia 20 de janeiro. No dia 6 de março, uma sexta-feira, ele chega nos cinemas da Austrália. Vale aguardar? Confira aí Thom soltando a voz em Back in the game, dele e de Pritchard, e o trailer do filme (e sem esquecer que temos um podcast sobre o começo do Radiohead, que você ouve aqui).

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