Crítica
Ouvimos: Sophie Ellis-Bextor – “Perimenopop”

RESENHA: Perimenopop marca nova fase de Sophie Ellis-Bextor: pós-disco pop adulto, divertido e moderno, sem perder brilho nem personalidade.
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Tinha algo em Murder on the dancefloor, primeiro hit de Sophie Ellis-Bextor, que fazia com que a faixa se tornasse interessante para fãs de música pop e de indie rock – quem frequentava a Casa da Matriz, aqui no Rio, lá por 2002, acostumou-se a ver a música sendo tocada nas mais variadas festas e em inúmeros contextos. Podia ser a maldade do clipe, a morbidez embutida no título da faixa, o design sonoro realmente ecumênico da música, a atitude da cantora… Não faltavam motivos.
Mesmo tendo feitos discos bacanas depois de sua estreia Read my lips (2001), tinha algo que parecia distanciar bastante Sophie desse início, ou pelo menos do sucesso do início. Curiosamente, seu melhor disco depois do primeiro foi também seu álbum mais diferentão, o latinesco e independente Familia, de 2016, todo composto por ela e pelo produtor Ed Harcourt. Já Perimenopop, seu oitavo disco, traz Sophie fazendo uma brincadeira musical em cima de temas facilmente identificáveis por todo mundo: envelhecimento, mudanças corporais que vêm com o tempo, busca de diversão em qualquer idade (“perimenopop” é um trocadilho com “pop” e “perimenopausa”, alterações hormonais que a mulher tem antes da menopausa).
Talvez esse esquema de trabalho mais “pop”, digamos assim, tenha cabido como uma luva nas pretensões de Sophie. Após seu hit Murder on a dancefloor ser reavivado pelo filme Saltburn, de Emerald Fennell, algumas coisas mudaram no front de Sophie. Ela saiu do selo independente Cooking Vinyl, mudou-se para a antiquíssima e poderosa Decca, e fez de Perimenopop basicamente um álbum de pós-disco music, com diversos produtores, co-autores e equipes de criação – até Selena Gomez dá as caras no eletrorock Stay on me. Com tanta divisão e delegação de funções, Perimenopop conseguiu ser um disco pop, mas não genérico, e que se conecta com a dance music da virada dos anos 1970 para os 1980, mas com texturas novas.
Boa parte das faixas de Perimenopop tem a ver com a disco e com a turma da house music que tentava reavivar a disco sob outras dimensões. Isso rola em Relentless love, em Vertigo (que tem ritmo intermitente e rápido, e traz algo de hispânico no refrão), nos vapores sexy de Taste, na alegrinha Dolce vita e no clima oitentista de Time, por exemplo. Tem momentos do álbum em que parece que algo entrou na mistura e tornou certos detalhes mais derivativos. Rola em Glamorous, música de beat puramente anos 1990, e em Freedom of the night. A primeira tem algo até de New Order, por causa do baixo engrossado e proeminente, enquanto a segunda tem energia de música composta e arranjada por Giorgio Moroder – mas na comparação com as possíveis referências, algo desanda.
Já duas boas surpresas são Diamond in the dark, funk 70 com guitarra fazendo levadas disco – por acaso, Nile Rodgers (Chic) é co-autor dessa faixa – e o tecno lento de Heart sing, lembrando Orchestral Manoeuvres In The Dark, e a fase 2 do Ultravox e Goldfrapp. No fim das contas, Perimenopop dá certo: é pop adulto sem perder o brilho.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Decca
Lançamento: 12 de setembro de 2025.
Crítica
Ouvimos: Pabllo Vittar – “Prazer, Mamãe Noel” (EP)

RESENHA: No EP Prazer, Mamãe Noel, Pabllo Vittar cria um Natal divertido: tecnobrega, xote, dance e forró, com militância, amor livre e até ecos de emo e Queen — tudo em clima festivo.
Texto: Ricardo Schott
Nota:7,5
Gravadora: MTDRS
Lançamento: 20 de novembro de 2025
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Tem até militância LGBTQIAP+ em Prazer, Mamãe Noel, EP de Natal de Pabllo Vittar – mas o forte aqui é a criação de um disco divertido ligado a uma data que já recebeu um monte de discos-tributo cafonas. Tanto que o disco abre com Exatamente igual, tecnobrega-forró eletrônico zoeiro escrito como uma carta para Papai Noel (“só não me comportei em fevereiro”, avisa ela), e em seguida, vem um xote de Natal, A ceia (único feat do miniálbum, com participação de Dupê).
- Ouvimos: Capital Inicial – Movimento (EP)
A faixa-título é o lado dance music do trabalho – na real é uma versão do tema tradicional Jingle bells. Infinito abre como synthpop e cai dentro do forró, e é a única música que fala sobre amor e liberdade no disco (“tem espaço para nós dois / o medo de ontem já não sinto mais”). A curiosidade aqui é Não se esqueça de nós, canção pop que tem muito de emo, e do lado “rock sinfônico” do Queen.
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Crítica
Ouvimos: Lupino – “Esquinas”

RESENHA: Lupino mistura math rock com pop-rock 90s e ecos de emo, samba e pós-punk em Esquinas, criando um disco versátil, pesado e surpreendentemente melódico.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 3 de novembro de 2025
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Vindo de Florianópolis (SC), o Lupino faz uma interessante e incomum fusão de math rock com a vibe do pop-rock nacional dos anos 1990. Esquinas, primeiro álbum do grupo, tem ritmos quebradiços, climas musicais aprochegados do emo (como no romantismo de Melhor de ti, a faixa de abertura), mas volta e meia surgem até batidas de samba e ritmos funkeados em algumas faixas.
- Ouvimos: Flerte Flamingo – Dói ter
Mar calmo, por exemplo, tudo considerado, é math rock – mas tem peso, vibe lembrando Skank e entra até algo herdado de Jagged little pill (1995), de Alanis Morissette. Músicas como Noites de domingo, Chuva de verão e Abismo de começos unem a musicalidade do grupo com algum balanço nacional. Já Promessa de retorno varia entre riff circular de guitarra e melodia própria do emocore, e Cotidiano tem algo do pós-punk e da new wave nacionais dos anos 1980 na melodia e no arranjo.
A música, digamos, mais radiofônica de Esquinas é Submerso – chega a lembrar Adriana Calcanhotto, mas com sonoridade filtrada pelo pós-punk. Universos sonoros próximos do pós-hardcore surgem na melódica Inversão. E Muros ganha uma ambiência fria dada pelos teclados, além de um segmento eletrônico, com beats programados, que evoca o Turnstile.
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Crítica
Ouvimos: Clara Ribeiro e Chediak – “Desabafos” (EP)

RESENHA: Clara Ribeiro mergulha em beats eletrônicos e clima noturno em Desabafos, EP experimental feito com Chediak, entre r&b, folk texturizado e drum’n bass.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Speedtest / Deck
Lançamento: 14 de novembro de 2025
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Clara Ribeiro estreou em janeiro com o EP Amor para além do Atlântico Sul, lançamento do selo Banidos, de Duque de Caxias, Baixada Fluminense (RJ). Um disco entre o pop com cara marítima (e em tom levemente baiano), e o neo-soul, que pintava como uma tag forte em vários momentos. O novo EP, Desabafos, surge por mais um selo indie, Speedtest – só que dessa vez unido com a gravadora Deck.
- Ouvimos: Clara Ribeiro – Amor para além do Atlântico Sul
Dessa vez, Clara une seu som à “música elétrica” do compositor alternativo carioca Chediak, um cara cujo som passeia por vários elementos do som eletrônico. Chediak moldou composições, beats e arranjos ao lado dela, além de ter produzido as quatro faixas do disco – todas seguindo um clima mais experimental do que em Amor para além do Atlântico Sul. Na abertura, Escudo, um reggae que fala sobre mágoas que não se afogam (“o medo de pegar essa raiva no ar”) varia do dub ao drum’n bass e ganha a voz de Kbrum no rap.
Essa variação até o drum’n bass se torna a cara de Desabafos – mesmo o que parece mais tranquilo e acústico vai sendo enfeitado com beats intermitentes, como rola no folk texturizado de Minha estrela e no r&b gélido de Segredos. Lágrimas abre como balada r&b e faz lembrar a trip neo-soul do primeiro EP, mas com espaço para experimentar coisas novas, e um clima bem mais noturno.
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